A planta lida pelo formato da folha, antes da espécie
Dracena no feng shui: o pau-d'água da sala, por que a ponta fica marrom e de onde vem o nome
Aquele tronco não cresceu no seu vaso. Ele foi serrado de uma planta adulta em outro continente, e brotou depois.
O que ela é de verdade
É uma dracena africana, natural de uma faixa enorme que vai do Sudão a Moçambique e chega à Costa do Marfim, onde cresce no interior de mata e chega a virar árvore de vários metros. O nome popular brasileiro é uma pequena ironia geográfica: chamamos de tronco-do-brasil uma planta que nunca teve nada de brasileira. No mundo de língua inglesa ela é a corn plant, planta de milho, por causa da folha comprida com uma faixa clara no meio, que lembra muito a folha do milharal.
O jeito como ela chega até você explica o formato que ela tem. Os troncos são cultivados em plantações na América Central e na África, cortados em toras de tamanhos padronizados e enviados em contêiner, e é por isso que a sua planta tem um corte reto e liso no alto do tronco e as folhas brotando logo abaixo dele. Aquela madeira grossa é um caule que já viveu outra vida, foi decepado, enraizou de novo e rebrotou. Saber disso muda a forma de olhar para o vaso da sala e resolve a dúvida de quem acha que a planta está com o topo cortado por engano.
Ela é notoriamente sensível ao flúor da água tratada, característica de dracenas em geral, e essa é a explicação para o defeito mais comum da espécie: pontas marrons secas com um halo amarelado em volta, enquanto o resto da folha continua verde. O flúor se acumula na extremidade da folha, que é onde a água termina o percurso. Deixar a água descansando de um dia para o outro elimina o cloro e não elimina o flúor, então quem quer resolver de fato usa água filtrada, mineral ou de chuva.
O que a tradição faz com ela
A leitura clássica é de forma, e aqui ela é bem clara: folha comprida, arqueada e afilada, saindo de um tronco vertical, é energia que conduz, que puxa o olhar de baixo para cima. Junte a isso a verticalidade do caule, que é uma das assinaturas do elemento Madeira, e você tem uma planta que reforça Madeira duas vezes. É por isso que a escola prefere a dracena em lugar de circulação e de chegada, entrada, corredor largo, canto de sala perto da porta, e não colada ao sofá em que as pessoas ficam paradas.
A ponta da folha é afilada, mas a folha é mole e flexível, então ela não entra na leitura de flecha secreta do mesmo jeito que a espada de são jorge. Isso dá a ela uma posição intermediária útil: presença vertical sem dureza. Em apartamento pequeno, essa é frequentemente a escolha certa, porque uma espada de são jorge grande num cômodo de dois metros impõe demais, e a dracena entrega a mesma altura com folhagem que balança.
Vale registrar o que ela não é: planta de repertório chinês antigo. Ela é africana e chegou aos vasos do mundo pelo comércio ornamental do século 20, como o bambu da sorte, que é do mesmo gênero. O que a escola usa é a geometria e o fato de ser matéria viva, e isso basta. Nenhuma promessa de resultado acompanha o vaso: o efeito honesto é o de um objeto grande e vivo ocupando um canto que estava morto, e sendo olhado por alguém toda semana.
Onde ela vai na sua casa
Ela é a planta dos cantos grandes, e é ali que rende. Aquele vão entre o sofá e a parede, o canto atrás da porta que fica sempre aberta, o pedaço de sala perto da varanda, o fim do corredor largo, a lateral da estante em que sobrou meio metro. Uma dracena de um metro e meio faz por esses lugares o que nenhum objeto de estante faz, porque ela ocupa altura, que é a dimensão que sempre sobra num apartamento e que ninguém usa.
Pelo baguá, entre pela porta principal e reparta o cômodo em nove partes. A faixa central da parede da porta é a Carreira, o meio da parede da esquerda é a Família e o canto mais distante à esquerda é a Prosperidade. As duas últimas são casas de Madeira, com verde na paleta, e uma planta alta ali é matéria conversando com a casa. A Carreira, que é de Água, também recebe bem, porque Água alimenta Madeira no ciclo de geração: a dracena na entrada é uma escolha coerente por dois caminhos diferentes.
Um uso geométrico que ela faz muito bem: quebrar a linha reta entre a porta de entrada e uma porta do fundo, ou entre a entrada e a janela da varanda, situação comum em apartamento com planta corrida. Um vaso alto de lado, sem obstruir a passagem, interrompe a corrida do olhar de uma abertura à outra e cumpre o papel de um biombo por um décimo do preço. Use vaso pesado de cerâmica ou barro, porque a planta é alta, o centro de gravidade é em cima, e o vaso plástico leve tomba com o primeiro esbarrão.
Onde ela não vai
Sol direto está fora. A folha branqueia, depois queima em manchas pardas, e não se recupera, o que é especialmente triste porque cada folha desta planta demora meses para nascer. Varanda descoberta e parapeito virado para o poente são os dois piores endereços. Se a sua varanda é fechada com vidro e pega sol da tarde, ponha a dracena no fundo dela e não junto ao vidro.
Corredor estreito de um metro e vinte é o segundo lugar ruim, e o motivo é o cotidiano. As folhas se abrem em leque, ocupam mais largura do que o vaso sugere, e num corredor apertado todo mundo passa raspando, quebrando folha e derrubando vaso. Se o seu corredor é o único canto disponível, escolha uma planta de crescimento vertical apertado, como a espada de são jorge, e deixe a dracena na sala.
Em casa com gato ou cachorro, o problema é a geometria da planta: por ser alta e de chão, as folhas de baixo ficam exatamente na altura do focinho e da mão de criança pequena. Como a ASPCA a lista como tóxica, e como o quadro descrito inclui vômito com sangue em alguns casos, vale escolher um cômodo com porta ou trocar de espécie. E vale a regra de dose de sempre: duas ou três dracenas grandes na mesma sala pequena empilham Madeira, e Madeira demais tem sinal próprio, aquela sensação de que tudo está sempre começando e nada se conclui.
Como manter viva, que é o que decide tudo
Regue quando os cinco primeiros centímetros de terra estiverem secos, o que no verão dá mais ou menos uma vez por semana e no inverno a cada duas ou três. Ela é planta de tronco grosso com reserva interna e morre muito mais por excesso do que por falta: folha amarelando na base com a terra sempre molhada e um leve cheiro azedo é raiz apodrecendo. Nunca deixe água no pratinho, tanto pela raiz quanto pelo mosquito. E use água filtrada ou de chuva se puder, pela questão do flúor.
Ponta marrom é o assunto recorrente desta planta e tem três causas que se somam: flúor da água, ar seco e adubo em excesso. As três se tratam do mesmo jeito barato: água melhor, mais umidade em volta agrupando vasos e um prato com pedrinhas e um dedo de água por baixo, e adubo pela metade da dose da embalagem. A parte marrom já formada não volta a ficar verde, e o corte na tesoura seguindo o formato natural da ponta deixa a folha apresentável de novo. Vale saber que superfosfato e alguns substratos com perlita trazem flúor de brinde, então na hora de replantar prefira terra simples com composto.
Quando ela ficar alta demais para o pé-direito, pode. Corte o tronco na altura que quiser com serrote limpo, e ela rebrota logo abaixo do corte, geralmente em dois ou três pontos, o que deixa a planta mais cheia. A parte cortada, se tiver pelo menos vinte centímetros, enraíza em água ou em terra úmida e vira um vaso novo, exatamente como fazem os produtores. Passe um pano úmido nas folhas uma vez por mês e gire o vaso um quarto de volta por semana, porque ela cresce na direção da luz e fica torta se ninguém girar.
Você sabia?
O nome do gênero vem de drakaina, o feminino de dragão em grego, e não é figura de linguagem: algumas dracenas sangram vermelho. As mais famosas são o dragoeiro das Canárias e a dracena de Socotra, no Iêmen, aquela árvore com formato de guarda-chuva invertido que aparece em toda lista de paisagens estranhas do mundo. Ferido o tronco, escorre uma resina vermelho-escura que endurece no ar e foi chamada por gregos e romanos de sangue-de-dragão, comercializada por milênios como pigmento, verniz e tinta. Ela colore madeira, dá o tom avermelhado de vernizes antigos e alimenta até hoje a lenda de que estaria na fórmula perdida dos violinos de Stradivari. A sua planta de sala não sangra vermelho, mas carrega o nome de família daquelas árvores, e a de Socotra, que pode viver séculos, está ameaçada porque as mudas novas quase não vingam mais na ilha.
A ficha da planta
A ASPCA lista a espécie como tóxica para gato e cachorro. As folhas têm saponinas, e o quadro descrito é vômito, às vezes com sangue, apatia, perda de apetite, salivação e, nos gatos, pupila dilatada. Em criança pequena, mastigar uma folha costuma dar ardência na boca e enjoo. Como ela é planta alta de chão, a folha de baixo fica bem na altura do focinho e da mão da criança, e é justamente por isso que o cuidado importa aqui.
Nome científico
Dracaena fragrans
Também chamada de
pau-d'água, tronco-do-brasil, dracena-de-milho e massangeana
Folha
alongada, que conduz, puxa o olhar para cima
Elemento
木 Madeira
Luz
Claridade indireta forte é o ideal, e ela tolera bem canto de meia-sombra. Sol direto branqueia e queima a folha.
Rega
Espere os cinco primeiros centímetros de terra secarem. No verão dá cerca de uma vez por semana, no inverno a cada duas ou três.
Se você não achar esta, servem também
Palmeira-areca
Mesma altura e mais volume, com folha recortada que se move com o ar. É atóxica para gato e cachorro pela ASPCA, o que a torna a troca certa em casa com bicho.
Espada de são jorge
Para corredor estreito, em que a dracena abre demais em leque. Ocupa menos largura, aguenta mais escuridão, e a leitura muda de condução para limite.
Zamioculca
Se o canto for muito escuro mesmo, ela é a que melhor aguenta. Fica mais baixa e mais larga, com folha arredondada, que é leitura de acolhimento em vez de condução.
As áreas do baguá que esta planta toca
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Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
Por que as pontas das folhas da minha dracena ficam marrons?
Dracena é tóxica para gato e cachorro?
Posso cortar o tronco da dracena? Ela cresceu demais.
Ela vive em canto escuro?
Pau-d'água, tronco-do-brasil e dracena são a mesma planta?
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