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O que fazer com o que já está na casa

Fios à mostra, extensão no chão e carregador na cabeceira

Todo apartamento brasileiro tem os mesmos quatro: o novelo atrás da televisão, a extensão que atravessa o corredor, o filtro de linha pendurado pelo próprio peso e três carregadores empilhados na mesa de cabeceira. O feng shui olha para isso pela circulação, que é o caminho por onde as pessoas andam dentro de casa, e pela leitura de material, em que aparelho ligado é Fogo e fio é Metal. Some a parte que não é simbólica nenhuma, que é segurança elétrica, e você tem a arrumação de maior retorno por minuto investido da casa inteira.
Ninguém decide onde os fios vão morar. Eles simplesmente ficam onde caíram no dia da mudança.

O princípio, antes da receita

Ande hoje pelo caminho que você mais faz em casa, da porta de entrada até a cozinha, e conte quantas vezes o pé desvia. Quase sempre existe pelo menos um cabo no meio, o do carregador que ficou na tomada da sala, o da extensão que alimenta o roteador, o do ventilador que passa por trás da poltrona. A escola do Chapéu Negro, que orienta o baguá pela porta de entrada e é a que este portal adota, chama esse caminho de circulação e trata obstrução nele como problema de primeira ordem, antes de qualquer objeto decorativo. O detalhe que torna isso interessante é que o corpo aprende o desvio em uma semana e para de reclamar, mas continua gastando um pedacinho de atenção em cada volta, todos os dias, sem avisar você.

Na tabela dos cinco elementos, os dois materiais dessa cena são fáceis de identificar. Aparelho ligado é Fogo, porque emite luz, calor e movimento, e é o elemento que a escola pede em dose baixa no quarto e em dose alta na sala de convívio. Fio é Metal, a família da linha reta, do contorno e do que corta, e Metal em excesso tem uma descrição clássica bem específica, a de ambiente que fica frio e cortante. Uma mesa de trabalho com seis cabos atravessando a superfície é literalmente isso: seis linhas retas cruzando o campo de visão de quem precisa se concentrar.

Existe ainda a leitura que vale por todas e não depende de tabela. O emaranhado é o registro visível de cada aparelho que entrou na casa sem ninguém decidir onde ele mora. Foi comprado, foi ligado na tomada mais perto, e ali ficou. É por isso que a arrumação de fios funciona tão bem: ela não é sobre esconder, é sobre atribuir endereço. E endereço decidido é o único tipo de organização que sobrevive a um mês corrido.

O que fazer hoje

A versão de custo zero vem primeiro, e ela já entrega a maior parte do resultado. Passe por cada aparelho e recolha a sobra de cabo, prendendo o rolinho com o próprio fecho de plástico do pão de forma, com um elástico ou com um pedaço de fita crepe dobrado. Metade do que parece emaranhado é apenas cabo comprido demais para a distância que ele precisa vencer. Depois, encoste na parede tudo o que estiver cruzando o meio do cômodo: cabo rente ao rodapé continua feio de perto e some do caminho, que é o que importa para a circulação.

Depois vem o endereço, que é a parte que faz a arrumação durar. Escolha um ponto único de carregar celular na casa e mantenha, de preferência fora do quarto, num aparador da sala ou na bancada da cozinha americana. Escolha um ponto para o notebook. Escolha um para o fone e para o relógio. A regra de ouro é curta: cada aparelho carrega sempre no mesmo lugar, e o carregador vive lá. Isso acaba com o hábito de arrancar o cabo da parede e levar de cômodo em cômodo, que é a origem de nove entre dez emaranhados.

Por último, dois truques baratos e um descarte. O filtro de linha para de ficar pendurado pelo peso quando você o coloca dentro de uma caixa de sapato com dois furos nas laterais, uma para o cabo de entrada e outra para os de saída, e a caixa ainda esconde os LEDs. Presilha adesiva de plástico, dessas de dez unidades por poucos reais, fixa o cabo por trás do móvel e resolve a parede da TV numa tarde. E abra a gaveta dos carregadores órfãos, aquela que toda casa tem: separe os que pertencem a aparelhos que ainda existem, e leve o resto para o descarte de eletrônico do supermercado ou do shopping mais perto.

O que não fazer

Não passe extensão por baixo de tapete, de carpete ou de porta. Este é o único item desta página que é de segurança e não de arrumação, então fica dito com sobriedade: cabo em uso esquenta um pouco por natureza, embaixo do tapete não existe como esse calor se dissipar, e o vaivém de pisar por cima vai gastando o isolamento no mesmo ponto. Manual de instalação elétrica desaconselha essa prática justamente por isso. Se o caminho é longo, a saída certa é uma extensão do comprimento adequado passada rente ao rodapé, ou um eletricista para instalar uma tomada onde ela faz falta.

Na mesma linha, evite o encadeamento de adaptadores, aquele T no benjamim que recebe outro T, e evite ligar aparelho de alta potência, como ferro de passar, aquecedor e air fryer, numa extensão fina ou num filtro de linha compartilhado. Também não deixe o cabo dobrado em ângulo fechado logo na saída do conector, que é onde ele sempre arrebenta, nem empurre o móvel contra a tomada até o plugue entortar. Nenhuma dessas coisas tem a ver com feng shui, e todas têm a ver com a casa funcionar.

Do lado da arrumação, o erro mais comum é comprar antes de recolher. Existe um mercado inteiro de canaleta, organizador e caixa de cabo, e quase sempre a pessoa gasta com isso antes de fazer as duas coisas de graça que resolvem a maior parte, que são enrolar a sobra e definir onde cada aparelho carrega. Compre depois de arrumar, se ainda fizer falta. E não tente esconder tudo de uma vez: comece pela parede da TV ou pela mesa de trabalho, que são as duas superfícies que você olha mais horas por dia.

O que ele faz e o que ele não faz

Convém ser direto sobre o que este portal não diz. Não existe, na escola do baguá, nenhuma leitura de que fio elétrico corta a energia da casa, de que o roteador perturba o sono ou de que campo eletromagnético de tomada residencial faz alguma coisa com quem mora ali. Isso não está em manual clássico, não é medido por ninguém aqui e não vai aparecer nestas páginas. Quando um texto de feng shui começa a falar em radiação de aparelho doméstico, ele saiu do assunto e entrou em outro, sem avisar o leitor.

O que é observável cabe em três frases. Um cabo atravessando o caminho faz o corpo desviar. Um ponto de luz piscando num cômodo escuro é um ponto de luz piscando num cômodo escuro. E uma superfície de trabalho com seis linhas metálicas cruzando por cima tem mais informação visual competindo com a tarefa do que uma superfície limpa. Nada disso precisa de fé, e é exatamente o tipo de coisa que a escola sempre tratou, porque ela nasceu como método de arrumar espaço e não como sistema de crenças.

O ganho honesto é proporcional ao esforço, que é pequeno. Você libera o caminho principal da casa, tira da altura da cabeceira o que pisca, devolve a mesa de trabalho para o trabalho e descobre no meio do processo dois ou três carregadores de aparelhos que você nem tem mais. Leva uma tarde, custa quase nada e é das poucas arrumações que não voltam ao estado anterior em duas semanas, desde que a regra do endereço fixo seja mantida.

Você sabia?

A tomada de três furos em linha curva que existe na sua parede é uma esquisitice brasileira, e a história dela é melhor do que parece. Antes da padronização, o país convivia com mais de doze tipos de plugue e oito tipos de tomada, o que explica a gaveta de adaptadores que toda casa tinha nos anos 1990. A norma ABNT NBR 14136 foi publicada em 1998, depois de anos de discussão entre fabricantes, laboratórios e representantes de consumidores, e o Inmetro tornou o padrão obrigatório por portaria no ano 2000, com prazos escalonados que terminaram em julho de 2011 para a venda de aparelhos com plugue fora do padrão. O desenho não foi inventado aqui: veio de uma norma internacional, a IEC 60906-1, que quase nenhum outro país levou adiante, e é por isso que o brasileiro viaja e não encontra a própria tomada em lugar nenhum. O terceiro pino, o do meio, é o fio terra, e foi ele o motivo principal de toda a mudança.

As providências, na ordem de impacto

  1. 1Ande do portão até a cozinha e conte quantas vezes o pé desvia de um cabo. Encoste esses cabos no rodapé agora, sem comprar nada.
  2. 2Recolha a sobra de cada fio com o fecho de plástico do pão de forma ou um elástico. Metade do emaranhado é só cabo comprido demais.
  3. 3Defina um ponto único de carregar celular na casa e deixe o carregador morando lá, de preferência fora do quarto.
  4. 4Tire da mesa de cabeceira tudo o que pisca, e tape com fita isolante preta o LED que não dá para desligar.
  5. 5Ponha o filtro de linha dentro de uma caixa de sapato com dois furos. Ele para de ficar pendurado e os LEDs somem.
  6. 6Abra a gaveta dos carregadores e separe os órfãos. O que não pertence a nenhum aparelho da casa vai para o descarte de eletrônico.

O elemento Fogo por trás disso

Elemento

火 Fogo

Cores

vermelho, laranja e magenta

Materiais

vela, lâmpada quente, couro, lã, imagem de bicho ou de gente

Sinal de excesso

o cômodo cansa em vinte minutos, discussão pega fogo rápido e ninguém dorme direito ali

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Perguntas frequentes

Preciso esconder todos os fios da casa?
Não, e tentar isso costuma acabar em gasto sem resultado. A escola trata de circulação, então o que importa de verdade é o cabo que cruza o caminho por onde as pessoas andam e o que fica na altura dos olhos em superfície de uso, como a mesa de trabalho e a cabeceira. Fio rente ao rodapé, atrás do móvel ou dentro de uma caixa já cumpriu o papel. Comece pela parede da televisão e pela mesa, que são as duas superfícies que você encara mais horas por dia, e pare por aí.
Carregador na mesa de cabeceira é problema?
É o ponto mais fácil de melhorar do quarto inteiro. O que a escola pede ali é dose baixa de Fogo, e carregador com LED aceso, relógio digital e régua de tomada são pequenos pontos de luz num cômodo que deveria estar escuro. Some o fato de que o celular ao alcance da mão é a maior fonte de interrupção da noite. O acordo prático que funciona para quase todo mundo: carregue do outro lado do quarto ou fora dele, com o aparelho no silencioso. Você continua ouvindo o alarme e para de acordar com notificação.
Pode passar extensão por baixo do tapete para esconder?
Essa é a única coisa desta página que merece um não firme, e o motivo é elétrico e não simbólico. Cabo em uso esquenta um pouco, embaixo do tapete o calor não tem para onde ir, e o pisoteio desgasta o isolamento sempre no mesmo trecho. Manual de instalação desaconselha, e vale seguir. As alternativas são simples: extensão do comprimento certo passada rente ao rodapé, canaleta adesiva de piso, ou resolver de vez chamando alguém para instalar uma tomada no ponto em que ela faz falta.
Fio atrás do móvel importa se ninguém vê?
Importa menos, e é justamente por isso que é o último item da lista. A escola trabalha com o que ocupa o caminho e o campo de visão, então cabo escondido atrás da estante não é prioridade nenhuma perto da extensão que cruza o corredor. Existe um argumento honesto para arrumar mesmo assim, e ele é prático: o dia em que você puxar o móvel para limpar, aquilo vira uma tarde de trabalho. Prender com presilha adesiva enquanto o móvel já está afastado é o momento certo de fazer isso.

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