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As cores no feng shui, uma a uma

A cor rosa no feng shui

Rosa é a cor mais associada ao amor no feng shui brasileiro, e quase ninguém conta a parte interessante: na escola do Chapéu Negro ela pertence à casa do Amor, que fica no canto mais distante à sua direita quando você entra, e essa casa é de Terra, o elemento que assenta e sustenta. Não é de Fogo, não é de ativação. Amor, no sistema chinês, está do lado do chão firme. Esta página explica o que isso muda na prática, onde a cor funciona, onde ela vira quarto de bebê e o que ela definitivamente não faz.
Terra não acende nada. Ela segura o que foi posto em cima, e é esse o serviço que ela presta aqui.

O princípio, antes da receita

Comece pelo nó, porque ele é o melhor desta página. As cinco cores clássicas do sistema chinês são o verde-azulado, o vermelho, o amarelo, o branco e o preto, uma para cada elemento, e rosa não está entre elas. Ele entra na paleta do feng shui pelo caminho do baguá do Chapéu Negro, que dá à casa do Amor as cores rosa, vermelho e branco. Como aquela casa corresponde ao trigrama Kun, a terra receptiva, o rosa é lido aqui como Terra, e não como um vermelho fraquinho. Existe quem leia diferente, tratando rosa como Fogo diluído, e essa divergência é real; este portal segue a paleta da casa e avisa que segue.

A consequência prática é a parte boa. Terra é o elemento do que sustenta sem pedir crédito, do que é largo, baixo e firme, e é isso que a tradição está dizendo quando põe o amor nessa família: relação de dois se apoia em chão, rotina e presença, não em faísca. Um canto que trabalha essa casa não pede vermelho de paixão, pede estabilidade visual, matéria fosca, peso na altura certa e uma sensação de que aquilo ali não vai sair do lugar amanhã.

Do ponto de vista de tinta, essa cor é a mais traiçoeira de todas e vale saber por quê. Um rosa com cinza dentro, o empoeirado, tem Terra de sobra e envelhece bem. Um rosa com muito amarelo puxa para o salmão. Um rosa saturado e frio vira pink, que na prática já é magenta, ou seja, Fogo, e faz o cômodo inteiro mudar de elemento sem que ninguém tenha decidido isso. É por isso que a mesma palavra descreve tanto uma parede sofisticada quanto uma parede infantil: são cores diferentes com um nome só.

O rosa em cada cômodo

No quarto de casal ele funciona melhor como tecido do que como parede, e o motivo não é estético. A colcha, a manta e a cortina saem de cena quando alguém enjoa, e o quarto é o cômodo em que duas pessoas precisam concordar, o que torna a decisão reversível a melhor decisão possível. Se a vontade de pintar for grande, fique com o empoeirado e com uma parede só, de preferência a da cabeceira, que é a que quem está deitado não fica encarando.

O lavabo é o segredo mal aproveitado da casa brasileira. É o cômodo em que a cor ousada custa menos, porque a área é minúscula, ninguém passa vinte minutos ali dentro e um galão pequeno resolve o ambiente inteiro. Um rosa queimado no lavabo com louça branca e metal escuro é uma das combinações mais elegantes que um apartamento de quarenta e cinco metros aceita, e é reversível numa tarde.

No quarto de criança vale saber que a associação automática entre rosa e menina é convenção comercial do século 20 e não vem de tradição nenhuma, tanto que há registros de catálogos americanos do começo daquele século recomendando exatamente o contrário. Isso liberta a escolha: use se a criança gosta, e não porque a loja organizou a prateleira assim. Fora esses três cômodos, ele cabe muito bem num canto de leitura, num corredor claro e na cozinha em tom terroso, o que surpreende quem só imagina rosa em contexto romântico.

O rosa em cada área do baguá

Pare do lado de fora da porta principal, entre e divida o cômodo em nove partes iguais. O canto mais distante à sua direita é a casa do Amor, e essa é a área desta cor por direito. Na maioria dos apartamentos brasileiros ele cai no canto do quarto onde fica o guarda-roupa, ou no canto da sala onde ninguém sabe o que pôr, e o que a escola pede ali é bem específico: objetos em dupla. Dois abajures iguais, duas cadeiras iguais, dois travesseiros do mesmo tamanho, um par de castiçais. A leitura da tradição é que aquele canto fala de relação de dois, e que peça solitária ali conta outra história todo dia.

O meio da parede da direita é a Criatividade, cujas cores são branco e tons pastel, e um rosa claro cabe ali sem esforço. A casa é de Metal, e como a Terra gera o Metal no ciclo, um tom terroso e claro naquele canto é material alimentando material. Já o miolo do cômodo é a Saúde, casa de Terra como esta cor, o que faz do centro da sala outro lugar coerente para ela, normalmente em forma de tapete, cerâmica ou almofada, já que ninguém pinta o meio do ambiente.

A ressalva vem das casas de Madeira, que são o meio da parede esquerda, a Família, e o canto mais distante à esquerda, a Prosperidade. No ciclo de controle, a Madeira fura a Terra, então acumular tom terroso e rosado justamente ali é criar uma disputa pequena e desnecessária. Nada grave, e a correção é fácil: naqueles dois cantos, verde, roxo, dourado e madeira crua conversam melhor. Este portal orienta o baguá pela porta, na linha do Chapéu Negro; a escola tradicional, de bússola, mudaria o lugar das casas e manteria a mesma relação entre os elementos.

O que ela ativa e o que ela satura

O sinal de exagero aqui é fácil de reconhecer e difícil de admitir: o cômodo inteiro rosa lê como quarto de bebê, tenha o morador seis ou sessenta anos. Isso acontece porque a cor em grande área perde a nuance e o olho passa a ler só a saturação, o que apaga a diferença entre um tom terroso sofisticado e um tom de papelaria. A dose que costuma funcionar é a menor do que a intuição pede: uma parede, ou nem isso, apenas os tecidos.

Existe um excesso local que o Brasil conhece bem e que vale citar com carinho, porque muita gente mora nele: a parede salmão com granito rosa Bahia dos apartamentos dos anos 90. Não é feio por ser rosa, é pesado porque empilha Terra sobre Terra, piso, bancada e parede na mesma família, sem nada que dê contorno. A tradição descreve Terra em excesso como ambiente lento, em que tudo custa a começar e a decisão arrasta. Se essa é a sua casa e não dá para reformar, a saída é acrescentar Metal, que é o filho da Terra no ciclo e o que devolve nitidez: branco, prata, ferragem escura, moldura fina, espelho, louça clara.

A falta da cor, por outro lado, é quase sempre a falta do par, e não do rosa. Casa em que tudo é único, uma poltrona só, um abajur só, uma xícara boa só, conta uma história de uma pessoa só, e é isso que a escola está tentando apontar quando fala da casa do Amor. O conserto não custa nada e não depende de tinta nenhuma: procure em casa um objeto que já existe em dupla e leve os dois para aquele canto.

Como usar sem pintar nada

Esta é a cor mais fácil da série para quem mora de aluguel, porque ela cabe inteira em tecido e em objeto, e tecido tem uma vantagem que parede não tem: ele volta para o armário quando você cansa. Na ordem de impacto para quem quer mudar hoje: colcha, manta jogada no braço do sofá, par de almofadas, toalha do lavabo, cúpula de abajur, quadro. Uma manta rosa empoeirada numa poltrona ocupa mais campo de visão do que qualquer pessoa imagina antes de testar.

Antes de comprar qualquer coisa, faça o inventário, que é o passo mais barato e o mais ignorado. Quase toda casa brasileira tem rosa guardado: a toalha de banho que ninguém usa, a caixa de presente, a capa de um livro, um lenço, um prato antigo da família. Junte o que aparecer em cima da cama e escolha duas peças, sempre duas, para levar ao canto mais distante à direita. Em dez minutos você descobre se a cor conversa com a luz da sua casa, e o teste não custou nada.

E fica a advertência que esta página tem obrigação de fazer, porque o mercado promete o contrário todo dia: nenhuma cor traz, salva ou conserta relação nenhuma. Não existe tom de tinta que faça alguém aparecer, ficar ou voltar, e quem afirma isso mudou de assunto sem avisar. O que a escola sustenta é bem menor e bem mais real: um canto escolhido de propósito, arrumado e com objetos em dupla é um lembrete diário de uma coisa que você decidiu. O que acontece depois disso continua sendo obra sua e de quem estiver com você.

Você sabia?

O idioma chinês entrega o lugar dessa cor na tradição de um jeito que nenhuma tabela explicaria melhor: rosa se diz fěnhóngsè, e a tradução literal é cor vermelha de pó, ou seja, vermelho empoado, vermelho com farinha dentro. Ela não é uma cor independente no vocabulário clássico, é uma diluição descrita a partir de outra. E faz sentido, porque as cinco cores fundamentais que organizavam o pensamento chinês antigo, aquelas ligadas aos cinco elementos, eram o verde-azulado, o vermelho, o amarelo, o branco e o preto. Rosa não estava na lista, do mesmo jeito que não estava o roxo nem o laranja. Quando uma loja brasileira anuncia o rosa como uma cor milenar do feng shui do amor, está vendendo algo que entrou na paleta bem depois, pela porta da escola do Chapéu Negro, no século 20 e no Ocidente. Isso não a torna menos útil. Torna a história dela mais honesta e bem mais divertida de contar.

Os três tons que costumam funcionar

rosa empoeirado

#C98A93

rosa claro

#EBCBC4

rosa queimado

#8E5A61

Toda cor muda de personalidade conforme a lâmpada do cômodo. Antes de comprar o galão, pinte um retângulo de cinquenta por cinquenta na parede de destino e olhe de manhã, à tarde e com a luz acesa.

O elemento Terra por trás desta cor

Elemento

土 Terra

Cores da família

amarelo-terroso, marrom, bege e ocre

Formas

quadrado, retângulo baixo, tudo que é largo e firme

Materiais

cerâmica, argila, pedra, tijolo, tapete grosso

Sinal de excesso

tudo fica pesado e lento, dá preguiça de sair e as decisões arrastam

Sinal de falta

falta chão: a casa parece de passagem, ninguém se sente ancorado ali

As áreas do baguá que têm esta cor na paleta

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Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

Rosa no quarto atrai um relacionamento?
Não, e este portal não vai fingir o contrário. Nenhuma cor, objeto ou arranjo de móvel faz alguém aparecer na sua vida, e todo texto que promete isso está vendendo outra coisa. O que a escola do Chapéu Negro faz é bem mais modesto: dá a um canto da casa o nome de Amor, sugere que ele seja arrumado com objetos em dupla e com a paleta de rosa, vermelho e branco, e transforma aquele metro quadrado numa lembrança visível de uma intenção sua. O que muda de fato é a sua atenção, e ela costuma bastar para outras mudanças.
Qual rosa não deixa o cômodo com cara de infantil?
O que tem cinza ou terra na composição. Rosa empoeirado, rosa queimado, terracota rosada e as cores de barro claro têm Terra de sobra e envelhecem bem numa parede. O que puxa para o infantil é o rosa doce, muito claro e muito saturado ao mesmo tempo, principalmente combinado com branco puro e com plástico brilhante. Se você quiser garantir o resultado, combine o tom escolhido com madeira crua, linho e metal escuro, que é a companhia que dá seriedade à cor sem tirar a delicadeza dela.
Meu parceiro detesta rosa. E agora?
Então use as outras duas, porque a paleta daquela casa tem três cores: rosa, vermelho e branco. Um canto em branco quente com um detalhe de terracota cumpre exatamente o mesmo papel, e ninguém precisa morar numa cor que odeia para agradar a uma tabela. Vale lembrar que o que a escola pede naquele canto não é a cor, é o arranjo: objetos em dupla, nada quebrado, nada de trabalho ou de pilha de tarefa ali, e superfície livre. Isso funciona em qualquer paleta que os dois aceitem.
Rosa combina com que cores, na lógica dos cinco elementos?
Com branco, cinza e dourado, porque a Terra gera o Metal, e essa é a dupla que a tabela sustenta com mais facilidade: é também a combinação que tira qualquer ar infantil da cor. Com vermelho e laranja funciona pela via oposta, já que o Fogo gera a Terra, e é a companhia natural dentro da própria casa do Amor. A relação de tensão é com verde em área grande, porque a Madeira fura a Terra. E com azul-escuro e preto o encontro é possível em dose pequena, com o rosa fazendo o papel de contraponto quente.

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