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As cores no feng shui, uma a uma

A cor turquesa no feng shui

O turquesa fica entre o azul e o verde, e é exatamente por isso que ele merece uma página só dele. Na paleta que o baguá usa, verde e azul-esverdeado são Madeira, o elemento do que cresce, enquanto preto e azul-escuro são Água. O turquesa tem verde dentro, então ele cai na Madeira, e o azul-marinho puro ficaria do outro lado, na Água. A fronteira entre os dois existe de verdade, é discutida entre escolas e tem um trecho em que duas pessoas honestas discordam. Esta página diz onde a linha foi traçada, por que ela foi traçada aí e o que muda na sua casa em cada caso.
É o único azul que a tabela chama de Madeira, e o único verde que planta nenhuma entrega.

O princípio, antes da receita

A regra que este portal segue é a da própria paleta das nove casas: verde e azul-esverdeado entram como Madeira, preto e azul-escuro entram como Água. O turquesa é azul com verde dentro, logo é Madeira, e o mesmo vale para o verde-água, para o azul de piscina e para o petróleo claro. O teste que resolve a dúvida em dez segundos e não custa nada é comparar com duas coisas que você já tem em casa: ponha a peça ao lado de uma folha de planta e ao lado de uma calça jeans. Se ela parece parente da folha, é Madeira. Se parece parente do jeans, está indo para a Água. E se você ler o seu turquesa como Água, a única coisa que muda na prática é o lugar: ele passa a servir na faixa da porta de entrada e a pedir contrapeso no banheiro, em vez do contrário.

Existe uma explicação física para o fato de essa cor parecer água ao olho e ser Madeira na tabela, e ela é boa de saber. A água não é azul por causa do céu: ela absorve as ondas longas, ou seja, o vermelho e o laranja, e devolve o que sobra. Em pouca profundidade, sobre areia clara ou sobre um fundo de piscina claro, o que sobra é um azul com verde, que é justamente o turquesa. Em muita profundidade, quanto mais fundo, mais azul escuro. Repare no encaixe: a água rasa e viva é turquesa, e a tabela chama isso de Madeira; a água profunda é marinho, e a tabela chama de Água. A intuição popular e a classificação chinesa estão de acordo, só cortam a faixa em pontos diferentes.

Falta o comportamento dela num cômodo, que é diferente de tudo mais nessa família. A Madeira é o elemento do vertical e do que sobe, e a maioria das cores dela, os verdes acinzentados, se comporta em parede quase como um neutro. O turquesa não: ele é frio, recua como o azul e ainda assim tem saturação alta, o que faz dele a única Madeira que funciona como ponto de destaque em vez de fundo. Duas consequências práticas, e as duas dão para conferir sem acreditar em nada. A primeira é que ele muda muito com a lâmpada: sob luz amarelada de 2700 kelvin ele perde o azul e embarra, e sob LED branco azulado de 6500 ele fica elétrico. A segunda é que ele é quase o oposto do laranja na roda das cores, e piso amadeirado brasileiro é laranja. Isso faz do turquesa a cor de maior contraste possível com o chão que você já tem, o que é excelente em dose pequena e cansativo em dose grande.

O turquesa em cada cômodo

O banheiro é o melhor endereço desta cor em qualquer apartamento brasileiro, e o motivo é o que sobrou por escrever nas páginas do azul e do verde. Aquele cômodo é a saída de água da casa e já tem o elemento Água em dose máxima, então azul-marinho ali soma ao que sobra. A Madeira, ao contrário, é o elemento que bebe a Água. O turquesa entrega a sensação de água que a pessoa foi buscar quando escolheu azul, e entrega pelo elemento certo. Concretamente, sem obra: toalha, cortina de box, tapete, um vidro de cotonete e um vaso numa prateleira alta. Se o seu banheiro herdou o azulejo verde-água antigo, que foi padrão de construção no Brasil dos anos 50 e 60, não é preciso quebrar nada: o azulejo já resolveu a cor, o trabalho é escolher tudo o mais dentro de uma família só, e não misturar três azuis diferentes.

No banheiro dentro do quarto vale um refinamento que quase ninguém escreve. Como os dois ambientes se veem, a decisão mais útil não é a cor de cada um, é deixar a fronteira visível: turquesa do lado do banheiro e tons quentes do lado do quarto marcam onde termina um cômodo e começa o outro, o que a escola pede justamente porque ali fica a saída de água. Na cozinha americana o argumento é outro e é dos mais citados da escola: fogão e pia ficam a um palmo, o que põe Fogo e Água encostados, e a Madeira é o elemento que transforma essa vizinhança em sequência, porque ela bebe a Água e alimenta o Fogo. Um pano de prato, uma jarra, um conjunto de louça ou uma faixa de azulejo turquesa entre a boca do fogão e a cuba fazem esse serviço. Aqui também não há novidade nenhuma para o país: o azulejo de cozinha verde-água é uma memória visual brasileira inteira, e voltar a ele é retorno, não moda.

Na sala, o turquesa é ponto, não fundo. Uma parede inteira em turquesa saturado num apartamento de quarenta e cinco metros quadrados costuma ficar com leitura de piscina de clube, e o que funciona é escolher entre uma superfície grande em tom lavado ou dois ou três pontos pequenos em tom vivo, nunca as duas coisas. No quarto, prefira sempre a versão apagada, o verde-água acinzentado, que é dos poucos tons frios que convivem bem com o cômodo do sono. No corredor de um metro e vinte ele tem uma vantagem discreta sobre o bege: o turquesa claro devolve luz sem amarelar sob lâmpada quente. E a varanda fechada com vidro é o lugar em que ele faz o trabalho mais óbvio: aquele ambiente é uma caixa de alumínio e vidro, ou seja, Metal e Água por construção, e o que falta ali é sempre Madeira. Almofada de cadeira, tapete de área externa, vaso e planta resolvem em uma tarde.

O turquesa em cada área do baguá

Entre pela porta principal, pare logo depois dela e divida o que você vê em nove partes iguais. O meio da parede da sua esquerda é a casa da Família, das raízes e das brigas antigas, e a paleta declarada dela é verde e azul. Guarde esse detalhe, porque ele é o melhor argumento desta página inteira: o turquesa é a única cor que atende às duas exigências dessa paleta ao mesmo tempo, já que ele é verde e azul na mesma tinta. Na casa brasileira aquele pedaço costuma ser onde moram as fotos, o móvel herdado e a louça da avó, e uma manta, um vaso ou uma moldura turquesa ali é material sobre material.

O canto mais distante à esquerda é a Prosperidade, que reúne roxo, verde e dourado, e o turquesa entra pelo lado do verde sem nenhuma ginástica. Vale uma nota de coerência: turquesa com dourado é uma dupla que a paleta daquela casa já sustenta, e ao mesmo tempo é Metal ao lado de Madeira, sendo que o Metal poda a Madeira. Traduzindo, o dourado ali funciona como detalhe fino, um puxador, um fio de tecido, a moldura, e não como área. O meio da parede da direita é a Criatividade, cuja paleta é branco e tons pastel: o verde-água bem lavado é um pastel legítimo e cabe ali, mas em versão apagada, porque aquela casa é de Metal e um turquesa saturado seria a Madeira entrando justamente na casa que a corta.

Falta declarar as três relações que decidem o resto e que quase nenhum site escreve. O miolo do cômodo é a Saúde, casa de Terra, e no ciclo de controle a Madeira fura a Terra: ali o turquesa entra em detalhe e o chão continua com barro, cerâmica e trama grossa. A faixa central da parede da porta é a Carreira, casa de Água, e pôr Madeira ali é pôr o elemento que bebe justamente a casa que você quer cheia, então prefira o azul-marinho e o preto naquele metro e meio. E a faixa central do fundo, de frente para a porta, é o Reconhecimento, casa de Fogo: como a Madeira alimenta o Fogo, o turquesa ali é combustível e trabalha a favor, o que faz dele uma escolha melhor do que a intuição sugere para a parede que toda visita vê primeiro. Este portal segue a escola do Chapéu Negro, que orienta o baguá pela porta de entrada; a tradicional, que usa a bússola, poria as casas de Madeira a Leste e a Sudeste e chegaria às mesmas relações de ciclo.

O que ela ativa e o que ela satura

O sinal de que a dose passou tem um retrato bem específico e é fácil de reconhecer: o cômodo passa a parecer um lugar que se visita, não um lugar em que se mora. Pousada de praia, consultório, vestiário de clube. Turquesa demais deixa tudo com aparência de temporário, como se a casa estivesse de férias em caráter permanente, e o detalhe que confirma isso é que ninguém escolhe aquele ambiente para ficar quando tem outro disponível.

Existe um sinal físico que quase ninguém associa à cor, e ele é ótimo para calibrar a quantidade. Cor saturada reflete luz colorida no que está ao lado: uma cortina turquesa grande tinge de verde a parede branca vizinha em certos horários, principalmente no fim da tarde. Se você começou a reparar em manchas esverdeadas nas suas paredes claras e achou que era mofo ou sujeira, olhe para o tecido antes de olhar para a parede. Some a isso o efeito do contraste com o piso: como o turquesa é quase o oposto do laranja, e o piso amadeirado brasileiro puxa laranja, muito turquesa faz o seu chão e os seus móveis de madeira parecerem mais alaranjados e mais datados do que são. Em dose pequena isso valoriza os dois; em dose grande, um estraga o outro.

A falta desta cor merece uma resposta honesta, e ela é diferente da das outras páginas. Se o que falta na sua casa é Madeira, o elemento do que cresce e do que está em processo, o turquesa não é o caminho mais barato: uma muda cortada do vaso do vizinho enraíza num copo de água e custa zero, e a página das plantas deste portal ajuda a escolher pela luz que você tem. O turquesa entra quando você quer o elemento numa superfície que não precisa de rega, quando o cômodo não tem luz para planta nenhuma, ou quando o que falta é justamente frescor visual num ambiente todo quente, com madeira, bege e terracota em todas as superfícies. Nesse caso ele faz o que nenhum verde faz, porque ele é o único da família que tem contraste suficiente para aparecer.

Como usar sem pintar nada

Comece por uma diferença que separa esta cor de todo o resto da família Madeira: nenhuma planta é turquesa. Ele é o único elemento vivo da tabela que não chega vivo, e por isso ele é integralmente uma conversa de tecido, louça e vidro. A ordem de impacto, do mais forte para o mais fraco, é cortina, colcha, tapete, toalha de banho, almofada, louça e quadro. E como ele funciona por contraste, uma peça só num ambiente neutro rende mais do que cinco peças espalhadas, que tendem a deixar o cômodo com aparência manchada.

O inventário de custo zero é generoso e brasileiro. Turquesa costuma estar guardado em forma de canga do verão passado, toalha de praia, jogo americano, garrafa térmica, caneca esmaltada, vidro de conserva, pote de vidro verde, azulejo de demolição na caixa da área de serviço, e a roupa de cama verde-água que todo mundo teve nos anos 90. Junte três peças em cima da mesa, escolha duas e ponha na parede da esquerda, que é o lado das casas de Madeira. Você descobre em uma tarde se a cor funciona na luz da sua casa, e a descoberta não custou nada.

As combinações saem dos ciclos e valem em qualquer cômodo. A Água rega a Madeira, então turquesa com azul-marinho e preto é o par que o sistema sustenta sem esforço, e é também o mais elegante deles. A Madeira alimenta o Fogo, então turquesa com terracota, laranja queimado e madeira crua funciona, e essa é a dupla mais usada no Brasil inteiro, do litoral ao artesanato de feira: pelos ciclos ela é Madeira furando a Terra, o que quer dizer apenas que um dos dois precisa ser pequeno. O par de tensão é com branco, prateado e dourado, porque o Metal corta a Madeira, e ele fica ótimo quando o metal é detalhe e cansa quando é o cômodo inteiro. Uma regra final de dose fecha o assunto: em turquesa, escolha entre uma superfície grande em tom lavado ou até três pontos pequenos em tom vivo, e nunca as duas coisas juntas.

Você sabia?

O turquesa vivo que existe hoje na sua toalha, na sua caneca e no seu galão de tinta é invenção recente, e nasceu de um acidente de fábrica. Até o século 20 não havia um pigmento sintético estável nessa faixa: os pintores chegavam ao azul-esverdeado por mistura, e ele desbotava. Nos anos 1920, uma fábrica escocesa notou uma impureza azul intensa aparecendo na produção de um composto orgânico, e a investigação que veio depois identificou uma molécula nova, a ftalocianina, comercializada a partir dos anos 1930 e usada até hoje em quase toda tinta, plástico e tecido azul ou verde-azulado do mundo. O detalhe que fecha a história é bonito demais para ser coincidência: no centro dessa molécula existe um átomo de cobre, e é o cobre que também dá cor à pedra turquesa, formada em regiões áridas quando a água se infiltra na rocha e deposita cobre e alumínio nas fendas. Ou seja, a cor que a humanidade passou milhares de anos arrancando de uma pedra de cobre acabou reproduzida em escala industrial por uma molécula que tem cobre no meio dela, encontrada por acaso. A pedra em si tem página própria nesta família, com a mineralogia e os cuidados que ela pede.

Os três tons que costumam funcionar

turquesa

#3AA6A0

verde-água

#A9D6CE

petróleo claro

#2C6B68

Toda cor muda de personalidade conforme a lâmpada do cômodo. Antes de comprar o galão, pinte um retângulo de cinquenta por cinquenta na parede de destino e olhe de manhã, à tarde e com a luz acesa.

O elemento Madeira por trás desta cor

Elemento

木 Madeira

Cores da família

verde e azul-esverdeado

Formas

tudo que é alto e vertical: estante em pé, coluna, listra que sobe

Materiais

planta viva, madeira crua, algodão, linho, papel

Sinal de excesso

a casa parece uma selva e ninguém consegue terminar nada, porque tudo está sempre começando

Sinal de falta

o ambiente fica parado, sem nada crescendo, e bate aquela sensação de que a vida travou

As áreas do baguá que têm esta cor na paleta

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Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

Turquesa é azul ou verde no feng shui?
Pela paleta que o baguá usa, ele entra como verde, ou seja, como Madeira, porque a regra classifica verde e azul-esverdeado nessa família e reserva a Água para o preto e o azul-escuro. O teste é olhar o que existe dentro do seu tom: se tem verde na mistura, é Madeira; se tem preto ou roxo, é Água. A fronteira é real e há divergência entre escolas na faixa do meio, principalmente nos petróleos. Se você preferir ler o seu turquesa como Água, o que muda é só o endereço: ele passa a servir na faixa da porta de entrada e a pedir contrapeso de Terra no banheiro.
Turquesa, verde-água e azul-piscina são a mesma coisa?
São nomes comerciais para trechos vizinhos da mesma faixa, e o nome na embalagem não muda o elemento. Verde-água costuma ser o mais claro e o mais esverdeado, azul-piscina é o mais saturado, e petróleo claro é o mais fechado dos três. O que muda de verdade é o comportamento no cômodo: o lavado funciona em área grande e em parede inteira, o saturado só funciona em ponto pequeno. Na dúvida sobre o tom, compare com uma folha de planta e com uma calça jeans, e escolha pelo lado para o qual ele pende.
Posso usar turquesa no banheiro?
Pode, e essa costuma ser a escolha mais coerente com a lógica do sistema, o que quase ninguém explica. O banheiro é a saída de água da casa e já tem Água de sobra, então o azul-marinho reforça o que já está em excesso. A Madeira é o elemento que bebe a Água, e o turquesa entra por ela, entregando a sensação de frescor que a pessoa foi buscar no azul sem somar ao elemento que já domina o cômodo. Toalha, cortina de box, tapete e um vaso numa prateleira alta resolvem, e em banheiro pequeno ou sem janela prefira o tom lavado.
Turquesa combina com madeira e com piso amadeirado?
Combina, e é a combinação de maior contraste que a sua casa pode produzir, porque o turquesa fica quase no lado oposto do laranja na roda das cores e o piso amadeirado brasileiro puxa laranja. Pelos ciclos, é Madeira ao lado de Terra, ou seja, o par de controle, e a instrução prática que sai disso é simples: um dos dois precisa ser pequeno. Piso amadeirado com dois ou três pontos turquesa fica ótimo e cada um valoriza o outro; piso amadeirado com parede, sofá e cortina turquesa faz a madeira parecer alaranjada e datada.

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