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A planta lida pelo formato da folha, antes da espécie

Palmeira-areca no feng shui: o canto grande resolvido, sem risco para gato e cachorro

Quando o problema é um canto grande e vazio numa casa com gato, cachorro ou criança pequena, a areca é quase sempre a resposta certa. Ela entrega altura, volume e movimento, a folha recortada balança com qualquer corrente de ar, e ela é uma das raras plantas de porte grande que a ASPCA classifica como não tóxica. No feng shui, folha recortada é energia que agita o que está parado, o que a indica para canto morto, entrada e sala ampla. Esta página conta de onde ela vem, por que jamais se corta o topo de uma palmeira e o que existe de verdade na história de que ela limpa o ar.
Ela enche dois metros de canto vazio e não obriga ninguém a esconder o vaso do gato.

O que ela é de verdade

É uma palmeira de Madagascar, e não do Brasil, apesar de estar em praticamente todo hall de prédio brasileiro. O nome científico traz uma descrição: lutescens quer dizer que amarela, referência ao tom amarelado dos talos e das nervuras quando a planta recebe boa luz. Ela não tem um tronco só: cresce em touceira, brotando várias hastes finas a partir da base, e é por isso que o vaso da loja sempre parece ter várias plantas dentro. Muitas vezes tem mesmo, porque os produtores semeiam várias mudas juntas para o conjunto ficar cheio mais rápido.

Existe uma característica das palmeiras que quase ninguém conhece e que evita um erro irreversível. Cada haste tem um único ponto de crescimento, chamado meristema apical, que fica no topo. Se você cortar a ponta de uma haste, aquela haste não rebrota nunca mais: ela morre inteira. Não é como uma dracena, que rebrota abaixo do corte, nem como uma peperômia, que engrossa quando podada. Numa areca, você só remove folhas velhas e hastes inteiras rente à base, e nunca decepa o alto.

Ela é também um caso curioso de sucesso comercial e fracasso ecológico ao mesmo tempo. Enquanto milhões de exemplares vivem em vasos pelo mundo inteiro, a espécie é considerada ameaçada na natureza, restrita a manchas pequenas de mata em Madagascar, pressionada por desmatamento. A planta que enche o saguão do seu prédio é, no lugar de origem, uma raridade em risco.

O que a tradição faz com ela

A leitura da escola aqui é de forma e de porte, porque a espécie é africana e não aparece em manual chinês antigo. A fronde é dividida em dezenas de folíolos finos, o que a tradição lê como energia de movimento: qualquer deslocamento de ar mexe a planta inteira, e isso é útil em canto parado, corredor largo, hall de entrada e sala grande sem circulação. Não é folha de limite, como a espada de são jorge, nem folha de assentamento, como a jade.

O porte acrescenta uma segunda camada, e é a que faz dela uma das plantas mais úteis desta família. Ela é alta e vertical, e verticalidade é assinatura do elemento Madeira, mas é uma verticalidade leve, com espaço entre as hastes e luz passando pelos folíolos. Isso permite ocupar um canto grande sem que o cômodo pareça bloqueado, o que uma planta densa da mesma altura faria. Em apartamento de quarenta e cinco metros, essa diferença é enorme.

Pelo baguá orientado pela porta de entrada, a areca combina especialmente com o canto da direita na parede da porta, a casa dos Amigos protetores, que a escola associa a quem aparece quando você precisa, a mentores e a deslocamento, e com o meio da parede da esquerda, a Família, que é de Madeira. Nos dois casos ela funciona como presença de chegada e de convívio ao mesmo tempo. Como sempre, luz primeiro, baguá para desempatar.

Onde ela vai na sua casa

Ela quer o canto mais claro que você tiver, e é a planta grande que mais tolera luz forte entre as de interior. Perto de porta de varanda, ao lado de janela grande, no fundo da varanda fechada com vidro, no canto da sala que recebe sol filtrado pela manhã: todos funcionam. Isso é uma vantagem prática relevante, porque a maioria das plantas altas de sala precisa ficar longe da luz forte e acaba disputando o mesmo canto escuro com as outras.

Pelo baguá, entre pela porta principal e reparta o cômodo em nove partes iguais: o canto da direita na parede da porta é a casa dos Amigos protetores, o meio da parede da esquerda é a Família e o canto mais distante à esquerda é a Prosperidade. Em planta de apartamento compacto, esses pontos costumam cair em cantos que hoje guardam caixa, bicicleta e cesto de roupa, e a primeira providência continua sendo esvaziar, que não custa nada. A planta vem depois.

Dois usos geométricos que ela faz melhor que as concorrentes. O primeiro é quebrar a linha reta entre a porta de entrada e uma janela ou porta do fundo, situação comum em planta corrida, sem que o ambiente fique bloqueado, porque a luz passa entre os folíolos. O segundo é dividir visualmente um espaço integrado, aquele apartamento em que sala, jantar e cozinha americana são um cômodo só: duas arecas em vasos altos fazem o papel de um divisor, custam menos que qualquer marcenaria e podem ser movidas quando você cansar.

Onde ela não vai

Sol direto e forte da tarde atrás do vidro queima os folíolos em amarelo esbranquiçado, mesmo ela sendo tolerante à luz. Varanda descoberta em cidade de verão duro é arriscado; varanda fechada com vidro exige avaliar a hora do dia. O sinal de excesso é a fronde perdendo o verde vivo e ficando amarelada por inteiro, diferente do amarelo natural das folhas mais velhas de baixo.

Evite corredor de um metro e vinte e passagem estreita entre móveis. As frondes se abrem em arco e ocupam bem mais largura do que o vaso sugere, então num corredor todo mundo passa raspando e os folíolos vão quebrando e ficando com aspecto rasgado. Como cada fronde leva meses para nascer e não se regenera de rasgo, o estrago é visível e demorado de corrigir.

E evite o ar seco constante: embaixo do ar-condicionado ou na frente da saída de ar quente de um aparelho é onde ela vira alvo do ácaro-rajado, praga que deixa os folíolos pontilhados e cheios de teia fina. Sobre dose, uma areca grande já entrega bastante Madeira ao cômodo; três plantas grandes na mesma sala pequena somam excesso, e o sinal disso na tradição é a sensação de que tudo está sempre em andamento e nada nunca se conclui.

Como manter viva, que é o que decide tudo

Mantenha a terra levemente úmida sem encharcar, o que no calor dá uma a duas regas por semana em vaso grande, e menos no inverno. Esvazie sempre o pratinho, pela raiz e pelo mosquito. Palmeiras acusam a qualidade da água na ponta da folha: cloro, flúor e acúmulo de sal de adubo produzem pontas marrons e secas. Se isso aparecer, lave a terra deixando bastante água correr pelo vaso na pia a cada dois ou três meses, reduza o adubo à metade da dose e, se puder, use água filtrada ou de chuva.

A poda tem uma regra que precisa ser levada a sério: nunca corte o topo de uma haste. Cada haste tem um único ponto de crescimento no alto, e decepá-lo mata aquela haste para sempre. O que se poda é a fronde velha, cortada rente ao talo quando já estiver amarela ou seca, e a haste inteira, cortada rente à base quando estiver feia ou fraca. Amarelar as frondes de baixo com o tempo é normal, é envelhecimento, e não sinal de problema.

Gire o vaso um quarto de volta por semana, para ela não crescer torta na direção da janela, e passe um pano úmido ou dê um banho de chuveirinho nas frondes uma vez por mês, insistindo na parte de baixo, que é onde o ácaro mora. Adube na primavera e no verão, com dose fraca, e replante a cada dois ou três anos em vaso um pouco maior, sempre pesado, de barro ou cerâmica, porque a planta é alta e o centro de gravidade fica em cima.

Você sabia?

A areca é a estrela da história mais repetida e mais mal contada sobre plantas de interior. Nos anos 1980, um estudo da NASA testou várias espécies dentro de câmaras seladas de laboratório e mediu a remoção de compostos orgânicos voláteis do ar; a areca teve bom desempenho e virou celebridade, aparecendo depois em palestras famosas sobre cultivar ar puro em escritório. O que se perdeu no caminho foi o contexto. Uma revisão publicada em 2019, que reuniu os estudos anteriores e recalculou os números para ambientes reais, com porta, janela e ar entrando e saindo, chegou à conclusão de que seria necessário algo entre dez e mil plantas por metro quadrado para chegar perto do efeito que a simples troca de ar de um prédio comum já faz sozinha. Ou seja, o resultado de laboratório é verdadeiro e a extrapolação para a sua sala não é. A areca continua sendo uma das melhores plantas grandes que existem, por ser bonita, resistente e segura para bicho, e não precisa de crachá de purificador para justificar o espaço que ocupa.

A ficha da planta

Não tóxica

A ASPCA lista a areca como não tóxica para gato e cachorro, e essa é a razão principal para escolhê-la em vez de uma dracena ou de uma costela-de-adão quando a casa tem bicho. Nenhuma parte dela é irritante ao toque, e criança que mastigar um folíolo não corre risco de intoxicação. O único cuidado é físico: é uma planta alta e o vaso precisa ser pesado o bastante para não tombar com esbarrão.

Nome científico

Dypsis lutescens

Também chamada de

areca-bambu, palmeira-bambu, areca amarela e palmeira-de-madagascar

Folha

recortada, que movimenta, agita o ar parado

Elemento

木 Madeira

Luz

Claridade forte, inclusive sol filtrado ou sol brando da manhã. É a que mais aceita luz entre as plantas grandes de interior.

Rega

Terra levemente úmida, sem encharcar. Uma a duas vezes por semana no calor, e menos no inverno, sempre esvaziando o pratinho.

Se você não achar esta, servem também

Chamaedorea (palmeira-de-salão)

Também atóxica pela ASPCA, muito mais tolerante à sombra e bem mais compacta. É a escolha para canto grande em cômodo de pouca luz.

Dracena

Mesmo tamanho e mais resistência à meia-sombra, com leitura de folha alongada em vez de recortada. A ressalva é a toxicidade para gato e cachorro.

Costela-de-adão

Ocupa o mesmo volume com folhas muito maiores e mais desenho. Precisa de tutor para subir e contém oxalato, então em casa com bicho a areca continua na frente.

As áreas do baguá que esta planta toca

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Perguntas frequentes

Palmeira-areca é tóxica para gato e cachorro?
Não. A ASPCA a lista como não tóxica para gato e cachorro, e é justamente esse o motivo de ela ser a melhor escolha de planta grande em casa com bicho. Nenhuma parte dela é irritante ao toque e criança que mastigar um folíolo não sofre intoxicação. O cuidado que sobra é físico: uma areca adulta é alta, e o vaso precisa ser pesado, de barro ou cerâmica, para não tombar com um esbarrão de cachorro grande ou com criança correndo.
As pontas das folhas estão marrons. O que é?
Nas palmeiras, ponta marrom e seca costuma somar três causas: ar seco, acúmulo de sal de adubo na terra e sensibilidade ao cloro e ao flúor da água de torneira. O tratamento é barato: lave a terra deixando bastante água correr pelo vaso na pia a cada dois ou três meses para arrastar o sal, reduza o adubo à metade da dose, use água filtrada ou de chuva se puder e aumente a umidade em volta agrupando plantas. A parte seca já formada pode ser aparada com tesoura, seguindo o formato natural.
Posso cortar a areca porque ela ficou alta demais?
Não corte o topo, em hipótese nenhuma. Cada haste da palmeira tem um único ponto de crescimento, que fica na ponta, e decepá-lo mata aquela haste de forma definitiva, porque ela não rebrota abaixo do corte como uma dracena faria. O que se pode fazer é remover hastes inteiras rente à base, escolhendo as mais altas ou as mais feias, o que reduz o volume e deixa o conjunto mais baixo. Folhas velhas amarelas também podem ser cortadas rente ao talo.
Ela vive em sala escura?
Vive por um tempo, e não é o lugar dela. A areca é a planta grande de interior que mais aproveita luz forte, inclusive sol filtrado pela manhã, e em canto escuro ela vai perdendo o verde vivo, produzindo frondes menores e ficando rala. Se o seu canto vazio não tem janela por perto, a zamioculca ou a espada de são jorge resolvem melhor. Guarde a areca para o ponto mais claro que você tiver, que é onde ela realmente se paga.
Areca purifica o ar?
A fama vem de estudos feitos em câmaras seladas de laboratório, nos quais ela realmente absorveu compostos do ar. O problema é a transposição para uma sala de verdade: uma revisão de 2019 recalculou os dados para ambientes com porta, janela e troca de ar normal e concluiu que seria preciso um número enorme de plantas por metro quadrado, na casa das dezenas a centenas, para se aproximar do efeito de abrir a janela. É informação honesta e não tira nada da planta: ela é bonita, resistente e segura para pet, o que já basta.

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