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As pedras lidas como material de ambiente

Selenita no feng shui

Se você só puder guardar uma informação sobre a selenita, guarde esta: ela dissolve em água. Não é força de expressão, é solubilidade medida, e quem lava a torre da estante debaixo da torneira está literalmente gastando a peça. Pelo material ela é Terra, como toda pedra, e pela cor branca acrescenta Metal, o elemento do contorno e da definição. Nesta página estão a mineralogia que explica esse ponto fraco, o único lugar da casa em que ela rende de verdade e a razão pela qual o teto do seu escritório é feito exatamente do mesmo material.
A pedra mais delicada da estante é a mesma coisa que sustenta o forro da sua sala.

O que essa pedra é de verdade

Gesso é o nome curto e ele já entrega o enredo. A fórmula reúne cálcio, enxofre, oxigênio e duas moléculas de água presas dentro da estrutura do cristal, e essa água não é umidade de fora: é parte da identidade do mineral. Aqueça o material e ele solta a água, virando pó, que é o gesso de obra que se compra em saco. Acrescente água a esse pó e ele recupera a estrutura e endurece de novo, que é como se faz o molde do dentista, a parede de drywall e a estatueta de jardim. Ou seja, o ciclo inteiro dessa pedra gira em torno de ganhar e perder água, e é isso que explica por que ela não sobrevive a um banho.

Na escala Mohs ela ocupa a posição 2, e não por acaso: o gesso é o padrão que define esse degrau da escala. Traduzindo para a bancada da sua cozinha, a unha risca, a chave risca, o anel risca, e uma peça guardada na mesma gaveta que outras pedras sai de lá arranhada em uma semana. É de longe a pedra mais frágil que se vende em loja de shopping, e quase ninguém avisa.

O nome homenageia Selene, a deusa grega da lua, por causa do brilho perolado que corre pela superfície quando a luz atravessa as estrias. Vale um detalhe que separa quem sabe de quem repete: a maior parte das torres e das placas vendidas por aí é, tecnicamente, a variedade fibrosa do gesso, chamada espato acetinado, aquela com aparência de seda escovada no comprimento. A selenita estrita é a variedade transparente e tabular. As duas são o mesmo mineral, então tudo o que está escrito aqui vale para as duas, e agora você entende por que a etiqueta às vezes muda de nome sem mudar de pedra.

O que a tradição faz com ela

Nenhum tratado chinês antigo cita esta pedra, e é honesto abrir com isso. O repertório clássico da escola trabalha com jade, bronze, espelho, sino e bambu, materiais que existiam à mão naquele contexto. A entrada da selenita no assunto veio pelo comércio ocidental de cristais das últimas décadas, junto com a torre de mesa, a placa redonda e o bastão. Isso não desqualifica nada, só situa a origem, e situar a origem é o que permite avaliar o que a peça faz.

Dentro do sistema dos cinco elementos ela se encaixa pela cor, e branco pertence ao Metal. Metal é o elemento do que define, do que separa uma coisa da outra, do que tem contorno. A tradição descreve a falta dele num cômodo de um jeito bem reconhecível: nada ali tem borda, tudo escorrega para a superfície mais próxima e a prateleira vira um amontoado sem começo nem fim. As casas de Metal no baguá pela porta são o canto da direita na mesma parede da entrada, a dos Amigos protetores, e o meio da parede da direita, a da Criatividade.

Existe uma característica que nenhuma outra pedra comum desta família tem, e ela vale mais que qualquer simbolismo: a selenita é translúcida e conduz luz pelo comprimento das fibras. Uma peça com uma lâmpada atrás acende inteira, como se estivesse iluminada por dentro. Isso é ótica pura, dá para conferir hoje à noite, e é o argumento mais forte para escolher onde ela vai ficar. Sobre a placa vendida para apoiar outros cristais, a resposta honesta é dupla: a ideia vem daquele mesmo comércio contemporâneo e não do feng shui, e do ponto de vista prático é uma péssima escolha, porque tudo o que for apoiado ali risca a superfície.

Onde ela vai na sua casa

Comece eliminando: ela só mora onde é seco. Isso corta banheiro, cozinha e área de serviço de uma vez, e sobra a parte da casa em que a peça realmente aparece. A estante da sala, a prateleira alta do corredor, a mesa de estudo, o aparador do quarto que fica longe do banheiro da suíte. Num apartamento de quarenta e cinco metros com cozinha americana, a regra prática é distância do fogão e da pia, porque vapor de panela chega mais longe do que se imagina.

O melhor uso é com luz, e ele é de graça se você já tem um abajur. Ponha a peça na frente ou ao lado de uma fonte de luz baixa e amarelada, na altura dos olhos de quem está sentado, e ela deixa de ser um enfeite branco para virar o ponto mais claro daquele canto ao anoitecer. Em estante com fita de LED, encoste a torre na lateral iluminada. Em quem não tem nada disso, o parapeito interno da janela funciona durante o dia, e aqui vem uma vantagem rara: sol direto não estraga esta pedra, porque não existe cor para desbotar.

Pelo baguá orientado pela porta de entrada, as duas casas de Metal são as mais coerentes. Fique de fora da porta, entre, e divida o cômodo em nove: o canto da direita na mesma parede da porta é a dos Amigos protetores, e o meio da parede da direita é a da Criatividade. O canto da esquerda na parede da porta, o Conhecimento, também recebe bem, dessa vez pelo material, que é Terra em qualquer pedra. A escola tradicional poria essas casas a Noroeste e a Oeste pela bússola; quando as duas divergem sobre a planta, este portal segue a da porta e avisa que está seguindo.

Onde ela não vai

Banheiro está fora, sem exceção e sem meio termo, e a suíte com banheiro dentro do quarto, tão comum em apartamento novo, torna o quarto inteiro suspeito quando a porta vive aberta. Banho quente duas vezes por dia enche o ar de vapor, o vapor condensa na superfície fria da pedra e a corrosão começa pela base, que é onde ninguém olha. A peça fica áspera, perde o acetinado e cria uma crosta esbranquiçada que parece poeira e não sai com pano.

O segundo endereço errado é o chão, e este quase ninguém escreve. Torre alta apoiada no piso, ao lado do sofá ou no canto do quarto, encontra o pano molhado da faxina toda semana. O gesso puxa água por capilaridade, a base incha, esfarela e vai virando pó branco que gruda no rodapé. Se você gosta da peça no chão, apoie sobre uma base de madeira ou de cerâmica que a levante uns dois dedos, e avise quem passa pano.

Completam a lista a varanda fechada com vidro, que junta condensação no inverno, o parapeito que toma chuva de vento, a prateleira ao lado de um vaso que é regado toda semana e a gaveta compartilhada com outras pedras. Nesta última o estrago é diferente: com dureza 2, ela é riscada por absolutamente tudo, inclusive por um quartzo tumbado inocente rolando ao lado. Guarde separada, embrulhada em pano macio, ou não guarde, deixe à vista, que é para isso que ela serve.

Como cuidar sem estragar

Pano seco de microfibra e pincel macio de maquiagem para as frestas entre as fibras. Essa é a rotina inteira, e ela vale para o resto da vida da peça. Nada de água corrente, nada de deixar de molho, nada de pano úmido, nada de borrifar, nada de sal grosso. O sal merece uma linha própria porque acumula os dois problemas: ele é higroscópico, ou seja, puxa umidade do ar e mantém a superfície molhada por muito mais tempo do que uma lavada rápida faria, e ainda por cima a pedra é solúvel de saída.

Se já aconteceu, e acontece com muita gente que seguiu a instrução da loja, o procedimento é secar na hora com pano macio, incluindo a base, e deixar arejando longe do banheiro por um ou dois dias. A parte difícil é a verdade: a superfície corroída não volta. Aquele brilho perolado depende das fibras estarem inteiras, e a água come justamente a ponta delas. A peça continua sendo o que era, só que fosca, e passa a ser um lembrete bem concreto de por que este portal insiste em explicar a razão mineral de cada regra.

Duas notas finais de manuseio. Segure pelo corpo e não pela ponta, porque uma torre fina lasca no comprimento com pouca força, e evite anel e relógio na mão que pega a peça. Em cidade litorânea ou em apartamento que fica úmido no inverno, uma caixa fechada com um saquinho de sílica daqueles de caixa de sapato resolve por dois reais, e é o mesmo recurso que museu usa em vitrine de mineral delicado. Para quem quiser ver de onde vem a fama dela, os maiores cristais de gesso já encontrados estão em Naica, no México, e chegam a doze metros.

Você sabia?

O sertão de Pernambuco produz cerca de noventa e cinco por cento de todo o gesso do Brasil, numa faixa de cidades que ficou conhecida como polo gesseiro do Araripe: Araripina, Trindade, Ipubi, Ouricuri e Bodocó. São mais de quinhentas empresas em cima de um minério que a literatura técnica classifica entre os melhores do mundo, com concentração de sulfato chegando a noventa e cinco por cento e impureza que raramente passa de meio por cento. Isso quer dizer que o forro rebaixado da sua sala, a parede de drywall do escritório e o molde que o dentista usou para copiar os seus dentes saíram, quase com certeza, daquele pedaço de caatinga. E aí vem a ironia que fecha a página: a torre de selenita que você comprou na loja de cristais provavelmente foi extraída e lapidada no Marrocos, que é a origem da maioria das peças vendidas no varejo. O mesmo mineral, dois destinos, e o Brasil exportando gesso para obra enquanto importa gesso para estante.

Água, sal e sol, com o motivo mineral

Água

Não

Sal

Não

Sol

Pode

Ela dissolve em água, cerca de dois gramas por litro, e contato prolongado corrói a superfície, apaga o brilho e deixa a peça leitosa e áspera. Sal é pior ainda, porque puxa umidade do ar. Sol não faz mal nenhum, já que não existe cor para perder.

Ver a tabela com as 23 pedras

A ficha da pedra

Composição

gesso, sulfato de cálcio com água na própria estrutura

Dureza (escala Mohs)

2, você risca com a unha

Cor

branco perolado, translúcido, com estrias que correm no comprimento

Elemento pelo material

Terra, como toda pedra

Elemento pela cor

Metal

Materiais da mesma família

aço, alumínio, cobre, mármore claro, sino, moeda

O elemento Metal nos dois ciclos

Elemento da cor

金 Metal

Quem alimenta

Terra alimenta Metal

Quem ele alimenta

Metal alimenta Água

Quem segura

Fogo segura Metal

Quem ele segura

Metal segura Madeira

Sinal de excesso

o ambiente fica frio e cortante, bonito de foto e desconfortável de ficar

As áreas do baguá em que ela se encaixa

Se você não achou esta pedra

  • Quartzo branco

    Mesma leitura de Metal pela cor, com dureza 7 no lugar de 2, então lava, não risca com a unha e aguenta banheiro e cozinha sem reclamar. É a troca óbvia para quem quer branco num cômodo úmido.

  • Howlita

    Branca com veios cinzentos, bonita e barata, com dois avisos honestos: também é mole, por volta de 3,5, e é a pedra mais usada para tingir e vender como turquesa, então a peça azul da feira quase sempre é howlita pintada.

  • Uma peça branca de cerâmica ou porcelana

    A escola lê material, não etiqueta. Uma tigela branca, um castiçal de porcelana ou um vaso claro acrescentam Metal ao cômodo com a mesma coerência, e sobrevivem à faxina.

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Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

Selenita pode ir na água?
Não, e este é o caso mais claro de toda a família. Ela é solúvel, cerca de dois gramas por litro, então o contato com água corrói a superfície de verdade, apaga o brilho perolado e deixa a peça leitosa e áspera. Não é uma regra simbólica nem uma precaução exagerada: é o mesmo mineral que vira massa quando você acrescenta água ao gesso de obra. Pano seco e pincel macio dão conta de qualquer sujeira, e é a única limpeza que ela precisa a vida inteira.
É verdade que selenita limpa e carrega outros cristais?
Essa ideia vem do comércio contemporâneo de cristais, não do feng shui, e este portal não afirma que uma pedra faz alguma coisa com outra. Existe ainda um problema prático que a loja não menciona: com dureza 2, a selenita é riscada por praticamente todo mineral que você apoiar em cima dela, inclusive por um quartzo tumbado. Ou seja, a placa vendida para esse fim se estraga cumprindo a função que prometeram para ela. Se você gosta do objeto, use como bandeja decorativa, com as pedras sobre um pano.
Minha selenita ficou áspera e sem brilho. Tem conserto?
Não tem, e é melhor saber logo. O brilho acetinado depende das fibras estarem intactas na superfície, e água, umidade constante ou sal corroem justamente a ponta delas. A peça continua inteira e continua sendo gesso, apenas ficou fosca. O que dá para fazer daqui em diante é tirar do lugar úmido, secar bem, apoiar sobre uma base que a levante do móvel e limpar só com pano seco. Se a base esfarelou, encoste em outra peça ou apoie sobre um prato, porque o pó branco continua saindo.
Selenita e gesso são a mesma coisa?
São, e entender isso resolve todas as outras dúvidas. O mineral é sulfato de cálcio com duas moléculas de água presas na estrutura. Quando a indústria aquece a pedra, essa água sai e sobra o pó que se compra em saco; quando você acrescenta água a esse pó, ele recupera a estrutura e endurece, virando forro, drywall ou molde. A pedra da sua estante é a matéria-prima, o teto da sua sala é o produto, e a fragilidade dela em contato com água é consequência direta desse ciclo.

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