AstroPortal

As cores no feng shui, uma a uma

A cor roxa no feng shui

O roxo é a cor mais disputada da tabela dos cinco elementos, e vale abrir dizendo qual regra este portal adotou: aqui ele é Madeira, porque a paleta da casa da Prosperidade, o canto mais distante à sua esquerda quando você entra, é roxo, verde e dourado, e essa casa é de Madeira. Existe uma linha respeitável que lê o roxo como Fogo escurecido, por ser parente do vermelho. O que resolve a discussão na parede não é a escola, é o tom que você escolhe na loja.
É a cor que menos perdoa quantidade e a que mais rende quando alguém sabe parar.

O princípio, antes da receita

Duas leituras convivem no material que circula em português, e nenhuma das duas é invenção de loja. Uma põe o roxo junto do vermelho, na família do Fogo, com o argumento de que ele nada mais é que vermelho escurecido. A outra o põe na paleta da Prosperidade, que na escola do Chapéu Negro fica no canto mais distante à sua esquerda quando você entra pela porta principal, ao lado do verde e do dourado, e essa casa é de Madeira. Este portal segue a segunda, porque é a paleta do baguá pela porta que organiza o site inteiro, e prefere declarar a divergência a fingir que ela não existe.

A boa notícia é que a briga se resolve sozinha na parede. Roxo fica no meio do caminho entre dois elementos vizinhos, e é o tom que decide de qual lado ele cai: puxado para o azul, na direção da uva e da berinjela, ele se comporta como Madeira, ou seja, como algo que cresce devagar e fecha o ambiente por baixo; puxado para o vinho e para o bordô, ele se comporta como Fogo, ou seja, como algo que ativa e chama atenção. Ponha duas amostras lado a lado na parede e você vai ver a diferença antes de entender a teoria.

Some a isso a parte física, que não depende de tradição nenhuma. Roxo saturado é das cores que menos devolvem claridade para dentro do cômodo, e é a que mais muda de personalidade conforme a lâmpada. Sob um LED amarelado ele encardece e puxa para um marrom sujo; sob um branco frio ele azula e endurece. Numa sala brasileira de doze metros quadrados com uma janela só, isso quer dizer uma coisa bem prática: decidir sobre o roxo é quase sempre decidir quantidade, e não tom.

O roxo em cada cômodo

Comece pela sala, que é onde quase todo mundo pensa primeiro e onde o risco é maior. Num apartamento de quarenta e cinco metros quadrados com cozinha americana, a parede que você pintaria é a mesma que encosta no armário da cozinha, e o roxo escuro ali disputa espaço com o inox da geladeira e com o branco dos armários numa área pequena demais para tanta conversa. A saída que funciona é ficar no objeto: um par de almofadas, um vaso, a lombada dos livros na prateleira que fica de frente para o sofá.

No quarto, o lilás é a versão que quase sempre dá certo, e é bom saber por quê antes de escolher. Ele é o roxo já clareado, com pouca saturação, então acrescenta a cor sem tirar luz do cômodo, o que pesa muito em quarto de janela única. O roxo profundo atrás da cabeceira faz o contrário, e come a claridade de um cômodo que já costuma ser o mais escuro da casa. Se a vontade for mesmo de tom fechado, ele rende mais na parede lateral, longe da janela, com cortina clara fazendo o contraponto.

Existe um cômodo em que o roxo escuro é fácil e do qual ninguém lembra: o lavabo. Você fica ali dois minutos, não precisa de claridade para nada além de lavar a mão, e é justamente onde um tom dramático vira acerto em vez de problema. No corredor de um metro e vinte vale o oposto, porque parede escura em vão estreito aproxima as duas laterais e o lugar fica menor do que já é. E no canto de estudo, aquela mesa encaixada entre a janela e a estante, a cor entra bem no fundo de uma prateleira, que é superfície pequena, emoldurada e fácil de refazer no dia em que você enjoar.

O roxo em cada área do baguá

Das nove casas do baguá, uma é o endereço próprio desta cor. Sobrepondo a grade à planta com a parede da porta embaixo, o canto mais distante à sua esquerda é a Prosperidade, e a paleta dela é roxo, verde e dourado. No apartamento brasileiro esse canto costuma cair atrás do sofá ou no vão que sobrou entre a estante e a janela, e é, com uma regularidade impressionante, o ponto que menos recebe luz do cômodo inteiro.

Vale dizer com todas as letras o que nenhuma loja diz: nenhuma cor muda a renda de ninguém, e um objeto roxo naquele canto não faz dinheiro aparecer. O motivo de o roxo ter virado a cor do dinheiro no feng shui popular brasileiro é bem mais prosaico do que parece: a Prosperidade é a mais procurada das nove casas, e o roxo é a mais distintiva das três cores dela, portanto a mais fácil de vender. O que a escola de fato pede naquele canto continua sendo o mais chato e o mais eficaz, que é luz, ordem e nada quebrado.

A outra casa desta página é o Conhecimento, o canto da esquerda na mesma parede da porta, aquele que a tradição reserva ao estudo e à decisão tomada em silêncio. Ele é casa de Terra, e a Madeira é justamente o elemento que fura a Terra no ciclo de controle, então roxo em área grande ali afrouxa o chão de um canto que existe para ser firme. Em dose de objeto, uma capa de caderno, uma luminária, um marcador de página, a cor entra sem brigar com nada. Quem usa a escola da bússola vai encontrar essas duas casas em outro lugar da planta e vai chegar às mesmas relações, porque os ciclos não mudam de uma escola para a outra.

O que ela ativa e o que ela satura

Passou da conta quando o cômodo escurece e ninguém sabe explicar por quê. O efeito é visual antes de ser qualquer outra coisa: os móveis de madeira clara ficam amarelados por contraste, o branco do teto parece encardido e a casa ganha um ar de vitrine temática. Roxo em muita área tem uma companhia difícil, porque quase nada na casa brasileira média conversa com ele. O piso é claro ou amadeirado, o sofá é cinza ou bege, a porta é branca. É a cor com menos vizinhos naturais dentro de casa.

Na leitura de elemento ele entra na conta da Madeira, e Madeira em excesso descreve uma casa cheia de projeto aberto e pouca coisa encerrada. Só que o tropeço mais comum desta cor não é esse: é transformar o canto da Prosperidade num altar do assunto, com pano roxo, vela roxa, pedra roxa, cofrinho e uma plaquinha escrita abundância, enquanto o resto da casa segue com lâmpada queimada e gaveta emperrada. Canto temático não é feng shui, é decoração com legenda.

Do outro lado existe a oportunidade, e ela é real. Como o roxo é raro dentro de casa, um único objeto roxo numa sala neutra vira um dos contrastes mais fortes que você consegue com uma peça só. Uma manta dobrada no braço do sofá, uma flor, um livro deitado com a capa para cima. Um ponto apenas, e o olho vai nele sem que você precise abrir uma lata de tinta.

Como usar sem pintar nada

O inventário desta cor é curto, e essa é justamente a boa notícia: em vez de comprar, dá para descobrir em dez minutos o que já existe aí. Quase toda casa guarda alguma coisa roxa em algum canto, uma echarpe, uma caixa de perfume, um caderno, uma toalha de banho, a capa de um livro. Junte tudo numa mesa, leve para o canto mais distante à esquerda da sala e olhe da porta. Se o canto melhorou, você acabou de fazer o teste sem gastar nada.

Em imóvel alugado, o que carrega bem esta cor é o pequeno e o trocável, nunca o grande. Cortina roxa e tapete roxo são difíceis de achar, caros de errar e pesados de conviver; capa de almofada, manta, o fundo de uma prateleira, um par de velas e a cúpula de um abajur fazem o mesmo serviço por uma fração do preço e saem de cena numa tarde. Flor de corte é a versão mais barata de todas, dura uma semana e não exige furo em parede nenhuma.

Para combinar sem pesar, use a própria tabela. A Madeira é alimentada pela Água, então preto e azul-escuro seguram bem o roxo, e é por isso que berinjela com azul-marinho funciona mesmo parecendo arriscado. A Madeira alimenta o Fogo, então um ponto de vermelho ou de laranja perto do roxo acende o conjunto inteiro. E o Metal, que é branco, cinza e dourado, é o elemento que corta a Madeira, o que na prática quer dizer que muito dourado em cima de muito roxo deixa o canto com cara de embalagem de chocolate.

Você sabia?

Durante mais de mil anos essa foi a cor mais cara do mundo, por um motivo nada glamouroso: ela saía da glândula de um molusco marinho, o múrex, e eram precisos milhares de bichos apodrecidos ao sol para render alguns gramas de tinta. No edital de preços de Diocleciano, de 301 da nossa era, uma libra do corante de Tiro valia cento e cinquenta mil denários, algo em torno de três vezes o peso dela em ouro. A lei romana chegou a reservar o roxo ao imperador, e vestir a cor sem autorização podia custar caro. O fim da história é quase piada. Em 1856, um estudante inglês de dezoito anos chamado William Perkin tentava sintetizar um remédio contra a malária, errou o experimento e encontrou no fundo do frasco um resíduo roxo tirado de alcatrão de carvão. Em poucos anos a cor dos imperadores estava em vestido de moça no Ocidente inteiro. Ou seja, o roxo saiu de valer mais que ouro e virou produto de massa por causa de um erro de laboratório.

Os três tons que costumam funcionar

roxo uva

#6B4E8C

lilás

#9B7BB8

berinjela

#3F2A5C

Toda cor muda de personalidade conforme a lâmpada do cômodo. Antes de comprar o galão, pinte um retângulo de cinquenta por cinquenta na parede de destino e olhe de manhã, à tarde e com a luz acesa.

O elemento Madeira por trás desta cor

Elemento

木 Madeira

Cores da família

verde e azul-esverdeado

Formas

tudo que é alto e vertical: estante em pé, coluna, listra que sobe

Materiais

planta viva, madeira crua, algodão, linho, papel

Sinal de excesso

a casa parece uma selva e ninguém consegue terminar nada, porque tudo está sempre começando

Sinal de falta

o ambiente fica parado, sem nada crescendo, e bate aquela sensação de que a vida travou

As áreas do baguá que têm esta cor na paleta

Grátis, sem cadastro

Descubra em 15 perguntas o que a sua casa está pedindo primeiro

Quinze perguntas de sim ou não sobre a porta, a luz, o caminho e o que está quebrado. No fim vem a sua lista, em ordem de impacto, e quase tudo se resolve sem comprar nada.

Fazer o diagnóstico grátis

Você informa: quinze respostas de sim ou não. O resultado aparece na hora.

Leva 5 segundos

Manda para quem vai se ver nisto

Você já pensou em alguém enquanto lia. Mande esta página para essa pessoa e pergunte o que ela achou: é assim que a conversa começa.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

Roxo é Fogo ou Madeira no feng shui?
As duas leituras existem e as duas têm defensores sérios, então o mais honesto é declarar a regra em vez de esconder a divergência. Aqui o roxo é Madeira, porque ele é uma das três cores da casa da Prosperidade na paleta do baguá orientado pela porta, ao lado do verde e do dourado. Na prática, o tom resolve mais que a teoria: um roxo puxado para a uva e para o azul se comporta como Madeira, e um roxo puxado para o vinho se comporta como Fogo. Escolha o tom pensando no que você quer daquele cômodo.
Roxo é a cor do dinheiro no feng shui?
Ele é uma das três cores da casa da Prosperidade, e só isso. Nenhuma cor muda a renda de ninguém, e quem promete o contrário está vendendo outra coisa. O que dá para dizer com honestidade é que um objeto escolhido de propósito e posto num canto que você decidiu cuidar funciona como lembrete daquilo que você combinou consigo mesmo. O trabalho continua sendo seu. E se for para escolher uma única providência para o canto mais distante à esquerda da sua sala, escolha a luz e a ordem antes de escolher a cor.
Posso pintar uma parede inteira de roxo?
Pode, e existe um lugar em que isso é fácil de acertar: o lavabo, onde você passa dois minutos e não precisa de claridade para nada. Nos cômodos em que se fica, o roxo escuro cobra caro, porque devolve pouca luz e tem poucos vizinhos naturais numa casa brasileira. Antes de comprar o galão, faça o teste do papelão: pinte um pedaço grande de caixa de papelão com a amostra pequena, encoste na parede de destino e olhe em três horários diferentes. Papelão você move, parede não.
Lilás, violeta e roxo são a mesma coisa aqui?
Para a tabela dos elementos, sim, é tudo a mesma família. Para a sua casa, não são nem parecidos. Lilás é o roxo clareado quase até o branco, então acrescenta cor sem tirar luz, e é o que costuma dar certo em quarto e em teto. Violeta fica no meio, mais azulado, e é o que melhor se comporta como Madeira. Roxo escuro e berinjela são os que exigem decisão, porque fecham o cômodo e pedem boa luz artificial. Quando alguém diz que não gosta de roxo, quase sempre está falando desse último.

Continue explorando

As outras cores

Cada uma abre a leitura completa, do mesmo tamanho desta.