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As cores no feng shui, uma a uma

A cor verde no feng shui

No feng shui o verde é Madeira, o elemento do que cresce, e ele tem duas casas no baguá contado pela porta de entrada: o meio da parede da esquerda, que é a Família, e o canto mais distante à esquerda, que é a Prosperidade. Mas o dado que muda esta página inteira é outro: verde é a única cor que quase toda casa brasileira já tem sem ter comprado, porque ela chega viva, dentro de um vaso. Cor pintada e cor viva não são a mesma coisa, e a diferença entre as duas é de natureza, não de tom.
Tinta você escolhe uma vez. Folha te pergunta todo domingo se você ainda quer aquilo ali.

O princípio, antes da receita

Toda casa brasileira já tem essa cor, e quase sempre ela chegou viva: uma jiboia em cima do armário, um vaso de tempero na janela da cozinha, a espada de são jorge que alguém deu de mudança. É por aí que a conversa precisa começar, porque nenhuma outra cor da tabela entra num cômodo de dois jeitos tão diferentes. Pintada, ela é estável, silenciosa e não pede nada de você por dez anos. Viva, ela é o único material da casa que responde: cresce quando o lugar serve, amarela quando ninguém olha. A escola aproveita as duas, e a página das plantas deste portal cuida da segunda com espécie, luz e rega. Aqui a conversa é sobre a cor.

Pela tabela dos cinco elementos, verde e azul-esverdeado são Madeira, o que sobe e o que se estica. As formas dessa família são altas e verticais, estante em pé, coluna, listra que cresce, e os materiais são planta viva, madeira crua, algodão, linho, papel. Os dois trigramas de Madeira dizem bem o que ela faz: Zhen é o trovão, o estouro que acorda o que estava dormindo, e Xun é o vento, que entra por fresta e ainda assim move a casa inteira. Um começa, o outro insiste. Quando você acrescenta verde a um cômodo, está acrescentando processo, coisa em andamento, e não conclusão.

Existe a parte prática, que dá para conferir com o olho. Verde é a cor mais comum da paisagem, e por isso a família dos verdes acinzentados, o sálvia e o oliva claro, se comporta em parede quase como um neutro: convive com qualquer madeira, com linho, com palha e com a maioria dos móveis que já estão na sua sala. O verde escuro faz o oposto: devolve pouca luz e fecha o cômodo, o que é ótimo num canto de leitura e ruim num corredor de um metro e vinte. E como toda cor, ele muda com a lâmpada, puxando para o musgo embaixo de luz amarelada e para o frio embaixo de LED branco azulado.

O verde em cada cômodo

A cozinha é o cômodo em que a escola mais pede essa cor, e por um motivo bem concreto. Na bancada de qualquer apartamento pequeno, fogão e pia estão a um palmo de distância, e a tradição lê o encontro direto de Fogo e Água como conflito. A Madeira é o que resolve a briga, porque ela é o elemento que a Água alimenta e que por sua vez alimenta o Fogo, ou seja, ela transforma a vizinhança em sequência. Na prática isso é um vaso de manjericão, uma tábua de madeira em pé, um pano de prato verde entre a boca do fogão e a cuba. Em cozinha americana o ganho dobra, porque aquela mesma parede também é a parede da sala.

No banheiro está a resposta certa que quase ninguém dá. Como o cômodo já é a saída de água da casa, o instinto de reforçar com azul é justamente o contrário do que a lógica pede, e o verde claro é a escolha coerente: Madeira é o que bebe a Água. Uma toalha, um vaso de jiboia numa prateleira alta, uma cortina de box clara com verde. Num banheiro sem janela, prefira os tons lavados, porque verde escuro em cômodo pequeno e sem luz natural vira caverna.

No quarto, o verde apagado é um dos poucos consensos entre escolas, já que o cômodo do sono pede Terra e Madeira, o que assenta e o que cresce devagar. Uma parede em sálvia, uma colcha, uma cortina. Na sala e no home office, vale usar a forma junto com a cor: como a Madeira é o elemento do vertical, uma estante alta e estreita pintada por dentro de verde faz mais pelo elemento do que quatro paredes inteiras, e ocupa trinta centímetros de chão.

O verde em cada área do baguá

Duas das nove casas são de Madeira, e as duas ficam do lado esquerdo de quem entra pela porta principal. O meio da parede da esquerda é a Família, o trigrama do trovão, o pedaço da casa que fala dos que vieram antes e das brigas antigas, com verde e azul na paleta. É onde costumam morar as fotos, o móvel herdado, a louça da avó. Verde ali é material sobre material, e a coisa mais barata que existe para ativar aquele canto é um vaso de folha larga no chão, encostado na parede.

O canto mais distante à esquerda é a Prosperidade, o trigrama do vento, e a paleta dela reúne roxo, verde e dourado. Vale reparar em como esse canto se comporta no apartamento brasileiro: ele quase sempre cai atrás do sofá ou atrás da poltrona, que é exatamente o ponto em que a casa acumula caixa e cesto de roupa. Antes de pensar em cor, o trabalho ali é esvaziar. Depois disso, uma planta de folha arredondada em vaso de cerâmica faz o serviço inteiro, porque soma a Madeira da folha à Terra do barro.

No miolo do cômodo fica a Saúde, e ela é casa de Terra. Aqui a relação com o verde não é de paleta, é de ciclo, e vale dizer com todas as letras: no ciclo de controle, a Madeira fura a Terra. Uma sala inteira verde com o centro carregado de plantas é o elemento que remexe justamente o pedaço que deveria assentar, então ali o verde entra em dose de detalhe e o chão fica com barro, cerâmica e tapete. Já a faixa do fundo, de frente para a porta, é o Reconhecimento, casa de Fogo, e como a Madeira alimenta o Fogo, verde ali é combustível. Este portal segue a escola do Chapéu Negro, que orienta o baguá pela porta; a tradicional, que usa a bússola, poria as casas de Madeira a Leste e a Sudeste e chegaria às mesmas relações de ciclo.

O que ela ativa e o que ela satura

Madeira demais é a casa em que tudo está aberto e nada está fechado. Seis livros começados na cabeceira, três cursos pagos pela metade, o quarto que virou ateliê e ainda não virou nada, doze vasos e nenhum lugar para pôr a xícara. A tradição descreve o excesso desse elemento como crescimento sem colheita, e o sinal doméstico é bem literal: falta superfície livre, porque tudo que cresce ocupa espaço. Se a sua sala tem mais projeto em andamento do que assento, é disso que se trata.

A falta aparece pelo outro extremo e é mais fácil de reconhecer do que parece. Casa sem Madeira nenhuma é aquela em que não existe uma folha viva, um papel, um pedaço de madeira crua: tudo liso, sintético e definitivo, comprado pronto e nunca mais tocado. Bonita, e sem nada em curso. O conserto é o mais barato do portal inteiro, porque uma muda que o vizinho corta do vaso dele custa zero e chega em casa no mesmo dia.

Existe ainda o verde que não conta como Madeira e engana muita gente: o de plástico. Uma peça artificial resolve a parte da cor e a parte da forma, e não faz a parte que caracteriza esse elemento, que é responder ao cuidado. Se for o seu caso, use sem culpa e tire o pó, e a página das plantas explica por que essa diferença importa. E cuidado com o verde escuro em série: parede escura, sofá escuro e tapete escuro num apartamento de quarenta e cinco metros quadrados devolvem tão pouca luz que o cômodo pede lâmpada acesa às três da tarde.

Como usar sem pintar nada

A muda cortada do vaso de alguém é a única cor de graça que existe na decoração brasileira, e é por ela que esta seção começa. Um galho de jiboia enraíza num copo de água em duas semanas, uma folha de zamioculca aceita quase qualquer canto escuro, e a espada de são jorge sobrevive a quem viaja. Nenhuma delas custa nada, todas entram como Madeira pela cor e pelo material, e a página das plantas deste portal ajuda a escolher pela luz que a sua casa tem.

Depois vem o têxtil, na ordem de área: cortina, colcha, tapete, manta, almofada. E vale a caça de dez minutos pela casa antes de comprar qualquer coisa, porque verde é uma cor que costuma estar guardada em lugar errado. A toalha de rosto que ficou no fundo do armário, o pano de prato que veio de presente, a caixa de chá, a garrafa, o livro de capa verde. Junte, escolha duas peças e ponha na parede da esquerda, que é o lado das casas de Madeira.

Tem ainda o caminho que dispensa a cor inteira: acrescentar o elemento pela forma. Como a Madeira é tudo que é alto e vertical, uma prateleira estreita e alta, uma listra que sobe, um cabideiro de pé, um cesto de palha comprido junto à parede já entregam o elemento sem uma gota de tinta verde. E pela lógica dos ciclos, o que sustenta essa cor é o azul-escuro e o preto, porque a Água rega a Madeira, o que explica por que verde com marinho parece certo antes de qualquer explicação. O par de tensão é com branco, cinza e dourado, já que o Metal corta a Madeira, e ele funciona bem quando o metal é detalhe e cansa quando é a casa inteira.

Você sabia?

Existe um presente que não se dá a um homem na China, e é um chapéu verde. A expressão dai lu mao zi, vestir chapéu verde, quer dizer que a mulher dele o traiu, e a origem mais aceita é bem concreta: durante a dinastia Yuan, entre os séculos 13 e 14, um decreto obrigou familiares de prostitutas a usar lenço ou turbante verde na cabeça e a andar pelas laterais da rua. Existe também a pista das cores de hierarquia, que desde a dinastia Tang vestia de verde os funcionários de escalão mais baixo. No século 17, o escritor Xie Zhaozhe já registrava a expressão com o sentido humilhante que ela guarda até hoje. O detalhe que diverte é o contraste: a mesma cor que a tabela dos cinco elementos trata como o elemento do crescimento, e que dá nome à casa da Família no baguá, é a única que ninguém embrulha para presente naquele país. Cor não tem um significado só, tem endereço.

Os três tons que costumam funcionar

verde folha

#4A7C59

verde sálvia

#7E9B6B

verde escuro

#1F4438

Toda cor muda de personalidade conforme a lâmpada do cômodo. Antes de comprar o galão, pinte um retângulo de cinquenta por cinquenta na parede de destino e olhe de manhã, à tarde e com a luz acesa.

O elemento Madeira por trás desta cor

Elemento

木 Madeira

Cores da família

verde e azul-esverdeado

Formas

tudo que é alto e vertical: estante em pé, coluna, listra que sobe

Materiais

planta viva, madeira crua, algodão, linho, papel

Sinal de excesso

a casa parece uma selva e ninguém consegue terminar nada, porque tudo está sempre começando

Sinal de falta

o ambiente fica parado, sem nada crescendo, e bate aquela sensação de que a vida travou

As áreas do baguá que têm esta cor na paleta

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Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

Planta conta como cor verde ou é outra coisa?
Conta como as duas, e é justamente isso que a torna interessante. Pela cor, ela entra como Madeira na tabela dos cinco elementos, igualzinho a uma parede pintada. Pelo material, ela acrescenta uma coisa que tinta nenhuma faz, que é responder ao cuidado: cresce quando o lugar serve e murcha quando ninguém rega. A escola usa muito essa devolução, porque ela informa sem palavra nenhuma que aquele canto está sendo olhado por alguém. Para escolher espécie, vaso e frequência de rega, a página das plantas deste portal trata do assunto em detalhe.
Posso pintar o banheiro de verde?
Pode, e essa costuma ser a escolha mais coerente com a lógica do sistema, o que quase ninguém conta. O banheiro é o cômodo que leva água embora, e a Madeira é o elemento que bebe a Água, então o verde entra ali equilibrando em vez de somar. Prefira os tons lavados se o banheiro for pequeno ou não tiver janela, porque verde escuro devolve pouca luz e fecha o espaço. Em imóvel alugado, toalha, cortina de box e um vaso numa prateleira alta fazem o mesmo trabalho sem tinta.
Verde escuro funciona em apartamento pequeno?
Funciona em superfície pequena e em cômodo que ganha com fechamento, como canto de leitura, fundo de estante, porta de armário ou uma parede só. O que costuma dar errado é a série: parede, sofá e tapete escuros juntos num apartamento de quarenta e cinco metros quadrados deixam o ambiente exigindo luz artificial no meio da tarde. Se você gosta muito desse tom, use nele o móvel e não as paredes, e mantenha o teto e as demais superfícies claras para o cômodo continuar devolvendo luz.
Verde é a cor do dinheiro no feng shui?
Verde aparece na paleta da casa da Prosperidade, ao lado do roxo e do dourado, e isso é tradição, não é promessa. Nenhuma cor muda a renda de ninguém, e qualquer texto que garanta o contrário está vendendo outra coisa. O que a escola de fato faz naquele canto é bem menos glamouroso e bem mais útil: esvaziar o que está acumulado, consertar o que está quebrado e iluminar o que está escuro. Se depois disso você quiser pôr uma planta ali, ponha, e ela vai estar num canto que passou a ser olhado.

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