AstroPortal

Quando a área Amor cai no cômodo que trabalha ao contrário

Banheiro na área do amor

O ponto mais fundo do lado direito, contado da porta principal para dentro, é a área do Amor, e quando ele cai no banheiro a queixa que chega junto quase nunca é de briga. É de esfriamento: a relação que foi perdendo assunto sem que nada tenha acontecido, ou a pessoa sozinha que não emplaca nada e não sabe explicar por quê. A conta dos elementos, nesse cruzamento, é tranquila, porque a área é Terra, o cômodo é Água e quem tem a mão mais firme é a Terra. Por isso esta página gasta pouco tempo com susto e muito tempo com o que de fato move esse canto: fazer com que ele deixe de ser um cômodo montado para uma pessoa só. Nada do que vem depois custa dinheiro, e tudo se resolve hoje com o que já está dentro do seu armário.
Duas pessoas moram aqui. O banheiro costuma ser o último cômodo a saber.

O que esse cruzamento significa de verdade

Nenhum outro cômodo é tão de um por vez quanto esse. A sala reúne, a cozinha aceita duas pessoas atrapalhando uma à outra, o quarto é dos dois por definição, e o banheiro tem fila. É esse o desencontro que a escola aponta quando a área das relações de dois vai parar justamente ali: o único canto do mapa que trata de reciprocidade caiu no cômodo que funciona em turnos. Não é aviso de fim nem presságio, é um comentário sobre o que aquele metro quadrado repete todos os dias.

O que a tradição lê no lugar, na prática, é uma proporção: quantas coisas existem em um exemplar só. Repare no seu banheiro agora. Um gancho ocupado e outro vazio há meses. Uma toalha grande e boa, e outra puída que sobrou de alguma mudança. A prateleira inteira tomada pelos produtos de uma pessoa e um cantinho da pia para os da outra. Some a isso os restos de um capítulo já fechado, o vidro de perfume de quem foi embora, o creme que ninguém usa nem descarta, e você tem o retrato que a escola chama de canto desequilibrado. Ninguém decidiu nada disso, foi se acumulando, que é exatamente o jeito como o esfriamento também costuma acontecer.

Existe uma ironia útil neste cruzamento, e ela explica por que a página insiste em coisas tão pequenas. O mecanismo inteiro da escola do Chapéu Negro é visual: o canto trabalha porque você passa por ele e olha. Só que o banheiro é o cômodo em que se entra menos consciente, de olho semiaberto às seis e meia da manhã e exausto às onze da noite. Logo, o lembrete precisa ser mais evidente aqui do que em qualquer outro ponto da casa: detalhe delicado não sobrevive, a segunda toalha na altura dos olhos sobrevive. E vale dizer sem rodeio, antes de qualquer instrução: arrumar isso não conserta relação nenhuma, apenas devolve o assunto ao campo de visão de quem mora aqui.

Como confirmar que é mesmo o seu caso

Confira caminhando, que é mais rápido do que desenhar. Entre pela porta oficial do imóvel, a que dá para o hall do andar ou para a rua, e não pela de serviço. Olhe para dentro e vá andando pelo lado direito até a casa acabar. O último pedaço daquele lado é Kun, a área do Amor. Se o que existe ali é uma porta de banheiro, é o seu caso, e se o banheiro pega só uma pontinha do canto, o assunto é bem menor do que a internet sugeriu.

O arranjo mais comum no Brasil é o da suíte, e ele merece parágrafo próprio. Na maioria dessas plantas o casal dorme na ponta do imóvel e o banheiro da suíte fica espremido num canto: se for o canto direito, aquele mesmo metro quadrado responde por duas coisas de uma vez, o setor do Amor do imóvel todo e o setor que o mapa do quarto assinala no mesmo ponto. Funciona assim: o baguá se redesenha em escala menor dentro de cada ambiente, sempre a partir da porta dele: de pé na entrada do quarto, olhando para a cama, o fundo do lado direito é o Amor daquele quarto. As duas leituras não se somam em gravidade nem se anulam: elas simplesmente apontam para o mesmo lugar, e a única consequência prática é que ali vale mais capricho do que no corredor.

Sobram dois casos que aparecem toda semana. O primeiro é o do banheiro social no fim do corredor à direita, que é o banheiro de todo mundo e de ninguém, e por isso mesmo o que acaba tomado pelo kit de uma pessoa só, quase sempre de quem usa mais. O segundo é o do apartamento antigo com dependência nos fundos, aquele quartinho com banheiro que virou depósito: quando ele cai nesse canto, o que a escola comenta não é o cômodo, é o abandono, porque é o único lugar da casa onde ninguém entra e nada é olhado. Nos dois casos as instruções desta página valem igual, e no segundo elas começam por abrir a porta e acender a luz.

A leitura pelos cinco elementos

A conta joga a favor e é rápida de fazer. Kun é Terra, banheiro é Água, e o ciclo de controle põe a Terra por cima da Água, nunca o contrário. Traduzindo para a cozinha: é a louça que segura o caldo, não o caldo que dissolve a louça. Esse canto não está sendo escoado pelo cômodo, o que já derruba metade do drama que se lê por aí sobre banheiro na área do amor.

Ganhar no ciclo, porém, não muda a função do cômodo, e é por isso que a boa notícia elementar é curta e não vale como dispensa. O banheiro segue sendo o lugar do escoamento, da pressa e do turno de um por vez, e é dessa parte que a página trata. Guarde só a conclusão: neste cruzamento, cor e elemento são o acabamento, e a aritmética dos pares é a estrutura.

Ainda assim vale saber onde a Terra cai bem, porque ela cai muito bem aqui. Repare que o banheiro é, por projeto, o cômodo mais branco e mais metálico da casa: azulejo claro, torneira cromada, espelho grande, box de vidro. Na ordem chinesa o Metal nasce da Terra, e filho puxa da mãe, então o cômodo já é naturalmente pobre no elemento do canto. Não é motivo para reformar coisa alguma, é motivo para o pouco que você escolhe ali, toalha, tapete, saboneteira, um potinho, ser de barro e em cor de barro: bege, terracota, ocre, marrom. E, sempre que der, escolhido em dois.

O que fazer, na ordem de impacto

A primeira providência é aritmética e não custa nada: conte o que existe em um exemplar só e transforme um deles em par hoje. A regra dos pares é clássica dessa área e ela é literal, mas par não significa comprar dois, significa equivalência. Dois ganchos em vez de um, e na mesma altura. Duas toalhas do mesmo tamanho e do mesmo estado, em vez de uma boa e uma surrada. Dois copos, se já existem dois copos na casa. E o gesto mais concreto de todos, que leva um minuto: divida a bancada ou a prateleira ao meio de forma visível, com um pote marcando a fronteira, e diga em voz alta qual metade é de quem. Quem mora sozinho faz a mesma conta com outro destinatário: um gancho vago e uma toalha limpa dobrada não são chamado para ninguém, são a diferença entre um banheiro montado para hóspede nenhum e um banheiro em que caberia alguém.

Em segundo lugar vem a limpeza dos restos, e eles são de dois tipos: o que é de gente que não mora mais aqui e o que é de assunto já encerrado. O vidro de perfume que ficou, a receita antiga presa na porta do armário, a sacola de farmácia do ano passado, o presente que nunca chegou a ser aberto. Isso não é exorcismo e ninguém precisa jogar nada fora: uma caixa em outro cômodo já resolve. O princípio é o mesmo do item anterior, e é o único que esta escola de fato entrega: o que fica à vista nesse canto é o que a casa repete para você, e repetição sem escolha vira paisagem.

Em terceiro, o acabamento e a parte que nenhuma arrumação faz sozinha. Leve para lá uma peça de barro ou uma toalha em tom de terra, troque a lâmpada se ela estiver fraca, porque no escuro esse canto some da sua vista e o que some não lembra nada a ninguém, e mantenha o de sempre, que nesta página cabe em uma linha por não ser o assunto dela: porta fechada, nada pingando, tampa baixada. Se o banheiro é de suíte, feche a porta antes de dormir e repare se o espelho de dentro alcança a cama com a porta aberta, porque a escola pede que quem dorme não seja refletido. E aí vem o mais difícil e o mais barato: combinar quem limpa esse banheiro e com que frequência. Não existe canto de reciprocidade bem resolvido numa casa em que uma pessoa esfrega e a outra descobre o rodo por acaso.

O que a internet manda fazer e não se sustenta

Decorar o banheiro do casal com foto do casal é a sugestão que mais circula para este cruzamento, e ela falha por dois motivos ao mesmo tempo. O primeiro é físico: papel e umidade não combinam, e em três meses a foto que era um gesto bonito está ondulada e manchada atrás do vidro, o que é o oposto de um bom lembrete. O segundo é de proporção: o banheiro é o cômodo da privacidade de cada um, e transformá-lo em vitrine da relação rende bem menos do que uma toalha extra e um gancho a mais. Na mesma prateleira moram o sabonete em formato de coração, a toalha bordada com as iniciais e o kit de casal comprado pronto. Nada disso faz mal a ninguém, e nada disso foi o que a tradição pediu: par comprado não é par vivido.

Transformar a lista em cobrança é o segundo, e estraga mais casa do que qualquer planta de apartamento. Acontece assim: uma pessoa lê sobre a área do Amor, conclui que o problema é o banheiro, e o que era arrumação vira recado, a segunda toalha pendurada com cara de indireta, a metade da bancada marcada como fronteira de território. O canto que trata de reciprocidade não pode ser inaugurado com uma ordem. Se for para dividir, divida junto, no mesmo dia e com as duas mãos, e gaste dez minutos conversando sobre isso em vez de trinta arrumando sozinho.

Dividir os banheiros da casa e chamar isso de cura é o terceiro. Muita gente resolve o incômodo decretando que um usa o da suíte e o outro usa o social, e vale separar as coisas: como acordo prático, pode ser ótimo, sobretudo quando os horários batem de manhã. Como feng shui, não é nada, e quando a divisão nasce de cansaço em vez de logística ela caminha justamente na direção contrária da que este canto pede. O mesmo se aplica às versões fatalistas que circulam, de que banheiro nesse canto separa casal ou impede alguém de casar. Relação se desgasta por acúmulo de silêncio, e nenhum manual chinês jamais atribuiu isso à posição de um cômodo na planta.

Você sabia?

O caractere que a China usa em casamento não existe sozinho: é 囍, lido shuāngxǐ, e ele é literalmente o caractere de alegria, 喜, escrito duas vezes lado a lado. Aparece colado na janela, no bolo, no convite e no vidro do carro dos noivos, e não entra em frase nenhuma: ninguém escreve 囍 no meio de um texto, porque o significado dele é só esse, alegria em dobro, e fora de festa de casamento ele não tem função. A lógica atravessa toda a etiqueta chinesa de presente, resumida no ditado hǎo shì chéng shuāng, coisa boa vem em par, que é a razão de presente de casamento ser dado em número par e de números ímpares serem evitados nessas ocasiões. Ou seja, a regra dos pares que o feng shui aplica no canto do Amor não é invenção de consultor moderno: é a mesma gramática que a língua e a etiqueta chinesas já usavam para falar de duas pessoas, e ela nasceu escrita antes de virar decoração.

Onde Amor fica na planta

Porta de entrada
Fique do lado de fora e entre. A parede que ficou atrás de você é a linha de baixo desta grade, e a de cima é a parede do fundo. Este é o baguá da escola do Chapéu Negro, que orienta pela porta. A escola tradicional orienta pela bússola e chegaria a outro desenho na mesma casa.

A ficha da área envolvida

Área

Amor e parcerias

Trigrama

☷ Kun

Elemento

Terra

Onde fica

o canto mais distante à sua direita

O checklist deste caso

  1. 1Conte quantas coisas existem em um exemplar só nesse banheiro e escolha uma para virar par hoje, com o que você já tem.
  2. 2Ponha um segundo gancho, ou libere o gancho que está ocupado, e deixe as duas toalhas do mesmo tamanho.
  3. 3Divida a bancada ou a prateleira ao meio de forma visível e diga em voz alta qual metade é de quem.
  4. 4Tire de lá o frasco, o perfume ou o papel que pertence a uma história já encerrada e guarde em outro cômodo.
  5. 5Leve para o banheiro uma peça de barro ou cerâmica que já exista na casa, e uma toalha bege ou terracota se houver.
  6. 6Se o banheiro é de suíte, feche a porta antes de dormir e confira se o espelho de dentro alcança a cama.
  7. 7Combine hoje quem limpa esse banheiro e com que frequência, e deixe o combinado escrito em algum lugar.

Grátis, sem cadastro

Veja onde cai cada uma das nove áreas na planta da sua casa

A grade das nove áreas se encaixa na sua planta a partir da porta de entrada, e cada cruzamento vem com a leitura pelos cinco elementos e o que dá para fazer hoje.

Montar o baguá da minha casa

Você informa: por onde a porta abre e o que ocupa cada canto. O resultado aparece na hora.

Leva 5 segundos

Manda para quem vai se ver nisto

Você já pensou em alguém enquanto lia. Mande esta página para essa pessoa e pergunte o que ela achou: é assim que a conversa começa.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

Banheiro na área do amor atrapalha o relacionamento?
Não, e essa merece resposta direta antes de qualquer conselho. Nenhum cômodo aproxima nem afasta pessoa, e a própria conta dos elementos aqui é favorável, porque a Terra da área contém a Água do banheiro sem ser arrastada por ela. A observação da escola é bem mais modesta: a casa do mapa que fala de duas pessoas caiu justo no cômodo que funciona um de cada vez, e por isso ele costuma acumular objeto solitário e sobra de história antiga. Arrumar isso muda o que aparece na sua frente todo dia, e o que se faz com essa lembrança continua sendo com você e com a outra pessoa.
O banheiro do casal é dentro do quarto e cai nesse canto. Isso conta duas vezes?
Conta duas vezes no sentido de aparecer em dois mapas, e não no sentido de pesar o dobro. O baguá da casa inteira, contado da porta principal, marca ali a área do Amor. O mapa do quarto, desenhado a partir da porta dele, pode assinalar o Amor no mesmo pedaço. Quando as duas leituras coincidem, a escola apenas entende que aquele metro quadrado fala do mesmo assunto por dois caminhos, e a instrução não muda: pares, nada de uma pessoa só, porta fechada. Se você tem pouco tempo e precisa escolher um canto da casa para cuidar nesta semana, escolha esse.
Meu banheiro é minúsculo. Não cabe nada em dobro.
Par não é volume, é equivalência, e essa distinção resolve o problema do banheiro de um metro e vinte. Dois ganchos ocupam a largura de uma mão. Duas toalhas do mesmo tamanho ocupam o mesmo espaço que uma grande e uma surrada ocupavam. Meia prateleira para cada um não aumenta a prateleira, só declara a fronteira. E quando não couber objeto nenhum, o par pode ser de lugar: um lado da pia para cada pessoa já cumpre o que a escola pede, e isso não ocupa centímetro nenhum.
E quem trabalha com bússola, chega a outro canto?
Chega, e é justo dizer de onde vem cada resposta. Pela bússola, Kun mora no Sudoeste do imóvel e continua lá, não importa para onde a sua porta aponte. Pelo método da porta, que é o desta casa e o que o Brasil aprendeu, o setor é o pedaço mais fundo do lado direito de quem entra. Cada sistema se sustenta por dentro, com séculos ou décadas de prática atrás. Rodar os dois juntos é que não resolve: sobram duas respostas para a mesma pergunta, nenhuma providência é tomada e o banheiro continua exatamente igual.
Preciso pôr rosa e vermelho no banheiro? Fica estranho.
Não precisa, e neste cruzamento a cor é a parte menos importante de todas. A área responde por três cores: rosa, branco e vermelho, sendo que o rosa entrou por uma leitura ocidental que a linha do Chapéu Negro adotou, e ele não vem da tabela clássica dos cinco elementos. O que sai da tabela é a Terra, então bege, terracota, ocre e marrom fazem o trabalho com mais precisão e combinam com qualquer banheiro. Se você gosta de rosa, use num detalhe têxtil, e se não gosta, ignore sem culpa: a aritmética dos pares vale muito mais aqui do que qualquer cor.

Continue explorando

Os outros cruzamentos

Cada uma abre a leitura completa, do mesmo tamanho desta.