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A cor escolhida pelo cômodo, não pela paleta

Que cor usar na sala pelo feng shui

Duas salas com a mesma lata de tinta, no mesmo prédio, andares diferentes, terminam de cores diferentes. Não é impressão sua e não é defeito do fabricante: é a janela. Este é o cômodo em que a orientação da luz manda mais do que a paleta, porque a sala é a maior superfície contínua da casa e passa o dia inteiro exposta ao que entra pela varanda. A escola do chapéu negro trata a sala como o lugar em que a casa se mostra e onde as pessoas param, e é dessa função que sai a regra principal: aqui a cor precisa aguentar visita, cochilo de domingo e televisão às onze da noite, tudo na mesma parede.
Sala é o cômodo que a casa usa para se apresentar. Cor forte demais fala antes de você abrir a boca.

O que decide a cor deste cômodo

Comece pela função, que na casa brasileira quase nunca é uma só. A sala do apartamento de quarenta e cinco metros é sala de estar, sala de jantar, escritório de segunda a sexta e cinema no sábado, e às vezes ainda é cozinha, porque a bancada americana derrubou a parede. Cômodo que faz cinco coisas pede cor que não tenha opinião sobre nenhuma delas, e é por isso que o neutro quebrado, o areia, o branco quente, o greige, domina esse ambiente em qualquer país. Se a sua sala tem uma função só e clara, você ganha liberdade para uma parede de cor cheia, e ela deve ser a parede do fundo, a que se vê da porta.

Depois vem a luz, e no Brasil ela tem um detalhe que vira o hemisfério norte de cabeça para baixo. Aqui embaixo, a janela voltada para o norte é a que recebe sol a maior parte do dia, e a voltada para o sul quase não recebe sol direto nunca. Sala de janela norte esquenta qualquer cor, e um bege que parecia sóbrio no leque vira amarelado na parede. Sala de janela sul recebe luz fria e constante, e a mesma lata puxa para o cinza. Não é preciso bússola de agrimensor para descobrir: repare em que horas o sol bate no chão da sua sala, e se não bater nunca, você já tem a resposta.

A terceira pergunta é a que quase ninguém faz, e é sobre quanto tempo se passa acordado ali. Sala é o cômodo em que se está de olhos abertos e de guarda baixa, o oposto do quarto, e por isso ela aguenta bem mais cor do que a fama diz. E sobre elemento: diferente da cozinha, do banheiro e da área de serviço, a sala não chega com elemento embutido, o que faz dela o cômodo mais livre da planta. O que ela costuma ter de sobra é Metal e Água sem ninguém ter escolhido, na forma de televisão preta, vidro da mesa de centro, espelho, alumínio da esquadria e piso porcelanato acinzentado. Se a sua sala parece fria mesmo em fevereiro, é disso que se trata, e a conta se acerta com Terra e Fogo.

As que pedem cautela aqui

Preto e marinho na sala não são erro, são compromisso. Eles devolvem pouquíssima luz, e a sala brasileira típica tem uma parede de janela e três cegas, então a conta de claridade fecha no vermelho rápido. Se você quer o escuro, use na parede que recebe luz de lado, nunca na parede oposta à janela, e conte com uma lâmpada a mais. O detalhe que quase ninguém antecipa é a poeira: parede escura em cidade grande mostra marca de mão, de encosto de sofá e de rodapé em duas semanas, e num acabamento fosco você não pode passar pano sem tirar a cor.

Vermelho puro em área grande é o outro caso. A tabela chinesa o coloca no Fogo, e a leitura da escola é que o Fogo é ótimo para o encontro e cansativo para a permanência. Numa sala em que as pessoas ficam três horas seguidas, quatro paredes vermelhas viram um lugar do qual todo mundo levanta sem saber por quê. Terracota, telha e tijolo resolvem o desejo pelo quente sem o mesmo peso, porque têm Terra na mistura. Se for de vermelho mesmo, faça o teste do papelão de trinta por trinta encostado na parede por três dias antes de comprar a lata de dezoito litros.

Existe ainda a cautela mais cara de todas, que é a do cinza frio. Ele virou padrão nacional na década passada, e como o piso porcelanato, a esquadria de alumínio, a televisão e o sofá cinza vieram junto, muita sala hoje é Metal do teto ao chão. Pela tabela isso é o cômodo bonito de foto e desconfortável de ficar, e o conserto não exige repintar nada: dois objetos de barro, um tapete de trama grossa e uma luz amarelada mudam a leitura inteira. Se você já tem tudo cinza e quer pintar, puxe para o greige, o cinza com bege dentro, que é o mesmo cinza com um pé na Terra.

Sem pintar parede nenhuma

A maior superfície de cor da sala não é a parede, é o conjunto sofá mais cortina, e os dois somados costumam ocupar mais campo de visão do que qualquer alvenaria. Uma capa de sofá custa uma fração da pintura, se lava e volta atrás se você não gostar. A cortina, por ir do teto ao chão, funciona como uma parede inteira que muda de cor em uma tarde, e ela é a peça que mais rapidamente tira a sala do cinza sem envolver o proprietário do imóvel.

Depois vem a ordem de área: tapete, manta jogada no braço do sofá, capas de almofada, quadro grande, cúpula de abajur, lombada dos livros virada para fora. Vale um detalhe que a escola usa e que a decoração ignora: pela tabela dos cinco elementos, o material conta tanto quanto o pigmento. Cerâmica, barro, pedra e tapete grosso entram como Terra mesmo sem cor terrosa; espelho, vidro e superfície brilhante entram como Água; planta viva, madeira crua, algodão, linho e papel entram como Madeira. Uma sala inteira pode mudar de elemento dominante sem uma gota de tinta.

E tem a cura de dez minutos e custo zero, que é a que este portal insiste em colocar antes da compra. Ande pela sala e conte quantas coisas já são cinza, pretas ou de vidro. Depois abra o armário e junte o que você tem de cor guardado sem uso: a manta do inverno passado, a toalha de mesa herdada, o quadro que saiu da parede na última mudança, aquele vaso de barro que foi parar na cozinha. Escolha duas peças, ponha na sala hoje, e só decida a tinta depois de conviver uma semana com o resultado.

E se este cômodo cair em cada área do baguá

Na regra da porta de entrada, que é a da escola do chapéu preto, você se posiciona na porta principal olhando para dentro e divide a planta em nove partes. Na maioria dos apartamentos brasileiros a sala não cai numa área do baguá: ela contém várias, às vezes seis das nove, porque a porta abre direto nela. Isso não complica, simplifica, porque permite trabalhar por cantos em vez de por paredes inteiras. O canto mais distante à esquerda é a Prosperidade, com roxo, verde e dourado na paleta, e é onde costuma ficar o sofá com caixa acumulada atrás. O canto mais distante à direita é o Amor, com rosa, vermelho e branco.

A faixa central do fundo, de frente para a porta, é o Reconhecimento, casa de Fogo, com vermelho e laranja. Não é coincidência que essa costume ser a parede em que todo mundo quer pôr a cor forte, porque é a que se vê da entrada: a intuição decorativa e a tabela chinesa concordam aqui, e é o melhor endereço da casa para a sua parede terracota. O meio da parede da esquerda é a Família, de Madeira, com verde e azul, e é onde tradicionalmente moram as fotos e o móvel herdado.

O miolo da sala é a Saúde, casa de Terra, e ela pede o contrário do que a decoração costuma fazer ali. O centro do cômodo quer assentar, então bege, ocre e marrom no tapete e na mesa de centro valem mais do que qualquer objeto colorido no meio. Vale uma advertência de ciclo, dita com todas as letras: pela tabela, a Madeira fura a Terra, então uma sala inteira verde com o centro tomado de plantas mexe justamente no pedaço que deveria firmar. Nada disso é sentença, é dose.

Você sabia?

Você sabia que a mesma lata de tinta produz duas salas diferentes em dois apartamentos do mesmo prédio, e que dá para prever qual vai ser qual? A explicação está na orientação da janela, e no hemisfério sul ela é o inverso do que a maioria dos livros de decoração diz, porque quase todos foram escritos na Europa ou nos Estados Unidos. Aqui embaixo, a fachada voltada para o norte é a que pega sol a maior parte do dia e recebe luz quente e amarelada, que empurra qualquer cor na direção do dourado: um bege vira creme, um sálvia vira oliva. A fachada sul quase nunca recebe sol direto e trabalha com luz refletida do céu, que é mais azulada e mais constante ao longo do dia, e ela puxa a mesma lata para o cinza: o bege vira pardo, o sálvia vira quase menta apagado. Janela leste tem manhã quente e tarde neutra, janela oeste tem o oposto e ainda ganha aquela hora de sol laranja no fim do dia que muda a sala inteira. Nada disso é sutileza de arquiteto: é a razão número um pela qual a cor da casa da sua amiga não deu certo na sua.

As cores que funcionam aqui, e o porquê de cada uma

branco-quente #F2ECE3

Branco com creme dentro é o coringa da sala pequena porque devolve muita luz sem esfriar o ambiente. Pela tabela é Metal, o elemento da precisão, e ele funciona melhor quando o cômodo ganha Terra em outro lugar, no tapete ou na cerâmica.

areia #DCC9AC

Terra pura, o elemento que dá chão, e a cor que menos briga com o sofá que você já tem. É a escolha certa para sala que parece de passagem, aquela em que ninguém senta e todo mundo atravessa.

verde-sálvia #7E9B6B

Madeira, o elemento do que cresce, e o verde mais educado que existe em parede: por ter cinza na mistura, ele convive com palha, linho, madeira clara e madeira escura ao mesmo tempo. Bom na parede que recebe a estante.

terracota #B0603D

Laranja queimado é Fogo com barro dentro, o que a tradição associa ao convívio e ao calor da conversa. Numa parede só, de preferência a do fundo, ele aquece a sala que virou fria de tanto vidro, metal e porcelanato cinza.

azul lavado #A9C1CE

Cores frias recuam visualmente, então uma parede de fundo em azul claro faz a sala de doze metros parecer um palmo mais longa. Este é o azul da família da Madeira, com verde na mistura, e não o marinho, que é Água.

As áreas do baguá que este cômodo costuma ocupar

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Perguntas frequentes

Qual a melhor cor de parede para sala pequena?
Branco quebrado ou areia nas paredes, com uma parede de fundo em cor fria e clara se você quiser profundidade. A lógica tem duas partes verificáveis: cor clara devolve mais luz, e cor fria recua visualmente, o que empurra o limite do cômodo para longe. Some a isso o pé-direito, pintando o teto de branco e mantendo o rodapé da mesma cor da parede, o que apaga a linha horizontal e faz a parede parecer mais alta. Nada disso muda o metro quadrado do imóvel, muda a leitura dele, e é honesto dizer as duas coisas.
Sala e cozinha integradas, pinto tudo da mesma cor?
Na cozinha americana, que é o desenho mais comum do apartamento novo no Brasil, a mesma parede pertence aos dois cômodos, então a resposta prática é sim, uma cor de base para o conjunto, e a diferenciação por outro caminho. Use o mesmo neutro nas duas partes e marque a cozinha por material em vez de pigmento: madeira na bancada, um verde de tempero vivo entre o fogão e a pia, cerâmica à vista. A escola gosta muito desse verde no meio, porque fogão e pia lado a lado são Fogo e Água a um palmo, e a Madeira é o elemento que transforma essa vizinhança em sequência.
Posso pintar a parede da televisão de preto?
Pode, e existe um argumento a favor que não é energético: fundo escuro atrás da tela reduz o contraste entre a imagem e a parede, que é o mesmo motivo pelo qual sala de cinema é escura. Os dois cuidados são de luz e de manutenção. Se essa é a parede oposta à janela, você vai perder claridade no cômodo inteiro, então compense com lâmpada. E prefira acabamento acetinado ou fosco premium, porque preto fosco comum não aceita pano úmido e marca com qualquer encosto.
Que cor de sala combina com piso cinza?
Piso porcelanato cinza é Metal, e a maioria das salas com esse piso já tem metal demais somando esquadria de alumínio, televisão e vidro. A combinação que mais funciona é acrescentar Terra e um pouco de Fogo: areia, greige, terracota em uma parede, madeira nos móveis e um tapete de trama grossa. Se você prefere continuar na família fria, o azul lavado convive bem com cinza, e aí o que falta é calor pela lâmpada, escolhendo luz amarelada em vez de branca.

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