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As cores no feng shui, uma a uma

A cor vinho no feng shui

O vinho é vermelho escurecido, e vermelho é Fogo na tabela dos cinco elementos, então ele é Fogo também. A diferença que importa é de comportamento: o preto que existe dentro dele tira a agitação e tira a luz ao mesmo tempo, o que faz dele um Fogo contido. É por isso que ele é o vermelho que a casa brasileira de fato usa em área grande, no sofá, na cortina, no tapete e na parede da sala, enquanto o vermelho puro quase sempre fica em objeto. Você ganha o elemento sem o barulho, e paga em claridade.
É o vermelho que a casa brasileira usa em metro quadrado, porque é o único da família que aceita ser grande.

O princípio, antes da receita

Todo vermelho pode ser abrandado de dois jeitos, e os dois levam a lugares diferentes. Um deles é puxar para o amarelo e para a terra, e o resultado é o terracota, que a página do vermelho já trata: um tom rústico, quente e que assenta. O outro é escurecer com preto e um toque de azul, e o resultado é este: bordô, borgonha, marsala, o vinho de cortina de teatro e de uniforme de escola. Os dois continuam Fogo na tabela, porque a família da cor não mudou, e nenhum dos dois se comporta como o vermelho lacado dos portões de templo. O terracota lê como rústico; o vinho lê como fechado e sério. Guarde essa bifurcação, porque ela explica quase toda decisão desta página.

A parte verificável é de luz, e vale ser dita sem enfeite. Vermelho puro é a cor mais saturada do campo de visão e avança visualmente, ou seja, aproxima a parede de quem está sentado. O vinho perde saturação, então ele avança bem menos e não encolhe um cômodo pequeno do jeito que o vermelho encolhe. Em compensação ele devolve pouquíssima luz, e essa é a conta real: você troca agitação por escuridão. Existe um teste de graça que evita arrependimento e leva um minuto: no fim da tarde, com a cortina aberta e as luzes apagadas, olhe o pedaço da parede onde a cor iria. O que você vê ali é o que o vinho vai parecer no pior horário do dia, e é a partir dessa cena que você decide quantas lâmpadas aquele cômodo vai precisar.

Falta a fronteira da família, que é onde as pessoas se perdem na loja de tinta. Enquanto houver mais vermelho do que azul dentro do tom, ele continua Fogo. Quando o azul passa a mandar, a cor sai do vinho e entra na família do roxo, da ameixa e da berinjela, que este portal classifica como Madeira, e o comportamento no cômodo muda junto. O teste também é caseiro: ponha a amostra ao lado de um saco de papel pardo e ao lado de uma berinjela. Se ela parece parente do papel, você tem Fogo contido. Se parece parente da berinjela, já atravessou para o outro lado, e vale ler a página do roxo antes de comprar o galão.

O vinho em cada cômodo

Na sala existe uma diferença que decide o resultado e quase nunca é dita: em tecido, o vinho se comporta muito melhor do que em tinta. Um estofado tem textura, e textura quebra a cor em áreas de luz e de sombra, de modo que um sofá vinho nunca é uma mancha única. A mesma cor numa parede lisa vira um bloco chapado que pesa três vezes mais. É essa a razão pela qual o sofá vinho atravessou décadas na casa brasileira e a parede vinho quase sempre foi arrependimento. A regra prática que sai daí é curta: escolha um dos dois. Sofá vinho pede parede clara; parede vinho pede estofado claro. Os dois juntos fecham o cômodo.

A parede atrás da mesa de jantar é o melhor endereço que essa cor tem, e o argumento é de iluminação. Ali você quer luz sobre a mesa, sobre a comida e sobre o rosto de quem está sentado, e não quer que a parede dispute nada: uma superfície que devolve pouca luz faz exatamente esse serviço, e a lâmpada pendente vira o acontecimento do ambiente. Na cozinha americana a instrução se inverte. Fogão já é Fogo por definição, então o vinho fica melhor do lado da sala do que do lado da bancada, e tem um detalhe prático de quem cozinha: superfície escura e fosca perto do fogão denuncia gordura por brilho, e mancha ao ser esfregada com força.

No quarto, esta é a resposta honesta para quem quer vermelho e ouviu que não pode. O vermelho puro é a decisão mais difícil de acertar num cômodo que pede lentidão, e o vinho é a versão que costuma dar certo: uma parede só, de preferência a da cabeceira, que é a que você não encara deitado, acabamento fosco e uma luz baixa e amarelada por perto. A armadilha é a soma: parede vinho, piso escuro e cortina pesada produzem aquele quarto em que a luz do meio-dia parece fim de tarde, e aí o cômodo passa a exigir lâmpada acesa o dia inteiro. No banheiro dentro do quarto, a tabela avisa que Água apaga Fogo, então ali essa cor entra pela toalha e pelo tapete, não pelo azulejo. E no corredor de um metro e vinte a resposta normalmente é não, porque o vão já tem um ponto de luz só: a exceção é a decisão deliberada de fechar o corredor inteiro na cor, teto incluído, e iluminar de propósito, o que é um projeto e não um retoque de sábado.

O vinho em cada área do baguá

Pare logo depois da porta principal, olhe para dentro e divida o cômodo em nove partes iguais. A faixa central do fundo, de frente para a porta, é o Reconhecimento, casa de Fogo, e é aqui que essa cor tem endereço próprio. A vantagem sobre o vermelho puro é de convivência: você ocupa a casa do Fogo sem que a sala inteira grite, o que num apartamento pequeno costuma ser a diferença entre usar e não usar aquela parede. Só existe uma condição, e ela é técnica: como o vinho devolve pouca luz, ele precisa de uma fonte apontada para ele, um spot, uma arandela ou uma luminária de chão, senão ele simplesmente some depois das seis da tarde. Vermelho puro aparece sozinho; este não.

O canto mais distante à sua direita é o Amor, com rosa, vermelho e branco na paleta, e é uma casa de Terra. Duas coisas se encaixam ali. A primeira é de ciclo e quase ninguém escreve: o Fogo vira cinza e faz a Terra, então o vinho naquele canto é o elemento que abastece a casa, e não um invasor. A segunda é de convivência: o trio rosa empoeirado, vinho e branco é bem mais fácil de morar junto do que rosa, vermelho vivo e branco, e entrega exatamente a mesma paleta declarada. Na prática isso é um par de almofadas, uma colcha, duas taças, uma moldura.

O miolo do cômodo é a Saúde, casa de Terra, e aqui está o achado mais brasileiro desta página. O objeto vinho mais comum do país é o tapete de padronagem persa, e ele fica exatamente no centro da sala, ou seja, dentro da casa de Terra, sustentado por um elemento que a alimenta. Se você tem um enrolado no armário desde a última mudança, ele já era coerente antes de qualquer teoria. Falta declarar as tensões. O meio da parede da esquerda é a Família e o canto mais distante à esquerda é a Prosperidade, as duas de Madeira, e a Madeira alimenta o Fogo, ou seja, é consumida por ele: naqueles dois cantos o vinho entra em detalhe e o verde manda. E a faixa central da parede da porta é a Carreira, casa de Água, o elemento que apaga o Fogo, o que faz do hall de entrada bordô, tão comum em prédio antigo, o ponto de tensão mais frequente da planta. Este portal segue a escola do Chapéu Negro, que orienta o baguá pela porta de entrada; a tradicional, que usa a bússola, poria a casa do Fogo ao Sul da planta e chegaria às mesmas relações de ciclo.

O que ela ativa e o que ela satura

O sinal de que a dose passou é medido em horário, e é o mais objetivo de toda esta série: repare em que hora você acende a luz da sala. Se a resposta foi andando das sete para as cinco da tarde depois que a cor entrou, o cômodo já está devolvendo menos luz do que a rotina de quem mora ali precisa. O segundo sinal é mais sutil e aparece em quem tem o hábito de arrumar a casa: você para de abrir a cortina, porque o ambiente parece melhor com a luz artificial acesa do que com a do dia entrando. Isso não é frescura de decoração, é um cômodo que passou a depender de energia elétrica para funcionar.

Existe um efeito colateral de vizinhança que vale conhecer antes de comprar tinta. Um escuro saturado como este empurra a leitura das cores ao lado: bege e branco quente vizinhos de uma grande área vinho passam a parecer encardidos, e a madeira clara puxa para o amarelado. Não é sujeira, é contraste, e o conserto não é lavar nada, é escolher o que fica ao lado. Some a isso a leitura de época, que é honesta e útil: vinho com bege e dourado em conjunto é a combinação dos anos 2000 e envelheceu mal; vinho com branco, madeira clara e verde continua atual. A cor não datou, o acompanhamento é que datou.

Vale contar também o vinho que você não escolheu, porque ele costuma existir em quantidade: o tapete herdado, a poltrona da sala da avó, o edredom do inverno, a toalha de mesa que só sai em festa, o uniforme escolar pendurado atrás da porta, as garrafas na estante, a lombada dos livros de capa dura. Antes de acrescentar uma peça, conte as que já estão à vista. Sobre a falta, a resposta é direta: quem não tem nenhum ponto quente na casa está sem Fogo, e esse assunto é da página do vermelho. O que o vinho resolve, e nenhuma outra cor da família resolve, é o caso específico de quem quer o elemento numa superfície grande de apartamento pequeno sem que o cômodo fique agitado.

Como usar sem pintar nada

Esta é a cor forte mais fácil de conseguir de graça no Brasil, porque ela circulou muito na casa das últimas três gerações e está guardada em armário por todo lado. E existe um material em que ela fica melhor do que em qualquer outro: veludo e veludo cotelê. O pelo do tecido reflete de um jeito quando está deitado e de outro quando está em pé, então uma peça em veludo vinho parece duas cores ao mesmo tempo e nunca fica chapada. É o oposto exato de uma parede lisa na mesma cor. A ordem de impacto vai de tapete e cortina, que ocupam área grande, para capa de sofá, colcha, almofada, toalha de mesa e louça.

O inventário de custo zero costuma render mais que qualquer compra: o tapete enrolado atrás da porta do quarto, a manta que sai no inverno, a toalha de mesa de festa, a capa de almofada guardada, a caixa de madeira de uma garrafa que alguém deu de presente, o livro de capa vinho na terceira prateleira. Junte tudo em cima da mesa e escolha duas peças para a parede do fundo da sala, que é a casa do Fogo. Para quem mora de aluguel, uma cortina vinho do teto ao chão entrega tanta cor quanto uma parede pintada, ocupa a mesma área de campo de visão e vai embora no dia da mudança.

Duas regras fecham o assunto. A de luz é obrigatória nesta cor e não vale para nenhuma outra da mesma família: para cada superfície grande em vinho, acrescente uma fonte de luz perto dela, senão a peça vira um buraco escuro depois do pôr do sol. A de combinação sai dos ciclos. A Madeira alimenta o Fogo, então verde e madeira crua com vinho é o par que o sistema sustenta sem esforço, e é também a receita do canto de leitura que todo mundo acha aconchegante sem saber explicar. O Fogo faz a Terra, então vinho com bege, camurça e terracota é o par estável e quente. O ponto de tensão é com preto e azul-marinho, porque a Água apaga o Fogo, e funciona muito bem em dose pequena. E com branco, prateado e dourado em quantidade, a tradição lê desgaste, porque o Fogo derrete o Metal, o que na prática vira um ambiente que cansa a vista.

Você sabia?

Esta é a única cor desta série que não poderia ter nascido na tabela chinesa, e o motivo é de bebida. O nome bordô vem de Bordeaux, a região francesa cujo vinho tinto chegou ao Brasil junto com a palavra, e vinho como nome de cor é invenção europeia recente, do século 19 para cá, quando o tinto engarrafado virou referência comum o suficiente para batizar um tom. Do outro lado do mundo, a bebida do dia a dia era outra: o huangjiu, o vinho amarelo fermentado de arroz e de outros cereais, com milhares de anos de uso e cor que vai do palha ao âmbar. O vinho de uva existiu na China, chegou pela Rota da Seda e teve um período de prestígio na dinastia Tang, mas nunca foi a bebida da mesa comum. Ou seja, se um chinês do período clássico dissesse cor de vinho, estaria descrevendo um amarelo dourado, e não este vermelho fechado. A tabela das cinco cores corretas resolveria o assunto de outro jeito: arquivaria tudo isto como chi, o vermelho do sul, apenas escurecido. O nome que você usa na loja de tinta veio de uma taça francesa; o elemento que ele carrega veio de uma tabela que nunca viu essa taça.

Os três tons que costumam funcionar

bordô

#6E2639

marsala

#92454F

vinho fechado

#4A1420

Toda cor muda de personalidade conforme a lâmpada do cômodo. Antes de comprar o galão, pinte um retângulo de cinquenta por cinquenta na parede de destino e olhe de manhã, à tarde e com a luz acesa.

O elemento Fogo por trás desta cor

Elemento

火 Fogo

Cores da família

vermelho, laranja e magenta

Formas

triângulo, ponta, tudo que sobe estreitando: abajur cônico, quadro com ângulos

Materiais

vela, lâmpada quente, couro, lã, imagem de bicho ou de gente

Sinal de excesso

o cômodo cansa em vinte minutos, discussão pega fogo rápido e ninguém dorme direito ali

Sinal de falta

o espaço fica sem graça, sem calor, e as pessoas passam por ele em vez de ficar

As áreas do baguá que têm esta cor na paleta

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Perguntas frequentes

Vinho e vermelho são a mesma coisa no feng shui?
São o mesmo elemento, o Fogo, e são materiais bem diferentes na parede. Vermelho puro é a cor mais saturada do campo de visão, avança visualmente e por isso encolhe cômodo pequeno, o que faz dele uma cor de objeto e de detalhe na maioria das casas. O vinho é o mesmo vermelho com preto dentro: ele perde saturação, avança bem menos e aceita ser grande, só que devolve pouquíssima luz. Na prática, escolha vermelho quando quiser um ponto que chame atenção sozinho, e vinho quando quiser área, desde que exista luz apontada para ela.
Posso pintar uma parede de vinho em apartamento pequeno?
Pode, e o risco não é o que a maioria imagina. Ele não vai apertar o cômodo como o vermelho puro apertaria, porque é menos saturado e avança menos, mas vai escurecer de verdade, já que devolve pouca luz. Escolha uma parede só, de preferência a do fundo, acabamento fosco, e planeje uma fonte de luz voltada para ela antes de comprar a tinta. O teste que evita arrependimento leva um minuto: no fim da tarde, com as luzes apagadas, olhe aquele pedaço de parede e decida a partir do que você vê no pior horário do dia.
Vinho no quarto pode?
Pode, e é a versão mais fácil de acertar dentro da família do vermelho, que é justamente a cor mais difícil de usar em quarto. O cômodo do sono pede lentidão, e o preto que existe dentro do vinho reduz a ativação que o vermelho puro traz. Fique numa parede só, de preferência a da cabeceira, porque ela é a que você não encara deitado, e prefira acabamento fosco. O erro comum é somar: parede vinho com piso escuro e cortina pesada produz um quarto em que a luz do meio-dia parece fim de tarde e a lâmpada fica acesa o dia todo.
Onde termina o vinho e começa o roxo?
No ponto em que o azul passa a mandar mais que o vermelho dentro do tom, e isso muda o elemento. Enquanto houver mais vermelho, a cor pertence à família do Fogo, com tudo o que esta página descreve. Quando a mistura vira para o lado da ameixa e da berinjela, ela entra na família do roxo, que este portal classifica como Madeira, e aí valem outras instruções, inclusive outro canto da casa. O teste é caseiro: compare a amostra com um saco de papel pardo e com uma berinjela, e veja de qual dos dois ela parece parente.

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