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Os objetos da tradição, separados do folclore de loja

Árvore do dinheiro: são três plantas diferentes com o mesmo apelido, e uma é brasileira

Se você digitou árvore do dinheiro, provavelmente está falando de uma destas três plantas: a do tronco trançado que se vende em vaso pequeno, a suculenta de folhinha redonda e carnuda, ou a de folhas circulares num caule fininho. Elas não são parentes, vêm de três continentes diferentes e uma delas é nativa da Amazônia brasileira. Esta página resolve a confusão de nome, diz o que a tradição chinesa de fato associa à folha redonda, explica como manter cada uma viva num apartamento de pouca luz e não promete nenhum retorno financeiro, porque planta não faz isso.

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O princípio, antes da receita

Antes do simbolismo, a identificação, porque três plantas com o mesmo apelido é receita de cuidado errado. A primeira é a Pachira aquatica, aquela de tronco trançado com folhas grandes abertas em leque, conhecida no Brasil como munguba ou castanha-do-maranhão, e ela é nativa daqui, das margens de rio da Amazônia e da América Central, onde vira uma árvore de vários metros. A segunda é a Crassula ovata, a planta jade, uma suculenta da África do Sul de folhinhas redondas, grossas e brilhantes, com caule que engrossa e vira tronco. A terceira é a Pilea peperomioides, de folhas perfeitamente circulares presas por um cabinho no meio, essa sim originária do sul da China. Três histórias, três continentes, um apelido.

O que a tradição chinesa realmente diz sobre elas é mais discreto do que o folheto. A leitura clássica não trata de espécie e sim de forma de folha, e a distinção é a que este portal já explica na página da cura das plantas: folha arredondada, carnuda e virada para cima é a que a escola põe em lugar de ficar, sala, canto de leitura, escritório, e folha em lâmina rígida é a de ponto de passagem. Todas as três candidatas a árvore do dinheiro têm folha redonda ou arredondada, e é aí, e só aí, que nasce a associação. Alguém em algum momento reparou que a folha da jade lembra uma moeda, e o resto é comércio.

Nos cinco elementos, planta é Madeira, o que cresce, e as duas casas de Madeira no baguá orientado pela porta de entrada são o meio da parede da sua esquerda, que é a Família, e o canto mais distante à esquerda, que é a Prosperidade. Só que aqui entra a regra mais honesta desta página, e ela contraria metade da internet: luz vem antes de baguá. Uma planta no canto simbolicamente correto e sem claridade nenhuma morre em três meses, e uma planta morrendo é o pior objeto que se pode ter num canto, coisa que a página da cura das plantas trata com todas as letras. Escolha primeiro onde ela vive; o canto ideal é critério de desempate.

Onde ele fica e como se usa

Identifique a sua hoje, porque o cuidado muda completamente. Se for a de tronco trançado, ela quer luz clara e indireta, gosta de um cantinho perto de janela sem sol batendo direto na folha, e o erro que mata noventa por cento delas é água demais: o nome científico tem aquatica e engana todo mundo, mas em vaso ela apodrece com facilidade se a terra ficar encharcada. Deixe a terra secar dois dedos de profundidade antes de molhar de novo. Se for a jade, o caso é o oposto: ela é suculenta, quer sol direto de umas horas por dia, sacada ou janela ensolarada, e água de verdade só quando a terra estiver seca por completo, o que no inverno pode ser a cada duas ou três semanas. Se for a de folha circular, ela quer luz clara sem sol direto e vira as folhas na direção da claridade, então gire o vaso um quarto de volta por semana para ela não ficar torta.

Depois escolha o lugar por um critério e não por dois. Pegue a planta e ande com ela pela casa procurando a claridade real, não a que você imagina que existe. O teste é gratuito: em pé no lugar pretendido, num dia claro, estenda a mão e olhe a sombra que ela faz no chão. Sombra com contorno definido é luz forte, sombra difusa e fraca é luz média, sem sombra visível é lugar de espada de são jorge e de jiboia, não de árvore do dinheiro. Feito isso, se houver mais de um ponto possível, aí sim use o baguá: o canto mais distante à esquerda, contado a partir da porta de entrada, é a casa da Prosperidade, e ela é de Madeira e tem verde e roxo na paleta.

Sobre o tronco trançado, uma orientação prática que ninguém dá. Aquele trançado é feito com várias mudinhas jovens ainda flexíveis, entrelaçadas à mão pelo produtor, e conforme os troncos engrossam eles podem começar a se apertar. Confira uma vez por ano: se um dos troncos estiver marcado, deformado ou com a casca ferida no ponto de cruzamento, é hora de afrouxar com cuidado ou aceitar que aquela haste vai secar. E se a sua planta perdeu todas as folhas de uma vez, o que é comum depois de mudança de casa, não jogue fora: pachira derruba folha por susto de ambiente e costuma rebrotar em algumas semanas, desde que a terra não esteja encharcada.

O que não fazer

Não amarre a planta a uma expectativa financeira. Não existe planta que mude renda, aprove empréstimo, feche negócio ou traga cliente, e este portal não vai flertar com essa promessa nem pelo caminho educado do talvez. O motivo de dizer isso com essa firmeza é que a árvore do dinheiro é comprada, com frequência, por gente em aperto, e vender esperança para quem está apertado é o pior negócio deste mercado. Se a sua situação é de contas, o que muda alguma coisa é a planilha, a renegociação e a conversa com quem você deve, e é honesto que uma página de feng shui diga isso.

Não siga tabela de número de folhas nem regra de moeda enterrada no vaso. Aquilo de contar folhas para saber se a planta está funcionando, de pôr moeda na terra ou de amarrar fita vermelha em dia certo é convenção de comércio recente, não aparece em manual clássico e não faz nada, além de eventualmente atrapalhar a drenagem. Também não empilhe cura sobre cura no mesmo canto: planta, cristal, moeda, gato e cachoeira artificial no mesmo metro quadrado é o retrato de quem está tentando forçar um resultado, e o efeito visual disso é de vitrine e não de casa.

E não deixe morrer por teimosia de posição. Esta é a frase mais dura da página e é a mais útil: se a planta está definhando no canto que o mapa manda, o mapa perdeu. Mude para onde ela vive. Uma jade estiolada, magra e pálida por falta de sol num canto interno diz todo dia para você que aquele pedaço da casa não está funcionando, e é exatamente o oposto do que você queria quando comprou. O princípio geral disso, com a distinção de folha e o critério de luz, está na página da cura das plantas deste portal, que é onde essa conversa começa.

O que ele faz e o que ele não faz

A verdade mais divertida desta página é geográfica. A planta que o brasileiro compra em shopping como símbolo chinês de prosperidade, a de tronco trançado, é uma árvore amazônica que cresce na beira de igarapé e chega a mais de dez metros, com uma flor branca enorme de estames compridos e uma castanha comestível dentro do fruto. Ela virou febre no Leste asiático nos anos 1980 e 1990 e voltou para cá com sotaque, vendida como se tivesse nascido em Cantão. Não é fraude de ninguém: é como as plantas circulam pelo mundo. Só é bom que o brasileiro saiba que está comprando, com sobretaxa de exotismo, uma árvore que é dele.

A segunda verdade é sobre o que o objeto vivo faz de diferente de todos os outros desta família. Diferente da moeda, do dragão e do nó, a planta responde. Ela cresce quando alguém olha para ela e murcha quando ninguém olha, e isso a torna o único item desta lista que devolve informação sobre o cuidado que aquele canto da casa está recebendo. Não é energia, é biologia, e é justamente por isso que a escola gosta tanto desse material.

A terceira é a de sempre e sustenta a família inteira: um objeto escolhido de propósito, num lugar decidido, funciona como lembrete. Se você comprou a planta no dia em que decidiu organizar as contas, regar aquela planta toda semana vai encostar em você a lembrança daquela decisão, e isso é psicologia comum, não é mágica. O que muda a sua vida financeira continua sendo o que você faz com o dinheiro. A planta fica bonita no canto e serve de marco, que já é bastante para uma coisa que custa vinte reais na feira.

Você sabia?

O tronco trançado que virou marca registrada da árvore do dinheiro não tem nada de tradicional: a versão mais repetida da história atribui a invenção a um produtor de Taiwan, na década de 1980, que teve a ideia de entrelaçar mudinhas jovens de pachira enquanto elas ainda eram flexíveis. Deu tão certo que a planta virou presente padrão de inauguração de loja em Taiwan, no Japão e depois no mundo inteiro, sempre com o mesmo trançado. Some a isso a terceira planta do apelido, a Pilea de folhas redondas, que tem uma história igualmente improvável: ela cresce em encostas do sul da China, foi levada para a Noruega por um missionário nos anos 1940, e por décadas se espalhou pela Europa exclusivamente de mão em mão, por mudas trocadas entre vizinhos, sem existir em catálogo de botânico nem em loja. Ficou conhecida como a planta do missionário e só entrou no mercado formal muito depois, quando alguém finalmente identificou a espécie que meia Escandinávia já tinha na janela.

As providências, na ordem de impacto

  1. 1Identifique qual é a sua: tronco trançado e folha grande é pachira, folhinha redonda e grossa é jade, folha circular presa no meio do cabinho é pilea. O cuidado é diferente em cada uma.
  2. 2Faça o teste da sombra no lugar em que você pretende deixá-la: sombra de contorno nítido é luz forte, sombra difusa é luz média, nenhuma sombra é lugar de outra planta.
  3. 3Enfie o dedo dois centímetros na terra antes de regar. Pachira encharcada apodrece, e jade quer a terra seca por completo entre uma rega e outra.
  4. 4Se houver mais de um ponto com luz boa, use o baguá para desempatar: o canto mais distante à esquerda, contado da porta de entrada, é a casa da Prosperidade.
  5. 5Confira uma vez por ano se o trançado do tronco está apertando alguma haste. Se houver casca ferida no cruzamento, afrouxe com cuidado.
  6. 6Se a planta está definhando no canto simbolicamente certo, mude de canto hoje. Planta morrendo é pior que canto vazio, e isso vale mais que qualquer mapa.

O elemento Madeira por trás disso

Elemento

木 Madeira

Cores

verde e azul-esverdeado

Materiais

planta viva, madeira crua, algodão, linho, papel

Sinal de excesso

a casa parece uma selva e ninguém consegue terminar nada, porque tudo está sempre começando

As áreas do baguá que este assunto toca

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Perguntas frequentes

A árvore do dinheiro atrai dinheiro?
Não, e nenhuma planta faz isso. A associação nasceu de uma leitura de forma, a folha redonda e carnuda que lembra moeda, e virou produto de comércio nas últimas décadas. Este portal não afirma que objeto nenhum interfere em renda, negócio ou empréstimo, e faz questão de dizer isso porque essa planta costuma ser comprada por quem está em aperto. O que a tradição de fato usa é a folha arredondada em lugar de ficar, e o efeito honesto é o de um lembrete de uma decisão que você tomou.
Qual das plantas é a verdadeira árvore do dinheiro?
Nenhuma e todas, porque o apelido é popular e não botânico. No Brasil ele cobre três espécies sem parentesco: a Pachira aquatica, de tronco trançado, que é nativa da Amazônia e da América Central; a Crassula ovata, a planta jade, suculenta sul-africana de folhinha redonda; e a Pilea peperomioides, de folhas circulares, essa sim do sul da China. Saber qual é a sua importa pouco para o simbolismo e muito para a rega, porque uma quer sol direto e a outra apodrece se você exagerar na água.
Onde devo colocar a planta para prosperidade?
Pela escola do Chapéu Negro, que orienta pela porta de entrada, o canto mais distante à sua esquerda é a casa da Prosperidade, e ela é de Madeira, o que combina com qualquer planta. Só que existe uma regra que vem antes: luz manda mais que mapa. Se aquele canto não tem claridade, a planta morre e você fica com o pior objeto possível ali. Escolha primeiro um lugar em que ela vive bem e use o baguá só para desempatar entre dois pontos igualmente bons.
Minha árvore do dinheiro perdeu todas as folhas. Isso é mau sinal?
É sinal de rega ou de mudança de ambiente, não de outra coisa. A pachira derruba folha quando muda de casa, de luz ou de temperatura, e costuma rebrotar em algumas semanas se a terra não estiver encharcada. Confira a drenagem, tire o pratinho cheio de água, deixe secar dois dedos de terra antes de molhar de novo e espere. Se o tronco ainda estiver firme ao apertar, ela está viva. Se estiver mole e escuro na base, aí apodreceu, e o aprendizado é sobre rega.

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