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Quando a área Saúde cai no cômodo que trabalha ao contrário

Banheiro no centro da casa

Se o banheiro fica no miolo da planta, sem janela, encaixado entre a cozinha e o corredor, ele caiu bem na casa do baguá que se chama Saúde. Comece pela parte que quase ninguém conta: este é um dos cruzamentos mais brandos que envolvem banheiro, porque no ciclo dos cinco elementos a Terra do centro é justamente quem contém a Água do cômodo. O peso real aqui não é simbólico, é físico, e cabe numa palavra: ar. O ponto que reparte ar com o imóvel inteiro ficou abrigando o cômodo que mais produz vapor, e por isso a providência principal desta página não é objeto nenhum, é ventilação com hora marcada. O que vem a seguir se faz hoje, de graça, com a porta e com o exaustor que já existem.
Umidade não fica onde nasceu. Ela vai morar onde encontrar porta aberta.

O que esse cruzamento significa de verdade

Das nove casas do baguá, oito apontam para uma direção e têm trigrama próprio, o símbolo de três linhas que a tradição chinesa usa como assinatura de uma força. A do meio não aponta para lado nenhum: é o Tai Chi, o ponto de onde as direções saem, e a única que não ganhou símbolo. A escola pede que esse pedaço seja a parte mais estável do imóvel, aquela que quase não muda de estado. E a planta do apartamento brasileiro pôs ali, com enorme frequência, o único cômodo desenhado para escoar. São duas funções que não combinam, e nomear assim já tira o assunto do terreno da maldição.

Agora a parte que o susto da internet esconde. Entre todos os cantos em que um banheiro pode cair, este é dos mais tranquilos, e o motivo está na conta dos elementos, que a próxima seção abre inteira. Aqui a área não está sendo levada pelo cômodo: ela está segurando o cômodo. Quase nenhuma página brasileira sobre o tema conta essa parte, porque susto rende mais atenção do que alívio, e a honestidade custa clique.

O que sobra de verdadeiro não tem nada de místico e tem tudo de encanamento. Banheiro de miolo quase nunca tem janela, e o miolo é onde os corredores se encontram: as portas dos quartos abrem ali, a cozinha entrega ali, e é por ali que o ar da casa inteira circula. Quando o vapor de quatro banhos por dia sai desse cômodo sem ter para onde ir, ele procura a parede mais fria que encontrar, e é assim que nasce a mancha atrás do guarda-roupa de um quarto que não tem banheiro nenhum. O sinal mais comum é aquele cheiro que a casa tem quando você volta de uma viagem de três dias, o mesmo que os moradores deixam de sentir dez minutos depois de entrar. Nada disso condena a casa. É um trabalho de outra natureza, mais de ar do que de enfeite.

Como confirmar que é mesmo o seu caso

Vale um minuto de régua antes de qualquer providência, porque muita gente confunde o miolo da planta com o meio da sala. Pegue a planta do imóvel, ou desenhe o contorno num papel, e divida a largura em três partes iguais e o comprimento em três partes iguais. O retângulo que sobra no cruzamento das duas faixas do meio é a área da Saúde, e repare que ele é um nono do imóvel inteiro, e não um pontinho: em 45 metros quadrados, esse retângulo tem cerca de cinco metros quadrados, quase o tamanho de um banheiro social. Se o banheiro está dentro dessa marcação, a página é para você.

Duas coisas mudam o resultado dessa conta e ninguém avisa. A primeira é a varanda: quando ela foi envidraçada e virou parte da sala, entra no contorno, e o centro se desloca alguns passos para aquele lado, o que às vezes tira o banheiro do miolo e às vezes o coloca lá. A regra que seguimos aqui é a do uso: coberto, fechado e vivido como cômodo, conta; sacada aberta onde você só estende roupa, não conta. A segunda é a área de serviço nos fundos, pelo mesmo raciocínio, e é o que faz tanta gente errar o alvo por dois metros.

Sobram os arranjos frequentes. Em muitos apartamentos o retângulo do meio pega metade do banheiro e metade do corredor, ou metade do banheiro e um pedaço da cozinha: nesse desenho você trata o banheiro como se fosse o caso inteiro, porque a instrução é a mesma e não custa nada. Em sobrado, cada andar tem o seu próprio centro, então o lavabo debaixo da escada e o banheiro do corredor de cima podem ser dois casos ao mesmo tempo. E quando o ponto exato cai dentro de uma parede ou de uma prumada de esgoto, o jeito é descer de escala e cuidar do miolo de cada ambiente, um por um.

A leitura pelos cinco elementos

A conta é curta e joga a favor da sua casa. Terra é o elemento do centro, Água é o elemento do banheiro, e no ciclo de controle dos cinco elementos quem contém quem é a Terra. Ponha água num pote de barro e ela fica lá; ponha no cano e ela não fica com nada. É a diferença entre um canto que o cômodo escoa e um canto que aguenta o cômodo, e este é o segundo caso.

Só que conter tem dois sentidos, e o segundo explica o problema real desta planta. Água contida vira reserva; água contida sem saída vira poça. Num banheiro sem janela, a tabela dos elementos e o encanador dizem exatamente a mesma frase: o que fica aqui, fica. Por isso a cura não passa por acrescentar Água (nada de fonte, quadro de mar, azul profundo na parede) nem por brigar com ela, e sim por abrir saída para o vapor e por firmar a Terra dentro do cômodo.

Terra, em material, é cerâmica, barro, pedra, tijolo e trama grossa, e a cor é a do barro cru: marrom, bege, ocre, terracota. As formas que caem bem aqui são as baixas e largas: uma saboneteira de louça, uma tigelinha de barro na pia, uma pedra de rio bonita servindo de peso. Existe um cuidado que só aparece neste cruzamento e contraria a lista genérica: tapete felpudo também é Terra, e num banheiro sem janela ele passa o dia molhado e vira mofo, ou seja, vira exatamente aquilo que você veio combater. Prefira a Terra que se lava e seca sozinha, cerâmica, pedra, um tapete fino de pendurar, e deixe o felpudo para banheiro que tem janela.

O que fazer, na ordem de impacto

Primeiro o ar, e o resto da lista só rende depois dele. Comece por um teste de dez segundos: ligue o exaustor e encoste uma folha de papel higiênico na grelha. Se a folha gruda e fica, ele está puxando de verdade; se cai, ou a grelha está entupida de poeira e fiapo, e aí basta desencaixar e lavar, ou o motor morreu. Segundo detalhe, que quase ninguém sabe: exaustor não fabrica ar, ele empurra o que já existe, então se a porta veda bem e não há fresta embaixo dela, o aparelho gira sem tirar quase nada do cômodo. Aquela folga de um dedo entre a porta e o piso não é acabamento malfeito, é a entrada de ar que faz a saída funcionar. Ligue o exaustor antes de abrir o chuveiro e deixe ligado até o espelho desembaçar por completo.

Vem depois o que já mofou, e nessa ordem porque mancha limpa volta em duas semanas quando o ar continua o mesmo. Passe o dedo no rejunte do box, no silicone da pia, no rodapé atrás da porta e na emenda do forro: ponto escuro que não sai com pano é mofo instalado. Água com sabão resolve o começo, e o rejunte pede um pouco de água sanitária diluída, deixada agir alguns minutos antes de esfregar, sempre com a porta aberta e o exaustor ligado. Aproveite e tire de dentro do cômodo tudo o que só serve para reter umidade: a toalha molhada (que pode secar do lado de fora, num gancho do corredor ou na janela do quarto), o tapete encharcado e qualquer papelão, porque caixa de papelão em banheiro interno é mofo com data marcada.

Em terceiro, os hábitos e a Terra, que são os mais fáceis e os menos urgentes. Porta fechada assim que o vapor se for, e aqui o motivo é geográfico: o corredor que encosta nesse banheiro é o mesmo que abastece os quartos, então porta escancarada o dia inteiro não areja o banheiro, distribui o banheiro. Tampa baixada, rodo no box, nada pingando. E por fim leve para lá uma tigela de barro ou uma pedra que já exista na casa, mais uma toalha cor de areia: a página inteira custou zero e cabe num sábado de manhã.

O que a internet manda fazer e não se sustenta

Deixar a porta escancarada o dia todo para arejar é o conselho mais bem-intencionado e mais equivocado desta planta. Ventilar é trocar ar com o lado de fora, e o miolo do apartamento não tem lado de fora: sem uma segunda abertura em outra parede, o que a porta aberta faz é mandar o vapor passear pelos quartos e condensar na parede mais fria da casa. Da mesma família é o hábito de desligar o exaustor por causa do barulho ou da conta de luz. Um exaustor de banheiro consome na faixa de uma lâmpada, e não na de um chuveiro, e vinte minutos dele por dia saem mais barato que um litro de tinta para cobrir mancha.

Perfumar em vez de investigar é o segundo. Aromatizante elétrico ligado sem parar, pastilha azul na caixa de descarga, vela acesa para disfarçar: o problema não é usar, é usar no lugar de procurar a causa. Cheiro persistente em banheiro interno é informação, e costuma apontar para uma de três coisas bem concretas, umidade retida, ralo com o sifão seco ou resto orgânico onde ninguém olha. Quando você cobre esse aviso com perfume durante meses, o nariz aprende a não avisar mais, e você perde o único sensor gratuito que a casa tem.

Encher o cômodo de objeto para neutralizar é o terceiro, e é o que mais contraria a área. O centro é a única das nove casas que pede folga em vez de enfeite, então cristal pendurado no chuveiro, pirâmide na pia e prateleira nova comprada para acomodar tudo isso empurram na direção contrária. Pior ainda é a recomendação que circula de instalar fonte de água ou pendurar quadro de mar dentro do banheiro central, com a explicação de que água combina com água: essa é a única sugestão desta página que a tabela dos cinco elementos contradiz de forma direta, porque o que falta ali não é Água, é Terra e é saída. E não, nenhuma escola chinesa mandou selar, desativar ou fingir que o cômodo não existe.

Você sabia?

Nas casas tradicionais do sul da China, principalmente nas da região de Huizhou, o telhado era construído caindo para dentro, e não para fora: as quatro águas despejavam a chuva num pequeno pátio quadrado bem no meio da casa, chamado tiānjǐng, que quer dizer poço de céu. O desenho ficou famoso numa expressão de quatro palavras, sì shuǐ guī táng, as quatro águas voltam ao salão, e o efeito prático era duplo. A chuva era recolhida no centro da própria casa em vez de ser entregue ao terreno do vizinho, e o poço aberto funcionava como chaminé: o ar quente subia por ele e puxava ar novo para os cômodos escuros de uma construção alta, murada e sem janela nenhuma para a rua. Ou seja, a arquitetura chinesa clássica pôs água no meio da casa de propósito, e só pôde fazer isso porque aquele ponto estava aberto para o céu. O apartamento brasileiro repetiu metade da ideia, a água no miolo, e apagou a outra metade, que era o buraco de ar em cima dela.

Onde Saúde fica na planta

Porta de entrada
Fique do lado de fora e entre. A parede que ficou atrás de você é a linha de baixo desta grade, e a de cima é a parede do fundo. Este é o baguá da escola do Chapéu Negro, que orienta pela porta. A escola tradicional orienta pela bússola e chegaria a outro desenho na mesma casa.

A ficha da área envolvida

Área

Saúde e centro

Trigrama

◐ Tai Chi

Elemento

Terra

Onde fica

o miolo do cômodo, o ponto para onde tudo converge

O checklist deste caso

  1. 1Ligue o exaustor e encoste uma folha de papel higiênico na grelha: se a folha não gruda, a limpeza da grelha é a tarefa de hoje.
  2. 2Confira se existe uma folga de mais ou menos um dedo embaixo da porta, porque é por ela que entra o ar que o exaustor precisa puxar.
  3. 3Ligue o exaustor antes de abrir o chuveiro e deixe ligado até o espelho desembaçar por inteiro.
  4. 4Passe o dedo no rejunte do box e no silicone da pia procurando ponto escuro, e limpe hoje o que encontrar.
  5. 5Tire a toalha molhada de dentro do banheiro e pendure num gancho do corredor ou na janela do quarto.
  6. 6Retire de lá todo o papelão (caixa de aparelho, fardo de papel, embalagem), que em ambiente úmido só serve para criar mofo.
  7. 7Feche a tampa e a porta assim que o vapor se for, e leve para dentro uma tigela de barro ou uma pedra que já exista na casa.

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Veja onde cai cada uma das nove áreas na planta da sua casa

A grade das nove áreas se encaixa na sua planta a partir da porta de entrada, e cada cruzamento vem com a leitura pelos cinco elementos e o que dá para fazer hoje.

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Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

Banheiro no centro da casa é o pior lugar possível?
Não, e é bem o contrário do que a internet costuma dizer. Entre os cantos em que um banheiro pode cair, este é dos mais brandos, porque o centro é Terra, o banheiro é Água, e no ciclo chinês a Terra é quem contém a Água: a área segura o cômodo em vez de ser levada por ele. O que este arranjo cobra não é simbólico, é ventilação, porque o cômodo mais úmido ficou no ponto que distribui ar para o resto da casa. Resolvido o ar, resolveu-se a maior parte do assunto.
Meu banheiro do meio não tem janela nem exaustor. Dá para fazer alguma coisa de graça?
Dá, e a resposta é rotina em vez de objeto. Enquanto durar o vapor, entreabra a porta e abra ao mesmo tempo uma janela em outra parede do imóvel, porque sem duas aberturas não existe corrente, existe apenas ar mudando de cômodo. Passe o rodo no box, leve a toalha para secar fora do banheiro e feche a porta assim que o espelho desembaçar. Se um dia sobrar orçamento pequeno, a peça que mais muda esse cômodo não é decoração, é uma grelha de ventilação na parte de baixo da porta, que custa pouco e trabalha o dia inteiro.
O centro da minha casa cai metade no banheiro e metade no corredor. Como leio isso?
Leia pelo banheiro, que é o lado exigente da conta. Quando o retângulo do meio se divide entre dois ambientes, a escola trabalha o que tem função mais forte, e escoar água é função mais forte do que passar. Na prática nada muda para você: as providências do banheiro são as mesmas, e o corredor pede apenas o que o centro sempre pede, chão livre e luz acesa no fim da tarde. Se a marcação cair bem em cima de uma parede, desça de escala e cuide do miolo de cada ambiente.
O centro é o mesmo ponto nas duas escolas, a da porta e a da bússola?
Neste caso as duas escolas não têm em que brigar, o que não acontece em nenhuma outra casa do mapa. A linha do Chapéu Negro, que seguimos aqui, encosta a base do mapa na parede onde fica a entrada, e ainda assim o miolo continua sendo o miolo. A linha da bússola dá até nome próprio ao centro, zhōng gōng, o palácio central, e olha para ele com atenção especial na análise das estrelas voadoras. A única diferença é que ela vai perguntar também para qual direção a porta do banheiro está voltada. No fim, a lista de providências é a mesma que está aqui.
Arrumar esse banheiro tem algum efeito sobre a saúde de quem mora aqui?
Não do jeito que a pergunta sugere, e este portal não vai fingir que sim. Nenhuma arrumação de cômodo tem valor de tratamento. Existe, porém, uma parte desta página que não é feng shui e sim medicina básica: há bastante literatura relacionando umidade e mofo em ambiente fechado a sintomas respiratórios e a crises de alergia, e é por isso que a ventilação está em primeiro lugar na lista. Secar o ambiente é uma boa ideia com ou sem baguá. Quem trata alergia, asma ou qualquer sintoma continua sendo profissional de saúde, e nenhuma cerâmica bege ocupa esse lugar.

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