As cores no feng shui, uma a uma
A cor amarela no feng shui
É a única cor quente que também é claridade. Por isso ela cabe justamente onde a luz não chega.
O princípio, antes da receita
Terra é o elemento do meio, e isso não é figura de linguagem: no arranjo clássico dos cinco, ela ocupa o centro enquanto os outros quatro se distribuem em volta. Num cômodo, ela é tudo que faz a coisa parar de flutuar. As formas dessa família são largas e baixas, o quadrado e o retângulo deitado, e os materiais são cerâmica, argila, pedra, tijolo, tapete de trama grossa. Se Fogo é o que ativa e Água é o que espalha, Terra é o que segura. Uma casa com Terra suficiente é aquela em que as pessoas sentam e ficam.
Agora a distinção que decide se a sua parede vai dar certo, e quase nenhum site faz. Existem dois amarelos, e só um deles é Terra. O primeiro é o terroso, a família do ocre, da mostarda, da palha, do trigo maduro e do barro cru, todos com um pouco de vermelho e de marrom por dentro. Esse é o amarelo da tabela, o que veio do chão. O segundo é o amarelo limão, frio e ácido, com verde na mistura, que é uma cor industrial recente e não pertence a essa família nem se comporta como ela. A escola não proíbe o segundo, mas ele não faz o trabalho que você está esperando, e em parede grande costuma ser arrependimento em quinze dias.
A parte verificável é o que dá ao amarelo o seu lugar de honra no apartamento brasileiro. Cor clara devolve luz, e o palha e o areia devolvem quase tanto quanto um branco, com a diferença de que não deixam o cômodo com cara de consultório. Vale lembrar do efeito da lâmpada antes de comprar: embaixo de uma luz amarelada de 2700 kelvin, o ocre puxa para o mostarda e satura; embaixo de um LED branco azulado de 6500, o mesmo ocre esverdeia e perde o calor. A mesma lata, dois cômodos, duas cores.
O amarelo em cada cômodo
O corredor sem janela é o melhor endereço desta cor em qualquer apartamento brasileiro, e é onde ela resolve um problema real. Um corredor de um metro e vinte, com um ponto de luz no teto, costuma ser o pedaço mais escuro e mais evitado da casa. Um areia ou um palha fosco nas duas paredes devolve claridade para dentro do vão e faz o trajeto parecer mais largo do que é, o que nenhum objeto pendurado consegue fazer. A mesma lógica vale para o quarto de fundos e para a sala voltada para o poço de ventilação.
Na cozinha, o amarelo é uma escolha antiga no Brasil e coerente com a tabela, o que é uma boa coincidência. Fogão é Fogo, e no ciclo de geração o Fogo vira cinza e faz a Terra, então o ocre e o palha são o elemento que a cozinha naturalmente produz. Some o fato de que Terra é o que segura a Água, e você entende por que a bancada e a pia convivem tão bem com tons terrosos. Em cozinha americana, um palha na parede une visualmente cozinha e sala, que na planta de quarenta e cinco metros quadrados são a mesma parede.
A mesa de jantar pede exatamente o que essa cor entrega, porque comer junto é o momento em que a casa para. Um ocre numa parede lateral ali funciona melhor do que qualquer cor fria. No quarto, o areia e o bege são consenso, já que o cômodo do sono pede assentamento. E o banheiro merece um parágrafo próprio na vida real: ele é o único ambiente que a escola manda ancorar, porque leva água embora o tempo todo, e amarelo terroso é a forma mais barata de fazer isso, com uma toalha, um tapete grosso e um cesto de palha, sem tocar no azulejo que veio com o imóvel.
O amarelo em cada área do baguá
O miolo do cômodo, aquele pedaço em que normalmente não existe nada além de tapete e mesa de centro, é a casa da Saúde, e ela é de Terra, com amarelo-terroso, marrom e ocre na paleta. Isso rende a dica mais concreta desta página: o tapete é a peça dessa casa, porque ele é o único objeto que de fato ocupa o centro. Trocar um tapete cinza por um de trama grossa em tom de areia muda a leitura do cômodo inteiro sem mexer em uma parede.
O canto da esquerda na mesma parede da porta é a casa do Conhecimento, também de Terra, com bege na paleta ao lado do azul-marinho e do verde-escuro. É o canto do estudo e da decisão que se toma sozinho, e costuma ser o lugar da estante ou da poltrona de leitura. Bege ali é material sobre material. Vale reparar que o canto mais distante à direita, a casa do Amor, é de Terra também, e é por isso que cerâmica, barro e peças pesadas caem tão bem naquele pedaço, mesmo que a paleta declarada dele seja rosa, vermelho e branco.
A Prosperidade, no canto mais distante à esquerda, exige uma observação honesta. Ela é casa de Madeira, e no ciclo de controle a Madeira fura a Terra, ou seja, muito amarelo naquele canto é o elemento que a casa naturalmente desfaz. O dourado, que aparece na paleta oficial dela ao lado do roxo e do verde, é da mesma família visual do amarelo mas pertence ao Metal, e entra ali pela tradição do trigrama e não pelo ciclo. Isso não é falha do sistema: as cores de cada casa vêm do trigrama, e nem sempre coincidem com as relações entre elementos. Este portal segue a escola do Chapéu Negro, que orienta o baguá pela porta de entrada; a tradicional, que usa a bússola, poria a Terra no centro e nos setores de Sudoeste e Nordeste, com as mesmas relações de ciclo.
O que ela ativa e o que ela satura
Terra demais é o ambiente em que nada se move. A sala inteira em bege, marrom e madeira, com tapete grosso e cortina pesada, tem um efeito que qualquer pessoa reconhece depois que alguém aponta: o corpo afunda no sofá, a conversa fica morna e o programa combinado para as oito vira série às nove. A tradição descreve o excesso desse elemento como peso, e o retrato doméstico mais comum é o do fim de semana inteiro em que ninguém abriu a porta.
A falta é o retrato oposto e virou padrão em apartamento alugado: tudo branco e cinza, piso frio, nada de barro, nada de tecido de trama grossa, nada que pese. A escola lê a falta desse elemento como ausência de peso, e o retrato é o do apartamento em que a pessoa come em pé na bancada e nunca sente que aquilo é dela. O conserto não exige tinta nenhuma: um tapete, uma tigela de cerâmica, um cesto de palha, uma jarra de barro. Terra entra por material com a mesma força com que entra por cor, e às vezes com mais.
Existe ainda um detalhe prático que só o amarelo tem, e ele salva muito arrependimento. Como essa cor devolve bastante luz, ela também denuncia tudo que a parede esconde: emenda de massa corrida, remendo de furo, ondulação de reboco antigo. Numa parede lisa e bem preparada, o ocre fica lindo. Numa parede de apartamento dos anos 1980 que nunca foi corrigida, ele mostra cada defeito às três da tarde. Se for esse o seu caso, o acabamento fosco disfarça muito mais do que o acetinado, e olhar a parede na luz rasante do fim do dia antes de comprar a tinta é dez minutos bem gastos.
Como usar sem pintar nada
Esta é a única cor da tabela que você acrescenta trocando uma lâmpada. Uma parede branca embaixo de uma luz de 2700 kelvin devolve amarelo o tempo inteiro, e o cômodo ganha o tom sem uma gota de tinta e sem autorização de proprietário nenhum. Se a sua casa está com LED branco azulado de 6500 em todos os cômodos, que é o engano de compra mais comum do país, essa troca custa poucos reais por ponto e muda mais a sensação do lugar do que qualquer objeto. A página da luz deste portal explica os números da caixa em detalhe.
Depois vem o inventário, e o amarelo é generoso nesse quesito porque ele já mora na sua casa disfarçado de material. Palha, madeira clara, papel, cerâmica sem esmalte, linho cru, o cesto de roupa, a tábua de corte, a esteira que ficou guardada. Nada disso é exatamente amarelo e tudo isso é Terra, o que dá no mesmo para a leitura do cômodo. Junte três peças e ponha no centro da sala, que é justamente a casa desse elemento.
Se for para comprar cor mesmo, a ordem é a de área: tapete primeiro, porque ele ocupa o miolo, depois cortina, colcha e almofada. E vale uma regra de dose que é quase o oposto da regra das cores quentes fortes: o amarelo terroso aguenta área grande sem cansar, porque ele já vem com a Terra dentro. Ocre em parede inteira funciona onde vermelho não funcionaria nunca. O que não aguenta área grande é o amarelo saturado de embalagem, que em parede de sala vira ruído em uma semana.
Você sabia?
O maior rio do norte da China se chama Amarelo por um motivo bem literal: ele atravessa um planalto coberto de loess, um pó fino e amarelado que o vento deposita ao longo de milênios, e carrega tanto desse sedimento que a água muda de cor. O mesmo material que suja o rio é o que fertiliza a Planície do Norte da China, onde a civilização chinesa se formou, e por isso aquele solo virou sinônimo de sustento. O rio também ganhou um apelido bem menos simpático, a tristeza da China, por causa das enchentes que atravessaram séculos, o que resume as duas faces desse elemento: a Terra sustenta e a Terra soterra. Quando a tabela dos cinco elementos diz que amarelo é Terra e é centro, ela não está fazendo abstração poética. Para quem escreveu essa tabela, a terra do centro do mundo conhecido era amarela de verdade, e o rio que alimentava todo mundo passava carregando ela.
Os três tons que costumam funcionar
ocre
#D9A441
amarelo palha
#E8D9A0
mostarda escura
#8A6A2F
Toda cor muda de personalidade conforme a lâmpada do cômodo. Antes de comprar o galão, pinte um retângulo de cinquenta por cinquenta na parede de destino e olhe de manhã, à tarde e com a luz acesa.
O elemento Terra por trás desta cor
Elemento
土 Terra
Cores da família
amarelo-terroso, marrom, bege e ocre
Formas
quadrado, retângulo baixo, tudo que é largo e firme
Materiais
cerâmica, argila, pedra, tijolo, tapete grosso
Sinal de excesso
tudo fica pesado e lento, dá preguiça de sair e as decisões arrastam
Sinal de falta
falta chão: a casa parece de passagem, ninguém se sente ancorado ali
As áreas do baguá que têm esta cor na paleta
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Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
Amarelo claro resolve mesmo um corredor escuro?
Qual é a diferença entre amarelo terroso e amarelo limão?
Posso usar amarelo no quarto?
Amarelo combina com o quê, pela lógica dos cinco elementos?
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