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A planta lida pelo formato da folha, antes da espécie

Costela-de-adão no feng shui: por que a folha tem furos, onde pôr e o cuidado com gato

A costela-de-adão virou o símbolo visual de uma década inteira de decoração, e é uma das poucas plantas famosas que merecem a fama por motivos botânicos. Ela é trepadeira de mata, e o desenho da folha, recortada e furada, resolve um problema real de sobrevivência que a ciência levou décadas para explicar. No feng shui, folha recortada é lida como energia de movimento, o que a indica para canto parado e vão morto, e a desaconselha exatamente onde metade das fotos a coloca, pendurada sobre o sofá. O outro dado que muda o endereço dela é a segurança: a seiva irrita a boca de gato, cachorro e criança pequena.
Os furos não são enfeite. São a estratégia de uma planta que precisa apanhar respingos de sol no chão da floresta.

O que ela é de verdade

É uma arácea do sul do México e da América Central, prima do antúrio, do lírio da paz e da jiboia. Na mata ela começa pequena no chão, encontra um tronco, sobe agarrada por raízes adventícias e vai crescendo em direção à luz, e as folhas mudam de forma nesse percurso: as de baixo, jovens, são inteiras e em coração, e só as adultas, mais acima, desenvolvem os recortes e os furos. Isso responde à reclamação mais comum de quem compra uma muda, porque uma costela sem furo geralmente não está doente, está jovem ou sem luz suficiente.

O nome científico traz uma informação que quase ninguém aproveita: deliciosa se refere ao fruto. A planta produz uma espiga que leva cerca de um ano para amadurecer e que, madura, tem sabor descrito como uma mistura de banana com abacaxi, sendo vendida em feiras em alguns países. O detalhe importante é que o fruto verde é carregado dos mesmos cristais de oxalato das folhas e queima a boca de quem tenta antes da hora, o que rendeu à espécie o apelido de fruta-do-diabo em algumas regiões. Em vaso de apartamento ela praticamente nunca frutifica.

Vale desfazer uma confusão brasileira comum. Muita gente chama de costela-de-adão o imbé, aquele filodendro enorme de folha recortada que cresce em praça, em muro e em jardim de prédio no Brasil inteiro, e esse é outro gênero, com folhas recortadas nas bordas mas sem os furos característicos no meio. Se a sua planta tem buracos no interior da folha, é monstera; se tem só recortes profundos vindos da borda, provavelmente é imbé.

O que a tradição faz com ela

A leitura da escola começa pelo formato, e este é um dos mais interessantes. A folha é grande, larga e cheia de vãos, o que a torna uma folha que ocupa muito espaço visual sem bloquear a passagem do olhar e do ar. A tradição lê recorte como movimento, energia que agita o que está parado, e isso indica a costela para canto morto, vão entre móveis, parede cega e o pedaço de sala que ninguém usa. Ela não é folha de limite como a espada de são jorge, nem folha de assentamento como a jade.

Há uma consideração de escala que a foto de revista sempre ignora. Uma costela-de-adão adulta ocupa um metro e meio de largura e precisa de apoio, porque é trepadeira e não arbusto. Num apartamento de quarenta e cinco metros, isso não é um vaso, é um móvel. A escola olha proporção antes de simbolismo: uma planta que obriga as pessoas a desviar toda vez que atravessam a sala está criando obstáculo, e obstáculo em circulação é justamente o que a tradição pede para remover.

Nos cinco elementos ela é Madeira em dose alta, pelo tamanho, pela folhagem e pela verticalidade da trepadeira apoiada no tutor. Isso combina bem com as duas casas de Madeira do baguá orientado pela porta, a Família e a Prosperidade, e pede moderação no resto do cômodo: se a sala já tem outras plantas grandes, uma costela é o que vai empurrar o conjunto para o excesso, cujo sinal na tradição é a sensação de que tudo está sempre começando e nada nunca termina.

Onde ela vai na sua casa

Ela precisa de dois metros quadrados de paz e de uma parede atrás. O melhor endereço no apartamento brasileiro é o canto de sala perto da varanda, onde chega claridade forte sem sol direto, com espaço para as folhas se abrirem sem que ninguém esbarre. Segundo melhor: a varanda fechada com vidro, no fundo dela, longe do vidro que pega a tarde. Em ambos os casos ela precisa de tutor, uma estaca de fibra de coco ou um bastão de madeira, porque na natureza ela sobe, e sem apoio ela desaba de lado e as folhas ficam pequenas.

Pelo baguá, entre pela porta principal e reparta o cômodo em nove partes iguais: o meio da parede da esquerda é a Família, o canto mais distante à esquerda é a Prosperidade, as duas casas de Madeira, com verde na paleta. Uma planta grande ali é matéria conversando com a casa, e não enfeite sorteado. Vale a advertência de ordem que este portal repete: se aquele canto hoje guarda caixa de mudança e cesto de roupa, a primeira providência é esvaziar, e ela não custa nada.

Existe um uso geométrico em que ela é especialmente boa: apagar quina viva de coluna no meio da sala, aquele pilar que a construtora deixou e que ninguém sabe o que fazer. A folha larga e recortada cobre a aresta e ainda deixa passar luz, que é uma combinação que planta de folha densa não oferece. E o vaso, sendo grande e alto, deve ser pesado, de barro ou cerâmica, tanto pela estabilidade quanto porque barro acrescenta Terra a um conjunto que já tem muita Madeira.

Onde ela não vai

Não pendure sobre o sofá nem sobre a cabeceira da cama, que é onde a fotografia de decoração mais gosta de pôr. As folhas são pesadas, o vaso suspenso com uma costela adulta é um problema estrutural de verdade, e a tradição desconfia de massa suspensa sobre quem fica parado, pela mesma leitura que se aplica a uma viga sobre a cama. Se você quer folhagem descendo, use uma jiboia ou uma peperômia pendente, que pesam uma fração disso.

Corredor estreito está fora pelo motivo mais banal do mundo: ela abre demais e todo mundo passa raspando, quebrando pecíolo e arrancando folha. Cada folha desta planta leva semanas para nascer e não se recupera de rasgo, então um mês de esbarrão custa caro em aparência. Passagem entre a sala e a cozinha, em apartamento com cozinha americana, é o mesmo caso.

Em casa com gato, o problema é que a folha é grande, macia, balança e fica na altura dele. O oxalato de cálcio machuca a boca de verdade, e a planta não cabe em prateleira nem em cômodo fechado quando adulta. Aqui a escolha é honesta e direta: ou ela fica num cômodo em que o bicho não entra, ou é melhor escolher outra espécie. Sol direto também está fora, porque folha de sub-bosque queima em manchas pardas que não voltam.

Como manter viva, que é o que decide tudo

Luz e apoio decidem o formato. Claridade indireta forte, a um ou dois metros de uma janela grande, é onde ela produz folha nova grande e furada; em sombra profunda ela continua viva e faz folhas pequenas e inteiras, sem recorte nenhum. O tutor não é enfeite: as raízes adventícias precisam de algo em que se agarrar para a planta entender que está subindo, e é isso que dispara o crescimento das folhas adultas. Uma estaca de fibra de coco umedecida funciona melhor que um bastão seco.

Regue quando os três a cinco primeiros centímetros de terra estiverem secos, o que no verão brasileiro costuma dar uma vez por semana e no inverno a cada dez ou quinze dias. Ela gosta de ar úmido, então agrupar plantas e usar prato com pedrinhas ajuda, e detesta pé encharcado. Folha amarelando de baixo para cima com terra sempre molhada é excesso de água; ponta marrom crocante é ar seco; folha nova pequena e sem furo é falta de luz. Um pano úmido nas folhas uma vez por mês faz diferença visível, porque a superfície é grande e junta muita poeira.

As raízes aéreas grossas que saem do caule assustam quem não conhece a planta e não devem ser cortadas por estética: guie para dentro do vaso ou para o tutor, porque elas ajudam a sustentar e a alimentar. Podar pode, e cada pedaço de caule com um nó e uma raiz aérea vira planta nova em água ou em terra úmida, em algumas semanas. Use luva ao podar, porque a seiva irrita pele sensível, e lave a tesoura depois.

Você sabia?

Os furos da folha são um dos enigmas mais divertidos da botânica tropical, e a explicação com mais apoio hoje tem a ver com caça a respingo de sol. No chão da floresta, quase toda a luz que chega vem em manchas breves e imprevisíveis que atravessam o dossel e se movem com o sol, e o que uma planta de sub-bosque precisa é aumentar a chance de estar embaixo de uma dessas manchas. Um trabalho publicado em 2013 argumentou que, distribuindo a mesma quantidade de tecido por uma área maior e cheia de vãos, a folha furada capta os respingos com mais regularidade do que uma folha inteira e compacta do mesmo custo. Outras hipóteses circulam, como deixar passar vento e chuva forte sem rasgar, e nenhuma exclui as demais. E há um detalhe ainda mais estranho: pesquisadores mostraram, nos anos 1970, que a plântula de monstera cresce na direção da sombra mais escura, e não da luz, porque no chão da mata a mancha escura é a silhueta de um tronco grande, ou seja, uma escada até o dossel. É uma planta que anda para o escuro justamente para chegar ao claro.

A ficha da planta

Irrita pele e boca

A ASPCA a lista como tóxica para gato e cachorro, e o mecanismo é irritação por cristais de oxalato de cálcio: ardência imediata na boca, baba, língua inchada e recusa de comida por algumas horas. Em criança pequena o quadro é o mesmo. A parte curiosa é que o fruto maduro da espécie é comestível e vendido em alguns mercados, enquanto o fruto verde, cheio dos mesmos cristais, queima a boca de quem tenta.

Nome científico

Monstera deliciosa

Também chamada de

monstera, banana-de-macaco, fruta-do-diabo e costela-de-adam

Folha

recortada, que movimenta, agita o ar parado

Elemento

木 Madeira

Luz

Claridade indireta forte. É de sub-bosque, então sol direto queima a folha, mas na sombra profunda ela nunca faz furos.

Rega

Quando os três a cinco primeiros centímetros de terra estiverem secos, o que costuma dar uma vez por semana no calor.

Se você não achar esta, servem também

Palmeira-areca

Ocupa o mesmo volume de canto grande, com folha recortada que se move, e é atóxica para gato e cachorro pela ASPCA. É a troca óbvia em casa com bicho.

Pacová (Philodendron martianum)

Folha larga e brilhante, mais compacta que a monstera e mais tolerante à sombra. Mesma família, então a questão do oxalato permanece igual.

Samambaia-americana

Se o que atrai é o recorte da folha e não o tamanho, ela entrega o mesmo desenho de movimento em vaso suspenso, é atóxica e custa uma fração do preço.

As áreas do baguá que esta planta toca

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Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

Por que minha costela-de-adão não tem furos?
Porque ela é jovem, está sem luz suficiente ou não tem em que subir, e frequentemente as três coisas juntas. Na natureza, as folhas de baixo são inteiras e em coração, e só as adultas, já subidas em tronco e recebendo mais luz, desenvolvem os recortes e furos. Em casa, a receita é a mesma: claridade indireta forte a um ou dois metros de uma janela grande e uma estaca de fibra de coco em que ela possa se agarrar. Com isso, as folhas novas vão saindo maiores e furadas ao longo de alguns meses.
Costela-de-adão é tóxica para gato?
A ASPCA a lista como tóxica para gato e cachorro, por conta dos cristais de oxalato de cálcio, que ferem a boca de quem mastiga: ardência imediata, baba, língua inchada e recusa de comida por algumas horas. Não afeta rim nem coração, mas é dor. O agravante é o tamanho da planta: quando adulta, ela não cabe em prateleira alta nem em cantinho fechado, e a folha grande fica bem na altura do bicho. Em casa com gato, ou ela vive num cômodo com porta, ou é melhor escolher outra espécie.
Posso cortar as raízes aéreas?
Pode, mas quase nunca é o melhor caminho. Aquelas raízes grossas que saem do caule são o mecanismo com que ela se prende e se alimenta na natureza, e cortar tudo enfraquece a planta com o tempo. O ideal é guiá-las: enfie na terra do próprio vaso ou encoste no tutor de fibra de coco, que elas se agarram sozinhas. Se alguma estiver realmente atrapalhando a circulação da casa, corte só aquela, com tesoura limpa e luva, porque a seiva irrita pele sensível.
Costela-de-adão e imbé são a mesma planta?
Não, e a confusão é comum no Brasil. A costela-de-adão é a Monstera deliciosa, com furos no interior da folha, além dos recortes vindos da borda. O imbé, também chamado de banana-de-macaco em algumas regiões, é um filodendro brasileiro de folha enorme e muito recortada nas bordas, mas sem os buracos característicos no meio, e é aquele que cresce em praça e em jardim de prédio. Os cuidados são parecidos e a questão do oxalato vale para os dois.
Dá para comer o fruto?
O fruto maduro é comestível de verdade, tem sabor descrito como mistura de banana com abacaxi e chegou a ser vendido em feiras em alguns países, o que explica o deliciosa do nome científico. O problema é o antes: o fruto leva cerca de um ano para amadurecer e, enquanto está verde, concentra os mesmos cristais de oxalato das folhas, queimando a boca de quem experimenta cedo demais. Em vaso de apartamento a planta praticamente nunca frutifica, então na prática esta é uma curiosidade e não uma receita.

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