Checklist por objetivo
Feng shui para o trabalho
Ninguém rende olhando por cima do ombro, mesmo quando não tem ninguém para olhar.
Por que a casa entra nisso
Trabalhar é passar horas na mesma posição, e posição é justamente o que essa escola sabe ler. Não importa se o seu escritório é uma sala inteira ou trinta centímetros de uma mesa que também é de jantar: o que a tradição observa é para onde a sua cadeira está virada, o que existe atrás das suas costas e quanto espaço sobra na frente dos seus olhos. É por isso que o mesmo notebook pesa diferente na varanda envidraçada e no canto do corredor.
No baguá, o mapa de nove áreas que a escola sobrepõe à planta contando a partir da parede da porta, dois setores puxam esse assunto, e vale muito não confundir os dois. A Carreira é a faixa central da parede da entrada, elemento Água, cores preto e azul-escuro, e rege rumo, percurso e a pergunta sobre o que fazer da vida. O Reconhecimento é o meio da parede do fundo, de frente para a porta, elemento Fogo, cores vermelho e laranja, e rege o que dizem de você quando você sai da sala. Trabalhar bem e ser visto trabalhando bem nunca foram o mesmo problema, e quem trata os dois como um só costuma cuidar demais de um e de menos do outro.
A regra de ouro
Posição de comando é o nome da parte conhecida, e ela pede parede sólida atrás da cadeira e a porta no campo de visão, sem que você fique na linha reta dela. A parte esquecida é a terceira, e é a que este portal insiste: precisa sobrar vazio na frente. A imagem clássica é a de um assento no alto de uma encosta, com apoio firme às costas, o vale aberto adiante e a entrada do vale à vista.
Esse vazio à frente tem nome, Ming Tang, o salão luminoso, e no escritório real ele é a diferença entre encarar uma parede a vinte centímetros do nariz e ter algum fôlego de cômodo pela frente. Repare que é a única das três condições que não depende da planta do imóvel: você conquista o Ming Tang tirando coisa de cima da mesa, não mudando de casa. Num apartamento de quarenta e cinco metros quadrados, girar a mesa noventa graus costuma resolver as três de uma vez.
O checklist, na ordem de impacto
1Ponha uma parede atrás das costas
Antes de qualquer outra coisa, veja o que fica nas suas costas quando você senta. Parede cheia é o ideal, janela é o caso mais comum e se resolve baixando a persiana na altura do encosto ou usando uma cadeira de encosto alto que você já tem em casa. Corredor de passagem atrás é o pior dos três arranjos, e é justamente o que mais aparece em quem trabalha na sala.
2Enxergue a porta da sua cadeira
Sentado, você precisa ver quem entra sem girar o tronco. A escola pede a diagonal: nem de costas, nem alinhado em linha reta com a entrada. Em sala pequena, deslocar a mesa meio metro para o lado costuma bastar para sair da reta e ganhar a vista, e o custo é desconectar dois cabos.
3Sem saída, use um espelho pequeno
Tem mesa que só cabe de um jeito, de costas para a porta, e a tradição tem um plano B antigo para isso: qualquer superfície que devolva a entrada ao seu olho. Serve espelho de bolsa apoiado na base do monitor, a lateral polida de um porta-lápis ou a tampa de uma lata. A intenção não é vigiar o corredor, é encerrar a pergunta que o corpo fica fazendo sozinho a cada passo que ouve.
4Deixe um vazio na frente
Empurre para os lados o que ocupa a faixa logo à frente do teclado: xícara, caixa de papel, monitor extra, tudo que forma uma muralha a um palmo do nariz. É o Ming Tang da sua mesa, e é o item que mais muda a sensação de trabalhar sem custar um centavo. Leva trinta segundos e vale refazer toda segunda-feira.
5Arrume o que aparece na câmera
Quem faz chamada de vídeo tem uma segunda parede de trabalho, a que fica atrás da tela e que só as outras pessoas veem. Vale ali o mesmo princípio das suas costas: nada de pilha, nada de porta de armário escancarada, nada de fio pendurado. Uma parede limpa com um objeto só rende mais que qualquer fundo virtual, e é de graça.
6Invente o seu fim de expediente
Quem trabalha em casa não tem portaria, elevador nem trajeto de volta, então o corpo nunca recebe o aviso de que acabou. A saída é fabricar o trajeto que sumiu: uma volta no quarteirão, um banho, trocar de roupa, lavar o rosto, apagar a luz da mesa e acender outra do outro lado da sala. São cinco minutos que fazem o trabalho parar de jantar com você.
7Zere a pilha de papel
Papel acumulado é o sintoma clássico de falta do elemento Metal, o da precisão e do lugar definido, e o efeito prático é que a bagunça volta a cada dois dias. Escolha uma pasta, um envelope ou uma caixa de sapato e dê endereço ao que está solto. Depois reserve quinze minutos numa sexta por mês para repetir, porque é a repetição que faz diferença, não a arrumação heroica.
8Cuide da luz antes do móvel
Antes de comprar qualquer coisa, limpe o vidro da janela e abra a cortina: é a intervenção mais barata que existe e a que mais gente pula. Para o fim da tarde, quando a vista já cansou, uma luminária apontada para o papel e não para a tela resolve, e a lâmpada tirada de outro cômodo serve. Luz do teto sozinha achata o ambiente e endurece o rosto de todo mundo na chamada de vídeo.
9Saia de baixo do armário suspenso
Seis horas por dia embaixo de uma viga aparente, de um armário de parede ou de uma prateleira carregada é peso permanente no alto da cabeça. Mover a cadeira alguns palmos costuma bastar. Quando a mesa não anda, tire dali o que é pesado e deixe em cima apenas o que é leve, que já é meio caminho andado.
10Marque a faixa da Carreira
Na faixa central da parede da porta, seja a da casa ou a do próprio cômodo, mora o setor da Carreira, de elemento Água, que a escola trabalha com preto, azul-escuro e linhas onduladas. Uma pasta azul-marinho à vista, um porta-lápis preto, um capacho escuro, e acabou. Isso não convoca oportunidade nenhuma, e não é isso que se está dizendo: é você escolhendo o que vê na entrada do lugar onde trabalha.
11Cuide da parede do fundo
A parede oposta à porta é o setor do Reconhecimento, de elemento Fogo, e é onde a tradição sugere pôr o que fala por você: um diploma, a foto de um trabalho que deu certo, uma peça que você mesmo fez. Um objeto só, com espaço em volta, diz mais que uma parede coberta. E vale a honestidade: quem pendura isso ali não fica mais visível no mercado, fica mais lembrado da própria trajetória, que é outra coisa e é bem mais útil num dia ruim.
O erro que quase todo mundo comete
Boa parte das pessoas não erra a posição da mesa, erra por não usar mesa nenhuma. O notebook vai para o colo no sofá, depois para a cama, depois para a beirada da bancada enquanto o arroz cozinha, e a mesa arrumada fica intacta feito enfeite. Nenhuma regra desta página funciona no sofá, e não é implicância: sem apoio nas costas, sem altura de tela e sem vazio à frente, o corpo trabalha torto e cobra a diferença às cinco da tarde. Se você só consegue trabalhar no sofá, comece por uma coisa: use a mesa nas duas primeiras horas do dia e observe o que muda.
O outro tropeço aparece em quem já ouviu falar de posição de comando e a entendeu pela metade, virando a mesa para a porta e sentando exatamente na linha dela, de frente. Não é isso: quem fica no eixo da porta recebe o corredor inteiro na cara, o movimento de todo mundo que passa e a corrente de ar. A escola pede a diagonal, com a entrada no campo de visão e o corpo fora da reta.
Você sabia?
Ming Tang, o nome que a tradição dá ao espaço vazio na frente de onde você senta, não nasceu no feng shui: era o salão cerimonial dos reis da China antiga, o lugar em que o soberano realizava os ritos e recebia o calendário do ano. Quando os geomantes começaram a descrever terrenos, tomaram o termo emprestado para nomear a clareira aberta diante de uma construção, o espaço onde o chi se junta antes de entrar. Ou seja, a tradição se preocupava tanto com o vazio à frente quanto com a montanha atrás, e a internet só decorou a metade de trás. É uma pena, porque a metade esquecida é justamente a que você resolve hoje, tirando três objetos de cima da mesa.
As áreas do baguá que tocam este assunto
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Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
Trabalho num escritório de empresa e não escolho onde sento. Dá para fazer alguma coisa?
Sentar de frente para a janela é ruim?
Qual a diferença entre a área da Carreira e a do Reconhecimento?
Se eu não acredito em energia, ainda faz sentido seguir isso?
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