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A planta lida pelo formato da folha, antes da espécie

Bambu da sorte no feng shui: onde pôr, quantas hastes e por que ele amarela na água

Ele está em toda floricultura de shopping do país, dentro de um pote com pedrinha e água, com uma fita vermelha e um folheto explicando o que cada número de hastes significa. Vale saber três coisas antes de escolher o canto: a planta é africana e não é bambu, ela não vive de água pura para sempre, e o que a tradição chinesa de fato sustenta é bem menor do que o folheto promete, embora a parte que sobra seja curiosa. Esta página cuida da espécie: onde ela vai na sua casa pelo baguá orientado pela porta de entrada, por que ela amarela em dois meses e o que fazer para que isso não aconteça.
Aquela espiral perfeita não nasceu torta. Alguém deitou a haste e girou o vaso um pouquinho por dia, durante meses.

O que ela é de verdade

A planta é a Dracaena sanderiana, uma dracena de sub-bosque de mata africana, dos Camarões e arredores, que na natureza cresce à sombra de árvores grandes. Isso explica duas coisas de uma vez: por que ela morre de sol direto, condição que ela nunca conheceu em casa, e por que ela aceita a claridade fraca de um balcão de cozinha americana sem reclamar. Bambu de verdade é gramínea, parente do arroz e da cana, com colmo oco e nós fechados; esta aqui tem caule maciço e a semelhança para no anel que marca onde cada folha nasceu.

O detalhe que mais atrapalha a vida de quem compra é a água. A espécie tolera viver com a raiz submersa, e tolerar é diferente de precisar: na mata ela vive em terra úmida e sombreada. No pote de vidro ela sobrevive porque é resistente, não porque aquilo é o habitat dela. Água parada sem troca acumula sais, perde oxigênio e vira caldo, e é aí que aparece a mancha marrom mole na base da haste, que é o começo do fim e não tem volta depois de certo ponto.

Dracenas em geral, e esta em particular, são sensíveis ao flúor da água tratada, e esse é o dado prático mais útil desta página. O sinal é característico: a ponta da folha fica marrom seca com uma borda amarelada em volta, enquanto o resto continua verde. Deixar a água descansando de um dia para o outro resolve o cloro e não resolve o flúor, porque o flúor não evapora. Quem quer eliminar a variável usa água filtrada, mineral ou de chuva, e a diferença aparece nas folhas novas em poucas semanas.

O que a tradição faz com ela

Convém separar o que é chinês antigo do que é vitrine dos anos 1990, e a página da cura das plantas deste portal já conta como a espécie virou produto de feng shui no comércio ocidental. Aqui interessa a camada que sobra depois dessa faxina, e ela tem substância. A primeira é a leitura de forma: haste ereta, oca de aparência, subindo em segmentos, é a imagem clássica do que cresce por etapas sem quebrar, e a tradição chinesa associa isso ao bambu verdadeiro há muitos séculos, em pintura e em poesia. A planta africana herdou o simbolismo por parecença.

A segunda camada é linguística e é verificável. Na tabela de números que acompanha o pote, quase tudo é convenção de loja, com uma exceção: a recusa do número quatro. Em mandarim, o quatro, sì, soa quase igual à palavra morte, sǐ, e essa aversão é real na China, a ponto de prédios pularem o quarto andar como prédios brasileiros pulam o décimo terceiro. Então o arranjo de quatro hastes é evitado de verdade, e não por invenção comercial. Os outros números da tabela, três para uma coisa, cinco para outra, oito para outra, são associações montadas em cima da numerologia popular, agradáveis e sem lastro em texto clássico.

Nos cinco elementos, ele soma três de uma vez, e é isso que o torna útil num canto: a planta é Madeira, a água do pote é Água, e Água alimenta Madeira no ciclo de geração. Se você trocar o vidro liso por um recipiente de cerâmica ou barro, entra Terra, e a fita vermelha que vem amarrada, quando você resolve manter, entra como Fogo. Um objeto pequeno com quatro elementos é raro, e é um bom motivo para ele funcionar como lembrete num canto escolhido, que é o efeito honesto de qualquer objeto posto de propósito.

Onde ela vai na sua casa

Faça a divisão de pé e leva dez segundos. Fique do lado de fora da porta principal, entre olhando para dentro e reparta o cômodo em nove partes iguais, três por três. O canto mais distante à sua esquerda é a Prosperidade, o meio da parede da esquerda é a Família, e as duas casas são de Madeira, com verde na paleta. Um vaso ali é matéria conversando com a casa, e não enfeite sorteado. Na planta do apartamento de quarenta e cinco metros, esse canto costuma ser exatamente o pedaço atrás do sofá onde moram a caixa da compra e o cesto de roupa, o que já indica qual é a primeira providência e que ela não custa nada.

Existe um segundo endereço que combina especialmente com esta planta, e é a faixa central da parede da porta, a casa da Carreira, que é de Água. Um arranjo em água, numa casa de Água, com uma planta de Madeira que a Água alimenta, é uma daquelas coincidências de sistema que valem a pena aproveitar. Em apartamento pequeno essa faixa costuma cair no aparador da entrada ou no balcão da cozinha americana que dá de frente para a porta, e o pote pequeno cabe nos dois sem tirar espaço de ninguém.

Para o dia a dia, escolha o lugar pela luz antes de escolher pelo baguá, sempre. Claridade indireta o dia inteiro é o ideal, o que na casa brasileira significa um a dois metros para dentro de uma janela, ou a varanda fechada com vidro que não pegue sol direto. Bancada de cozinha funciona bem, com uma ressalva: longe do fogão, porque o calor seco e a gordura no ar acabam com a folha. E ponha o pote sobre um prato ou uma bandeja, não pelo simbolismo, mas porque vidro com pedra molhada mancha madeira em duas semanas.

Onde ela não vai

O parapeito ensolarado é o engano número um, e é onde quase todo mundo põe, porque é onde a água fica bonita contra a luz. Planta de sub-bosque não tem defesa contra sol direto: a folha amarela por inteiro, depois esbranquiça, e o pote de vidro ainda funciona como estufa, esquentando a água e criando alga verde nas pedras. Se o seu está na janela, mude hoje, e é a ação de dez segundos desta página.

O segundo lugar ruim é qualquer superfície que o gato usa como caminho, e aqui o motivo é duplo. A folha é tóxica se mordida, e o pote de vidro com água é um objeto instável esperando um empurrão. Estante alta não protege de gato, protege de cachorro e de criança pequena, o que já é alguma coisa. Se a casa tem gato, prefira a versão plantada em terra, num vaso pesado, num cômodo que ele não frequenta.

E tem o erro de dose, que é próprio deste produto: a pessoa gosta, ganha de presente, e em um ano tem cinco potinhos espalhados pela mesma sala. A escola não conta objeto, conta função, e cinco arranjos iguais na mesma estante somam Madeira e Água num cômodo só, o que tem sinal descrito na tradição: a sensação de que tudo está sempre começando e nada termina, com um clima úmido e parado por cima. Um arranjo bem cuidado num canto escolhido diz mais do que cinco largados. Se sobrarem, dê de presente, que é o destino natural desta planta.

Como manter viva, que é o que decide tudo

Na água, o cronograma é simples e a maioria das mortes vem de não cumpri-lo. Troque a água inteira a cada sete a quinze dias, lavando as pedrinhas em água corrente, porque o que apodrece primeiro costuma ser a matéria orgânica presa entre elas. Mantenha o nível cobrindo as raízes e uns três dedos da base, nunca mais do que isso, porque haste submersa apodrece. Use água filtrada ou mineral se puder, pelo flúor. E não use adubo comum na dose da embalagem: em água, a concentração fica alta demais e queima a raiz, então dilua para um quarto e aplique uma vez por mês, ou nem isso.

A versão em terra é mais durável e quase ninguém tenta. Se o seu arranjo já tem raízes brancas e grossas, ele pode ir para um vaso com terra boa e drenagem, e a partir dali é uma planta comum de sala: terra levemente úmida, sem encharcar, um substrato leve com um pouco de areia ou perlita. A transição funciona melhor com raiz que já esteja bem formada, e vale saber que ela dá um susto nas primeiras semanas, com uma folha ou outra amarelando enquanto as raízes de água se adaptam a respirar na terra.

Quando a base fica mole e escura, corte acima da parte podre com uma faca limpa e ponha o pedaço bom para enraizar em água nova. É a mesma técnica com que a planta é multiplicada, então uma haste estragada frequentemente rende duas boas. Folha amarela inteira, do talo até a ponta, costuma ser sol ou água velha; ponta marrom com halo amarelo costuma ser flúor; folha mole e sem cor firme costuma ser falta de luz. Três sinais, três causas diferentes, e nenhuma delas exige comprar nada.

Você sabia?

A espiral não vem assim da natureza e não é conseguida com arame. O produtor deita a haste na horizontal dentro de uma estufa e ilumina só por um lado; como todo caule cresce na direção da luz, a ponta faz a curva sozinha. Depois o vaso é girado alguns graus, a planta cresce mais um pouco, gira de novo, e assim por diante durante meses ou anos, uma volta de cada vez. Aquele arranjo em espiral perfeita que custa caro na floricultura é, literalmente, tempo e paciência transformados em forma, quase sempre em viveiros do sul da China ou de Taiwan. Depois de pronta, a curva fica: a parte já lignificada não desentorta mais. E se a sua planta em casa começou a crescer torta na direção da janela, é o mesmo fenômeno acontecendo sem supervisão, e a correção é girar o pote um quarto de volta toda semana.

A ficha da planta

Tóxica se ingerida

A ASPCA lista a espécie como tóxica para gato e cachorro: as folhas têm saponinas e a mordida costuma dar vômito, baba, falta de apetite e, em gato, pupila dilatada. Para criança, ardência na boca e enjoo se mastigar. E existe o risco que ninguém lembra, que é o pote de vidro com água derrubado por um gato curioso.

Nome científico

Dracaena sanderiana

Também chamada de

bambu chinês, bambu da fortuna, lucky bamboo e dracena-de-sander

Folha

alongada, que conduz, puxa o olhar para cima

Elemento

木 Madeira

Luz

Claridade indireta o dia inteiro. Sol direto amarela e queima a folha em poucos dias, então parapeito de janela virada para o norte é o pior lugar do apartamento.

Rega

Na água, troque tudo a cada sete a quinze dias e mantenha as raízes cobertas, nunca as hastes inteiras submersas. Na terra, mantenha úmida sem encharcar.

Se você não achar esta, servem também

Dracena de folha estreita (Dracaena marginata)

Mesma verticalidade e mesmo gênero, muito mais resistente ao esquecimento e sem depender de troca de água. Ocupa mais altura e menos bancada.

Peperômia

Se o que você quer é um vaso pequeno de bancada, ela faz o mesmo papel, é atóxica para gato e cachorro e tem folha arredondada, que a escola lê como acolhimento em vez de condução.

Um galho de qualquer planta enraizando num copo

Custo zero e a mesma leitura de Madeira crescendo dentro de Água. Costela-de-adão, jiboia e peperômia enraízam em água na cozinha de qualquer apartamento.

As áreas do baguá que esta planta toca

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Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

Bambu da sorte na água apodrece?
Apodrece quando a água não é trocada ou quando a haste fica submersa demais. A regra que resolve: água nova a cada sete a quinze dias, pedrinhas lavadas em água corrente, e o nível cobrindo só as raízes e uns três dedos da base. Se a base já está mole e escura, corte acima da parte estragada com faca limpa e ponha o pedaço bom para enraizar em água limpa, porque é assim mesmo que a planta é multiplicada. A longo prazo, o arranjo dura muito mais plantado em terra do que em vidro.
Quantas hastes eu devo ter?
As tabelas do folheto são convenção de comércio, não texto clássico, e este portal prefere dizer isso a repetir a tabela. A única regra com lastro real é a recusa do quatro: em mandarim, quatro soa quase igual a morte, e essa aversão é forte na China de verdade, do mesmo jeito que prédio brasileiro pula o décimo terceiro andar. Fora isso, escolha pelo espaço: uma haste alta num canto estreito, três num pote médio de aparador, um arranjo maior só se o móvel comportar sem apertar.
Por que as folhas ficaram amarelas?
Três causas cobrem quase todos os casos e o desenho do amarelo diz qual é. Folha inteira amarelando é sol direto ou água velha e sem oxigênio, e as duas se resolvem no mesmo dia. Ponta marrom seca com uma borda amarela em volta é sensibilidade ao flúor da água de torneira, coisa comum em dracenas, e a saída é usar água filtrada, mineral ou de chuva, porque deixar a água descansando só elimina o cloro. Folha pálida e mole, sem amarelo definido, é falta de luz, e a correção é aproximar da janela sem pôr no sol.
É tóxico para gato e cachorro?
É, e está na lista da ASPCA. As folhas contêm saponinas, e o animal que morde costuma apresentar vômito, baba excessiva, perda de apetite e, no caso dos gatos, pupila dilatada. Não é das intoxicações mais graves, mas rende consulta. Em casa com gato, some a isso o pote de vidro com água, que é um objeto fácil de derrubar. A saída prática é a versão plantada em terra, num vaso pesado, num cômodo que o bicho não frequenta.
Posso pôr no banheiro?
Pode, e ele até gosta da umidade, desde que o banheiro tenha alguma claridade. Banheiro dentro do quarto, sem janela e com a luz acesa poucos minutos por dia, é escuro demais e a planta vai definhando devagar. Se for esse o seu caso, faça rodízio: um mês no banheiro, um mês num lugar claro, que é o truque de quem cuida de planta em apartamento pequeno. E cuidado com produto de limpeza em spray perto do vaso, porque a folha lisa absorve e queima.

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