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Quando a área Amor cai no cômodo que trabalha ao contrário

Cozinha na área do amor

Se o canto mais distante à sua direita, contando de pé na porta de entrada e olhando para dentro, é a cozinha, então a área do Amor caiu no cômodo mais quente e mais movimentado da casa. Pelo elemento, é uma das combinações mais generosas do baguá inteiro: a área é Terra, a cozinha é Fogo, e no ciclo chinês o Fogo alimenta a Terra. Ou seja, o cômodo trabalha a favor do canto, e ninguém precisa se preocupar com material, cor ou conflito aqui. O que esse cruzamento cobra é outra coisa: temperatura e ritmo. Parceria precisa de um lugar onde duas pessoas consigam parar, e a cozinha é justamente onde ninguém para.
A cozinha aproxima quem cozinha junto e afasta quem só se cruza ali. A diferença cabe em dois banquinhos.

O que esse cruzamento significa de verdade

Tem um retrato que se repete em quase todo apartamento de casal e ninguém fotografa: uma pessoa jantando em pé, encostada na bancada, prato na mão, às nove e meia da noite, enquanto a outra já comeu e está na sala. Ninguém brigou, ninguém está infeliz, e ainda assim as duas passaram o dia inteiro sem ficar cinco minutos sentadas no mesmo lugar. O trigrama que rege este canto é Kun, o único dos oito com as três linhas partidas, aquele que na tradição não empurra nada e só recebe. Um canto assim pede permanência, e permanência é exatamente o que falta no cômodo onde tudo é feito em pé.

Existe um segundo motivo, mais concreto, para esta planta ser interessante em vez de preocupante. Casal negocia na cozinha, não na sala: quem cozinha, quem lava, quem percebeu que o café acabou, quem faz a compra e quem lembra do que falta. É a contabilidade invisível de morar junto, e ela acontece toda dentro deste cômodo. Quando o baguá coloca a área das parcerias justamente aí, ele não trouxe um problema, trouxe uma coincidência útil: o assunto e o lugar ficaram no mesmo endereço, e dá para olhar para os dois de uma vez.

Vale dizer com todas as letras o que este cruzamento não é. Nenhuma planta desmancha relação, nenhum fogão causa discussão e nenhuma arrumação de bancada resolve conversa que não aconteceu. O que a escola do Chapéu Negro faz aqui é modesto e verificável: escolher o que você vê todos os dias no canto que ela associa a vida de dois. Quem mora sozinho continua com assunto, porque Kun cobre toda relação de dois, inclusive a sociedade do negócio e a amizade que virou família.

Como confirmar que é mesmo o seu caso

Fique de pé na soleira da porta principal, de costas para a rua, e olhe para dentro. Imagine a planta inteira dividida em nove partes iguais, três fileiras por três colunas, com a fileira de baixo encostada na parede da porta e a de cima no fundo do imóvel. O pedaço do fundo, do lado direito, é Kun. Se a cozinha ocupa esse pedaço, é o seu caso, e repare que o mais comum não é a cozinha inteira cair ali: costuma ser um pedaço dela, muitas vezes o trecho onde ficam a geladeira, a torre do forno ou a porta da área de serviço.

Duas confusões aparecem sempre. A primeira é a da cozinha americana: quando sala e cozinha são um cômodo só, a grade de nove se desenha sobre a área integrada inteira, e não sobre cada ambiente separado, então a cozinha quase sempre pega uma fatia de dois quadrados. Se menos da metade dela cai no canto do fundo à direita, o assunto encolhe e a página vira só o básico. A segunda é a da contagem pela porta errada: o baguá da casa se orienta pela entrada, e não pela porta da cozinha nem pela da varanda, mesmo que você viva passando por elas.

Existe ainda a leitura de dentro do próprio cômodo, que salva quem descobriu que o canto caiu num armário fechado. Pare na porta da cozinha, olhando para dentro dela, e o canto do fundo à direita é a área do Amor daquela cozinha. Em apartamento pequeno esse ponto costuma ser a ponta da bancada, o fim do balcão americano ou o vão entre a geladeira e a parede. É ali que as instruções desta página se aplicam com mais precisão, porque é um lugar que você alcança com a mão hoje.

A leitura pelos cinco elementos

Na roda dos cinco elementos, cada um entrega alguma coisa ao seguinte, e o par que interessa aqui é o mais fácil de guardar: o Fogo entrega para a Terra. A cozinha é o cômodo do Fogo por definição, o único da casa que existe para transformar coisa crua em comida, e Kun é Terra, aquilo que fica embaixo e sustenta. Traduzindo sem enfeite: o cômodo produz e o canto recebe. Nenhum concorrente conta isso porque susto vende melhor, e aqui não há susto nenhum a vender.

Tem um detalhe que torna a combinação ainda melhor e que quase ninguém repara: a cozinha já é, de longe, o cômodo com mais material de Terra da casa. Louça, porcelana, azulejo, o piso de cerâmica, o pote do açúcar, a panela de barro que só aparece no inverno. Enquanto o quarto precisa de um vaso comprado para ter Terra, aqui ela está empilhada dentro do armário. Isso quer dizer que esse canto não precisa de compra nenhuma para ter o elemento certo: precisa que a peça saia do armário e fique à vista.

A única ressalva honesta é de dose, e ela vem do lado oposto. Cozinha moderna também é o cômodo com mais Metal da casa: inox na pia, alumínio na panela, a geladeira inteira, a torradeira, o suporte de facas. No ciclo chinês é a Terra que gera o Metal, então um canto feito só de brilho e de branco puxa energia do elemento da área em vez de reforçar. A correção é de graça e leva um minuto: leve para lá alguma coisa fosca e com peso, um pote de cerâmica, um descanso de panela de pedra, uma travessa de louça grossa, e prefira, entre duas peças, a que tiver companheira igual.

O que fazer, na ordem de impacto

Primeiro, esvazie o canto e o meio metro de bancada mais próximo dele, porque essa é a superfície que recebe tudo que entra pela porta. A encomenda que chegou hoje, o guarda-chuva ainda molhado, o crachá, a cartela de remédio, o saco de pão, o folheto do condomínio. Não é bagunça, é geografia: a bancada é a primeira coisa plana e livre que a mão encontra ao chegar, e por isso ela vira pista de pouso sozinha. O motivo de este item vir na frente de todos os outros é simples: canto que serve de pouso não consegue servir de parada.

Segundo, faça o par existir e faça o par ser usado, que são coisas diferentes. Duas banquetas, duas canecas no mesmo gancho, dois panos de prato iguais, dois copos que você tire do armário juntos. A regra dos pares nesta casa do baguá não é encanto: é ensaio. Um objeto em dupla é um lugar posto para duas pessoas, e o corpo percebe a diferença entre um assento e dois sem ninguém explicar. No mesmo gesto, tire dali a banqueta solitária que virou cabide, porque ela diz o contrário do que você quer dizer e diz todo dia.

Terceiro, mexa na luz e no horário. Troque por uma lâmpada amarelada o ponto de luz mais perto do canto, ou simplesmente acenda só a luz de baixo do armário na hora do jantar em vez do teto inteiro, que é gesto de custo zero e muda o cômodo à noite. E escolha uma refeição da semana em que os dois estejam sentados ao mesmo tempo, nem que sejam dez minutos e nem que seja café da manhã de sábado. A escola do Chapéu Negro trabalha com intenção declarada, o que aqui significa só isto: dizer em voz alta, uma vez, para que serve aquele pedaço da casa.

O que a internet manda fazer e não se sustenta

Circula por aí que cozinha na área do amor esquenta demais a relação e provoca briga, e isso não se sustenta em escola nenhuma. Pelo ciclo dos elementos a leitura é de geração, não de conflito, e nenhuma tradição chinesa ligou o fogão à discussão de casal. Se briga em cozinha é comum, e é, a causa costuma ser bem mais terrena: divisão de tarefa que ninguém combinou, dois corpos disputando um metro de bancada, e o barulho do exaustor por cima da conversa. Nenhuma dessas três se resolve com medo da planta.

Evite transformar o canto num altar de casal. Ímã de coração, plaquinha com a palavra amor, laço vermelho no puxador do armário, quartzo apoiado em cima da geladeira: nada disso é feng shui, é vitrine, e tem um detalhe prático que ninguém avisa. Enfeite em cozinha junta gordura. Em três meses aquele objeto está pegajoso, e um objeto pegajoso trabalha contra a mensagem que você pendurou ali. O que sobrevive neste cômodo é o que é usado e lavado, e é justamente por isso que o par de canecas funciona melhor do que qualquer peça decorativa.

O terceiro tropeço é o mais silencioso: usar esse canto como mural de cobrança. A escala de quem lava a louça, o bilhete com ponto de exclamação, a lista de compras escrita em tom de reclamação. Combinar é ótimo e faz falta em quase toda casa, mas o canto que a escola lê como parceria não é lugar de deixar conta pendurada, do mesmo jeito que ninguém escolheria a cabeceira da cama para colar o boleto. Ponha o combinado em outro lugar e deixe este canto com o que você quer olhar sem preparo.

Você sabia?

O casamento chinês antigo não tinha juiz, aliança nem beijo: tinha jantar. O Livro dos Ritos, o Liji, descreve o ato central da cerimônia em duas linhas, e as duas se passam na cozinha. Os noivos comiam da mesma travessa e bebiam de uma cabaça partida ao meio, cada um segurando uma metade. O rito se chama hejin, 合卺, e os comentadores antigos observam que a cabaça usada era amarga, porque o que se estava selando ali incluía a parte ruim. Repare no detalhe que faz a coisa toda ficar bonita: as duas metades vinham do mesmo fruto, então nenhuma outra metade encaixava naquela. Quando a escola do baguá pede um par no canto das parcerias, ela está repetindo, com duas canecas, uma cerimônia de mais de dois mil anos cujo conteúdo era comer junto.

Onde Amor fica na planta

Porta de entrada
Fique do lado de fora e entre. A parede que ficou atrás de você é a linha de baixo desta grade, e a de cima é a parede do fundo. Este é o baguá da escola do Chapéu Negro, que orienta pela porta. A escola tradicional orienta pela bússola e chegaria a outro desenho na mesma casa.

A ficha da área envolvida

Área

Amor e parcerias

Trigrama

☷ Kun

Elemento

Terra

Onde fica

o canto mais distante à sua direita

O checklist deste caso

  1. 1Pare no canto do fundo à direita e tire de lá tudo que chegou da rua hoje.
  2. 2Escolha meio metro de bancada perto desse canto e deixe vazio até amanhã de manhã.
  3. 3Ponha duas banquetas ou duas cadeiras ali e sente-se em uma delas hoje, nem que seja por cinco minutos.
  4. 4Monte um par com o que você já tem: duas canecas no mesmo gancho, dois copos iguais, dois panos de prato.
  5. 5Tire do canto a banqueta ou a cadeira que virou cabide e devolva a roupa ao armário.
  6. 6Deixe à vista uma peça fosca e com peso que já esteja guardada no armário, um pote de cerâmica ou uma travessa de louça.
  7. 7Marque uma refeição desta semana em que os dois estejam sentados ao mesmo tempo e trate esses dez minutos como compromisso.

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Veja onde cai cada uma das nove áreas na planta da sua casa

A grade das nove áreas se encaixa na sua planta a partir da porta de entrada, e cada cruzamento vem com a leitura pelos cinco elementos e o que dá para fazer hoje.

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Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

Cozinha na área do amor causa briga de casal?
Não, e essa é uma das poucas leituras do baguá em que o elemento está claramente a favor. A cozinha é Fogo, o canto é Terra, e no ciclo chinês o Fogo alimenta a Terra, então a relação entre os dois é de geração e não de conflito. Discussão em cozinha existe e é comum, só que a causa costuma ser tarefa mal combinada, espaço apertado para dois corpos e barulho por cima da conversa. Nenhuma dessas três muda por causa de onde o arquiteto pôs a parede, e nenhuma delas piora por causa do mapa.
Meu fogão fica exatamente no canto do amor. Isso é ruim?
É a versão mais literal da leitura que esta página descreve, e ela continua sendo favorável. Fogão é o Fogo da casa em estado puro, e o canto é o elemento que recebe o que o Fogo produz. O que a escola pede ali não muda: fogão limpo, bocas acendendo, nada quebrado, porque a tradição chinesa trata o fogão como o ponto de onde sai o sustento de quem mora na casa. Feito isso, a pergunta que resta é prática e é a que interessa nesta área: cabem duas pessoas em volta desse fogão sem uma atropelar a outra?
Minha cozinha é americana e pega dois quadrados do baguá. Como conta?
Conta pela proporção, e essa é a regra que resolve a maioria dos casos brasileiros. Desenhe a grade de nove sobre a área integrada inteira, sala e cozinha juntas, e veja quanto da cozinha cai no canto do fundo à direita. Se for pouco, um pedaço de bancada ou só a geladeira, fique apenas com a parte de arrumação desta página. Se for a maior parte dela, vale seguir a lista inteira. E existe sempre a saída paralela: o baguá se repete dentro de cada cômodo, contado a partir da porta dele, então você pode trabalhar o canto do amor dentro do quarto ao mesmo tempo.
Preciso pôr rosa, coração ou objeto de casal na cozinha?
Não precisa de nada disso, e nesta área a compra é a parte mais dispensável. O rosa é a leitura ocidental que a escola do Chapéu Negro consagrou e não sai do sistema clássico dos cinco elementos; a Terra, que é o elemento de verdade daqui, você já tem de sobra dentro do armário em forma de louça e cerâmica. A cura que realmente muda o canto custa zero: liberar a superfície, montar um par com o que existe e deixar dois lugares onde dá para sentar. Se depois disso você quiser um objeto bonito ali, escolha um que possa ir para a pia, porque cozinha suja tudo.
E se eu seguir a escola tradicional, da bússola?
Muda o canto, não muda a lista, e vale declarar a divergência em vez de fingir que só existe uma escola. Na tradicional, orientada por bússola, a área de Kun é sempre o Sudoeste do imóvel e a sua porta não entra na conta. Na escola do Chapéu Negro, que este portal adota e que foi a que se popularizou no Brasil, o canto é o do fundo à direita de quem entra. Há ainda uma diferença de método: a escola da bússola avalia a cozinha pela direção para onde aponta a entrada de gás do fogão, cálculo quase impossível em apartamento alugado com um ponto de gás só, e por isso preferimos olhar para o corpo de quem cozinha. Nenhuma das duas está errada. Errado é usar as duas ao mesmo tempo na mesma casa.

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