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Quando a área Amor cai no cômodo que trabalha ao contrário

Quarto de casal na área do amor

Se o canto mais distante à sua direita, contando de pé na porta de entrada e olhando para dentro, é o quarto de casal, a planta e o mapa combinaram sem ninguém pedir. A área do Amor é o trigrama Kun, elemento Terra, e é o único ponto do baguá que trata de relação de dois; o quarto é o cômodo mais passivo da casa. Os dois pedem a mesma coisa, que é peso e sossego, e por isso aqui não existe nada a consertar. O que existe é uma responsabilidade diferente: quando o canto está a seu favor, tudo o que você deixa nele conta duas vezes, o que serve e o que sobrou. Esta página é sobre isso, e sobre a conta que quase ninguém faz, a de que esse quarto tem um segundo baguá dentro dele.
Quando a planta cai certa, ninguém tem mais o que consertar. Sobra o que decidir.

O que esse cruzamento significa de verdade

Comece pela diferença entre este caso e todos os outros desta série. Quando um cômodo contraria a área, como o banheiro no canto do dinheiro, o trabalho é de contenção: fecha, seca, conserta, compensa. Quando cômodo e área pedem a mesma coisa, não sobra contenção nenhuma, e o trabalho passa a ser de conteúdo. Kun é a terra receptiva, aquilo que sustenta; o quarto é o lugar onde você entrega o comando do corpo por oito horas seguidas. Os dois falam de confiança e de peso, e é por isso que este cruzamento não gera tarefa, gera pergunta: já que o canto está a favor, o que exatamente você pôs nele?

Repare no que isso muda na prática, porque muda bastante. Nesse quarto, cada objeto é lido duas vezes, uma pelo mapa da casa e outra pelo mapa do próprio cômodo, e a soma vale tanto para o que você escolheu quanto para o que apenas ficou. A pasta do trabalho encostada na parede do fundo está na área do Amor da casa inteira. A sacola de roupa para doar que mora ali há sete meses também. Não é ameaça e não é castigo: é só que o canto mais associado a relação de dois é, na sua casa, o cômodo com porta fechada que a visita nunca vê, e cômodo que ninguém audita é o que mais recebe sobra.

Vale ainda desinflar a ideia de sorte, porque ela atrapalha. Esse arranjo é comum em apartamento brasileiro por um motivo banal de projeto: o quarto de casal costuma ficar no ponto mais afastado da porta e do elevador, para fugir do barulho, e a suíte fica no fundo pela mesma razão. Não foi o destino que combinou nada, foi um padrão de construtora. O que continua valendo é o que a escola sempre disse, sem promessa: nenhuma cura resolve relação, nenhuma arrumação apresenta ninguém a ninguém, e o que um canto faz é decidir do que você é lembrado todo dia ao deitar e ao levantar.

Como confirmar que é mesmo o seu caso

Faça a primeira conta na soleira da porta de entrada, de costas para a rua. Divida a planta em nove retângulos, como um jogo da velha desenhado por cima dela, com a fileira de baixo na parede da porta. O retângulo do fundo à direita é Kun. Se o quarto ocupa esse pedaço, é o seu caso, e conte sempre pela porta que o prédio chama de entrada, mesmo que você entre pela área de serviço. Em apartamento de dois quartos é comum que a suíte tome a faixa inteira do lado direito, ou seja, o fundo e o meio: quando isso acontece, o ponto forte é o mais afundado, o mais distante de quem entrou.

Duas confirmações evitam engano. A primeira é a mais frequente de todas: o banheiro da suíte encaixado exatamente naquele canto. É um arranjo padrão de planta, e nesse caso quem está na área do Amor da casa é o banheiro, não a cama, o que muda o roteiro. A segunda é a varanda do quarto, que às vezes ocupa o canto e às vezes ficou fora do contorno original do apartamento; feche o retângulo do jeito que a planta veio antes de decidir.

Agora a conta que quase ninguém faz, e é ela que salva este assunto. O baguá de um cômodo tem exatamente o mesmo desenho do baguá da casa, contado a partir da porta daquele cômodo. Então pare na porta do quarto, olhe para dentro, repita o jogo da velha, e você vai encontrar um segundo canto do Amor, agora dentro do próprio quarto, no fundo à direita de quem entra nele. Desenhe os dois num papel só: o canto do Amor da casa, que é o quarto inteiro ou um pedaço dele, e o canto do Amor do quarto, que é um ponto bem menor. Muita gente descobre nesse instante que os dois se sobrepõem no mesmo metro quadrado, e muita gente descobre que caíram em lugares diferentes. As duas descobertas são úteis, e nenhuma anula a outra.

A leitura pelos cinco elementos

Vamos dizer em voz alta o que outros sites contornam: quarto não tem elemento próprio. Banheiro é Água e cozinha é Fogo porque a função deles é evidente e material, feita de água correndo e de chama acesa. Dormir não é feito de elemento nenhum. Aqui não existe leitura de ciclo para fazer entre cômodo e área, e preferimos declarar isso a montar uma conta bonita que não se sustenta. Fica valendo, portanto, apenas o elemento que existe de verdade neste cruzamento, que é o da área: a Terra.

Reconhecer Terra num quarto é mais fácil do que parece, e você já tem quase tudo. Terra é o pesado, o baixo, o largo e o opaco: cerâmica, barro, tijolo, pedra, linho grosso, tapete de trama densa, cesto de fibra. As cores são o bege, o cru, o terracota, o ocre e o marrom, e as formas são as deitadas, o retângulo horizontal, a peça robusta. Repare numa coisa que ninguém comenta: a cama é o maior objeto baixo e largo da casa inteira, então em forma esse quarto já é Terra antes de você acrescentar qualquer coisa. Falta a matéria, e a maneira mais barata de acrescentá-la não é comprar peça de decoração, é escolher a roupa de cama. Um jogo bege, cru ou terracota que já está no armário muda a maior superfície de cor do cômodo, de graça, hoje.

O ciclo entra depois, e entra por dose. Quem alimenta a Terra é o Fogo, e o Fogo aqui é a luz quente e baixa, o abajur em vez do ponto de led branco no meio do teto, o que reforça o elemento da área e é exatamente o que um cômodo de descanso pede à noite. Excesso de Fogo, por outro lado, é agitação: tela ligada de frente para a cama, luz fria acesa até a hora de deitar, vermelho em tudo. E vale o alerta de material que quase ninguém liga ao assunto: quarto brasileiro padrão é parede branca, armário branco, roupa de cama branca, puxador cromado e porta espelhada, e branco e brilho são Metal, que a Terra gera e que portanto puxa dela. Não jogue nada fora por causa disso. Acrescente uma manta, um tapete ou uma peça de cerâmica em cor de barro, e o canto volta a pesar.

O que fazer, na ordem de impacto

Primeiro, vá até o pé da cama e olhe os dois lados como quem lê duas colunas de uma tabela. De que lado tem superfície e de que lado tem parede? Quem entra primeiro, quem passa por cima de quem para levantar de madrugada? Qual dos dois pegou a janela, a luz e a tomada? Este é o item número um porque é o único que fala da relação sem precisar de metáfora, e porque é grátis: trinta centímetros livres de cada lado costumam aparecer só de puxar a cama alguns dedos para o centro da parede. E se você mora sozinha ou sozinho, faça a mesma leitura pelo avesso, que é onde ela fica interessante: repare no que o lado vazio virou. Livro que não se lê mais, roupa que não voltou para o armário, o notebook, a mala aberta. Desocupe esse lado de propósito e repare em quantos dias leva para alguma coisa voltar a morar ali. É a informação mais honesta que uma casa dá sobre si mesma.

Em segundo, some as duas leituras que você desenhou no papel. Se o canto do Amor da casa e o canto do Amor do quarto caem no mesmo ponto, ótimo, é ali que vai tudo: a peça de cerâmica, a luz, o par de objetos escolhidos. Se caem em pontos diferentes, use a regra que este portal adota e declara: nenhuma das duas anula a outra, então trate o canto do quarto como o do dia a dia, porque é o que você olha ao acordar, e o canto da casa como o estratégico, aquele que não pode virar depósito de jeito nenhum. Duas situações concretas resolvem quase todos os casos. Se o canto do quarto cair dentro do guarda-roupa, e cai muito, então o seu canto do Amor é literalmente uma prateleira, e é essa prateleira que você arruma e mantém arrumada. Se o canto da casa cair no banheiro da suíte, a instrução vira a de sempre para banheiro, porta fechada, tampa baixada e nada pingando, e o trabalho de conteúdo se muda inteiro para o canto do quarto.

Em terceiro, decida o que sai. Trabalho sai: notebook, papelada, a pasta do condomínio, a mochila, e se não houver outro cômodo, ao menos uma caixa que fecha e um pano por cima ao fim do expediente. Imagem de gente que não mora ali sai do canto e vai para o corredor ou para a sala: o pôster do artista, a foto do grupo de amigos, o retrato do casamento dos outros, a turma da firma. Não é frieza, é endereço, porque esse é o único ponto do mapa dedicado ao que existe entre duas pessoas, e ele só comporta uma mensagem por vez. E o espelho de frente para a cama sai, ou pelo menos dorme fechado: aqui o argumento é mais forte do que o de costume, porque num quarto que já é a área do Amor da casa o espelho devolve tudo o que está no cômodo, e o que ele mais vai devolver é a pilha, não o casal. No lugar do que saiu, entre com o que é de descanso e com o que tem par, usando o que já existe na sua casa.

O que a internet manda fazer e não se sustenta

Não compre o kit. Assim que alguém descobre que tem a área do Amor no quarto, aparece a prateleira inteira da loja: as duas velas rosas que nunca são acesas, o quadro com a palavra amor em letra cursiva, os anjinhos de porcelana, o papel dobrado com um nome escrito embaixo do colchão. Nada disso faz mal, e nada disso é o que a escola faz. Vale contar que a tradição tem a própria versão desse mercado, e ela é bem mais velha: existe o costume do quadro de peônias para quem procura alguém, e existe, na mesma tradição, a recomendação de não deixá-lo pendurado no quarto de quem já está casado. Repare no detalhe interessante, que é a fonte desconfiando do próprio exagero. Aqui não adotamos nem uma coisa nem outra, e o critério continua sendo o de sempre: objeto colocado de propósito é lembrete, objeto comprado às pressas é decoração.

O segundo engano é específico de quem tirou a sorte grande da planta, e é o mais fácil de cometer: achar que já está feito. Canto a favor não é trabalho concluído, é ponto de partida, e a página inteira existe por causa disso. Do lado oposto mora o exagero contrário, que é transformar o canto num altar do assunto, empilhando ali tudo o que remete a casal até o ponto ficar carregado. A Terra pede peso, não quantidade, e uma peça de barro pesada faz mais do que doze objetos pequenos. Existe ainda um erro que quase ninguém nomeia: o quarto decorado inteiro pelo gosto de uma pessoa só. Se ali vivem duas, e o cômodo inteiro tem a cara de uma, o mapa não precisa dizer nada, o cômodo já disse.

O terceiro é a fatalidade, nas duas direções. Ter o quarto nesse canto não garante casamento, não segura relação e não previne briga, e qualquer página que insinue isso está pedindo uma confiança que não tem como devolver. Ter o quarto em outro canto também não condena ninguém. E não misture escolas: se você mediu a casa com bússola e chegou a outro canto, o problema não é nenhuma das duas leituras, é usar metade de cada uma e ficar com dois cantos concorrentes. Por fim, a lembrança que fecha qualquer assunto de relação: canto arrumado não substitui conversa marcada, e essa parte nenhum móvel faz por você.

Você sabia?

Em chinês, o quarto do casal recém-casado tem nome próprio e o nome é estranhamente concreto: dongfang, que se traduz ao pé da letra por câmara profunda, o cômodo de dentro, quase uma caverna. A expressão atravessou os séculos e continua viva, e ela aparece num quarteto que circula desde a dinastia Song listando as quatro grandes alegrias da vida: a chuva boa depois da seca longa, encontrar um velho amigo em terra estranha, a noite de núpcias no dongfang à luz das velas floridas, e ver o próprio nome na lista dos aprovados no exame imperial. Repare no que a lista faz: das quatro alegrias, uma delas não é um sentimento nem uma pessoa, é um cômodo com uma vela acesa. A tradição chinesa nunca teve pudor de tratar o quarto como parte da relação, e não como cenário dela, o que explica por que a escola pede tanta atenção a um lugar em que, afinal, as pessoas passam a maior parte do tempo dormindo.

Onde Amor fica na planta

Porta de entrada
Fique do lado de fora e entre. A parede que ficou atrás de você é a linha de baixo desta grade, e a de cima é a parede do fundo. Este é o baguá da escola do Chapéu Negro, que orienta pela porta. A escola tradicional orienta pela bússola e chegaria a outro desenho na mesma casa.

A ficha da área envolvida

Área

Amor e parcerias

Trigrama

☷ Kun

Elemento

Terra

Onde fica

o canto mais distante à sua direita

O checklist deste caso

  1. 1Pare na porta de entrada e confirme que o quarto ocupa o canto mais distante à sua direita.
  2. 2Pare na porta do quarto e repita a mesma conta ali dentro: marque no papel o canto do fundo à direita do cômodo.
  3. 3Vá até o pé da cama, olhe os dois lados e libere a passagem do lado que está encostado na parede.
  4. 4Repare no que o lado vazio da cama virou, desocupe hoje e veja quantos dias leva para algo voltar a morar ali.
  5. 5Tire do quarto o que é de trabalho, nem que seja para uma caixa fechada em outro cômodo.
  6. 6Leve para a sala ou para o corredor as imagens de gente que não mora nesse quarto.
  7. 7Troque a roupa de cama por um jogo em cor de terra que já está no armário e deixe o abajur como a luz da noite.

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Veja onde cai cada uma das nove áreas na planta da sua casa

A grade das nove áreas se encaixa na sua planta a partir da porta de entrada, e cada cruzamento vem com a leitura pelos cinco elementos e o que dá para fazer hoje.

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Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

Meu quarto caiu na área do Amor. Isso é bom sinal?
É uma coincidência de planta, e ela é comum por um motivo prático: em apartamento brasileiro o quarto de casal costuma ficar no fundo, longe da porta e do elevador, por causa do barulho. O que esse encontro muda é o tipo de trabalho, não o resultado da sua vida. Em cruzamento difícil, como banheiro no canto do dinheiro, a tarefa é conter; aqui, como o cômodo e a área pedem a mesma coisa, a tarefa é escolher o que fica. Nenhuma promessa acompanha isso, e o portal não faria essa promessa nem no caso bom nem no ruim.
Como somo o baguá da casa com o baguá do quarto? Um anula o outro?
Não se anulam, e a escola trabalha com as duas camadas ao mesmo tempo. O baguá de um cômodo tem o mesmo desenho do baguá da casa, contado a partir da porta daquele cômodo, então pare na porta do quarto e repita o jogo da velha para achar o canto do fundo à direita dele. Desenhe os dois no mesmo papel. Quando caem no mesmo ponto, você tem um lugar só e é ali que vai tudo. Quando caem em pontos diferentes, a regra que adotamos é tratar o canto do quarto como o do dia a dia, porque é o que você olha ao acordar, e o canto da casa como o que não pode virar depósito em hipótese alguma.
Moro sozinha e esse é o meu quarto. Ainda vale?
Vale, e por dois motivos que não têm nada de consolo. O primeiro é que Kun cobre toda relação de dois, o que inclui sociedade, parceria de trabalho e amizade de anos, coisas que existem na vida de quem mora sozinha exatamente como nas outras. O segundo é bem mais concreto: o quarto de quem mora só é o único cômodo da casa que ninguém audita, e por isso é o que mais vira depósito silencioso. Comece pelo lado da cama que você não usa e dê a ele um uso que não seja guardar coisa. Isso não convoca ninguém, e este portal não vai dizer que convoca. Muda só a resposta que a casa te dá todo dia.
A área do Amor caiu no banheiro da suíte, dentro do quarto. Como fica?
Acontece muito, porque é planta padrão de construtora, e não é motivo para reforma. Para o banheiro valem as instruções de sempre, todas de graça: porta fechada, tampa baixada, nada pingando, box seco e ventilação aberta de manhã. Feito isso, mude o trabalho de conteúdo inteiro para o canto do Amor do próprio quarto, contado da porta dele, que é onde a cama, a luz e as peças de cerâmica fazem diferença. As duas leituras convivem, e a única coisa que não funciona é escolher uma para se sentir melhor e ignorar a outra.
E se eu seguir a escola tradicional, da bússola?
O canto muda de endereço e o conteúdo desta página continua servindo. Na escola tradicional, a área de Kun é sempre o Sudoeste da casa, medido em graus a partir da fachada, e a posição da porta não entra na conta. Na escola do Chapéu Negro, adotada aqui e mais difundida no Brasil, o canto é o do fundo à direita de quem entra. A linha tradicional acrescenta um refinamento que a outra não tem, que é apontar a cabeceira para uma direção pessoal calculada pelo ano de nascimento, o Número Kua. Se quiser usar as duas, a ordem que declaramos é esta: primeiro parede cheia atrás da cabeça e porta no campo de visão, depois a direção da bússola, nunca o contrário.

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Os outros cruzamentos

Cada uma abre a leitura completa, do mesmo tamanho desta.