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Os cinco elementos no ambiente

O elemento Metal no feng shui

Você arruma a casa no domingo e na terça está tudo igual de novo, e a conclusão de sempre é que faltou disciplina. Na leitura chinesa a conclusão é outra: faltou Metal, o elemento do contorno e do lugar definido. Ele aparece em branco, cinza, prateado e dourado, em formas redondas, arco e cúpula, e em material como aço, alumínio, cobre, mármore claro, sino e moeda. Acrescentar custa zero na maioria das casas, porque a cozinha já é o cômodo mais metálico que existe.
Ordem não é estética, é o lugar para onde a coisa volta sozinha.

O que este elemento é

Na roda das cinco fases, esta é a do outono e da colheita já guardada: o momento de separar o que fica do que sai, cortar o excesso e contar o que sobrou. Daí a forma ser o círculo fechado, o arco, a cúpula, tudo que tem contorno definido e não deixa dúvida sobre onde começa e onde termina.

Dentro de casa, esse elemento faz um trabalho bem específico: ele delimita. Uma bandeja redonda transforma seis objetos soltos num conjunto; um pote com tampa transforma pacote aberto em mantimento; uma caixa branca etiquetada transforma pilha em arquivo. Nada disso é decoração, é fronteira, e fronteira é a matéria-prima daqui.

No baguá pela porta, ele rege duas casas: os Amigos protetores, no canto direito da parede da entrada, e a Criatividade, no meio da parede da direita. Vale reparar na combinação estranha e proposital: a tradição colocou junto quem aparece para te ajudar e o que você inventa, e deu aos dois o elemento do contorno, como se dissesse que ajuda e invenção também precisam de forma para existir.

Como acrescentar sem gastar

A sua cozinha é uma mina desse elemento e você não precisa comprar nada dela: panela de inox, tampa polida, bandeja, jarra de alumínio, aquele conjunto de latas redondas que ninguém usa desde a mudança. Levar uma bandeja redonda para a mesa da sala ou um pote de metal para o banheiro já muda o cômodo. É a intervenção mais barata dos cinco elementos.

Depois vêm a cor e o vazio. Branco e cinza contam, e superfície limpa conta ainda mais, porque metade do que esse elemento representa é o espaço em volta das coisas. Esvaziar uma prateleira por completo e devolver a ela apenas três objetos é uma cura de Metal, e o custo é o tempo.

Se você quiser um objeto tradicional, o mais barato é um sino pequeno ou um móbile de tubos metálicos na porta que a casa mais usa. Só que a escola não pede isso antes do básico, e o básico é dar endereço ao que está solto. Móbile pendurado sobre uma bancada entulhada é enfeite, e enfeite não organiza nada.

Os dois ciclos

Quem alimenta o Metal é a Terra: o minério se forma comprimido dentro do barro, e a escola lê isso ao pé da letra. Num cômodo, quer dizer que organização só se sustenta onde existe base, e é por isso que aquele quarto arrumado todo domingo e desarrumado toda terça costuma precisar de chão antes de precisar de caixa, ou seja, alguém habitando aquilo de verdade. Quem o Metal alimenta é a Água: metal condensa água, é a superfície fria que amanhece molhada, o copo gelado suando na mesa. Precisão gera circulação, e quando as coisas têm lugar as ideias voltam a andar.

Quem segura o Metal é o Fogo, que o derrete. É a cura do ambiente frio e cortante, bonito de foto e desconfortável de ficar: luz quente, uma manta, uma imagem de gente, uma vela. Apartamento todo branco, com bancada clara e luminária branca, não pede menos metal, pede um pouco de calor.

E quem o Metal segura é a Madeira, que ele corta. Essa é a relação mais útil para quem tem casa cheia de coisa começada: a faca poda o galho, e podar é o que devolve forma. Se o escritório virou uma selva de projeto aberto, uma caixa fechada, uma bandeja redonda e uma superfície completamente vazia fazem o trabalho que planta nenhuma vai fazer.

Excesso e falta

Com Metal demais, o ambiente fica frio e cortante, bonito de foto e desconfortável de ficar. É a cozinha inteira de inox com bancada clara e nenhum pano à vista, é a sala em que tudo está no lugar e ninguém se atreve a sentar sem alisar a almofada depois. Esse é o excesso típico de casa nova e de reforma recente, e se resolve com Fogo e um pouco de Madeira, nunca com desordem proposital.

Com Metal de menos, some a precisão: papel espalhado, nada tem lugar definido, a bagunça volta em dois dias. Repare que o sintoma não é sujeira, é reincidência, e é aí que quase todo mundo se culpa por preguiça. O problema costuma ser mais simples: cada objeto que deveria voltar para o mesmo lugar precisa que esse lugar exista.

A cura mais barata dessa falta é escolher um objeto e dar um recipiente a ele. Chave, controle remoto, carregador, óculos, tesoura, os cinco itens que toda casa perde. Uma tigela na entrada e um pote na sala fazem mais pelo cômodo do que qualquer arrumação geral de fim de semana, porque arrumação geral acaba e recipiente fica.

Você sabia?

A moeda chinesa antiga, aquela redonda com um furo quadrado no meio que aparece pendurada em fita vermelha em toda loja de artigo oriental, tem um desenho que é praticamente uma aula de cosmologia: o círculo de fora representava o céu e o quadrado de dentro representava a terra. Circular por fora e quadrado por dentro virou até expressão chinesa para descrever quem é flexível no trato e firme no princípio. O furo quadrado tinha função prática, servia para enfiar um cordão e carregar centenas de moedas amarradas de uma vez, e mesmo assim escolheram a forma que também dizia alguma coisa. Serve de resumo para este elemento inteiro: o contorno não é enfeite, é o que permite carregar.

Como reconhecer Metal num cômodo

Cores

branco, cinza, prateado e dourado

Formas

círculo, arco, cúpula, tudo que é redondo e fechado

Materiais

aço, alumínio, cobre, mármore claro, sino, moeda

Áreas do baguá

Amigos protetores e Criatividade

A posição deste elemento nos dois ciclos

Quem alimenta

Terra alimenta Metal

Quem ele alimenta

Metal alimenta Água

Quem segura

Fogo segura Metal

Quem ele segura

Metal segura Madeira

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Perguntas frequentes

Moeda antiga na carteira é uma cura de Metal?
Pela tabela, moeda é Metal, então tecnicamente sim, e é aí que a conversa costuma parar cedo demais. O que este elemento faz num espaço é delimitar, dar contorno e endereço, e uma moeda guardada dentro de uma carteira não delimita nada porque ninguém a vê nem a usa. Se a ideia é trabalhar Metal em cima do assunto dinheiro, a versão eficaz e gratuita é outra: uma pasta única para documento, um pote para a moeda solta, uma superfície vazia onde a conta é aberta. O objeto pequeno guardado no bolso é lembrança, e lembrança é uma categoria diferente de cura.
Eletrodoméstico conta como Metal?
Conta, e às vezes conta demais. Geladeira, micro-ondas, fogão de inox, máquina de lavar e coifa formam um bloco metálico grande, e é por isso que cozinha e área de serviço quase nunca precisam de mais desse elemento. Nesses cômodos o que costuma faltar é o oposto, um pano, uma peça de barro, um vaso de tempero na janela.
Dourado é Metal ou é Terra?
Na tabela de cores deste portal, dourado é Metal, junto de branco, cinza e prateado. Ele também aparece entre as cores do setor da Prosperidade, que é de Madeira, e isso não é contradição: a lista de cores de uma área do baguá carrega associação cultural além do elemento, e dourado, na China como aqui, é a cor do valor guardado. Se a dúvida for prática, use dourado quando quiser precisão e contorno, e verde quando quiser crescimento.
Sino de vento na porta é obrigatório?
Não é obrigatório em escola nenhuma, e virou quase sinônimo de feng shui no Brasil por ser fácil de vender. O princípio por trás dele é razoável: um som curto avisa que alguém entrou e marca a passagem entre a rua e a casa. Se a sua porta já range, se o cachorro late ou se você tem um tapete que marca a entrada, a função está cumprida sem gastar nada.

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