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As nove áreas do baguá, pela porta de entrada

Saúde e centro no baguá da sua casa

A área da Saúde é o miolo do cômodo, o pedaço de chão que sobra no meio quando você divide o espaço em nove partes iguais. No baguá da escola do Chapéu Negro ela é a única das nove casas sem trigrama próprio, e por isso leva o nome de Tai Chi, que é o nome do círculo dividido em preto e branco que todo mundo já viu. O elemento é a Terra, as cores são o amarelo-terroso, o marrom e o ocre, e a instrução prática contraria a intuição de quase todo mundo: aqui a escola pede espaço livre, não enfeite.
Nenhuma casa se equilibra pelas beiradas. O que segura o conjunto é o pedaço de chão que ninguém disputa.

O que essa área rege de verdade

Tem uma sensação que quase todo mundo já teve e ninguém sabe nomear: chegar em casa e achar que o lugar está cheio, mesmo sabendo que não entrou mais nada do que tinha ontem. Na leitura chinesa, o primeiro lugar a conferir quando isso acontece é o meio da planta. Saúde, aqui, não é exame nem consulta. O centro é o único ponto que faz fronteira com as outras oito casas ao mesmo tempo, encosta na carreira, no amor, no dinheiro, na família, em tudo, e por isso o que se lê nele não é um assunto: é o estado do conjunto. Quando o miolo está pesado, o resto quase sempre já estava.

O motivo de não existir trigrama aqui é bonito e é aritmético. As nove casas do baguá saem do Lo Shu, o quadrado mágico chinês de nove casinhas em que toda linha, toda coluna e toda diagonal somam 15. Oito dessas casinhas apontam para uma direção da bússola e ganham um trigrama, que é aquele desenho de três linhas que resume uma energia. A do meio recebe o número 5, e 5 não é direção nenhuma: é o lugar onde a agulha está parada. Pense no cubo da roda de uma bicicleta, a única peça que não gira e sem a qual nenhuma outra gira.

Na casa brasileira esse ponto costuma ser o mais ocupado de todos, por um motivo bem prático: é onde a mão alcança quando você entra carregando coisa. É a mesa da sala que virou pilha de roupa limpa dobrada esperando alguém guardar, é o meio do sofá com as sacolas do mercado, é o vão da escada que virou depósito. Nada disso é falta de virtude, é geografia: o meio é o caminho de todo mundo, então é onde tudo para.

Onde ela fica na sua casa

Pegue a planta do apartamento, ou desenhe o retângulo do cômodo num papel. Ligue os cantos opostos com duas linhas, formando um X. Onde as duas se cruzam está o centro, e acabou. Se a casa tem um L, uma varanda que virou sala ou um quarto puxado nos fundos, feche o contorno num retângulo maior antes de traçar o X, que é como a escola do Chapéu Negro trata formato irregular.

Este é o único ponto do baguá em que as duas escolas apontam para o mesmo lugar, e vale saber por quê. A escola do Chapéu Negro, que o Brasil aprendeu e que este portal segue, deita o mapa sobre a planta com a parede da porta de entrada embaixo. A escola tradicional usa bússola e gira o mapa conforme o norte. As oito casas de fora trocam de lugar de uma para a outra; o meio continua sendo o meio nas duas. Curiosamente, a escola da bússola chega a um cuidado parecido por outro caminho, o das estrelas voadoras, que trata a casa central do mapa com atenção especial.

Três coisas caem no centro com frequência e merecem nome: escada, banheiro e depósito. A escola tem instrução para cada uma, e nenhuma delas passa por obra. Vale lembrar também que o mesmo desenho serve dentro de cada cômodo. Em apartamento pequeno o cruzamento do X cai muitas vezes em cima de uma parede, e ninguém desocupa uma parede: quando isso acontece, você trabalha o centro da sala, o centro do quarto e o centro da cozinha, que são pontos alcançáveis de verdade.

A cor e o elemento que sustentam

Existe um motivo de calendário, antes de ser de decoração, para a Terra ocupar o meio do mapa chinês. Nos cinco elementos, a Terra é a estação de transição, o intervalo entre uma estação e a seguinte. Ela não é uma fase, é a dobradiça entre as fases, o momento em que uma coisa para de ser o que era e ainda não é a próxima. Amarelo-terroso, marrom e ocre são as cores dessa dobradiça.

Na prática existe um conflito gostoso de resolver: se o centro pede espaço livre, você não vai encher o meio da sala de cerâmica. A saída é óbvia e quase ninguém pensa nela, que é fazer a cor entrar pelo chão. Um tapete bege, ocre ou marrom no meio do cômodo é terra deitada, é largo e baixo como a Terra gosta de ser, e não ocupa nada em altura. Uma tigela de barro sobre a mesa de centro faz o mesmo em escala pequena.

Quem alimenta a Terra é o Fogo, então uma luz quente acesa no meio do ambiente no fim da tarde reforça esta casa sem entulhar. Quem segura a Terra é a Madeira, porque raiz racha o chão, e é por isso que uma floresta de plantas altas plantada bem no miolo do cômodo puxa na direção contrária. Planta no centro não é proibida, só não é o que a escola faz: prefira a beirada e deixe o meio respirar.

O que dá para fazer hoje, sem comprar nada

Comece indo até lá. Faça o X no papel, ande até o ponto e pare em cima dele. Olhe em volta num raio de um braço e conte quantas coisas estão ali só de passagem, ou seja, quantas não moram naquele lugar. É quase sempre pilha: roupa, sacola, caixa de encomenda, papel de escola. Guardar isso leva vinte minutos e é a página inteira resumida em um gesto.

Depois cuide do chão e do ar. O meio da planta é a região que menos vê janela e, em apartamento brasileiro, costuma ser o ponto mais escuro do dia inteiro. Acenda uma luz ali quando o sol cair e abra duas janelas em paredes diferentes por dez minutos, para o ar atravessar em vez de bater e voltar. A escola chama esse atravessar de chi que circula, que é o nome chinês para o sopro vital que anda pela casa. Você pode chamar de o cheiro do ambiente mudar.

Por último, o gesto característico da escola. O Chapéu Negro trabalha com intenção declarada, o que significa que o objeto sozinho não faz nada, mas objeto colocado junto com uma frase dita muda aquilo que você repara depois. Se for pôr o tapete ou a tigela, diga em voz alta, numa frase só, o que você quer manter em pé nesta fase. Não é pedido nem promessa. É um lembrete em tamanho grande, instalado no lugar por onde você passa o dia inteiro sem perceber.

Por onde começar, e por que nesta ordem

Devolva primeiro o chão do meio, mesmo que o resto da casa esteja em situação pior. O motivo é quase aritmético e é a única vez em que o baguá dá uma vantagem tão clara: o meio é a única casa das nove que não tem parede voltada para fora, então tudo o que acontece nele é sentido nas outras oito. Recolher duas pilhas e tirar uma caixa do caminho muda o cômodo inteiro numa tarde de sábado, sem gastar nada.

Depois vem o que faz a arrumação durar, que é dar endereço fixo às três coisas que sempre voltam. Repare que esse passo dá mais trabalho do que pendurar um quadro ou comprar um tapete, e mesmo assim vem antes: a lista está em ordem de impacto, nunca de esforço. Sem endereço, a pilha reaparece no meio da semana e você conclui, errado, que feng shui não pega na sua casa.

Em terceiro entram luz e ar, que custam uma lâmpada e dez minutos de janela aberta, e só depois de tudo isso aparecem a cor de terra, o tapete baixo, a peça de barro. A ordem inverte o que a internet ensina, e o critério está declarado: primeiro o que tira, depois o que segura o que foi tirado, por último o que se vê. Nesta casa do baguá isso vale ainda mais do que nas outras oito, porque aqui o que a tradição pede é folga, e folga não se compra em lugar nenhum: o único jeito de acrescentar folga é retirando coisa.

Os erros que quase todo mundo comete

Tratar o centro como palco é o engano mais repetido. Como a internet diz que ali é o coração da casa, a pessoa monta no meio da sala um arranjo enorme, uma mesa de centro coberta de objeto, uma luminária de chão bem no eixo. A escola pede o oposto de palco, pede folga. Na dúvida entre pôr uma coisa e não pôr, não ponha.

O segundo tropeço é usar o miolo como zona de largar. Bicicleta ergométrica, mesa de jantar que virou escritório, caixa da mudança que nunca abriu. Nenhum desses vira problema por causa de energia: vira problema porque você desvia deles dez vezes por dia e adia a mesma decisão dez vezes por dia.

O terceiro é sobre linguagem e é o mais importante da lista. Esta casa se chama Saúde, e isso não quer dizer que arrumar o meio da sala trate qualquer coisa. Feng shui não é medicina, não substitui consulta, exame nem remédio, e nenhuma escola séria diz o contrário. O que a organização do centro muda é o ambiente em que o seu corpo passa as horas. É bastante, e é só isso.

Onde as escolas divergem, e qual a gente segue

Esta é a única das nove casas sem ponto cardeal, e vale começar por aí: o miolo não é norte, sul, leste nem oeste, é o lugar onde a bússola não tem para onde apontar. Por isso ele cai no mesmo pedaço de chão nas duas escolas, como já foi dito lá em cima. A discordância aqui é outra, mais fina e bem mais interessante.

Saúde não mora no mesmo lugar nas duas tradições, e essa é a divergência mais forte de todo o baguá. A escola do Chapéu Negro, seguida aqui, põe o assunto no centro da planta, pelo raciocínio de que saúde é o estado do conjunto e não um tema com endereço próprio. Parte da literatura clássica faz diferente e associa a saúde ao Leste, que é o setor da Família e do trigrama Zhen, pela ideia de que corpo é herança, é o que veio antes de você. Traduzindo: quem segue uma vai limpar o meio da sala, quem segue a outra vai olhar para a parede da esquerda. As duas têm lógica por dentro, e é exatamente por isso que a mistura confunde tanta gente.

A regra deste portal encaixa as duas sem embaralhar. A saúde fica no centro, e a leitura de fundo, a herdada, a de longo prazo, continua morando na área da Família e das raízes, que tem página própria aqui, em bagua-familia. E o centro ainda carrega uma instrução que quase ninguém cumpre, porque ela contraria o instinto de decorar: a tradição pede que o miolo da casa fique o mais livre e o mais estável possível, não que ele seja o ponto bonito do ambiente. O erro, aqui como no resto do mapa, nunca é escolher uma escola. É usar metade de cada e ficar com dois endereços para o mesmo assunto.

Você sabia?

O 5 que fica parado no meio do Lo Shu é o mesmo 5 que some da conta do Número Kua, e essa coincidência não é coincidência. A lenda conta que o quadrado apareceu desenhado no casco de uma tartaruga que saiu do rio Luo, com pontinhos formando os números de 1 a 9 arrumados de um jeito em que qualquer linha reta soma 15. Como o 5 caiu no centro, ficou sem direção de bússola para chamar de sua, e por isso o Kua 5 simplesmente não existe: a escola manda o homem de Kua 5 para o 2 e a mulher para o 8. A prova de que a fórmula é essa mesma está na soma: homem e mulher nascidos no mesmo ano dão sempre 15 antes da redução, que é exatamente a constante mágica do quadrado. O meio da sua sala e o número que você calcula pela data de nascimento saíram do mesmo desenho na casca de uma tartaruga.

A área no mapa da casa

Porta de entrada
Fique do lado de fora e entre. A parede que ficou atrás de você é a linha de baixo desta grade, e a de cima é a parede do fundo. Este é o baguá da escola do Chapéu Negro, que orienta pela porta. A escola tradicional orienta pela bússola e chegaria a outro desenho na mesma casa.

A ficha da área

Trigrama

◐ Tai Chi

Elemento

Terra

Cores

amarelo-terroso, marrom e ocre

Onde fica

o miolo do cômodo, o ponto para onde tudo converge

Os sinais de que esse canto está pedindo atenção

Nenhum item desta lista é sobre a sua vida, todos são sobre o espaço. Dá para conferir de pé, agora, olhando para o canto.

Você desvia de alguma coisa para atravessar o cômodo em linha reta.

Ande da porta até a janela sem contornar nada e repare onde o corpo é obrigado a fazer curva. O que estiver naquele ponto é o item da lista, seja o pufe, o carrinho do bebê ou a caixa de ferramenta que virou móvel. A escola pede o miolo desimpedido justamente para que ele consiga fazer o meio de campo entre as outras oito casas, e o teste do corpo vale mais do que o do olho, porque o olho já se acostumou com o que está lá.

Tem uma superfície no meio da casa que volta a encher em dois dias, por mais que você limpe.

Isso não é falta de disciplina de ninguém, é falta de endereço. Quando um objeto não tem lugar próprio perto de onde ele é usado, o meio da casa vira o endereço padrão, porque é por ali que a mão de todo mundo passa. Antes de limpar de novo, escolha um destino fixo para os três itens que mais reaparecem, de preferência a menos de dez passos de onde eles são usados. Limpar sem dar destino é combinar de recomeçar na quarta-feira.

A luz do meio do ambiente está pela metade: uma lâmpada queimada no lustre de três, ou o soquete vazio esperando a compra de sempre.

Iluminação incompleta é a pendência mais visível que uma casa consegue exibir, e ela costuma ficar bem em cima do ponto que a tradição pede firme. Não tem simbolismo difícil aqui: a lâmpada é barata, a troca leva dois minutos e mesmo assim está adiada há meses, o que já diz o que precisava ser dito. Enquanto ela não chega, deixe aberta durante o dia a porta do cômodo mais claro, para a claridade alcançar o miolo da planta.

Tem fio atravessando o chão, tapete com a ponta dobrada ou tábua solta bem no caminho do meio.

Neste item a leitura da escola encosta na segurança da casa, e as duas dizem a mesma frase. O centro é o ponto que a tradição pede estável, e nada é menos estável do que um lugar onde se tropeça. Se mora idoso ou criança aí, esse item sobe para o topo de qualquer lista e não precisa de justificativa chinesa nenhuma. Leve o fio para a beirada da parede, prenda o tapete com fita dupla face ou tire o tapete, e resolva a tábua que range.

Tem viga aparente, sanca pesada ou varal de teto justamente sobre o meio do cômodo.

A tradição olha para cima com mais atenção do que a gente imagina, e peso sobre a cabeça é um dos poucos pontos em que quase todas as linhas do feng shui concordam. Derrubar viga não é opção e nem precisa ser. O que se faz é não deixar embaixo dela o lugar de dormir, de sentar ou de trabalhar, iluminar a viga em vez de tentar escondê-la, e tirar dali o varal que fica pendurado com roupa por três dias.

O checklist desta área

  1. 1Ache o centro ligando os cantos opostos da planta com duas linhas em X e ande até o ponto.
  2. 2Tire de lá tudo o que está só de passagem, começando pelas pilhas de roupa e pelas caixas.
  3. 3Deixe o chão do meio do cômodo livre, mesmo que o resto continue cheio.
  4. 4Acenda uma luz nesse ponto no fim da tarde, porque ele costuma ser o mais escuro do dia.
  5. 5Abra duas janelas em paredes diferentes por dez minutos para o ar atravessar o miolo da casa.
  6. 6Ponha ali uma peça baixa e larga em cor de terra que você já tenha, um tapete bege ou uma tigela de barro.
  7. 7Se o centro cai no banheiro, mantenha a porta fechada, a tampa baixada e o box seco depois do banho.

E quando essa área cai justamente no cômodo errado

A planta raramente colabora, e a pergunta que todo mundo faz é o que fazer quando a área cai em cima de um cômodo que trabalha no sentido contrário. Cada página abaixo trata de um desses encontros, com a leitura pelos cinco elementos e as providências de custo zero.

Grátis, sem cadastro

Veja onde cai cada uma das nove áreas na planta da sua casa

A grade das nove áreas se encaixa na sua planta a partir da porta de entrada, e cada cruzamento vem com a leitura pelos cinco elementos e o que dá para fazer hoje.

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Perguntas frequentes

Como eu acho o centro exato da minha casa?
Desenhe a planta como um retângulo e ligue os cantos opostos com duas linhas, formando um X. O cruzamento é o centro. Se a casa é em L, se a varanda virou sala ou se tem um quarto puxado nos fundos, feche o contorno num retângulo maior antes de traçar o X, porque é assim que a escola do Chapéu Negro lida com formato irregular. E se o cruzamento cair dentro de uma parede, de um armário ou de uma coluna, use o centro de cada cômodo, que é onde dá para mexer de verdade.
O banheiro da minha casa fica bem no meio da planta. Isso é ruim?
É um dos arranjos que a escola mais comenta e não é motivo para pânico nem para reforma. O banheiro é o único cômodo desenhado para levar coisa embora, e o centro é o ponto que o mapa pede estável, então o encontro dos dois incomoda a tradição. O que se faz é simples e é de graça: porta fechada, tampa baixada, box seco, ventilação aberta todo dia e nada de guardar coisa velha ali dentro. Se quiser reforçar a Terra, uma toalha bege ou cor de barro e um vaso de cerâmica dão conta, e valem tanto quanto qualquer objeto vendido como solução definitiva.
E se o que fica no centro é a escada?
Em sobrado e em casa de dois andares isso é comum, e a leitura da escola é de movimento: a escada leva gente e coisa de um andar ao outro pelo exato ponto onde o mapa pede quietude. Como derrubar escada não é opção, o que a tradição sugere é diminuir a sensação de corredor vertical, com luz boa no vão, corrimão firme, degraus sem tapete solto e, principalmente, nada guardado embaixo. O vão da escada é o depósito mais famoso do Brasil, e esvaziá-lo é a parte dessa conversa que muda a casa de verdade.
Arrumar o centro da casa melhora a saúde de quem mora nela?
Não da maneira que a pergunta sugere, e quem promete isso está vendendo outra coisa. Feng shui não trata doença, não substitui médico e não tem absolutamente nada a dizer sobre um exame alterado. O que a arrumação do miolo muda é concreto e pequeno: você para de desviar de pilha, o ponto mais escuro do dia fica claro, o ar atravessa, e o lugar por onde você passa o tempo todo deixa de cobrar uma decisão adiada a cada passagem. Se isso melhora o seu dia, ótimo, e continua sendo arrumação com nome bonito.
Preciso deixar o centro da casa completamente vazio? E a mesa de jantar, que fica bem no meio?
Livre e vazio não são a mesma coisa, e essa confusão faz muita gente desmontar a própria sala à toa. A mesa de jantar que se usa todo dia é uso, não é acúmulo, e ela é justamente o tipo de coisa que a tradição gosta de ver no coração da casa: gente sentada, comida servida, conversa. O que a escola pede é que o miolo não seja depósito nem obstáculo, ou seja, que ele esteja limpo, atravessável e sem nada parado esperando decisão. Uma mesa posta ou de superfície livre está cumprindo o pedido. A mesma mesa com quatro sacolas, uma caixa de remédio e a papelada de dois meses, não.
O centro da minha planta cai dentro da cozinha. Isso é problema?
É um dos arranjos mais comentados pela tradição, porque põe o fogo bem no miolo, e mesmo assim não é motivo para reforma nenhuma. O que se faz é o que já era boa ideia por outros motivos: bancada livre, fogão limpo e em uso, nada quebrado guardado no armário, exaustor funcionando e lixo com tampa esvaziado todo dia. Em apartamento pequeno com cozinha americana isso é ainda mais comum, e o alvo principal é a bancada, que costuma ser a superfície mais disputada da casa inteira. Para reforçar a Terra do setor sem entulhar, um jogo americano em tom de barro e uma travessa de cerâmica que já mora ali dão conta.

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