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Os cinco elementos no ambiente

O elemento Fogo no feng shui

Toda casa tem um cômodo em que ninguém senta, mesmo sendo o mais bem iluminado de todos. Na leitura chinesa, esse cômodo costuma estar sem Fogo, o elemento do calor e da presença. Ele aparece em vermelho, laranja e magenta, em formas de ponta e triângulo, e em material como vela, lâmpada quente, couro, lã e imagem de bicho ou de gente. É o mais forte dos cinco em dose pequena e o mais cansativo em dose grande.
Calor não é temperatura, é motivo para ficar mais cinco minutos.

O que este elemento é

Entre as cinco fases, esta é a do ápice: o meio-dia, o verão, o instante em que a coisa está acontecendo com tudo. Daí a forma ser a ponta, o triângulo, o que sobe estreitando, como a chama de uma vela ou a cúpula cônica de um abajur. E daí também a lista de materiais ser a mais estranha das cinco, misturando vela e couro com retrato de gente: tudo que veio de animal, e tudo que representa um ser vivo com olhar, carrega presença, e presença é a matéria-prima deste elemento.

Num cômodo, ele faz uma coisa que nenhum outro faz: cria ponto de parada. Sala sem Fogo é sala de passagem, aquela em que a família anda de um lado para o outro e ninguém se senta sem motivo. Uma luz quente baixa, um retrato de gente que você ama, uma manta de lã no braço do sofá, e o ambiente passa a ter centro.

No baguá pela porta, esse elemento rege uma casa só, o Reconhecimento, que fica no meio da parede do fundo, de frente para a entrada, com as cores vermelho e laranja. É a área do que dizem de você quando você sai da sala, e faz todo sentido que o elemento dela seja o único que precisa ser visto para existir.

Como acrescentar sem gastar

A forma mais barata é a luz que você já paga. Trocar a lâmpada branca e fria de um canto por uma amarelada custa menos que um lanche e muda o cômodo inteiro à noite; acender um abajur de canto em vez do lustre do teto muda ainda mais e custa zero. Aquela vela de bloco esquecida na gaveta da cozinha desde o último apagão vale mais aqui do que qualquer objeto comprado para a ocasião.

Depois vem a cor, e a dose é pequena de propósito. Uma almofada vermelha, duas tigelas laranja fora do armário, a capa de um livro virada para fora, uma manta de lã dobrada. Se for pendurar imagem, a escola prefere gente e bicho a paisagem vazia, porque o que se busca aqui é companhia visível, não cenário.

Uma advertência prática, porque nenhuma regra tradicional vale um susto: vela acesa não combina com criança pequena, gato ou cortina perto. Nesses casos use luz quente e cor, que fazem o mesmo trabalho e não pedem vigilância.

Os dois ciclos

Quem alimenta o Fogo é a Madeira: sem galho, sem lenha, sem papel, a chama não tem do que viver. Traduzindo para dentro de casa, Fogo sem Madeira dura pouco, e é por isso que a sala mais aconchegante que você conhece tem as duas coisas juntas, luz quente e material vivo, e não apenas luz quente. Quem o Fogo alimenta é a Terra: a chama vira cinza e a cinza vira solo. Ou seja, calor gera pertencimento, e é assim que um cômodo com boa luz vai virando, com o tempo, o lugar onde a casa toda se reúne.

Quem segura o Fogo é a Água, que o apaga. É a cura mais direta quando o ambiente está excitado demais: azul-escuro, preto, vidro, uma superfície fria, uma cortina mais profunda. Quarto pintado de vermelho, com abajur quente e retratos por toda parte, pede exatamente isso, uma roupa de cama mais fria e um ponto de luz a menos aceso à noite.

E quem o Fogo segura é o Metal, que ele derrete. Essa é a relação mais útil para quem tem ambiente frio demais: o apartamento todo branco, cinza e prateado, bonito de foto e desconfortável de ficar, não precisa de reforma nenhuma, precisa de duas ou três coisas quentes. Uma luminária amarela, uma manta, um retrato de família. Metal derretido, na leitura chinesa, é metal que voltou a ser maleável.

Excesso e falta

Com Fogo demais, o cômodo cansa em vinte minutos, discussão pega fogo rápido e ninguém dorme direito ali. É o quarto de criança pintado de laranja com brinquedo colorido até o teto, é a cozinha com LED branco potente e nenhuma sombra em lugar nenhum, é a sala em que a televisão fica ligada como fundo o dia inteiro, porque tela é imagem em movimento e movimento conta como presença. Baixar a dose costuma ser questão de apagar uma fonte de luz e tirar duas coisas da parede.

Com Fogo de menos, o espaço fica sem graça, sem calor, e as pessoas passam por ele em vez de ficar. Reconhecer isso é fácil, é só perguntar qual cômodo da casa ninguém usa: quase sempre é o mais iluminado no teto e o mais vazio de gente nas paredes. Um abajur num canto e um retrato de família rendem mais ali do que um sofá novo.

Uma observação de dose que vale para os cinco: a escola nunca pede muito de um elemento, pede o que está faltando. Fogo em excesso é o erro mais comum de quem acabou de descobrir o assunto, porque vermelho é a cor que a internet mais associa a feng shui. Uma peça vermelha num cômodo já é bastante.

Você sabia?

O trigrama do Fogo se chama Li, e a tradução literal é algo como aderir, agarrar-se, depender de. É um nome estranho para o elemento mais espetacular dos cinco, até você lembrar que fogo não existe sozinho: ele precisa de alguma coisa para queimar e some no instante em que o que o sustenta acaba. A tradição chinesa transformou esse detalhe físico numa lição sobre reputação, e por isso pôs justamente o Fogo na casa do Reconhecimento dentro do mapa da casa. O que dizem de você depende sempre de outra pessoa estar olhando, exatamente como a chama depende da lenha, e isso não é fragilidade, é a natureza da coisa.

Como reconhecer Fogo num cômodo

Cores

vermelho, laranja e magenta

Formas

triângulo, ponta, tudo que sobe estreitando: abajur cônico, quadro com ângulos

Materiais

vela, lâmpada quente, couro, lã, imagem de bicho ou de gente

Áreas do baguá

Reconhecimento

A posição deste elemento nos dois ciclos

Quem alimenta

Madeira alimenta Fogo

Quem ele alimenta

Fogo alimenta Terra

Quem segura

Água segura Fogo

Quem ele segura

Fogo segura Metal

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Perguntas frequentes

Posso pintar uma parede inteira de vermelho?
Pode, e a escola não proíbe, só avisa do custo. Parede inteira em vermelho é uma dose enorme desse elemento e costuma cansar quem passa horas no cômodo, sobretudo em quarto e em escritório. Se a vontade é essa, prefira a parede do fundo de uma sala, que é onde cai o setor do Reconhecimento, e comece por um pedaço, um quadro grande ou uma cortina, antes de comprar tinta.
Vela é obrigatória?
Não é, e a luz elétrica quente faz o mesmo trabalho. A vela virou símbolo do elemento porque era a fonte de calor doméstico disponível quando essas regras foram escritas, e hoje um abajur com lâmpada amarela cumpre a função com mais segurança. Se você gosta de vela, acenda quando estiver no cômodo e apague ao sair, que é o mesmo conselho que qualquer bombeiro daria.
Televisão e computador contam como Fogo?
Contam, e é por isso que a conta muitas vezes já está estourada sem ninguém perceber. Tela é luz, movimento e imagem de gente ao mesmo tempo, os três sinais do elemento reunidos num objeto só. Numa sala isso pode ser bem-vindo, num quarto quase nunca é, e essa é uma das razões pelas quais a escola pede que o quarto não seja também escritório e sala de estar.
Fogo no quarto é proibido?
Proibido não, exagerado sim. Um pouco desse elemento faz falta em quarto de casal, e aparece bem em luz baixa amarelada, num tom quente na roupa de cama ou num retrato dos dois. O que a escola evita é a combinação de parede quente, muitas imagens, luz forte e telas ligadas, que é justamente o pacote que transforma um quarto num lugar onde o corpo não desce a marcha.

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