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As pedras lidas como material de ambiente

Citrino no feng shui

O citrino é o quartzo amarelo, e a informação que muda a conversa inteira é esta: mais de oitenta por cento do que se vende no mundo com esse nome é ametista brasileira que passou por um forno. O tratamento é antigo, legítimo e declarado no comércio sério, e não faz da pedra uma farsa. No feng shui o amarelo pertence à Terra, o elemento do centro, do que assenta e do que sustenta, e é daí que sai o endereço certo dele na casa, que não é o canto que toda loja indica.
O amarelo mais vendido do planeta saiu de uma pedra roxa que entrou num forno no Rio Grande do Sul.

O que essa pedra é de verdade

Na origem é quartzo com ferro, igual à ametista, e a diferença está em como esse ferro se arranja. Quando a pedra roxa é aquecida entre uns quatrocentos e cinquenta e quinhentos e sessenta graus, o arranjo que produzia o roxo se desfaz e o ferro se reorganiza numa configuração que devolve amarelo e laranja. A mudança é permanente e estável no uso normal, e o comércio sério informa o tratamento, que é obrigatório declarar. Nada disso é escândalo: é a mesma lógica de aquecer barro para virar cerâmica.

O citrino natural existe e é raro, e ele é pálido, cor de limão fraco, quase tímido. Já a peça tratada tem uma assinatura visual que qualquer pessoa aprende em dez segundos: laranja forte, às vezes puxando para o avermelhado, com a base opaca e esbranquiçada de onde ela foi arrancada da geoda, e a cor mais concentrada nas pontas. Se você tem em casa uma drusa de pontinhas laranja vivo com fundo branco leitoso, saiba que ela foi roxa antes, e provavelmente veio do sul do Brasil.

Do ponto de vista de resistência é quartzo puro: dureza 7, risca vidro, não dissolve, não oxida e não se importa com poeira. Existe também citrino tingido no mercado mais barato, principalmente em conta de pulseira, com cor viva e uniforme demais, e o teste caseiro é o mesmo de sempre, um pano branco levemente úmido esfregado num canto escondido. Uma última tradução de vitrine: citrino madeira é nome comercial de um tom mais escuro e amarronzado, não é outra pedra.

O que a tradição faz com ela

A fama de pedra do comerciante e de pedra do dinheiro é do varejo contemporâneo de cristais, e chegou junto com um pacote inteiro: a árvore de arame com pedrinhas coladas, o geodo enorme na porta da loja, o cofrinho de resina. Nos manuais chineses clássicos essa pedra não aparece, e nenhuma escola tradicional trabalha com ela. Isso não a desqualifica, só põe a etiqueta certa: é costume recente de comércio, e é bom saber disso antes de pagar por uma peça pelo motivo errado.

A leitura que a escola do baguá sustenta é outra, e é mais interessante. Amarelo terroso, ocre e marrom são a família da Terra, o elemento do centro, daquilo que assenta e dá chão. Terra em falta tem uma descrição bem específica na tradição: a casa parece de passagem, ninguém se sente ancorado ali, é o apartamento em que a pessoa mora há três anos e ainda não pendurou nada na parede. Uma peça de pedra amarela em cima da mesa em que a casa come acrescenta exatamente esse material, e vale reparar que o tom altera a leitura: quanto mais mel e ocre, mais Terra; quanto mais dourado e brilhante, mais perto do Metal.

E fica a nota que contraria a vitrine: no baguá orientado pela porta, o canto mais distante à esquerda, o da Prosperidade, é casa de Madeira, e no ciclo de controle a Madeira é o que fura a Terra. Ou seja, no canto em que toda loja manda pôr o citrino, ele é justamente o elemento que a casa consome, e não o que a alimenta. Não é proibição nem desastre, é só incoerência com a tabela que a própria escola usa. O lugar dele é outro, e a próxima seção diz qual.

Onde ela vai na sua casa

O miolo do cômodo é o endereço mais coerente. No baguá pela porta, o centro é a casa da Saúde, o ponto para onde tudo converge, e ela é de Terra. Em apartamento de quarenta e cinco metros esse miolo quase sempre é a mesa de jantar, ou a bancada que divide a cozinha americana da sala, que é onde a casa realmente come, paga conta e conversa. Uma peça amarela no centro dessa mesa é material somando material, e ainda tem a vantagem de estar no lugar por onde todo mundo passa.

O segundo endereço é a parede do fundo, de frente para a porta, que é a casa do Reconhecimento, de Fogo. Como no ciclo de geração o Fogo vira cinza e faz a Terra, uma pedra de Terra ali é a que está sendo alimentada, e essa é a parede que qualquer visita vê primeiro ao entrar. O terceiro é o canto da esquerda na parede da porta, o Conhecimento, também de Terra, que é o canto do estudo e da decisão tomada sozinho.

Duas notas práticas. Peça grande de citrino é objeto de chão ou de móvel firme, e drusa aberta é excelente para prateleira, com uma luz quente por perto em vez da luz da janela. E existe a versão gratuita desta página, que quase ninguém tenta antes de comprar: se o que falta no cômodo é Terra, uma tigela de barro, uma travessa de cerâmica ocre ou uma toalha de mesa bege fazem o mesmo trabalho de elemento, custam nada e já podem estar dentro do seu armário. Compre a pedra porque você gostou dela, não porque acredita que falta pedra.

Onde ela não vai

Longe da janela, e aqui mora a ironia desta página. A pedra que o comércio vende com nome de sol é uma das que menos convivem com ele: o amarelo também vem de um centro de cor, e a luz ultravioleta vai desmanchando esse arranjo até a peça empalidecer. O comércio considera o tratamento estável para uso normal, e uso normal não inclui um ano inteiro de parapeito virado para o poente. Se você quer exibir a peça, ponha uma luminária quente a meio metro dela e resolva o assunto de noite.

Calor forte é o segundo cuidado, e ele é específico deste caso. A cor veio de forno, então mais calor pode mexer nela de novo: fogão, forno, cima da geladeira, prateleira colada no boiler. Um lugar arejado e sem fonte de calor mantém o tom que você comprou. E o terceiro item da lista não é sobre a pedra, é sobre o pacote em que ela costuma vir: árvore de arame com pedrinhas coladas em resina é decoração, e vale tratar como decoração, sem cerimônia e sem culpa.

Sobra a dose. Como esta é uma pedra de Terra, ela satura rápido em cômodo que já tem tapete grosso, cerâmica, tijolo aparente e parede bege, e o excesso de Terra tem descrição própria na tradição, tudo fica pesado e lento e a decisão arrasta. Em quarto pequeno, uma peça basta. E vale o mesmo aviso do resto do corpus: pedra bruta com quina viva não é objeto de mesa de cabeceira nem de estante baixa em casa com criança que corre.

Como cuidar sem estragar

Água morna corrente e pano macio resolvem, porque quartzo tem dureza 7 e não dissolve. Duas ressalvas: nada de choque de temperatura, que racha ponta fina, e nada de detergente concentrado ou produto pesado, que atacam a cola e a base de madeira de peça montada. Se a sua peça tem cor muito viva e uniforme e você desconfia de tingimento, faça o teste do pano branco úmido antes de qualquer lavagem.

Poeira sai com pincel macio nas pontinhas de drusa e com pano seco de microfibra na peça polida. Uma vez por mês encerra a manutenção. Peça grande apoiada em móvel merece feltro por baixo, tanto para não riscar a madeira quanto para não deslizar.

Sal grosso fica na coluna do cuidado: ele não dissolve a pedra, mas cristaliza dentro de microfissura e vai alargando a fenda com o tempo, além de comer base colada, prata e latão. Se a peça é rolada, inteira e sem montagem, uma noite no sal não destrói nada; se tem trinca visível ou base colada, não vale o risco. E a regra de posição, que é de graça e vale mais que todas as outras: longe do sol e longe de fonte de calor, esta pedra atravessa décadas exatamente como você a comprou.

Você sabia?

Existe uma pedra que resolve sozinha o mistério do citrino, e ela é boliviana: a ametrina, um cristal único em que metade é roxa e metade é amarela, com a linha de divisão visível a olho nu. Ela se forma quando parte do cristal recebeu mais calor natural que a outra dentro da própria rocha, e é a prova, num objeto só, de que ametista e citrino são a mesma coisa em dois estados diferentes. Vale guardar essa imagem na próxima vez que alguém apresentar as duas como pedras de personalidades opostas, uma da calma e outra do dinheiro. É o mesmo mineral com o mesmo ferro, separado apenas por temperatura. A maior parte do amarelo que circula no mundo, aliás, faz esse caminho dentro de fornos brasileiros, com matéria prima das geodas do Rio Grande do Sul: o Brasil exporta roxo e importa de volta a fama do dourado.

Água, sal e sol, com o motivo mineral

Água

Pode

Sal

Com ressalva

Sol

Não

Água morna pode, porque é quartzo. Sol não, porque a cor amarela também é um centro de cor e a luz forte vai apagando. Calor intenso mexe de novo no tom, então longe do fogão e do forno, e sal só com ressalva.

Ver a tabela com as 23 pedras

A ficha da pedra

Composição

quartzo amarelo, e mais de oitenta por cento do mercado é ametista aquecida em forno

Dureza (escala Mohs)

7

Cor

amarelo dourado a mel

Elemento pelo material

Terra, como toda pedra

Elemento pela cor

Terra

Materiais da mesma família

cerâmica, argila, pedra, tijolo, tapete grosso

O elemento Terra nos dois ciclos

Elemento da cor

土 Terra

Quem alimenta

Fogo alimenta Terra

Quem ele alimenta

Terra alimenta Metal

Quem segura

Madeira segura Terra

Quem ele segura

Terra segura Água

Sinal de excesso

tudo fica pesado e lento, dá preguiça de sair e as decisões arrastam

As áreas do baguá em que ela se encaixa

Se você não achou esta pedra

  • Olho de tigre

    Marrom dourado com brilho de seda, também da família da Terra e com uma vantagem clara: a cor é estável e não empalidece com a luz, então ele pode ficar em lugar claro.

  • Barro e cerâmica ocre

    Uma tigela de barro, uma travessa de cerâmica ou um pilão de pedra entregam Terra pelo material e pela cor, custam pouco e provavelmente já estão no seu armário.

  • Jaspe amarelo

    Opaco, mostarda, duro como o quartzo e bem mais barato que uma drusa grande. Não desbota como o citrino e aceita água morna sem problema.

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Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

Como sei se o meu citrino é natural ou ametista aquecida?
Olhe a cor e a base. O citrino natural é pálido, cor de limão fraco, e costuma ter tom parelho. O tratado é laranja forte, às vezes puxando para o avermelhado, com a cor concentrada nas pontas e uma base opaca e esbranquiçada, que é o pedaço de onde a peça foi separada da geoda. Se o que você tem é uma drusa de pontinhas laranja vivo com fundo branco leitoso, é ametista aquecida com altíssima probabilidade. Isso não desvaloriza a peça, e o vendedor sério informa o tratamento sem que você precise perguntar.
Citrino atrai dinheiro?
Não, e este portal não faz esse tipo de afirmação. A fama de pedra do comerciante nasceu no varejo contemporâneo de cristais, não na escola chinesa clássica. O que dá para dizer com honestidade é que amarelo pertence à família da Terra, o elemento do centro e do que assenta, e que ambientes com pouca Terra são aqueles em que ninguém se sente ancorado. Uma peça escolhida de propósito na mesa em que você resolve as suas contas serve de lembrete visível de uma decisão sua. O trabalho continua sendo seu, e a conta também.
Pode deixar no sol para avivar a cor?
Faz o contrário do que você espera. A luz ultravioleta desfaz aos poucos o arranjo interno que produz o amarelo, então o sol empalidece em vez de avivar. Como a cor da maioria das peças veio de forno, calor forte também pode mexer no tom de novo, o que tira fogão, forno e cima de geladeira da lista de lugares possíveis. Para exibir a peça sem prejuízo, escolha um canto interno e ponha uma luminária de luz quente por perto. O brilho aparece à noite e a cor fica.
Então onde eu ponho o citrino, se não é no canto do dinheiro?
No miolo do cômodo, que é a casa da Saúde no baguá pela porta e é de Terra, ou na parede do fundo de frente para a entrada, que é a do Reconhecimento e é de Fogo, elemento que alimenta a Terra no ciclo. Em apartamento pequeno isso quase sempre quer dizer a mesa de jantar ou a bancada da cozinha americana. O canto mais distante à esquerda, que é o que a loja indica, é casa de Madeira, e a Madeira fura a Terra: não é tragédia, é só incoerência com a tabela da própria escola.

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