Quando a área Amor cai no cômodo que trabalha ao contrário
Mesa de trabalho na área do amor
O canto do Amor não disputa metro quadrado com o trabalho. Ele disputa hora.
O que esse cruzamento significa de verdade
Repare numa coisa que só aparece quando alguém compara os móveis da casa entre si: a mesa de trabalho é o único objeto que cobra. O sofá espera, a cama espera, a estante espera a vida inteira sem reclamar de nada. A mesa pede, e ela pede até quando você está passando por ela a caminho da cozinha, num domingo à tarde. Kun, o trigrama desse canto, é traduzido como terra receptiva, e a tradição colocou ali o assunto que só existe entre duas pessoas justamente porque relação de dois precisa de um chão que sustente sem cobrar. Instalar no mesmo metro quadrado o objeto mais cobrador da casa não é maldição nenhuma. É desencontro de ritmo, e é por isso que a primeira cura desta página não é de marcenaria.
A planta também não escolheu isso sozinha, e vale dizer com todas as letras. O canto do fundo à direita é o ponto mais silencioso da casa, o mais longe da porta, aquele que ninguém atravessa para chegar a lugar nenhum. Foi exatamente por isso que a mesa foi parar ali, e é exatamente por isso que a tradição reservou aquele ponto ao assunto mais íntimo do mapa. Os dois queriam o mesmo sossego e um chegou primeiro. Em quarenta e cinco metros quadrados, com a sala servindo de escritório desde que o trabalho veio para casa, essa disputa não é filosófica: ela cabe em um metro e vinte de tampo.
O que a escola lê ali, portanto, não é castigo, é repetição. Você passa por aquele canto dezenas de vezes por semana e o que está nele vira pano de fundo do que você pensa, sem pedir licença nenhuma. Se a última imagem antes de apagar a luz é a mesa acesa, com o monitor em espera piscando e a pilha de amanhã já separada em cima do tampo, a casa está dizendo a mesma frase toda noite, e não é uma frase sobre relação de dois. Nenhum arranjo de móvel salva nem estraga um relacionamento, e este portal não vai dizer que salva. O que dá para afirmar é menor e verificável: quem decide o que esse canto diz não é a planta, é o seu relógio, e o relógio você mexe hoje.
Como confirmar que é mesmo o seu caso
Antes de mexer em qualquer coisa, faça o teste, porque muita gente descobre aqui que o caso é de outra área. Saia, entre pela porta principal do imóvel, pare na soleira e olhe para dentro. Desenhe mentalmente um jogo da velha sobre a planta inteira, com a fileira de baixo apoiada na parede da porta e a de cima na parede do fundo. O quadrado do fundo, à sua direita, é o Amor. Se a sua cadeira de trabalho vive dentro dele, é o seu caso.
Duas correções resolvem quase todas as dúvidas que chegam sobre isso. A primeira é que mesa não é cômodo, é móvel, então o que marca o ponto é onde estão o tampo e a cadeira, e não o nome que o cômodo tem: escrivaninha encaixada no canto da sala conta igualzinho a um escritório com porta e placa. A segunda é a porta que vale, que é a principal do imóvel, aquela que o prédio chama de entrada, mesmo que você entre todo santo dia pela cozinha ou pela garagem. E se a mesa fica bem na fronteira de dois quadrados, vale a regra de sempre: menos da metade dela dentro do canto do Amor e o assunto encolhe bastante.
Existe ainda o arranjo mais brasileiro de todos, que a escola antiga não tinha como prever: a mesa que não é mesa de trabalho. É a de jantar, ocupada pelo notebook das nove às seis e devolvida ao arroz às sete. Se ela cai nesse canto, a leitura passa a ser por horário, e isso é uma vantagem, porque metade da cura já acontece sozinha todo dia. Vale ainda uma conferida a mais para quem trabalha dentro do quarto: pare na porta do quarto e refaça o jogo da velha só daquele cômodo, porque o baguá se repete em cada ambiente a partir da porta dele. Quando os dois cantos coincidem, a mesa está no Amor da casa e no Amor do quarto ao mesmo tempo, e a instrução não muda, só ganha uma segunda razão.
A leitura pelos cinco elementos
Aqui esta página precisa fazer o que a internet de feng shui nunca faz, que é dizer em voz alta o que não existe. Banheiro tem elemento, e é a Água. Cozinha tem, e é o Fogo. Mesa de trabalho não tem elemento nenhum, porque trabalhar não é elemento: é uma atividade, e a tabela dos cinco não classifica atividade de escritório. Se algum texto disser que a mesa é Fogo porque o trabalho é quente, ou Metal porque tem computador em cima, ele está fabricando regra para não deixar o parágrafo vazio. Não existe ciclo para ler neste cruzamento, e preferimos declarar isso a inventar um.
O que existe de verdade é o elemento da área, e ele é a Terra: barro, cerâmica, pedra, tijolo, tecido de trama grossa, e as formas baixas e largas, o quadrado, o retângulo deitado, o bege, o ocre, o terracota. E existe uma segunda coisa verdadeira, bem diferente de inventar elemento para a função: os materiais que estão em cima da mesa têm elemento sim, e dá para conferir só de olhar. Notebook, monitor, luminária de haste, gaveteiro, tesoura, grampeador, cadeira de rodinhas com base de estrela, tudo isso é Metal, em material e em forma. Provavelmente aquele metro quadrado é o ponto mais metálico da sua casa inteira. No ciclo clássico é a Terra que gera o Metal, o que significa que um canto tomado de Metal puxa energia da Terra em vez de reforçá-la. É a mesma conta que leva a escola a desaconselhar o canto do Amor pintado todo de branco.
Compensar isso é barato e leva três minutos, desde que ninguém exagere, porque você precisa trabalhar nessa mesa e mesa forrada de cerâmica não trabalha. Comece pela caneca, que é o objeto que mais tempo passa na sua mão durante o expediente: troque a de plástico ou a de inox pela de louça grossa que já está no armário. Depois cuide do chão e leve para debaixo da cadeira um tapete de trama grossa que esteja sobrando em outro cômodo, e pronto, você acabou de pôr Terra embaixo do único ponto da casa em que o seu corpo passa oito horas. Um pires de barro para as chaves, um vaso baixo e largo, um porta-lápis de cerâmica, e está feito. Um cuidado do outro lado, que quase ninguém menciona: nada de estante alta de madeira maciça, lotada de livro, encostada bem nesse canto, porque a Madeira controla a Terra no ciclo, e o que se quer aqui é sustentar, não podar.
O que fazer, na ordem de impacto
Comece pelo fim do dia, e é a primeira providência porque é a única que muda esse canto sem tirar um móvel do lugar. Escolha um gesto de encerramento, um só, e repita todo dia útil. Três funcionam bem e custam zero: desligar a régua de tomadas pelo botão, o que apaga de uma vez todos os pontinhos de luz que ficam piscando naquele canto a noite inteira; lavar a caneca e devolver ela à cozinha, gesto que tira da mesa o último objeto dizendo que tem alguém ali; e empurrar a cadeira até o fim, embaixo do tampo, com o encosto virado de costas para a tela. Parece pequeno demais para valer alguma coisa, e é justamente por ser pequeno que dá para fazer todo dia. A força mora na repetição, não no tamanho do gesto.
Em segundo lugar vem a parede, e este é o item que mais surpreende quem lê sobre o assunto pela primeira vez. Quadro de metas, calendário com prazos circulados de vermelho, mural de post-it, planilha impressa, o cartaz do curso que você precisa terminar: é tudo cobrança pendurada, e está pendurado no único canto do mapa dedicado a uma relação de dois. Ninguém precisa jogar nada fora, precisa mudar de parede, e existe endereço melhor dentro da mesma casa, coisa de dois pregos. No espaço que abrir, ponha o que fala de gente: uma foto de vocês dois, uma lembrança de viagem, um bilhete guardado, qualquer coisa que não peça nada de volta. E olhe para os assentos enquanto estiver ali, porque a escola lê esse canto aos pares e uma cadeira sozinha de frente para uma tela é a imagem mais solitária que um cômodo consegue montar. Traga um segundo assento que já existe na casa, um banquinho, uma poltrona, a cadeira da penteadeira. Não é enfeite: é onde alguém senta para conversar com você enquanto você termina uma última coisa, e isso passa a acontecer porque existe onde sentar.
Só em terceiro lugar vem mover a mesa, e ela aparece por último de propósito. Na maior parte das casas brasileiras não existe outro lugar viável, porque um canto tem a janela, o outro tem a porta e o do meio é passagem. Se der para tirar a mesa dali sem perder a parede atrás das costas e a visão da porta, tire, porque a posição de comando vem antes da área do baguá na ordem que este portal adota. Se não der, e é o caso da maioria, a instrução continua sendo de graça: trabalhe naquele canto o tempo que precisar e devolva o canto no fim do dia, com o gesto do primeiro parágrafo. Se a mesa é a última coisa que você enxerga da cama, resolva os dez segundos que resolvem quase tudo, girando o monitor de costas para a cama antes de deitar e levando o carregador do celular para o outro lado do quarto, para o dia não terminar com você de pé ali outra vez. E use o mapa a seu favor: pare na porta de qualquer outro cômodo, ache o canto do fundo à direita dele e trate aquele como o seu canto do Amor, com par, com Terra e sem trabalho nenhum em cima.
O que a internet manda fazer e não se sustenta
Tirar a mesa dali a qualquer custo é o conselho mais repetido sobre este caso e o mais fácil de dar errado. Circula bastante o vídeo que manda mudar a escrivaninha de canto imediatamente, e ele nunca diz para onde. Muita gente acaba encostando a mesa na única parede que sobrou, que é a que deixa a pessoa de costas para a porta, e aí a troca saiu péssima: você resolveu um símbolo e criou um desconforto que o corpo confere todo dia às três da tarde, quando alguém passa atrás. A ordem deste portal é declarada e não muda: primeiro parede atrás e porta no campo de visão, depois o canto do mapa. Área do baguá é a segunda pergunta, nunca a primeira.
Comprar cura para esse canto é a segunda armadilha, e ela tem catálogo pronto. Vende-se o cristal para pendurar sobre a mesa, o quadrinho com a palavra amor em chinês, a fita amarrada no pé da escrivaninha, o kit de mesa da loja esotérica. Nada disso está em manual de escola nenhuma, nem na linha da bússola nem na linha da porta, e nenhuma dessas coisas encerra o expediente por você. Sobre pintar a parede desse canto de rosa, vale a informação honesta: o rosa é a leitura ocidental que a escola do Chapéu Negro consagrou e não sai do sistema clássico dos cinco elementos, então ninguém precisa gastar lata de tinta por causa disso. E espelho apontado para a mesa é o oposto do que se quer aqui, porque espelho amplia o que reflete, e duplicar a superfície de trabalho no canto da parceria é a última coisa que faz sentido.
A terceira é a mais silenciosa e a que mais atrapalha: transformar esse canto em tribunal. Ninguém precisa se sentir culpado por trabalhar muito, e feng shui não é ferramenta de julgamento moral sobre a jornada de ninguém. Duas decisões radicais aparecem sempre nessa hora e as duas costumam piorar as coisas. A primeira é prometer que não trabalha mais em casa, promessa que dura uma semana e volta com juros. A segunda é levar o notebook para a cama, que é a saída de quem acabou de ler que a mesa está no lugar errado: o quarto é o cômodo mais passivo da casa, você fica ali horas de olhos fechados, e trocar um canto ocupado por uma cama ocupada é o pior negócio desta página inteira.
Você sabia?
Em chinês, estar ocupado e esquecer se escrevem com as mesmas duas peças. O caractere 忙, máng, quer dizer ocupado, e é formado pelo radical do coração, 忄, mais 亡, que sozinho significa perder, sumir, perecer. O caractere 忘, wàng, quer dizer esquecer, e usa exatamente os mesmos dois componentes, só que empilhados: 亡 em cima, o coração 心 embaixo. Os dicionários vão explicar, com razão, que 亡 está ali principalmente por causa do som, porque as três palavras rimam entre si. Mas a leitura que a própria tradição chinesa repete há séculos, e que qualquer criança em aula de caligrafia acaba ouvindo, é a outra: estar ocupado é ter o coração de lado, e esquecer é ter o coração embaixo. Não é regra de feng shui e não vale como cura. É só uma coincidência de escrita que fica difícil de ignorar depois que a mesa acesa vira a última imagem do dia.
Onde Amor fica na planta
A ficha da área envolvida
Área
Amor e parcerias
Trigrama
☷ Kun
Elemento
Terra
Onde fica
o canto mais distante à sua direita
O checklist deste caso
- 1Pare na porta de entrada, olhe para o canto do fundo à direita e confira se é ali que a sua cadeira de trabalho vive.
- 2Escolha hoje um gesto de encerramento e faça no fim deste expediente: desligar a régua de tomadas no botão, lavar a caneca e levar para a cozinha ou empurrar a cadeira até o fim.
- 3Tire da parede desse canto o quadro de metas, o calendário de prazos e os post-its de cobrança, e leve para outra parede da casa.
- 4Traga para esse canto um segundo assento que já existe em outro cômodo, nem que seja um banquinho.
- 5Troque a caneca de plástico ou de inox por uma de louça ou cerâmica que já está no armário.
- 6Puxe para debaixo da cadeira um tapete de trama grossa que esteja sobrando em outro lugar da casa.
- 7Se a mesa aparece da cama, gire o monitor de costas para ela antes de dormir e leve o carregador do celular para o outro lado do quarto.
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Veja onde cai cada uma das nove áreas na planta da sua casa
A grade das nove áreas se encaixa na sua planta a partir da porta de entrada, e cada cruzamento vem com a leitura pelos cinco elementos e o que dá para fazer hoje.
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Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
Mesa de trabalho no canto do amor atrapalha o relacionamento?
Não tenho outro lugar para a mesa. Isso me condena a alguma coisa?
E se eu seguir a escola tradicional, da bússola?
Trabalho na mesa de jantar, que fica exatamente nesse canto. Muda alguma coisa?
Para onde eu levo o quadro de metas e o calendário de prazos?
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