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As pedras lidas como material de ambiente

Celestita no feng shui

A celestita é a drusa mais delicada da estante e a mais fácil de estragar por descuido, porque tudo o que a torna bonita também a torna vulnerável: o azul pálido desbota, as pontas lascam e a peça bruta acumula pó nos vãos. No feng shui ela entra como Terra pelo material e como Água pela cor azul, o elemento da casa da Carreira no baguá orientado pela porta de entrada. Vale saber de onde vem o estrôncio dela antes de qualquer outra coisa: é o mesmo metal que faz o vermelho dos fogos de artifício.
O azul dela é o único da estante que some com um verão de sol.

O que essa pedra é de verdade

É sulfato de estrôncio, e o estrôncio é um metal que quase ninguém conhece pelo nome mas todo mundo já viu queimar: ele é o responsável pelo vermelho intenso dos fogos de artifício e dos sinalizadores de emergência. A celestita é a principal fonte industrial dele no mundo, com produção concentrada no Irã, no México, na Turquia e na China. Ou seja, a mesma pedra azul da sua estante abastece a indústria pirotécnica.

O azul não tem explicação totalmente fechada na mineralogia, o que já é curioso: ele é atribuído a defeitos de cor na estrutura, provavelmente relacionados a irradiação natural, do mesmo modo geral da ametista e da fluorita. E traz o mesmo problema prático dessas duas: o que se formou por radiação se desfaz por radiação, e a do sol chega de graça na janela todos os dias. Por ser um azul muito claro, o desbotamento aparece mais rápido, porque não há reserva de cor para disfarçar a perda.

A fragilidade é dupla. Dureza entre 3 e 3,5 significa que qualquer coisa de metal risca a superfície, e clivagem fácil significa que as pontas se soltam com pouco choque. Some a isso o formato típico de venda, uma geoda aberta cheia de cristais em pé, e você tem o objeto de estante mais vulnerável desta lista, porque as pontas ficam expostas para cima. Ela não é pedra para casa com criança pequena ou gato.

O que a tradição faz com ela

Esta pedra não aparece nos manuais clássicos chineses, e chegou ao assunto pelo comércio ocidental de cristais no século 20. A leitura dela dentro do sistema segue a regra declarada desta família: o material lê como Terra, a cor lê pela paleta do baguá orientado pela porta.

O azul cai na família da Água, e a Água ocupa a casa da Carreira, que fica na faixa do meio da parede em que você entra. Vale registrar uma nuance de escola, porque ela existe: o azul-escuro é o azul canônico da Água na paleta do baguá, e o azul-claro é lido por parte da literatura como uma versão mais suave da mesma família, e por outra parte como cor de céu ligada ao ar e à expansão, que não é categoria dos cinco elementos chineses. Este portal segue a família da Água, por coerência com o resto do corpus, e declara a divergência em vez de fingir que ela não existe.

A tradição ocidental costuma associar essa pedra a serenidade e a comunicação, muito por causa do nome celeste, e aqui isso fica como costume, sem promessa. Nenhuma drusa muda conversa, ansiedade ou carreira. O que um objeto escolhido de propósito faz é ficar visível no lugar em que você combinou alguma coisa consigo mesmo.

Onde ela vai na sua casa

Comece pela casa da Carreira. De pé do lado de fora da porta principal, entre olhando para dentro e divida o que você vê em nove partes, três por três. A faixa do meio da parede em que você acabou de entrar é ela. Em apartamento pequeno, isso costuma ser o hall de um metro, o aparador das chaves ou a parede lateral do sofá.

O lugar físico manda mais que o canto aqui, e a regra é uma só: prateleira interna, sem sol, sem circulação de mão e sem risco de esbarrão. Estante fechada com vidro é o melhor endereço possível para essa pedra, porque protege das três coisas que a destroem, luz, poeira e toque. Se a estante for aberta, escolha a prateleira mais alta que você ainda enxergue de perto, longe da beirada.

Um detalhe de apresentação vale mais que a escolha do canto: celestita rende muito com luz quente e baixa apontada de lado, que faz as pontas acenderem sem submeter a peça a ultravioleta nenhum. Uma luminária de mesa a meio metro entrega todo o brilho que a janela entregaria, sem o preço de perder a cor em dois verões.

Onde ela não vai

Janela está fora, e nesta pedra a proibição é ainda mais dura do que na ametista. O azul dela é claro, então o desbotamento não tem margem para passar despercebido: um verão brasileiro de sol batendo no peitoril entrega uma drusa branca. Vidro comum de janela não protege, porque corta parte do ultravioleta e deixa passar o resto.

Banheiro e cozinha estão fora por umidade e por produto. Sulfato de estrôncio é pouco solúvel em água, mas as peças brutas têm inúmeras fissuras entre os cristais, e ali a umidade se instala, deposita mineral e vai soltando ponta. Beira de pia, bancada de banheiro e prateleira do box são os piores endereços possíveis.

Cabeceira de cama está fora pelo motivo mecânico e não pelo simbólico: é uma placa cheia de pontas vivas a um palmo da orelha de quem dorme, o que a escola chama de flecha secreta e que qualquer um entende sem teoria nenhuma. E fica a proibição direta: celestita não entra em água que alguém vai beber. É sulfato de estrôncio, muita peça vem com base colada e resina, e não existe motivo para pôr pedra em copo. Sobre dose, azul em quantidade é Água em quantidade, e Água demais deixa o ambiente frio, onde nada fixa e tudo escorre.

Como cuidar sem estragar

Pincel macio de maquiagem, e essa é a única ferramenta que essa pedra realmente aceita. Drusa acumula pó no fundo dos vãos entre os cristais, o pano não chega lá e ainda engancha nas pontas, e o pincel resolve os dois problemas. Uma vez por mês, sem pressa e sem apoiar peso.

Água está proibida, e o motivo é mais mecânico do que químico. Ela não se dissolve como a selenita, mas as fissuras entre os cristais retêm líquido por muito tempo, e a peça continua úmida por dentro horas depois de parecer seca por fora. Isso solta ponta, deixa marca esbranquiçada de mineral depositado e, se houver base colada, descola a base. Nada de água corrente, nada de molho, nada de pano encharcado.

Existe um truque de aspirador que funciona bem em drusa e que vale para essa pedra mais do que para qualquer outra: prenda uma meia fina com elástico no bocal e passe por cima sem encostar. A meia deixa o ar passar, retém a sujeira e impede que qualquer ponta solta suma dentro do aparelho. Sal está fora pelos motivos de sempre, umidade retida e cristalização dentro das fendas. Sol está fora pela cor. E se a peça já desbotou, é honesto dizer: não volta.

Você sabia?

A maior geoda do mundo é de celestita e cabe uma pessoa em pé dentro dela. Fica em Put-in-Bay, uma ilha no lago Erie, em Ohio, nos Estados Unidos, e tem cerca de nove metros de diâmetro, com cristais de até quarenta e cinco centímetros no teto. Ela foi descoberta em 1897 por um fazendeiro que cavava um poço, virou mina comercial por um tempo, com os cristais sendo extraídos para fabricar tinta de fogo de artifício, e depois foi aberta à visitação. Hoje é um sítio geológico nacional, e os visitantes descem por escada até dentro do que já foi uma bolha de gás numa rocha de trezentos milhões de anos. É a única geoda do planeta que se visita por dentro, e o teto dela é feito exatamente da mesma pedra que cabe na palma da sua mão.

Água, sal e sol, com o motivo mineral

Água

Não

Sal

Não

Sol

Não

Frágil e com clivagem fácil, ela lasca com pouco choque. O azul claro é dos que mais desbotam no sol, e uma drusa esquecida na janela sai branca de um verão brasileiro.

Ver a tabela com as 23 pedras

A ficha da pedra

Composição

sulfato de estrôncio

Dureza (escala Mohs)

3 a 3,5, marca com a ponta de uma chave

Cor

azul-céu pálido, quase transparente nas pontas

Elemento pelo material

Terra, como toda pedra

Elemento pela cor

Água

Materiais da mesma família

espelho, vidro, fonte, aquário, tecido brilhante

O elemento Água nos dois ciclos

Elemento da cor

水 Água

Quem alimenta

Metal alimenta Água

Quem ele alimenta

Água alimenta Madeira

Quem segura

Terra segura Água

Quem ele segura

Água segura Fogo

Sinal de excesso

vira lugar de dispersão, a pessoa entra para fazer uma coisa e sai duas horas depois sem ter feito

As áreas do baguá em que ela se encaixa

Se você não achou esta pedra

  • Sodalita

    Azul bem mais profundo, dureza 6, aguenta manuseio e água rápida. Entra na mesma casa do baguá com muito menos risco, e custa pouco.

  • Água-marinha

    Azul claro parecido, dureza 7,5 e nenhuma fragilidade de ponta. É bem mais cara, e é o caminho de quem quer exatamente esse tom numa peça para a vida toda.

  • Um vidro azul-claro que você já tem

    Um vaso, uma garrafa ou uma taça colorida entregam a mesma cor na mesma casa do baguá, ocupam mais campo de visão e não desbotam nunca.

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Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

Celestita pode tomar sol?
Não, e essa é a proibição mais importante da página. O azul dela é claro, então não existe reserva de cor para disfarçar a perda: uma drusa esquecida num peitoril ensolarado sai branca de um único verão brasileiro. O mecanismo é o mesmo da ametista e da fluorita, a luz ultravioleta desfaz os defeitos de cor que produzem o azul. Vidro de janela não protege. Prateleira interna, com uma luminária quente de lado se você quiser ver as pontas brilharem.
Posso lavar a minha drusa de celestita?
Não. O problema aqui é mais mecânico que químico: as fissuras entre os cristais retêm líquido por muito tempo, e a peça continua úmida por dentro horas depois de parecer seca. Isso solta ponta, deixa marca esbranquiçada de mineral depositado e descola a base, quando a peça tem base colada. Use pincel macio de maquiagem, que é a única ferramenta que alcança o fundo dos vãos sem enganchar nas pontas.
Celestita e angelita são a mesma coisa?
São primas químicas, e a confusão é comum na loja. As duas são sulfatos: a celestita é sulfato de estrôncio e a angelita é anidrita, sulfato de cálcio sem água. A diferença visível é o formato, a celestita quase sempre aparece como drusa de cristais azuis em pé dentro de uma geoda, enquanto a angelita é maciça, opaca e azul-acinzentada, geralmente vendida polida. Os cuidados também divergem: a angelita estufa e racha ao molhar, e a celestita solta ponta.
Onde a celestita vai na casa?
Na casa da Carreira, que fica na faixa do meio da parede em que você entra e é a casa de Água no baguá orientado pela porta. Existe uma nuance de escola que vale saber: o azul canônico da Água é o escuro, e o azul claro é lido por parte da literatura como versão suave da mesma família e por outra parte como cor ligada a céu e expansão. Este portal segue a família da Água. Mais importante que o canto é o lugar físico, prateleira interna e longe de mão.

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