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As cores no feng shui, uma a uma

A cor dourada no feng shui

O dourado é Metal na tabela de cores do feng shui, ao lado do branco, do cinza e do prateado, e Metal é o elemento do contorno, da precisão e do acabamento. Ele também é a única cor deste portal que aparece em dois lugares da tabela ao mesmo tempo, porque está listado entre as cores da Prosperidade, que é uma casa de Madeira, e Metal corta Madeira. Essa contradição aparente é o assunto desta página e tem solução prática. Antes dela, o aviso que o mercado nunca dá: dourado não atrai dinheiro, e nenhuma cor atrai.
É a única cor da casa que só existe quando alguma luz bate nela.

O princípio, antes da receita

Metal, na roda das cinco fases, é o outono e a colheita já guardada: separar, cortar o excesso, dar contorno ao que sobrou. Branco, cinza, prateado e dourado são as cores dessa família, e o dourado é a mais visível de todas, porque ele não devolve a luz espalhada para todo lado, devolve numa direção só. Essa é a parte que dá para conferir sem tabela nenhuma, hoje, na sua sala: tinta amarela fosca espalha a claridade e por isso é lida como ocre, que é Terra; a mesma cor com acabamento metálico reflete como um espelho pequeno e muda conforme você anda pelo cômodo. Dourado, portanto, é cor mais comportamento, e é por isso que ele nunca parece o mesmo em duas horas diferentes do dia.

Agora o nó, e vale enfrentar de frente porque quase todo texto brasileiro passa por cima dele. Na tabela deste portal, dourado é Metal. E ele aparece também entre as três cores da Prosperidade, ao lado do roxo e do verde, sendo que a Prosperidade é casa de Madeira. Junte as duas informações e você tem, dentro da paleta oficial de uma casa, um elemento e justamente aquele que o poda, porque no ciclo de controle é o Metal que corta a Madeira. Isso não é erro de ninguém e não vale fingir que as duas listas batem: as paletas das nove casas vêm do trigrama e de séculos de associação cultural, e dourado é a cor do valor guardado tanto na China quanto aqui, então ela entrou por esse caminho e não pelo caminho do ciclo. O que quase ninguém escreve é a consequência prática, que é simples e resolve o problema: naquele canto, dourado funciona como detalhe, nunca como área.

Existe ainda uma distinção que resolve metade das dúvidas de quem está escolhendo peça. Dourado polido, espelhado, de puxador novo e de moldura brilhante, é Metal puro, com todo o contorno e toda a dureza que isso traz. Dourado fosco, escovado ou envelhecido, aquele de latão antigo que já perdeu o brilho, comporta-se quase como ocre, ou seja, quase como Terra, e por isso convive muito melhor com parede bege e com madeira. E vale saber o que é o dourado da sua casa na prática, porque quase nada dele é ouro: é latão, que é cobre com zinco e escurece com o tempo, ou verniz dourado sobre metal comum, ou um banho finíssimo que some exatamente no ponto em que a mão encosta todo dia. Nada disso é defeito, é o material, e muda inteiramente a forma de limpar.

O dourado em cada cômodo

Na sala, esta cor quase nunca deveria ser a de uma parede, e sim a de um contorno: moldura de espelho, base de abajur, pé de mesa de centro, puxador de estante, castiçal, o fio de uma almofada. A regra que salva o cômodo é de família e não de quantidade: escolha um tom de dourado e repita esse mesmo tom em dois ou três pontos, em vez de espalhar cinco dourados diferentes que não conversam entre si. Peça polida nova ao lado de latão envelhecido, com uma moldura de quadro num terceiro tom no meio, é o que faz uma sala parecer montada aos pedaços.

A cozinha virou o cômodo da moda para torneira e puxador dourados, e aqui a honestidade prática vem antes do simbolismo: acabamento dourado marca água, mostra digital e desgasta primeiro justamente na área que a mão usa mais. Pela tabela, ainda existe outra observação útil. Aquele cômodo já é o mais metálico da casa, com geladeira, pia, fogão e coifa, e o fogão acrescenta Fogo, que é o elemento que derrete o Metal. Dourado ali é detalhe pequeno, nunca conjunto completo. No banheiro sem janela, o cuidado é o mesmo com um agravante de umidade constante, que escurece latão em poucos meses e ataca verniz barato ainda mais rápido.

No quarto ele entra em dose baixa e de preferência fosca, porque a escola pede lentidão nesse cômodo e brilho é o contrário de lentidão. Cúpula de abajur com forro dourado por dentro é o melhor uso possível, já que devolve luz quente para baixo sem criar nenhum ponto de reflexo agressivo, e o que a escola evita ali é superfície brilhante apontada para a cama, assunto que a página da cura do espelho trata em detalhe. Na entrada e no corredor de um metro e vinte a lógica se inverte e vale ser generoso: naquele vão quase sempre falta claridade, e uma moldura, um puxador ou uma bandeja que devolvam o pouco de luz existente rendem mais do que qualquer objeto colorido.

O dourado em cada área do baguá

Pare na porta de entrada, olhe para dentro e divida o cômodo em nove partes iguais. O canto mais distante à sua esquerda é a Prosperidade, e é ali que a paleta oficial junta roxo, verde e dourado. É também o canto em que o conselho desta página fica mais útil: dourado funciona em dose de detalhe, um puxador, uma moldura fina, o pé de um vaso, um fio de tecido, e não como área grande. O motivo já foi dito e vale repetir por outro caminho: aquela casa é de Madeira, e Metal em quantidade é o que poda Madeira. Detalhe dourado sobre verde e sobre madeira crua é coerente; um canto inteiro dourado põe a poda no lugar do crescimento.

Duas casas recebem esta cor sem tensão nenhuma, porque são de Metal por natureza. O canto da direita na mesma parede da porta é a dos Amigos protetores, que a tradição liga a quem aparece quando você precisa e a deslocamento, e o meio da parede da direita é a Criatividade. Na planta real de um apartamento brasileiro, a primeira quase sempre cai no hall de entrada, o que faz dela o endereço mais fácil desta página inteira: uma bandeja ou um pote dourado onde a chave para todo dia, uma moldura na parede de quem chega, um cabideiro de metal. É o ponto em que a cor está em casa e ainda resolve um problema de organização.

O meio da parede do fundo, de frente para a porta, é o Reconhecimento, e a paleta declarada dela é vermelho e laranja, ou seja, Fogo. Dourado ali não é a cor da casa: ele entra como acabamento, tipicamente na moldura do quadro que ocupa essa parede, e é bom saber que, pelo ciclo de controle, o Fogo derrete o Metal. Traduzindo para a prática, é mais um caso de detalhe iluminado e não de superfície: uma moldura dourada com uma luz apontada para ela cumpre o papel, um painel inteiro dourado cansa a vista em uma semana. Este portal segue a escola do Chapéu Negro, que orienta o baguá pela porta; a tradicional, que usa bússola, mudaria o canto em que cada casa cai e não mudaria nada dos ciclos, que são idênticos nas duas.

O que ela ativa e o que ela satura

Nenhuma cor denuncia exagero tão rápido quanto esta, e o limite é surpreendentemente baixo. Dois ou três pontos dourados numa sala leem como decisão de quem escolheu; oito ou dez leem como vitrine. O ambiente que passa desse ponto ganha ar de saguão de hotel: rende foto ótima, e a visita senta na beirada do sofá sem saber explicar por quê. O sintoma do elemento em excesso é o cômodo que parece montado para ser visto e não para ser usado, e com dourado ele chega bem antes do que com branco ou com cinza, justamente porque cada peça reflete e chama atenção por conta própria.

Vale contar também o dourado que você não escolheu, porque ele existe em quase toda sala brasileira: o aro de uma moldura de retrato, o rótulo da garrafa que virou enfeite na estante, o logo do aparelho de som, o puxador que já veio assim do armário planejado, o relógio, a bijuteria deixada em cima da mesa, a caixa de bombom que ninguém jogou fora. Antes de comprar mais uma peça, dê uma volta pelo cômodo com esse filtro ligado. Costuma aparecer uma quantidade que surpreende, e aí a decisão certa passa a ser tirar duas em vez de acrescentar uma.

A falta desta cor não se manifesta como falta de brilho, e sim como falta de contorno: o objeto que não tem lugar fixo, a superfície que junta tudo, a arrumação que não dura até quarta-feira. Aqui cabe uma correção importante para ninguém sair comprando enfeite: o Metal que resolve isso é o do recipiente e do endereço definido, não o do acabamento bonito. Uma bandeja dourada na entrada só funciona se ela de fato virar o lugar onde a chave para todo dia. Se não virar, é mais um objeto no meio dos outros, e aí o elemento entrou pela cor e não entrou pela função, que é o que interessava.

Como usar sem pintar nada

Ninguém pinta parede de dourado, e nas raras vezes em que alguém pinta, o resultado costuma explicar por que ninguém pinta. Então aqui a conversa inteira é sobre objeto, e ela começa pelo inventário: procure em casa o que já é dourado e está guardado. Castiçal de latão da avó, bandeja de casamento, moldura sem foto, aro de prato antigo, caixa de lata de biscoito, maçaneta velha tirada numa reforma. Essas peças costumam ter justamente o tom fosco e envelhecido, que é o mais fácil de conviver, e custam zero.

Se for gastar, três trocas rendem mais do que todas as outras juntas, e as três cabem em imóvel alugado porque são reversíveis. A primeira é o puxador do armário ou da cômoda, que muda um móvel inteiro por poucos reais a unidade e volta ao original no dia da mudança. A segunda é a moldura, seja a de um espelho, seja a de um quadro que já existe na parede. A terceira é a cúpula de abajur com forro dourado por dentro, que transforma a luz do cômodo à noite sem acrescentar nenhum ponto brilhante durante o dia. Guarde os puxadores e os parafusos antigos numa caixinha etiquetada, e a reversão fica resolvida antes de começar.

E tem a parte que quase nenhum texto de decoração ensina, que é como cuidar. Descubra primeiro se a peça é latão de verdade ou metal com verniz e banho dourado, e o teste caseiro mais simples é o ímã, porque latão não gruda: se grudou, tem ferro embaixo e o dourado é camada. Latão de verdade escurece com o tempo, já que o cobre reage com o ar, e volta com pasta própria de metal ou com a mistura caseira de limão e sal, sempre seguida de secagem imediata. Peça com verniz ou com banho fino não pode passar por nada disso, porque o polimento arranca a camada e não existe volta: nela, só pano seco e macio. Na dúvida sobre qual é a sua, trate como se fosse banho, que é o caso da maioria esmagadora do que se vende hoje.

Você sabia?

O dourado de um objeto chinês antigo raramente é tinta: é ouro de verdade, aplicado por uma técnica chamada liujin, que os chineses dominavam desde o período dos Reinos Combatentes, por volta do século 3 antes de Cristo. O processo era engenhoso e brutal ao mesmo tempo. Misturava-se ouro com mercúrio até virar uma pasta prateada, na proporção aproximada de sete partes de ouro para três de mercúrio, e essa pasta era espalhada sobre a peça de bronze. Depois a peça ia ao fogo de carvão: o mercúrio evapora a 356 graus e vai embora no ar, e o ouro fica agarrado ao bronze numa camada finíssima e permanente. É por isso que peça dourada de dois mil anos ainda brilha em vitrine de museu. A parte sombria da história é que o vapor de mercúrio era inalado pelo artesão, e o ofício cobrava caro de quem o exercia. Do outro lado dessa linha do tempo está o dourado da sua casa, que costuma ser alguns micrômetros de verniz e desaparece justamente onde a mão encosta todo dia.

Os três tons que costumam funcionar

dourado velho

#C8A45C

dourado claro

#E0C98A

bronze

#8A6B2F

Toda cor muda de personalidade conforme a lâmpada do cômodo. Antes de comprar o galão, pinte um retângulo de cinquenta por cinquenta na parede de destino e olhe de manhã, à tarde e com a luz acesa.

O elemento Metal por trás desta cor

Elemento

金 Metal

Cores da família

branco, cinza, prateado e dourado

Formas

círculo, arco, cúpula, tudo que é redondo e fechado

Materiais

aço, alumínio, cobre, mármore claro, sino, moeda

Sinal de excesso

o ambiente fica frio e cortante, bonito de foto e desconfortável de ficar

Sinal de falta

some a precisão: papel espalhado, nada tem lugar definido, a bagunça volta em dois dias

As áreas do baguá que têm esta cor na paleta

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Perguntas frequentes

Dourado atrai dinheiro?
Não atrai, e vale dizer sem rodeio, porque é a promessa mais vendida do mercado. Nenhuma cor e nenhum objeto mudam a renda de ninguém. O que existe na tradição é a associação entre dourado e valor guardado, que é cultural e antiga, e existe o efeito honesto de qualquer objeto escolhido de propósito, que é servir de lembrete de uma decisão sua. Se o assunto é dinheiro, a versão útil do elemento Metal não é o enfeite dourado: é a pasta única do documento, o pote da moeda solta e a superfície vazia onde a conta é aberta.
Posso misturar dourado com prateado no mesmo cômodo?
Pode, e pela tabela nem existe conflito: os dois são Metal, então misturar não muda o elemento do cômodo, só a quantidade dele. A regra de não misturar metais vem da etiqueta de decoração, não do feng shui, e já está bem ultrapassada até lá. O cuidado real é de dose e de repetição: dois metais diferentes espalhados em dez pontos deixam o ambiente sem hierarquia. Escolha um para dominar e deixe o outro aparecer em dois lugares no máximo, de preferência com um deles fosco.
Dourado no canto da Prosperidade é certo ou errado?
É certo em dose de detalhe e problemático em área grande, e o motivo é o nó desta página. Aquele canto tem dourado na paleta declarada por associação cultural, e ao mesmo tempo é uma casa de Madeira, sendo que no ciclo de controle o Metal poda a Madeira. As duas coisas são verdadeiras e não se anulam. Na prática: puxador, moldura fina, um vaso com detalhe dourado e verde por perto funcionam bem; um canto inteiro em espelho dourado, ou três peças grandes juntas, colocam ali o elemento que corta em vez do que faz crescer.
O meu dourado ficou opaco. Dá para recuperar?
Depende do que ele é, e o teste do ímã responde em cinco segundos: latão não é magnético, então se o ímã grudar, a peça é metal comum com banho ou verniz por cima. Latão maciço escurece porque o cobre reage com o ar e volta com pasta de polir metal ou com limão e sal, sempre secando na hora para não manchar de novo. Peça com banho ou verniz não pode ser polida, porque o produto arranca a camada e a peça não volta mais: nesse caso só pano seco. Na dúvida, trate como banho.

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