A cor escolhida pelo cômodo, não pela paleta
Que cor usar no home office pelo feng shui
Trabalhar em casa é conviver com uma parede mais horas do que com muita gente que você ama.
O que decide a cor deste cômodo
A função pesa mais aqui do que em qualquer outro cômodo, e ela se divide em duas perguntas que dão respostas opostas. Se o seu trabalho é de concentração longa, planilha, código, texto, estudo para concurso, a parede quer ser calma e de tom médio, porque contraste alto no campo de visão periférico cansa o olho com o tempo, e isso é ótica e não teoria energética: o olho ajusta a pupila pela cena inteira, não só pela tela. Se o seu trabalho é de conversa, venda, aula, gravação, a parede vira cenário e pode receber cor cheia, porque ela passou a ter público.
A luz decide a segunda metade e tem uma regra que vale ouro no home office brasileiro: nunca coloque a mesa de costas para a janela quando você faz chamada de vídeo, porque a câmera escurece o seu rosto para compensar a claridade do fundo. A posição que funciona é a janela ao lado, com a luz vindo de esquerda ou direita. Escolhida a posição, a cor da parede que fica atrás de você é o que a câmera vai medir: paredes muito claras estouram na imagem, e paredes muito escuras somem. Tom médio, entre o areia e o sálvia, é o que fotografa melhor, e isso não é vaidade, é o que reduz retrabalho de luz.
O terceiro fator é o elemento, e o home office tem uma particularidade. Como cômodo, ele não chega com elemento nenhum de nascença, ao contrário da cozinha, do banheiro e da área de serviço. Como área do baguá, porém, ele quase sempre é montado onde sobra espaço, e em apartamento pequeno isso costuma ser perto da porta, ou seja, dentro da faixa da Carreira, que é casa de Água. Some a isso o que o cômodo já tem sem ninguém escolher: monitor preto, cadeira preta, teclado preto, eletrônico é Água e Metal em quantidade. Se o seu canto de trabalho parece frio e sem apoio, o que falta ali é Terra, e a Terra é bege, ocre e cerâmica.
As que pedem cautela aqui
Vermelho na parede que você encara é a cautela número um, e o argumento é de dose e de tempo. A tabela põe o vermelho no Fogo, o elemento da visibilidade e do movimento, e a tradição descreve o excesso desse elemento como o ambiente que cansa em vinte minutos. Vinte minutos é pouco para uma jornada de oito horas. Se a sua área é de reconhecimento, vendas ou apresentação, ele funciona melhor como detalhe atrás de você, num quadro, numa lombada de livro, numa peça de cerâmica, do que como parede inteira.
Branco puro é a cautela que ninguém percebe porque parece a escolha neutra. O problema é de contraste: uma parede branca muito clara ao lado de um monitor ligado cria um degrau de luminância no seu campo de visão, e o olho passa o dia ajustando entre os dois. Some a isso o branco azulado com lâmpada branca fria e você tem o ambiente que a tabela descreve como Metal em excesso, bonito de foto e desconfortável de ficar. O conserto é barato: branco quebrado na parede, lâmpada de temperatura neutra e um objeto de madeira ou barro na mesa.
Preto e marinho merecem uma nota dupla. Do lado bom, parede escura atrás do monitor reduz o contraste com a tela e é o que salas de edição fazem de propósito. Do lado ruim, é a parede que menos devolve luz, e o home office brasileiro costuma ser um canto sem janela própria. Se for de escuro, escolha a parede que fica atrás do monitor e não a que fica atrás de você na câmera, mantenha as outras claras e resolva a iluminação da mesa com uma luminária de braço, que custa pouco e faz mais diferença do que a cor.
Sem pintar parede nenhuma
O home office tem uma vantagem sobre todos os outros cômodos: a superfície que mais importa é pequena e fica ao alcance da mão. A parede útil é aquela que cabe no enquadramento da câmera ou no seu campo de visão sentado, um retângulo de mais ou menos dois metros por um e meio, e ele se resolve com um painel. Uma placa de madeira compensada, um tecido esticado num bastidor grande, uma manta pendurada numa barra de cortina, dois quadros grandes lado a lado: qualquer um muda a cor do que você olha por oito horas sem uma gota de tinta.
Depois da parede, olhe para a mesa, que é a segunda maior superfície de cor e a mais fácil de trocar. Uma esteira ou uma folha de couro sintético cobrindo o tampo muda a cor dominante do seu campo de visão baixo. Cadeira com capa, tapete pequeno sob os pés, caixa organizadora colorida, capa de fone: são peças de área pequena, e em área pequena a regra é usar cor cheia, porque tom quebrado em objeto pequeno some.
E tem o caminho do material, que a escola aproveita mais do que a decoração. Pela tabela, Metal é aço, alumínio, mármore claro, formas redondas, e é o elemento associado à precisão e ao que tem lugar definido, que é o que uma mesa de trabalho pede. Terra é cerâmica, barro, pedra e formas baixas e largas, e é o que dá apoio. Isso vira, na prática, um porta-lápis de metal, uma caneca de cerâmica que fica sempre no mesmo lugar e uma tábua de madeira sob o monitor. Custa quase nada, já está na sua casa e faz o trabalho de dois elementos.
E se este cômodo cair em cada área do baguá
Pela regra da porta de entrada, a faixa central da parede da porta é a casa da Carreira, e ela é de Água, com preto e azul-escuro na paleta. Esse é o endereço natural do canto de trabalho de quem não tem quarto sobrando, porque em apartamento de dois quartos a única parede livre costuma ser a do lado da entrada. Se a sua mesa cai aí, você está no lugar certo pelo sistema, e o azul é material sobre material. Vale a advertência prática de sempre: escolha o azul médio e não o marinho fechado se aquele canto não recebe luz natural.
O canto da esquerda na mesma parede da porta é o Conhecimento, e ele é a melhor casa para estudo e para trabalho de concentração longa. A paleta é azul-marinho, verde-escuro e bege, e é uma das poucas casas em que a paleta e o ciclo dos elementos não batem, porque a casa é de Terra e tem azul na lista. Isso não é descuido: a tabela de cores de cada casa vem do trigrama e da tradição, e nem sempre coincide com o ciclo. Quem finge que coincide está simplificando até quebrar.
Dois outros cruzamentos aparecem muito. Mesa no canto mais distante à esquerda, que é a Prosperidade, com roxo, verde e dourado na paleta, é o arranjo preferido de quem trabalha por conta própria, e o verde faz o papel duplo de área e de cômodo. Mesa no meio da parede do fundo, o Reconhecimento, casa de Fogo, é onde a parede colorida rende mais, porque a área pede vermelho e laranja e o cômodo tem público quando você grava ou faz reunião. Uma nota de divisão de trabalho, para não confundir os dois sistemas: o feng shui organiza o espaço em que você trabalha, e quem descreve a pessoa que senta ali, com data, hora e lugar de nascimento, é o mapa chinês, o BaZi.
Você sabia?
Existe um número escondido no verso de alguns leques de cor e nas fichas técnicas das fabricantes que resolve metade das brigas de home office, e ele se chama reflectância, ou LRV na sigla em inglês. É uma escala de zero a cem que diz quanta luz aquela cor devolve ao ambiente: o preto absoluto seria zero, o branco perfeito seria cem. Na prática, um branco de parede fica por volta de oitenta e cinco, um bege areia por volta de sessenta, um verde sálvia por volta de quarenta, um azul-marinho por volta de oito. O que esse número faz é transformar em conta uma coisa que a gente costuma tratar como gosto: trocar uma parede de areia por marinho não é só mudar o clima do cômodo, é devolver ao ambiente algo como um sétimo da luz que ele tinha, o que significa mais lâmpada acesa por mais horas. Iluminadores e arquitetos usam isso para dimensionar quantos pontos de luz uma sala vai precisar antes de a parede existir. Você pode usar de um jeito mais simples: se o cômodo já é escuro, fique acima de cinquenta, e se ele recebe sol a tarde inteira, você tem liberdade para descer.
As cores que funcionam aqui, e o porquê de cada uma
verde-sálvia #7E9B6B
Madeira é o elemento do que cresce e do que está em processo, que é a descrição exata de trabalho em andamento. Em tom médio e acinzentado, ele é a cor que melhor se comporta atrás de uma tela e a que menos estoura em videochamada.
azul-acinzentado #8FA8B8
A casa da Carreira é de Água, e o azul é o material dela. Por ser frio, ele recua visualmente, o que é útil quando a mesa está encaixada num canto apertado da sala. Prefira o médio ao marinho, que devolve pouca luz.
greige #B9B0A5
Cinza com bege dentro é Metal com um pé na Terra, e Metal é o elemento que a tabela associa a precisão e a coisa no lugar. Funciona bem para quem quer neutro sem cair no branco de escritório corporativo.
ocre #C99A3B
Terra, o elemento que dá chão, e a resposta certa para o canto de trabalho que parece provisório, montado numa quina qualquer. Em amarelo terroso e não em amarelo puro, que em parede grande vira demais.
branco-quente #F0EAE0
Devolve o máximo de luz, o que salva o home office montado num quarto interno ou numa varanda fechada com vidro fumê. Escolha o branco quebrado, com creme, porque o branco azulado somado a lâmpada fria e monitor deixa o canto com cara de recepção de clínica.
As áreas do baguá que este cômodo costuma ocupar
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