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O que fazer com o que já está na casa

Relógio parado em casa: o que a tradição diz de verdade e o que fazer hoje

Comece pela parte que este portal não vai escrever: relógio parado não anuncia nada, não para a vida de ninguém e não tem relação com morte, e qualquer texto que sugira isso está vendendo susto. O que existe é bem mais simples e bem mais útil. Relógio é o único objeto da casa cuja função inteira é estar certo, então um relógio errado informa mal, e um parado marca há meses o dia em que alguém deixou de cuidar daquilo. Aqui você encontra o que a escola de fato trata, onde o relógio fica melhor e o método de vinte minutos que acerta a casa toda.
Numa casa em que cada relógio diz uma hora diferente, todos eles viraram enfeite.

O princípio, antes da receita

A leitura da escola sobre esse objeto é a mesma que ela aplica à lâmpada queimada e à porta que emperra, assunto que já tem página própria neste portal: coisa quebrada dentro de casa é decisão adiada, e ela cobra um pedacinho de atenção toda vez que alguém passa. O relógio tem uma agravante que os outros não têm: ele exibe um número, e número errado é informação ativa. Uma lâmpada queimada apenas não acende; um relógio quarenta minutos adiantado mente para você toda manhã, e depois de um tempo você aprende a corrigir de cabeça sem perceber que está fazendo isso.

Daí sai a regra que vale para a casa inteira e que quase ninguém aplica: todo relógio da casa deveria dizer a mesma hora. Some os seus. O do micro-ondas piscando 00:00 desde a última queda de energia, o do fogão parado num horário aleatório, o do rádio do quarto adiantado de propósito porque alguém achou que ia acordar melhor, o da parede da cozinha com pilha fraca, o da sala parado. Numa casa assim, todos os relógios perderam a função e a família passou a conferir a hora no celular, o que quer dizer que aqueles objetos deixaram de ser instrumentos e viraram decoração de mostrador.

Nos cinco elementos, relógio de parede é Metal, a família do que é redondo, definido e cortado com precisão, e a leitura tradicional do Metal é a do contorno e do limite. Faz sentido para um objeto que existe para dividir o dia em partes. Se o seu tem pêndulo, ele acrescenta movimento, que na escola conta separado e vale mais do que material, e é por isso que a tradição prefere relógio com som e movimento em cômodo de atividade e não em cômodo de repouso.

O que fazer hoje

Faça o giro de vinte minutos hoje, e ele resolve o assunto inteiro. Ande pela casa com o celular na mão como referência e acerte tudo: parede, micro-ondas, fogão, forno elétrico, rádio, despertador, o relógio do carro que está na garagem. Leve um pacote de pilhas se tiver, e se não tiver, anote o modelo que falta, quase sempre AA ou AAA, e resolva na próxima ida ao mercado. Enquanto faz isso, elimine o hábito do relógio adiantado de propósito: ele não faz ninguém acordar mais cedo depois da segunda semana, porque o cérebro passa a descontar a diferença, e o preço é que aquele mostrador deixou de ser confiável.

Depois decida o destino do que não anda. Um relógio parado costuma cair em uma de três situações. Se for pilha ou ajuste, resolveu agora. Se for peça de família com mecanismo quebrado, faça uma coisa e não a outra: ou orce o conserto com relojoeiro, que para relógio mecânico de parede costuma ser mais barato do que a pessoa imagina, ou assuma a peça como objeto e não como relógio, o que é uma solução elegante e legítima. Assumir quer dizer declarar: tirar os ponteiros, ou deixar num horário escolhido por você e contar isso para quem pergunta. A diferença entre um relógio parado e um objeto parado é a decisão, e ela é sua.

Sobre onde cada um fica, a escola tem preferências simples. Cozinha, entrada, área de trabalho e sala são lugares de relógio, porque são cômodos de atividade e ali a informação serve para alguma coisa. O quarto pede o contrário: um mostrador aceso ou visível na linha de visão de quem está deitado é justamente o que faz alguém conferir o horário às três da manhã e passar a fazer conta de quantas horas ainda restam. Se você usa o celular como despertador, deixe-o virado para baixo ou fora do criado-mudo, o que a página sobre fios e carregadores deste portal também recomenda por outros motivos. E evite tique-taque audível em quarto: som ritmado em cômodo silencioso é o tipo de coisa que ninguém nota de dia e todo mundo nota às duas da manhã.

O que não fazer

Não pendure relógio de frente para a cama nem acima da cabeceira. O primeiro é a versão sonora e visual do problema descrito acima, e o segundo é a regra geral do quarto, que pede que acima da cabeça de quem dorme só exista teto. Também não instale relógio grande bem em frente à porta de entrada, na linha reta: quem chega em casa merece encontrar outra coisa antes do horário, e a tradição prefere a entrada com espaço, luz e nada que informe pressa.

Não dê relógio de presente para chinês, e essa não é piada. Na China continental existe um tabu forte e conhecido a respeito: a expressão presentear com relógio soa igual à expressão que designa acompanhar alguém até o fim, usada para funeral. É um trocadilho, é levado a sério, e a saída de etiqueta é conhecida: quem recebe entrega uma moeda simbólica ao dar, transformando o presente em compra. Se você tem colega, cliente ou sogro chinês, essa informação evita um constrangimento real, e é uma daquelas coisas que rende conversa em qualquer mesa.

E não interprete a parada do mecanismo como aviso. É a superstição mais difundida sobre esse objeto no Brasil, aparece em música, em causo de família e em texto de internet, e ela não pertence ao feng shui: é folclore, do mesmo balaio dos sete anos de azar do espelho quebrado. Relógio para por pilha fraca, por óleo ressecado no mecanismo, por poeira e por queda. Se você acredita nisso e sente aperto ao olhar para o mostrador parado da avó, resolva pelo caminho prático, orce o conserto ou assuma a peça como objeto, e o aperto acaba junto com a indefinição.

O que ele faz e o que ele não faz

Acertar os relógios não muda nada além dos relógios, e vale escrever isso numa página em que a superstição costuma fazer o trabalho pesado. Nenhum mostrador interfere na sua sorte, na sua saúde ou em qualquer coisa que aconteça longe da sua casa, e o objeto parado não é sinal de coisa nenhuma.

O que dá para verificar é modesto e é justamente o motivo de a página existir. Informação errada exposta o dia inteiro obriga uma correção mental repetida, e ninguém contabiliza esse custo porque ele vem em parcelas minúsculas. Uma casa em que todos os relógios coincidem devolve à família uma referência comum, e referência comum é o que evita metade da discussão sobre atraso. Some a isso o efeito de subtração que a escola sempre buscou: você para de olhar para um objeto pela metade várias vezes por dia.

Existe ainda um ganho de segunda ordem que aparece em quase toda casa que faz esse giro. Ao acertar tudo, a pessoa costuma descobrir que a lista de pequenas coisas quebradas é menor do que a sensação que ela produzia, e essa descoberta é o coração do método que a página da lâmpada queimada deste portal desenvolve em detalhe. Relógio é um bom lugar para começar porque o conserto é imediato e o resultado é visível de longe.

Você sabia?

Na China, dar um relógio de presente é um dos maiores fora que um estrangeiro pode cometer, e o motivo é puramente sonoro. A frase que significa presentear com relógio, song zhong, soa exatamente igual a outra expressão, escrita com caracteres diferentes, que quer dizer acompanhar alguém até o fim, usada para o dever de estar presente no funeral de um parente. Como boa parte do simbolismo chinês nasce desse tipo de coincidência de som, o tabu pegou e é levado a sério até hoje em empresa, em casamento e em visita de negócios, com histórias famosas de autoridades estrangeiras que descobriram tarde demais. Existe até a saída diplomática consagrada: quem recebe o relógio entrega uma moeda de valor simbólico a quem deu, e assim o objeto muda de categoria e passa a ser uma compra e não um presente. Vale guardar o detalhe também porque ele explica muita coisa sobre a cultura em que o feng shui nasceu: numa língua cheia de homófonos, o que uma palavra parece dizer acaba pesando tanto quanto o que ela diz.

As providências, na ordem de impacto

  1. 1Ande pela casa com o celular na mão e acerte todos os relógios hoje: parede, micro-ondas, fogão, rádio, despertador, carro. Leva vinte minutos.
  2. 2Anote o modelo de pilha que falta, quase sempre AA ou AAA, e resolva na próxima ida ao mercado. Um relógio parado por pilha é a pendência mais barata da casa.
  3. 3Acabe com o relógio adiantado de propósito. Depois de duas semanas o cérebro passa a descontar a diferença, e o mostrador só perdeu a confiança.
  4. 4Para a peça de família que não anda, decida entre duas coisas: orçar o conserto com um relojoeiro ou assumir a peça como objeto e não como relógio.
  5. 5Tire da linha de visão de quem está deitado qualquer mostrador aceso, e vire o celular para baixo. Conferir a hora às três da manhã é o hábito que a página quer desfazer.
  6. 6Se você tem tique-taque audível no quarto, mude o relógio de cômodo. Som ritmado ninguém nota de dia e todo mundo nota às duas da manhã.

O elemento Metal por trás disso

Elemento

金 Metal

Cores

branco, cinza, prateado e dourado

Materiais

aço, alumínio, cobre, mármore claro, sino, moeda

Sinal de excesso

o ambiente fica frio e cortante, bonito de foto e desconfortável de ficar

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Perguntas frequentes

Relógio parado dá azar ou anuncia alguma coisa?
Não, e essa crença não vem do feng shui: é folclore brasileiro e europeu, do mesmo balaio dos sete anos de azar do espelho quebrado. O que a escola de fato diz é bem mais banal e bem mais útil: objeto quebrado dentro de casa é uma decisão adiada, e ela cobra um pedaço da sua atenção toda vez que você passa por ali. Relógio para por pilha fraca, óleo ressecado, poeira ou queda. Troque a pilha, orce o conserto ou assuma a peça como objeto, e o incômodo termina no mesmo dia.
Onde não se deve pôr relógio dentro de casa?
Dois lugares principais. De frente para a cama ou acima da cabeceira, porque um mostrador na linha de visão de quem deita é o que faz alguém conferir a hora às três da manhã e começar a contar quantas horas restam, e porque acima da cabeça a escola pede que só exista teto. E na linha reta da porta de entrada, onde quem chega dá de cara com a hora antes de qualquer outra coisa. Cozinha, sala, hall e área de trabalho são os cômodos em que o relógio informa algo útil.
Posso ter relógio antigo de parede que não funciona mais?
Pode, desde que ele seja declarado. A diferença entre um relógio parado e um objeto decorativo é a decisão de quem mora ali. Se você quer manter a peça da família que não anda, assuma: tire os ponteiros, ou deixe num horário escolhido por você e diga isso quando alguém perguntar. Isso encerra o assunto e transforma uma pendência silenciosa numa escolha. A outra saída igualmente boa é orçar o conserto, que para relógio mecânico de parede costuma custar bem menos do que a pessoa imagina.
Quantos relógios uma casa deveria ter?
Um por cômodo de atividade resolve, e a regra que importa não é de quantidade e sim de coerência: todos deveriam dizer a mesma hora. Se o micro-ondas pisca desde a última queda de energia, o fogão marca um horário aleatório e o da parede está quinze minutos adiantado, a família parou de confiar em qualquer um deles e passou a olhar o celular. Nesse ponto, os relógios da casa viraram enfeite de mostrador, o que é o oposto da função para a qual eles foram comprados.

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