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As cores no feng shui, uma a uma

A cor branca no feng shui

Branco no feng shui é Metal, o elemento do contorno, da precisão e do que separa uma coisa da outra. Ele é a cor das casas da Criatividade e dos Amigos protetores no baguá contado pela porta de entrada, e a terceira cor da casa do Amor. No Brasil ele é também a cor que já veio de fábrica, porque quase todo apartamento é entregue branco. Por isso esta página faz uma pergunta diferente das outras: não é onde pôr branco, é qual branco você tem, quanto dele já existe e o que está faltando em volta.
Ele é a única superfície da casa que não tem cor própria para defender, e por isso obedece à lâmpada.

O princípio, antes da receita

Metal, na tabela chinesa, é o elemento que dá borda às coisas. Ele não faz crescer como a Madeira nem aquece como o Fogo: ele delimita, separa, nomeia. Uma gaveta com divisórias é Metal. Um chaveiro com lugar fixo na parede é Metal. Uma prateleira em que cada objeto tem um vizinho definido é Metal. Quando a tradição descreve a falta desse elemento, a descrição é constrangedoramente familiar: papel espalhado por todo canto, nada com endereço próprio, e a arrumação de domingo desfeita na terça. Não é desleixo de quem mora ali. É um cômodo sem contorno.

A parte física do assunto é fácil de conferir e quase ninguém usa a favor. Parede branca fosca devolve ao ambiente a maior parte da luz que recebe, algo em torno de oitenta a noventa por cento, muito mais do que qualquer cor com pigmento. Isso faz dela a resposta certa para os dois piores lugares do apartamento brasileiro, o corredor de um metro e vinte sem janela e o cômodo de fundos que dá para o poço de ventilação. Nenhuma luminária compra tanta claridade quanto uma parede clara e limpa já entrega de graça.

E existe a característica que muda tudo na hora de escolher: branco não é uma cor, é uma família com subtom. O quente puxa amarelo, o neutro fica no meio, o gelo puxa azul. Como o branco não tem pigmento forte para sustentar uma identidade própria, ele assume a cor do que o ilumina, inclusive a do reflexo da parede do vizinho e a do verde da planta ao lado da janela. Duas casas pintadas com o mesmo galão podem parecer cores diferentes por causa disso, e a escolha do subtom muda mais o ambiente do que a escolha da cor de destaque.

O branco em cada cômodo

Corredor sem janela, banheiro interno e apartamento de fundos são os endereços em que essa cor resolve mais por menos. Na maior parte das vezes ela já está lá, e o trabalho não é comprar tinta: é lavar a parede na altura do interruptor, limpar o batente que ficou encardido, tirar a poeira do difusor da luminária e conferir se o rodapé não escureceu. Uma parede branca suja devolve muito menos claridade do que uma limpa, e a perda acontece tão devagar que ninguém percebe.

Na cozinha americana o cuidado é de acúmulo. Marcenaria branca, parede branca, bancada clara e eletrodoméstico de inox somam Metal sobre Metal no cômodo que já emenda na sala, e o conjunto fica com aquele ar de mostruário. O contrapeso mais coerente vem da Terra, que na tabela é justamente quem gera o Metal: madeira crua, palha, cerâmica, uma tábua apoiada em pé, um pano de linho. Vale saber de antemão que branco perto do fogão mostra toda a gordura, o que é ao mesmo tempo a vantagem (você vê e limpa) e o incômodo (você vê todo dia).

Quarto e sala pedem branco como fundo, nunca como protagonista. O cômodo do sono trabalha melhor com Terra e Madeira, então o branco ali funciona quando vem acompanhado de textura: colcha de algodão cru, cortina de linho, cabeceira estofada, tapete. Sem textura ele fica liso e duro, e é essa a razão pela qual tanta gente diz que a sala nova ficou bonita e não é gostosa de ficar. Não é a cor que está errada, é o fato de ela ser a única coisa presente.

O branco em cada área do baguá

Pare do lado de fora da porta principal, entre e divida o cômodo em nove partes iguais, três por três. O meio da parede da sua direita é a casa da Criatividade, cujas cores são branco e tons pastel, e o canto da direita na mesma parede da porta é a dos Amigos protetores, de cinza, branco e prateado. As duas são casas de Metal, e é ali que essa cor está em casa: são também, por coincidência conveniente, os pedaços da sala em que costumam ficar a estante e o aparador da entrada.

O canto mais distante à sua direita é o Amor, e a paleta dele é rosa, vermelho e branco. A casa é de Terra, e como a Terra gera o Metal no ciclo de geração, branco ali é filho de casa, não intruso. A leitura prática é bonita: ele entra como o espaço em volta do par, a louça clara sob os dois porta-retratos, a moldura fina, o vaso branco entre duas coisas iguais. Naquele canto a gramática da escola é o par, e o branco é o que dá respiro para o par aparecer.

Agora a ressalva que quase nenhum texto faz. O meio da parede da esquerda é a Família e o canto mais distante à esquerda é a Prosperidade, e as duas são casas de Madeira. No ciclo de controle, o Metal é exatamente o que corta a Madeira. Aquele canto inteiro branco, com marcenaria branca e um vasinho no meio, é pela lógica da própria escola o elemento que poda o que deveria estar crescendo. Ali a coerência pede verde, roxo, dourado e madeira aparente. Este portal segue a escola do Chapéu Negro, que orienta pela porta; a tradicional, que usa bússola, mudaria o lugar das casas na planta e manteria intactos os dois ciclos.

O que ela ativa e o que ela satura

O sinal de Metal demais é o apartamento novo padrão do país: porcelanato claro no chão, parede branca, marcenaria branca, bancada cinza, esquadria de alumínio e nenhum tecido à vista. A tradição descreve esse acúmulo como ambiente frio e cortante, bonito de fotografar e desconfortável de habitar, e a descrição costuma bater com a experiência de quem mora lá. As pessoas visitam o cômodo, elogiam e vão sentar em outro lugar.

Existe uma parte disso que não é simbólica e dá para ouvir. Superfície lisa, dura e clara reflete som, e um cômodo sem tapete, sem cortina e sem estofado tem reverberação audível: a conversa fica mais alta, a televisão parece mais estridente e todo mundo eleva a voz sem perceber que está elevando. O conserto não é tinta, é tecido. Um tapete grande, uma cortina que vá do teto ao chão e uma estante com livros de verdade mudam o cômodo mais do que qualquer parede colorida mudaria.

A falta desse elemento é o problema oposto e ninguém a diagnostica, porque ela não incomoda de imediato: é a casa em que nada tem endereço. Chave em três lugares possíveis, correspondência em pilha, cabo dentro da gaveta de talher. Aqui a solução é literalmente dar contorno: uma bandeja na entrada, uma caixa para o que é de todo mundo, um gancho na parede, um cesto branco com função declarada. Metal não se acrescenta só por cor, se acrescenta por limite, e limite é de graça.

Como usar sem pintar nada

Quem mora de aluguel começa esta página em vantagem, porque a parede branca já está lá. Isso inverte o trabalho: em vez de acrescentar cor, o serviço é revelar a que existe. Passe um pano úmido na faixa da parede onde a mão encosta, no interruptor, no batente e no rodapé; limpe o vidro da janela e a cúpula da luminária. Em apartamento de rua movimentada, a diferença é visível na mesma tarde, e não custou um centavo.

Para acrescentar Metal sem pintar nada, o caminho é o objeto de borda definida e superfície clara: uma tigela de porcelana branca à vista, um par de castiçais, moldura fina, cesto de palha pintado, papel bonito, louça empilhada com critério. Vale a regra que a escola usa para tudo, que é conseguir dizer em uma frase o que aquele objeto está fazendo ali. Se a resposta for apenas que ele estava sobrando na caixa da mudança, ele não está acrescentando elemento nenhum.

E existe o movimento contrário, que é o mais necessário no Brasil: tirar frieza do branco que já veio de fábrica. Isso se faz com material, não com cor, e nessa ordem de impacto: tecido de fibra natural, madeira crua, palha, cerâmica, cesto, livro. Uma última alavanca vale mais que todas as outras para quem não pode pintar: troque a lâmpada antes de trocar qualquer coisa. Como a parede branca assume a cor de quem a ilumina, mudar a fonte de luz é, na prática, repintar a casa inteira por vinte reais.

Você sabia?

Na China o luto nunca foi preto: é branco. A cor pertence ao Metal, ao Oeste e ao outono, ou seja, ao fim da colheita e à véspera do inverno, e foi essa vizinhança com o encerramento do ciclo que a fez virar a cor das cerimônias fúnebres, com as famílias vestindo branco simples de algodão ou de cânhamo. O idioma guardou isso de um jeito elegante: existe a expressão que junta os assuntos vermelhos e brancos, hóngbái xǐshì, e ela quer dizer, numa palavra só, casamentos e funerais, os dois grandes acontecimentos que uma família organiza. Vermelho para um, branco para o outro. Vale reparar no tamanho da inversão: o Ocidente veste preto no enterro e branco no casamento, e a mesma dupla de cores, do outro lado do mundo, foi distribuída ao contrário. Quando alguém disser que branco é neutro, lembre que ele é a cor mais carregada de sentido em metade do planeta.

Os três tons que costumam funcionar

branco quente

#F4F1E8

branco puro

#FFFFFF

areia clara

#E3DED2

Toda cor muda de personalidade conforme a lâmpada do cômodo. Antes de comprar o galão, pinte um retângulo de cinquenta por cinquenta na parede de destino e olhe de manhã, à tarde e com a luz acesa.

O elemento Metal por trás desta cor

Elemento

金 Metal

Cores da família

branco, cinza, prateado e dourado

Formas

círculo, arco, cúpula, tudo que é redondo e fechado

Materiais

aço, alumínio, cobre, mármore claro, sino, moeda

Sinal de excesso

o ambiente fica frio e cortante, bonito de foto e desconfortável de ficar

Sinal de falta

some a precisão: papel espalhado, nada tem lugar definido, a bagunça volta em dois dias

As áreas do baguá que têm esta cor na paleta

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Perguntas frequentes

Posso pintar a casa inteira de branco?
Pode, e milhões de casas brasileiras já estão assim por decisão da construtora. O que a escola pede é que o branco não venha sozinho, porque cor demais de uma família só é sempre o problema, seja ela qual for. Se as paredes, a marcenaria e o piso são todos claros, acrescente material em vez de acrescentar cor: tapete, cortina de tecido encorpado, madeira aparente, cerâmica, palha. O ambiente ganha temperatura sem perder a claridade, que é justamente a vantagem que você já tem.
Branco quente ou branco gelo, qual escolher?
Depende da luz do cômodo e do que já existe nele. Branco quente, com subtom amarelado, funciona melhor em quarto, sala e ambiente com pouca luz natural, porque não deixa o lugar parecer frio nos dias nublados. Branco gelo combina com cozinha, banheiro e área de serviço, onde a sensação de limpeza vem antes do acolhimento. A dica que evita arrependimento é olhar a parede em três horários diferentes do dia antes de fechar a compra, porque a mesma tinta muda de personalidade conforme a luz que chega nela.
Branco combina com que cores, na lógica dos cinco elementos?
Com bege, marrom e terracota, porque a Terra gera o Metal, e essa dupla é pai e filho na mesma sequência: é a combinação mais estável que a tabela sustenta. Com preto e azul-escuro também funciona, já que o Metal condensa a Água. A relação de tensão é com vermelho e laranja em área grande, porque o Fogo derrete o Metal, e a leitura tradicional é de desgaste. E branco sobre verde é Metal cortando Madeira, o que faz um canto de plantas todo branco ser menos coerente do que parece.
Parede branca aumenta o apartamento pequeno?
Metro quadrado ela não cria, e quem promete isso está vendendo tinta. O que acontece é mensurável e útil: superfície clara devolve mais luz ao cômodo, e ambiente mais iluminado é lido pelo olho como mais amplo, ainda mais quando o teto acompanha a parede e o rodapé é da mesma cor, o que apaga a linha de encontro. Some a isso a organização, que pesa igual: um cômodo branco cheio de coisa espalhada continua parecendo apertado, porque o que ocupa espaço visual é o objeto, não a parede.

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