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As pedras lidas como material de ambiente

Turquesa no feng shui

A turquesa é a pedra azul-esverdeada opaca, quase sempre riscada por veios escuros da rocha em que nasceu. Pelo material ela entra na casa como Terra, e pela cor acrescenta Madeira, porque azul-esverdeado é Madeira na tabela dos cinco elementos. O que quase nenhuma loja explica é a característica que decide tudo sobre ela: turquesa é porosa. Ela absorve água, creme, perfume e a gordura natural da mão, e o azul escorrega para verde de forma permanente. Também é a pedra mais falsificada do mercado brasileiro.
É a pedra que muda de cor por causa do creme que você passa nas mãos, e ninguém avisa isso na hora da compra.

O que essa pedra é de verdade

Fosfato de alumínio e cobre é a fórmula, e cada pedaço dela conta uma parte da história. O cobre responde pelo azul, o ferro que costuma aparecer junto puxa a cor para o verde, e o alumínio entra na estrutura que segura tudo. A pedra se forma em região árida, onde a água que se infiltra pela rocha carrega esses elementos e os deposita devagar em fendas e vazios, o que explica os veios escuros que atravessam quase toda peça: aquilo é a rocha hospedeira, e não defeito.

A dureza está entre 5 e 6, o que parece confortável até você descobrir que ela não é o número que importa. O que decide o destino desta pedra é a porosidade. Turquesa é cheia de microvazios, e microvazio bebe: água, sabonete, xampu, creme de mão, perfume e o óleo natural da pele entram, ficam e mudam a cor. O azul brilhante escorrega para um verde acinzentado, e essa mudança é física, é absorção, e é irreversível. Peça antiga de família quase sempre está mais verde do que era, e isso é história e não estrago.

Por causa disso, a maior parte da turquesa do mercado é estabilizada. Estabilizar significa forçar resina ou cera para dentro dos poros sob alta pressão, selando o material e segurando a cor. É um tratamento comum, honesto quando declarado, e tem duas consequências práticas que ninguém conta na vitrine: a peça fica mais resistente ao dia a dia, e passa a ter um plástico dentro que também se degrada com solvente, com produto de limpeza e com calor. Ou seja, mesmo a turquesa tratada continua pedindo cuidado, só que por outro motivo.

O que a tradição faz com ela

O nome já é um mal-entendido cristalizado. Turquesa vem do francês pierre turquoise, pedra turca, e a pedra não é turca: ela chegava à Europa medieval pelas rotas de comércio que passavam pela Turquia, mas vinha da Pérsia, o Irã de hoje. Ficou com o nome do caminho em vez do nome da origem, o que diz bastante sobre como objetos viajam e como as histórias que contamos sobre eles se formam.

Na tradição chinesa clássica ela não é peça de casa, e é justo dizer isso antes de qualquer indicação: quem ocupa esse lugar é o jade. A turquesa é central em outras culturas, no Egito antigo e sobretudo na joalheria dos povos nativos do sudoeste dos Estados Unidos, e entrou no vocabulário do feng shui pela mesma porta que várias outras pedras, o comércio contemporâneo de cristais. Encaixá-la no sistema, porém, se faz pela regra de sempre: Terra pelo material, mais o elemento da cor.

E aqui está a parte mais interessante desta pedra, que nenhuma outra desta família permite dizer. Azul-escuro é Água na tabela dos elementos e verde é Madeira, e a turquesa vive exatamente na fronteira entre os dois, num azul que já tem verde dentro. A tabela resolve a dúvida classificando azul-esverdeado como Madeira, e o material faz jus a isso de um jeito literal: conforme a peça absorve o que encosta nela ao longo dos anos, ela caminha do azul para o verde, ou seja, da beira da Água para dentro da Madeira. Poucos objetos de casa mudam de leitura sozinhos com o tempo. Este muda, e dá para acompanhar.

Onde ela vai na sua casa

O canto da esquerda na mesma parede da porta de entrada é o endereço que faz mais sentido, e ele se chama Conhecimento na escola do Chapéu Negro. É a casa do estudo, do silêncio e da decisão que só se toma sozinho, e a paleta dela reúne azul-marinho, verde-escuro e bege, que é praticamente a descrição de uma turquesa com veios de matriz. No apartamento brasileiro esse canto costuma cair perto da porta, num aparador estreito ou na primeira prateleira da estante, e é onde mora, em geral, a chave, o óculos e o livro que ninguém termina.

Depois vem o meio da parede da esquerda, a casa da Família, que é de Madeira e recebe bem a cor. E existe um terceiro lugar coerente e pouco lembrado: o canto da direita na mesma parede da entrada, a casa dos Amigos protetores e das viagens. A associação é cultural e vale ser declarada como tal, porque a turquesa foi por séculos pedra de rota comercial e de deslocamento, do Sinai à Pérsia e daí à Europa. Se a sua casa tem uma prateleira onde ficam lembranças de viagem, ela cabe ali sem nenhuma ginástica.

Uma indicação de conservação decide o resto e vale mais que qualquer tabela: escolha um lugar seco, longe de qualquer coisa que se passe no corpo. Escrivaninha, estante de livros, prateleira alta do corredor, sim. O critério negativo é tão forte nesta pedra que a próxima seção existe quase inteira por causa dele. Se você tem uma peça montada em anel ou colar e usa todo dia, saiba que a mão e o pescoço são o ambiente mais agressivo que ela vai encontrar.

Onde ela não vai

A penteadeira é o pior endereço possível, e quase ninguém desconfia disso, porque parece o lugar natural de uma pedra bonita. É justamente ali que moram perfume, creme, hidratante, esmalte e acetona, ou seja, exatamente os líquidos que entram nos poros e mudam a cor para sempre. O mesmo vale para a prateleira do banheiro, com xampu, sabonete líquido e vapor de banho quente, que num banheiro sem janela de apartamento pequeno fica horas no ar.

Bancada de cozinha americana também sai da lista, e por um motivo que a maioria não associa a pedra nenhuma: gordura em suspensão. Quem cozinha de verdade sabe que tudo o que fica a dois metros do fogão ganha uma película pegajosa em poucas semanas, e uma pedra porosa absorve essa película em vez de acumulá-la na superfície. Some o parapeito de janela com sol forte da tarde, que resseca a peça e degrada a resina da turquesa estabilizada, deixando manchas claras e opacas.

Sobra a bolsa, e este é o erro doméstico mais comum de todos. Peça solta no fundo da bolsa, junto de chave, moeda e um creme de mão com a tampa mal fechada, reúne as três agressões numa só: risco, pancada e absorção. Se você quiser carregar, use um saquinho de tecido separado. E vale a regra de dose que atravessa toda esta escola: uma peça azul-esverdeada numa estante é presença, cinco espalhadas pela sala somam Madeira demais, e o sinal disso é a sensação de que tudo na casa está em obra e nada fica pronto.

Como cuidar sem estragar

Pano seco e macio, e é só isso. Turquesa não lava, não vai ao sal e não entra em limpeza por ultrassom. A razão é a mesma de sempre nesta página: os poros. Água entra e não sai inteira, o sal ainda por cima puxa umidade do ar e a mantém em contato por muito mais tempo, e em peça estabilizada os dois atacam também a resina que segura a cor. Para sujeira mais teimosa, um pincel macio de maquiagem tira o pó das reentrâncias sem esfregar nada.

Quem usa como joia tem uma regra prática que resolve metade do problema: a peça é a última coisa a entrar e a primeira a sair. Perfume, creme e protetor primeiro, pedra depois, e ao voltar para casa ela sai antes do banho. Guarde separado, num saquinho de tecido, longe de quartzo e de ágata, que são mais duros e riscam. Longe também da fonte de calor, o que inclui o parapeito ensolarado e o topo da geladeira.

E existe o cuidado que ninguém pensa em chamar de cuidado: saber o que você tem. Boa parte do que se vende como turquesa no Brasil é howlita tingida, uma pedra branca de veios cinzentos que absorve corante com facilidade e sai por poucos reais. Ela marca 3,5 na escala de dureza contra 5 a 6 da turquesa, então risca com a ponta de uma agulha de aço. E o teste do corante é simples: um cotonete com um pouco de acetona, passado num ponto escondido da peça, sai azulado se aquilo for tingido. Não é vergonha nenhuma ter howlita. É vergonha pagar preço de turquesa por ela.

Você sabia?

As minas mais antigas de turquesa que se conhecem ficam no Sinai, no Egito, e a principal delas, Serabit el-Khadim, era explorada desde por volta de 2800 antes de Cristo. No alto do platô, olhando para as galerias, os egípcios construíram um templo para Hathor, que ali era chamada de Senhora da Turquesa. Só que a descoberta mais importante do lugar não é mineral. Em 1905, o arqueólogo Flinders Petrie encontrou nas paredes e nas peças daquele sítio um punhado de inscrições estranhas, feitas por trabalhadores e não por escribas do faraó, hoje chamadas de proto-sinaíticas e datadas por volta de 1850 antes de Cristo. Elas são a mais antiga evidência de escrita alfabética que temos, o ponto de partida do qual descendem, em última instância, todos os alfabetos, inclusive as letras desta frase. Ou seja, o alfabeto que você está lendo agora nasceu, ao que tudo indica, dentro de uma mina de turquesa.

Água, sal e sol, com o motivo mineral

Água

Não

Sal

Não

Sol

Com ressalva

Ela não é impermeável: os poros bebem água, creme, perfume e óleo da pele, e o azul vira verde sem volta. Calor e sol forte ressecam a peça e degradam a resina que quase toda turquesa do mercado tem por dentro.

Ver a tabela com as 23 pedras

A ficha da pedra

Composição

fosfato de alumínio e cobre, cheio de poros

Dureza (escala Mohs)

5 a 6, mas a porosidade importa mais que a dureza

Cor

azul-esverdeado opaco, muitas vezes com veios escuros de rocha

Elemento pelo material

Terra, como toda pedra

Elemento pela cor

Madeira

Materiais da mesma família

planta viva, madeira crua, algodão, linho, papel

O elemento Madeira nos dois ciclos

Elemento da cor

木 Madeira

Quem alimenta

Água alimenta Madeira

Quem ele alimenta

Madeira alimenta Fogo

Quem segura

Metal segura Madeira

Quem ele segura

Madeira segura Terra

Sinal de excesso

a casa parece uma selva e ninguém consegue terminar nada, porque tudo está sempre começando

As áreas do baguá em que ela se encaixa

Se você não achou esta pedra

  • Amazonita

    Um feldspato azul-esverdeado, de dureza 6, bem mais resistente ao dia a dia porque não é porosa como a turquesa. Entrega a mesma leitura de cor por uma fração do preço.

  • Turquesa estabilizada, comprada como tal

    É a maioria do mercado e não tem nada de errado quando o vendedor declara o tratamento. Segura a cor por muito mais tempo, e o cuidado passa a ser com solvente e calor em vez de com absorção.

  • Howlita tingida, sabendo que é howlita

    Barata, leve e bonita, serve perfeitamente como objeto azul-esverdeado de estante. O problema nunca foi a pedra, foi ela ser vendida com outro nome e outro preço.

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Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

Minha turquesa ficou verde. Estragou?
Não estragou, e não é sinal de coisa nenhuma: ela absorveu. A pedra é porosa, e água, creme, perfume, sabonete e o óleo natural da pele entram nos microvazios e alteram a cor de azul para verde. A mudança é física e não tem volta caseira. Peça antiga de família quase sempre está mais verde do que no dia em que foi comprada, e há quem prefira exatamente esse tom. Se você quiser segurar a cor da que ainda está azul, mantenha longe do banheiro, da penteadeira e da bolsa.
Como saber se é turquesa ou howlita tingida?
Comece pelo preço e pela cor, porque howlita tingida costuma ser barata e ter azul uniforme demais, com os veios pretos ou cinzentos formando uma teia muito regular. Depois vem a dureza: howlita marca 3,5 e risca com a ponta de uma agulha de aço, enquanto turquesa está entre 5 e 6 e resiste. E existe o teste do corante, que é o mais direto: passe um cotonete com um pouco de acetona num ponto escondido da peça; se sair azul no algodão, aquilo é tingido.
Posso lavar ou pôr no sal?
Nenhum dos dois. Água entra nos poros e não sai por completo, alterando a cor, e o sal é pior porque puxa umidade do ar e prolonga o contato por horas. Em peça estabilizada, que é a maioria do mercado, os dois ainda atacam a resina forçada nos poros para segurar a cor. Pano seco de microfibra e pincel macio resolvem toda a limpeza que essa pedra precisa. Se você quiser um gesto de recomeço, mude a peça de lugar e arrume o canto onde ela está.
Em que parte da casa ela fica melhor?
Pela escola do Chapéu Negro, que orienta o baguá pela porta de entrada, o melhor endereço é o canto da esquerda na mesma parede da porta, a casa do Conhecimento, cuja paleta de azul-marinho, verde-escuro e bege é quase a descrição de uma turquesa com matriz. O meio da parede da esquerda, a casa da Família, também recebe bem, porque é de Madeira. E vale sempre o critério de conservação, que aqui manda mais que a tabela: lugar seco, longe do banheiro, da cozinha e de tudo o que se passa no corpo.

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