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Quando a área Prosperidade cai no cômodo que trabalha ao contrário

Área de serviço na área do dinheiro

Se o canto mais distante à sua esquerda, contando de pé na porta de entrada e olhando para dentro, é a área de serviço, então a Prosperidade caiu no cômodo onde tudo está sempre de passagem. Comece pela boa notícia, que ninguém dá: pelo ciclo dos cinco elementos esse encontro trabalha a favor, porque a área é Madeira e o cômodo é Água, e é a Água que faz a Madeira crescer. O assunto desta página, portanto, não é o ralo. É a pilha parada, que é acúmulo do tipo errado justamente no canto que a tradição associa a acúmulo. Tudo o que vem a seguir é de hoje e de graça, e começa por fechar um ciclo em vez de organizar uma bagunça.
Acumular é o que esse canto sabe fazer. Ele não escolhe o que acumula, quem escolhe é você.

O que esse cruzamento significa de verdade

Repare no que esse cômodo é, antes de qualquer leitura simbólica: é o único da casa cuja função oficial é segurar coisa temporariamente. A roupa suja fica até lavar, a lavada fica até secar, a seca fica até guardar, o produto de limpeza fica até acabar, a sacola fica até virar saco de lixo. Nada ali é destino final, tudo é escala. Pois é exatamente esse cômodo que caiu no canto que a escola do Chapéu Negro lê como acúmulo, posse e sensação de ter o suficiente. Quando um lugar de passagem cai no ponto de guardar, o que fica parado ali fica parado no lugar mais visível do mapa.

E aí aparece a coisa específica desta página, que é o ciclo que não fecha. Lavar, secar, guardar: são três passos, o terceiro é o que ninguém faz, e a pilha é só o terceiro passo esperando em pé. O mesmo padrão se repete com tudo o que mora ali por engano: a sacola de mercado dobrada em cima da máquina, a caixa de papelão que ninguém desce até a portaria, a furadeira que voltou emprestada há três meses, a lata de tinta do apartamento anterior, o balde com meio litro de produto sem tampa, a vassoura que já perdeu metade das cerdas. Esse cômodo tem um talento perverso: ele dá álibi ao que está quebrado, porque quebrado ali não parece abandono, parece coisa guardada para consertar um dia.

O que a escola lê nisso é modesto e é verdadeiro, e vale dizer antes que alguém prometa mais. Ninguém vai ter um mês melhor porque dobrou a roupa. O que muda é que o canto mais associado a ter o suficiente para de mostrar, todo santo dia, a imagem de um ciclo interrompido. E muda uma coisa bem concreta, que a tradição nunca prometeu mas que qualquer pessoa confere: quando você sabe o que tem naquele cômodo, para de comprar de novo o que já está lá no fundo.

Como confirmar que é mesmo o seu caso

Fique do lado de fora, entre pela porta principal, pare na soleira e olhe para dentro. Divida a planta inteira em nove retângulos, como um jogo da velha desenhado por cima dela, com a fileira de baixo na parede da porta e a de cima na parede do fundo. O retângulo do fundo à esquerda é a Prosperidade. Conte sempre pela porta que o prédio chama de entrada, mesmo que a sua família entre pela cozinha todo dia, porque é assim que a escola faz a conta. Se a área de serviço ocupa aquele pedaço, é o seu caso.

Em apartamento brasileiro isso quase nunca vem redondo, e três variações cobrem quase todo mundo. A primeira é a área de serviço que é um corredor de um metro colado na cozinha: ela atravessa dois retângulos da grade, e o que interessa é a ponta mais funda, a mais distante de quem entrou. A segunda é a máquina encaixada embaixo da bancada da cozinha, sem cômodo próprio: aí o espaço é mais cozinha do que lavanderia, e a leitura corre pelo que domina o ambiente, que passa a ser o Fogo do fogão. A terceira é a área de serviço na varanda fechada, comum em prédio novo, e nesse caso confira se aquele pedaço estava dentro ou fora do contorno original da planta antes de fechar o retângulo.

Existe ainda um teste que vale mais do que a planta, e ele leva trinta segundos. Pare na porta desse cômodo e conte quantas coisas ali não têm relação nenhuma com lavar roupa. Se passar de metade, a área de serviço já não é área de serviço: ela virou o depósito oficial da casa sem que ninguém tenha decidido isso em voz alta, e essa é a informação que muda o que você faz a seguir. Depósito não se organiza, depósito se esvazia, e é um assunto diferente do de arrumar uma lavanderia.

A leitura pelos cinco elementos

A conta é curta e é favorável. Área de serviço é Água, por causa da máquina, do tanque e do cano; a Prosperidade é Madeira, o elemento que cresce. Água alimenta Madeira, e pronto, o cômodo joga a favor do canto. Tem um detalhe que separa este caso do banheiro, e é onde mora a diferença: aqui a água fica. Ela para no tanque, dá voltas dentro do tambor, espera na bacia de molho, e só depois vai embora. Água que fica é água que dá tempo de ser absorvida, então neste cruzamento a função e o elemento apontam para o mesmo lado, o que é raro.

O problema aparece quando a Água passa do ponto, e a própria teoria chinesa tem uma linha para isso: água demais não alimenta a madeira, faz a madeira boiar. Traduzindo para um cômodo de dois metros quadrados, excesso de Água é umidade permanente, roupa secando dentro com a porta fechada, mofo no rejunte, cheiro de pano azedo, parede suando. Nada disso é castigo, é ventilação. A correção é de graça e é imediata: abrir o basculante e a janela, secar o tanque depois de usar, e não deixar roupa úmida dormir amontoada em cima da máquina.

Falta a observação que nenhum site faz e que muda o que você põe ali. A área de serviço é, de longe, o cômodo mais metálico da casa brasileira: máquina de inox, tanque de aço, varal de alumínio, prateleira de metal, gaveteiro de plástico rígido cinza. Metal corta Madeira no ciclo de controle, e Madeira é justamente o elemento que a área pede. Isso não condena o cômodo e não pede reforma, apenas define o que faz falta: verde vivo, madeira crua e formas verticais. Uma planta que aguente respingo e sombra, uma prateleira de madeira em vez de mais uma de metal, um pano ou um cesto em verde ou roxo que já existe na sua casa. Antes de comprar, dê uma volta pelos outros cômodos, porque a peça certa quase sempre já está em um deles.

O que fazer, na ordem de impacto

Primeiro, feche o ciclo de uma leva só, hoje, do começo ao fim. Lavar, secar e guardar no armário, sem parar no segundo passo. Esta vem antes de tudo porque ataca a causa e não o sintoma: a pilha não é sujeira acumulada, é o terceiro passo que nunca acontece, e uma leva concluída ensina à casa que existe um fim. Vale também a regra que resolve o resto sozinha: o que secou não dorme no varal. E se a roupa suja se acumula porque você espera dar o volume de uma máquina cheia, aceite lavar uma máquina pela metade uma vez, só para o ciclo voltar a girar.

Em segundo, tire de lá o que não é de lavar roupa, e comece pela superfície de cima da máquina, que é onde a casa decide se aquilo é lavanderia ou depósito. Ela vibra, ela não é prateleira, e é a primeira coisa que o olho vê. Depois siga em três ondas rápidas: o que está quebrado com álibi, ou seja, o ventilador do verão passado que ia para o conserto e a torradeira que ninguém testou; o que está vazio, caixa de papelão guardada por garantia vencida e embalagem de aparelho que você nem tem mais; e o que é de outro cômodo, a furadeira, a lata de tinta, o material de escola, a mala. Junto disso, três descartes que ninguém sente falta: a vassoura careca, o rodo de borracha rachada e o balde de produto pela metade sem tampa.

Em terceiro, ar, luz e o que pinga. Abra a janela ou o basculante dez minutos por dia, porque esse é o cômodo que mais junta umidade e o que menos recebe ar de propósito. Troque a lâmpada, que costuma ser a última da casa a ser trocada, e repare que canto escuro é canto que ninguém confere. E dedique cinco minutos ao que a escola lê como recurso escapando: a mangueira da máquina, que resseca e é a campeã de alagamento em apartamento, o sifão do tanque, o registro que goteja atrás dela. Feito isso, e só depois disso, vem a parte bonita: uma planta viva no lugar da caixa que saiu, e o dia fixo da semana em que você olha para ela.

O que a internet manda fazer e não se sustenta

Tampar o ralo com pedra, amarrar fita vermelha no cano do tanque e jogar sal grosso no ralo são as três receitas mais compartilhadas do Brasil para esse canto, e nenhuma delas vem de escola de feng shui, nem da linha da porta nem da linha da bússola. São sincretismo nosso, feito de boa intenção, e o sal ainda corrói metal com o tempo. Existe uma crença aparentada que merece respeito em vez de deboche: a de não varrer para fora de casa, especialmente à noite, porque se varre a sorte junto. Ela é forte no Brasil e existe também na China, onde a tradição pede que ninguém varra nos primeiros dias do Ano Novo. É costume popular, não é método do baguá, e se você gosta dela não custa nada mantê-la. Só não confunda: respeitar a vassoura não substitui guardar a roupa.

Espelho nesse cômodo é a segunda tentação, e ela sai pela culatra. A ideia que circula é que o espelho dobra o canto do dinheiro. O que o espelho faz é ampliar o que reflete, e o que ele vai refletir ali é a pilha, o varal e o gaveteiro cinza. Da mesma família é a fontinha de água ligada na tomada, vendida como cura de prosperidade: repare que você já tem a maior fonte de água da casa nesse exato canto e ela se chama tanque. Se a lógica fosse essa, o apartamento inteiro já estaria resolvido.

E tem dois enganos maiores, que custam mais tempo do que qualquer amuleto. O primeiro é achar que fechar a porta resolve, porque funciona no banheiro. Não funciona aqui: porta fechada esconde um cômodo de água, mas um depósito com porta continua sendo um depósito, e ele cobra de você toda vez que você precisa achar alguma coisa lá dentro. O segundo é comprar organizador antes de tirar as coisas, que é a forma mais elegante de guardar para sempre o que deveria ter saído. Cesto, prateleira e caixa aramada compram-se depois, se ainda fizer falta, e quase nunca faz. Por fim, o de sempre: nenhum canto arrumado deposita dinheiro em conta nenhuma, e quem promete isso está vendendo outra coisa.

Você sabia?

Lavar roupa já foi uma unidade de tempo na China, com data marcada no calendário do serviço público. Na dinastia Han, o funcionário tinha uma folga a cada cinco dias chamada xiumu, que quer dizer descansar e lavar, criada literalmente para ele tomar banho e cuidar da roupa e do cabelo. Na dinastia Tang a folga passou a ser a cada dez dias, e o costume era tão assentado que a palavra huan, lavar, virou nome de pedaço de mês: os chineses passaram a se referir aos três terços de um mês como a lavagem de cima, a do meio e a de baixo, expressões que ainda aparecem em texto formal e em caligrafia. Ou seja, durante séculos a roupa suja teve prazo, e o prazo era público. Serve de resumo para esta página inteira: o problema nunca foi a máquina nem o ralo, foi a lavagem que perdeu a data.

Onde Prosperidade fica na planta

Porta de entrada
Fique do lado de fora e entre. A parede que ficou atrás de você é a linha de baixo desta grade, e a de cima é a parede do fundo. Este é o baguá da escola do Chapéu Negro, que orienta pela porta. A escola tradicional orienta pela bússola e chegaria a outro desenho na mesma casa.

A ficha da área envolvida

Área

Prosperidade e abundância

Trigrama

☴ Xun

Elemento

Madeira

Onde fica

o canto mais distante à sua esquerda

O checklist deste caso

  1. 1Pare na porta de entrada, olhe para dentro e confirme se a área de serviço ocupa o ponto mais fundo à sua esquerda.
  2. 2Feche o ciclo de uma leva hoje: lavar, secar e guardar no armário, sem parar no meio do caminho.
  3. 3Limpe a superfície de cima da máquina e não devolva nada para lá.
  4. 4Tire dali o que está quebrado esperando conserto, mais a vassoura careca, o rodo rachado e o balde de produto sem tampa.
  5. 5Leve embora as caixas de papelão e as embalagens guardadas por garantia que já venceu.
  6. 6Devolva ao cômodo de origem o que é de outro cômodo: furadeira, lata de tinta, material de escola, mala.
  7. 7Abra a janela por dez minutos, troque a lâmpada queimada e ponha ali uma planta viva que aguente sombra e respingo.

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Veja onde cai cada uma das nove áreas na planta da sua casa

A grade das nove áreas se encaixa na sua planta a partir da porta de entrada, e cada cruzamento vem com a leitura pelos cinco elementos e o que dá para fazer hoje.

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Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

Área de serviço é um cômodo ruim para o canto do dinheiro?
Não é, e essa é a parte que quase ninguém escreve. Pelo ciclo dos cinco elementos ele é dos melhores possíveis, porque a área é Madeira, o cômodo é Água e a Água alimenta a Madeira. A diferença para o banheiro, que é o caso mais falado, é que no banheiro a água só passa, enquanto aqui ela fica, é usada e só depois vai embora. O que pesa neste cruzamento não é a água, é o que para em volta dela: a leva que nunca chega ao armário e o que foi guardado ali sem nunca ter sido decidido.
Minha área de serviço é um corredor de um metro colado na cozinha. Como faço?
É o formato mais comum do apartamento brasileiro e ele muda a tática, não o princípio. Como a faixa atravessa mais de um retângulo da grade, trabalhe primeiro a ponta mais funda, a mais distante da porta de entrada, que é a que cai na Prosperidade. E como não existe metro quadrado sobrando, a batalha inteira se decide em duas superfícies: o alto da máquina e o chão. Mantenha as duas livres, suba o que precisa ficar para uma prateleira, prefira o varal que recolhe, e resolva o restante na vertical, que é a única direção disponível em um metro de largura.
Ela virou o depósito da casa e não tenho para onde levar as coisas. E agora?
Aqui vale a honestidade: apartamento de quarenta e cinco metros quadrados não tem depósito, e fingir que tem é o que criou a situação. Como não existe outro cômodo para onde empurrar, o método deixa de ser mudar de lugar e passa a ser decidir. Escolha cinco itens por semana e dê a cada um um destino de verdade, doação, devolução, venda ou descarte, e aceite que a maioria vai sair de casa. O que sobrar e ainda merecer ficar entra numa caixa só, com nome do lado de fora, e o que não couber na caixa não fica. Uma caixa resolvida por semana chega mais longe do que um mutirão de sábado que ninguém repete.
E se eu seguir a escola tradicional, da bússola?
O canto muda de endereço e a instrução continua a mesma, o que já é uma boa notícia. Na escola tradicional, a Prosperidade é sempre o Sudeste da casa e a sua porta não entra na conta, porque a medição se faz em graus, a partir da fachada. Na escola do Chapéu Negro, que é a adotada aqui e a que o Brasil aprendeu, o canto é o do fundo à esquerda de quem entra. A linha tradicional acrescenta um olhar que a outra não tem, o do ponto por onde a água deixa o terreno, chamado de boca de água, mas em apartamento isso é decisão da construtora e não sua. Escolha uma escola e vá até o fim, porque misturar as duas deixa você com dois cantos e nenhuma decisão.
Arrumar a área de serviço faz sobrar dinheiro no fim do mês?
Não faz, e nenhuma página honesta vai dizer que faz. Salário, contrato, preço e negociação continuam acontecendo fora da sua casa. O que muda é pequeno e é verificável: você passa a saber o que tem naquele cômodo e para de comprar pela terceira vez o mesmo produto de limpeza que estava atrás do balde. Some a isso a mangueira e o sifão consertados, que aparecem na conta de água, e você tem tudo o que este assunto pode prometer de verdade. O resto é arrumação com um nome bonito, e arrumação já é bastante.

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