A cor escolhida pelo cômodo, não pela paleta
Que cor usar no banheiro pelo feng shui
Um cômodo que passa a vida escoando não precisa de mais nada que escorra. Precisa de alguma coisa que fique.
O que decide a cor deste cômodo
A função aqui é a mais literal da casa, e é por ela que a escolha começa. Todo o encanamento de saída da residência converge para este ponto, e a escola do chapéu negro, também escrita chapéu preto, trata isso como o elemento Água no volume mais alto que a planta oferece. Pela tabela, o elemento que segura a Água é a Terra, que a represa, e o que a consome é a Madeira, que a bebe. Essas duas famílias de cor, os terrosos e os verdes, são as respostas de primeira linha aqui, e é curioso que sejam justamente as menos usadas no banheiro brasileiro.
Depois vem a luz, e neste cômodo ela costuma ser o problema central. Banheiro sem janela é padrão em apartamento compacto, e o que existe ali é um ponto de luz no teto, quase sempre com lâmpada branca fria porque alguém achou que ficaria mais limpo. Nessa condição, cor escura não escurece só na leitura simbólica, escurece na medida: a parede devolve pouca luz e o cômodo inteiro depende da lâmpada. Se o seu banheiro não tem janela, esta página tem uma prioridade acima da cor, que é trocar a lâmpada por uma amarelada e, se possível, somar um segundo ponto de luz na altura do rosto, ao lado do espelho e não acima dele.
O tempo de permanência fecha a conta e explica por que dá para ousar aqui. Você passa poucos minutos por vez no banheiro, quase sempre de pé e com pressa, o que faz dele o cômodo em que uma cor forte cansa menos. É por isso que lavabo escuro, aquele com parede verde garrafa ou papel de parede carregado, funciona tão bem: ninguém mora ali. Vale distinguir o lavabo social, que é pequeno, sem chuveiro e usado por visita, do banheiro de rotina, que recebe vapor todo dia e precisa de acabamento acetinado, de tinta lavável e de ventilação, porque tinta fosca comum em banheiro com chuveiro descasca em um ano.
As que pedem cautela aqui
Azul-marinho e preto são o par que este cômodo pede para pensar duas vezes, e por dois motivos que se somam. Pela tabela, os dois são Água, o mesmo elemento que o banheiro já entrega em dose máxima, e a tradição descreve o excesso desse elemento como dispersão, o lugar em que a pessoa entra para fazer uma coisa e sai vinte minutos depois sem ter feito. Pela ótica, são os pigmentos que menos devolvem luz que existem, e a maioria dos banheiros brasileiros não tem janela. Se você quer muito o marinho, faça como no lavabo social: uma parede só, a do espelho, com o resto claro e duas fontes de luz.
Vermelho e laranja fortes pedem outra cautela, e ela é de ciclo. Água apaga Fogo, então o vermelho neste cômodo é o elemento que está sendo controlado o tempo todo pelo ambiente, o que a escola lê como esforço sem retorno. Não é proibido e não acontece nada de ruim, mas é a cor que rende menos aqui. Se a intenção é aquecer o banheiro, o caminho mais coerente é o quente terroso, terracota e argila, que entra como Terra e ainda faz o trabalho de represa.
Sobre acabamento, vale uma cautela prática que vale mais que qualquer leitura simbólica. Banheiro com chuveiro é o cômodo mais úmido da casa, e tinta fosca comum ali empola, mancha e cria mofo na emenda do teto. Use tinta acetinada ou específica para área úmida, mantenha o rodo passado no box e a porta aberta depois do banho, e lembre que o brilho muda a cor: o mesmo areia parece mais escuro e mais saturado no acetinado do que no fosco. Se você escolheu o tom no leque de tinta fosca e vai comprar acetinado, desça meio tom.
Sem pintar parede nenhuma
Este é o cômodo em que a cura sem tinta chega mais perto de igualar a pintura, porque a área de parede livre é pequena e os têxteis ocupam uma proporção enorme do campo de visão. Toalha, tapete, cortina de box e cesto somados cobrem mais banheiro do que qualquer parede. Trocar as toalhas azuis por um jogo cor de areia e pôr um tapete de trama grossa em vez do tapetinho de pelúcia muda o elemento dominante do banheiro numa tarde, sem falar com o proprietário e sem tocar no azulejo.
Depois, pense por material, porque a tabela classifica matéria e não só pigmento. Cerâmica, barro, pedra e palha entram como Terra mesmo em tom claro, e é exatamente o que falta aqui. Um pote de cerâmica para o algodão, um cesto de palha para as toalhas sujas, uma pedra lisa apoiada na pia, um banquinho de madeira: quatro objetos pequenos, nenhum caro, todos fazendo o trabalho que uma parede areia faria. Já espelho e vidro entram como Água, então banheiro com armário todo espelhado ganhou mais um tanto do elemento que já sobra, o que é um bom argumento para não somar espelho novo.
E existe a parte que não é cor nenhuma e vem antes de tudo, porque é a cura de custo zero mais repetida da escola: porta fechada e tampa do vaso baixada. Some a isso resolver qualquer torneira pingando nesta semana e deixar o ambiente seco e ventilado. Nenhuma paleta compensa um banheiro com descarga correndo dia e noite, e essa é a diferença entre este portal e um blog de decoração: a cor é o último passo, não o primeiro.
E se este cômodo cair em cada área do baguá
Pela regra da porta de entrada, o banheiro é o cômodo que mais gera pergunta, porque ele é o único com atrito alto em qualquer casa do baguá em que caia. O cruzamento mais famoso é o banheiro no canto mais distante à esquerda, que é a Prosperidade, e a internet brasileira costuma tratar isso como notícia ruim. A leitura honesta é outra: aquele canto pede acúmulo e aquele cômodo é feito para escoar, então a instrução prática é fechar o que escoa e dar peso ao que fica. Tampa baixada, ralo com tampa, porta fechada, e a paleta puxada para a Terra, areia e argila, que é o elemento que segura. A paleta da área traz verde e roxo, e o verde já era boa escolha aqui de qualquer jeito.
Banheiro no meio da parede do fundo cai no Reconhecimento, que é casa de Fogo, e a Água apaga o Fogo no ciclo de controle. É o cruzamento em que o vermelho da paleta da área não vai render, e a saída é ir pela Madeira, o verde, que alimenta o Fogo e bebe a Água ao mesmo tempo, resolvendo os dois lados com uma cor só. Banheiro na faixa central da parede da porta cai na Carreira, casa de Água, o único endereço em que o elemento do cômodo e o da área coincidem: aqui o azul não briga, mas dobra, então mantenha claro e compense com Terra no chão.
Quando o banheiro cai no canto mais distante à direita, que é o Amor, ou no miolo da planta, que é a Saúde, as duas áreas são casas de Terra, e a Terra represa a Água. Esse é o melhor caso possível, porque a paleta que a área pede, rosa e branco no Amor, ocre e marrom na Saúde, é exatamente o que o cômodo pedia. Suíte com banheiro dentro do quarto entra nessa conta com frequência, e vale a regra de sempre: porta fechada à noite.
Você sabia?
A palavra azulejo não vem de azul, e a coincidência engana o Brasil inteiro. Ela vem do árabe az zulaydj, que significa mais ou menos pedrinha lisa e polida, e chegou à península ibérica com a cerâmica islâmica, séculos antes de a cor azul dominar as fachadas portuguesas. Os primeiros azulejos que os mouros trouxeram eram geométricos e multicoloridos, com verde, ocre, branco e preto, sem nenhum protagonismo do azul. O azul só virou padrão a partir do século dezessete, quando Portugal se apaixonou pela porcelana branca e azul que vinha da China pela rota marítima e passou a imitá-la em painéis de parede. Ou seja: a cor entrou no azulejo por causa de uma moda de importação chinesa, e não por causa do nome. Quando o azulejo azul chegou ao banheiro brasileiro dos anos setenta e oitenta, ele já carregava três traduções culturais empilhadas, e nenhuma delas tinha a ver com a tabela dos cinco elementos, que é justamente onde o azul do banheiro entra em contradição.
As cores que funcionam aqui, e o porquê de cada uma
areia #D9C6AC
Terra pura, o elemento que a tabela usa para represar a Água, e a resposta mais direta ao que o cômodo já tem de sobra. Devolve boa quantidade de luz, o que ajuda no banheiro sem janela, e convive com qualquer louça branca.
verde-sálvia claro #9DB08C
Madeira é o elemento que bebe a Água, então o verde aqui equilibra em vez de somar, o que é o contrário do que a maioria imagina. Prefira os tons lavados: verde escuro num banheiro pequeno e sem janela vira caverna.
marrom-argila #A9765C
É a versão cheia da Terra, para quem quer cor de verdade num lavabo. Funciona muito bem em meia parede, com a parte de baixo em argila e a de cima clara, o que dá peso embaixo sem apagar o cômodo.
turquesa #5FBFB3
Para quem não abre mão do azul, esta é a saída elegante: como tem verde na mistura, o turquesa entra na família da Madeira e não na da Água. É o azul que a lógica do sistema aceita neste cômodo, e o olho nem percebe a diferença de classificação.
branco-quente #F3EEE7
Metal, o elemento da precisão, e a escolha certa quando o banheiro é minúsculo e escuro, porque devolve o máximo de luz. Ganha muito se o resto do cômodo trouxer Terra: um tapete de trama grossa, um cesto de palha, uma cerâmica.
As áreas do baguá que este cômodo costuma ocupar
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Perguntas frequentes
Banheiro escuro pode?
Posso pintar o banheiro de azul mesmo assim?
Não posso trocar o azulejo. Como mudo a cor?
Que cor de toalha usar segundo o feng shui?
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