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O que fazer com o que já está na casa

Bicicleta na sala: o que fazer com o objeto grande que não tem lugar

Toda casa tem um. Pode ser a bicicleta encostada atrás do sofá, o carrinho de bebê que não desce mais, a mala que voltou da viagem em janeiro, a esteira que virou cabide, o violão dentro do case. É a categoria dos objetos grandes sem endereço, e o feng shui olha para eles por dois ângulos bem concretos: o caminho que eles atravancam e o assunto pendente que eles representam. Aqui você encontra as saídas em ordem de custo, começando pela que é de graça e cabe nos próximos dez minutos.
Coisa grande parada no meio da sala não é bagunça. É uma decisão esperando na fila.

O princípio, antes da receita

Comece pelo caminho, porque é a parte que a escola trata como estrutural. A tradição lê a casa pela circulação, ou seja, pelo trajeto que as pessoas e o ar fazem entre a porta de entrada e os cômodos mais usados. Num apartamento de 45 metros quadrados esse trajeto costuma ser um só, da porta até a cozinha passando pela sala, com um corredor de um metro e vinte no meio. Uma bicicleta encostada ali reduz o vão útil pela metade, e o corpo aprende o desvio em dois dias. É aí que mora a parte perversa: você para de reclamar, mas continua desviando dez vezes por dia, e cada desvio custa um pouquinho de atenção que ninguém contabiliza.

Existe também a leitura de forma. Guidão, pedal e canote ficam exatamente na altura do quadril e da canela de quem passa, que é a altura em que a tradição desconfia de qualquer aresta apontada para a passagem. Não é preciso teoria nenhuma para confirmar: pergunte a quem mora com você quantas vezes já raspou a perna no pedal. A resposta costuma vir com o nome do móvel e a data.

O segundo ângulo é o que interessa mais e é o menos escrito. Objeto grande sem lugar quase nunca é só um objeto: é um projeto que foi pausado. A bicicleta é o passeio de domingo que parou, a esteira é a rotina que não emplacou, o violão é a aula que ficou para o ano que vem, a caixa fechada é a mudança que ainda não terminou. Nos cinco elementos, esses volumes metálicos e articulados contam como Metal, o elemento do contorno e da definição, e Metal jogado sem endereço é justamente a descrição da tradição para o ambiente em que nada tem lugar próprio. A casa cobra por isso todo dia, em silêncio.

O que fazer hoje

A primeira providência é decidir um endereço, e ela é gratuita. Não é achar o lugar perfeito, é escolher um lugar e cumprir. Pergunte apenas duas coisas: essa parede fica fora do caminho principal, e a bicicleta ali impede a abertura inteira de alguma porta ou janela? Se as respostas forem sim e não, o endereço está resolvido, mesmo que seja provisório. Objeto com endereço definido para de ser bagunça e vira mobília, e a diferença entre as duas coisas é só essa.

Depois vem a verticalização, que é onde o metro quadrado brasileiro é recuperado. Bicicleta em pé no chão ocupa cerca de meio metro quadrado; pendurada na parede ou no teto, ocupa zero. Suporte de parede simples custa na faixa de quarenta a oitenta reais e leva duas buchas. Se você mora de aluguel e não pode furar, existem três saídas boas: o suporte de chão vertical, que apoia a bicicleta pela roda e não encosta na parede, o gancho de teto preso em laje com bucha específica, que também é furo mas fica num lugar que ninguém repara, e o pendurador de tensão, que trava entre o piso e o teto sem parafuso nenhum. Confira sempre o limite de peso escrito na embalagem, porque bicicleta de aço passa fácil de quinze quilos.

Antes de comprar qualquer coisa, faça o inventário dos lugares que já existem e que você esqueceu. A área de serviço com gancho na parede, a varanda fechada com vidro, que resolve a chuva mas não a maresia de cidade de litoral, o vão embaixo da escada, o bicicletário do prédio, que quase todo prédio novo tem e quase ninguém usa por causa de um cadeado que custa cinquenta reais. E existe a solução de dez minutos, que vale para hoje mesmo, independente de tudo: escolha o caminho principal da casa, o da porta até a cozinha, e deixe ele completamente livre. Só isso já muda a sensação de entrar em casa hoje à noite.

O que não fazer

Não pendure roupa nela. Parece detalhe e é o ponto de virada: no instante em que a bicicleta ganha uma segunda função, ela deixa de ser um objeto esperando decisão e vira um móvel legítimo da sala, com toalha no guidão e camiseta no selim. O mesmo vale para a esteira que virou cabide e para a cadeira do quarto que virou pilha de roupa do dia. A tradição não se importa com o objeto, se importa com o acúmulo que ele começa a organizar em volta de si.

Não deixe atrás da porta de entrada. É o lugar preferido do país inteiro e é o pior de todos, porque a escola inteira começa pela porta principal e pede que ela abra por completo, encostando na parede. Uma bicicleta ali tira os últimos trinta centímetros de abertura e transforma a chegada em manobra. Também não vale a solução do corredor estreito, que parece organização e é obstrução: o corredor é o trecho onde ninguém para e todo mundo passa, exatamente o oposto do que se quer para um objeto imóvel.

E não compre o organizador antes de tomar a decisão. Suporte, capa, gancho e prateleira comprados para justificar a permanência de uma coisa que você não usa há dois anos são a versão cara do adiamento. Primeiro responda à pergunta, depois compre o acessório. Vale também para o carrinho de bebê que ficou grande demais e para a caixa de papelão da compra online guardada por causa da garantia, que na maioria dos casos já venceu.

O que ele faz e o que ele não faz

Nenhum objeto parado dá azar, e a escola do Chapéu Negro, que este portal segue e que orienta o baguá pela porta de entrada, nunca disse isso. O que ela diz é que a casa se lê pelo que circula e pelo que está travado, e que travamento é sempre acúmulo, não maldição. A pergunta honesta, então, não é o que a bicicleta faz com a sua energia. É esta: você andou de bicicleta nos últimos seis meses?

Se a resposta for sim, o assunto é logístico e acaba com um suporte de parede ou uma vaga no bicicletário. Se for não, o assunto é outro, e ele merece ser encarado sem culpa. Vender, doar ou emprestar não é desistir de quem você quis ser, é liberar meio metro quadrado da sua sala e devolver o objeto ao uso. Existe um caminho intermediário bastante honesto para quem não consegue decidir: guarde por três meses num lugar fora do campo de visão, com data marcada no celular. Se em três meses você não sentiu falta, a decisão já está tomada e só falta executar.

O ganho de tudo isso é modesto e real. Você recupera um pedaço de chão, para de desviar, deixa de olhar todo dia para um assunto que já cansou, e a sala volta a ter uma leitura só. Feng shui aqui é organização do ambiente e intenção declarada, e ambiente organizado muda como a pessoa se sente e age dentro dele. Nada além disso, e nada menos.

Você sabia?

Houve um tempo em que a bicicleta era o objeto mais desejado da China, e não uma coisa atravancando a sala. O país ganhou o apelido de Reino das Bicicletas, e a marca Pombo Voador, a Flying Pigeon fundada em 1950, virou item de status: nos anos 1980 uma delas custava algo em torno de quatro meses de salário de um trabalhador comum, e mesmo com o dinheiro na mão era preciso entrar em lista de espera de anos e ter boas relações para conseguir uma. Ela entrou na lista informal das coisas que uma família precisava ter para se considerar estabelecida, ao lado da máquina de costura e do relógio de pulso. Deng Xiaoping, que abriu a economia chinesa, chegou a definir prosperidade como uma Pombo Voador em cada casa, e em 1986 a fábrica vendeu três milhões de unidades. Vale lembrar disso na próxima vez que você tropeçar no pedal da sua no corredor: ela já foi, para milhões de pessoas, a definição oficial de ter chegado lá.

As providências, na ordem de impacto

  1. 1Escolha hoje o caminho principal da casa, da porta até a cozinha, e deixe ele completamente livre. Leva dez minutos.
  2. 2Defina um endereço para a bicicleta, mesmo provisório, com dois critérios: fora do caminho e sem impedir porta ou janela de abrir inteira.
  3. 3Confira se ela está atrás da porta de entrada. Se estiver, tire hoje: a porta precisa abrir por completo.
  4. 4Tire a roupa que está pendurada nela. É o gesto que impede o objeto de virar móvel definitivo.
  5. 5Antes de comprar suporte, procure o lugar que já existe: área de serviço, vão da escada, varanda de vidro, bicicletário do prédio.
  6. 6Se você não usa há seis meses, marque uma data no celular daqui a três meses e guarde fora do campo de visão até lá. A resposta chega sozinha.

O elemento Metal por trás disso

Elemento

金 Metal

Cores

branco, cinza, prateado e dourado

Materiais

aço, alumínio, cobre, mármore claro, sino, moeda

Sinal de excesso

o ambiente fica frio e cortante, bonito de foto e desconfortável de ficar

As áreas do baguá que este assunto toca

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Perguntas frequentes

Bicicleta dentro de casa é ruim no feng shui?
Não existe objeto proibido nesta escola, existe objeto no caminho. Uma bicicleta pendurada na parede da sala, fora da circulação e sem impedir porta nenhuma, não incomoda a leitura da casa e ainda é bonita de ver. A mesma bicicleta atravessada no corredor de um metro e vinte é obstrução, e obstrução é o que a tradição de fato evita. A pergunta certa nunca é se pode ter, é onde ela está e se você passa por ela desviando.
Não posso furar parede porque moro de aluguel. Tem saída?
Tem três, e todas dispensam bucha. O suporte de chão vertical apoia a bicicleta pela roda e ocupa a área de um pé de mesa. O pendurador de tensão trava entre o piso e o teto por pressão, sem parafuso. E existe a solução mais óbvia e a mais esquecida, que é o bicicletário do prédio, presente em quase todo edifício novo e vazio na maioria deles, geralmente por falta de um cadeado. Em qualquer uma das três, confira o limite de peso na embalagem antes.
E o carrinho de bebê, a mala e a caixa de mudança?
Entram na mesma categoria e seguem a mesma ordem: endereço definido, verticalizar ou guardar, e a pergunta de uso. A diferença é o prazo. Carrinho de bebê tem data de validade conhecida, então dá para combinar um limite com você mesmo. Mala vazia guardada dentro do armário com roupa de cama dentro dela é o melhor uso de volume que existe em apartamento pequeno. Caixa de papelão guardada por causa da garantia costuma ser a mais fácil de resolver: confira a data, quase sempre já venceu.
Tirar coisas de casa melhora a minha vida?
Melhora o seu chão, e é isso que dá para prometer com honestidade. Nenhuma escola séria diz que doar uma bicicleta muda o que acontece com você fora de casa, e este portal não vai dizer. O que se verifica é bem terreno: você recupera espaço, para de desviar no corredor, deixa de olhar todo dia para um assunto pendente e a sala fica com uma leitura só. Ambiente organizado muda como a pessoa se sente dentro dele, e quem age continua sendo você.

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