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Realeza

O mapa astral de Napoleão II

Filho de Napoleão Bonaparte, ele nasceu Rei de Roma, foi imperador nominal por duas semanas aos quatro anos e nunca governou um único dia. Criado na corte austríaca como Duque de Reichstadt, morreu aos 21 anos, e a posteridade o transformou na Aguiazinha, o herói da peça L'Aiglon. É o mapa de uma das biografias mais melancólicas da história europeia.

Nascimento: 20 de março de 1811, às 09:20, em Paris, França. Fonte do horário: Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/napoleao-ii-de-franca/), nota A - Reportagem.

A hora de nascimento vem de reportagem de época, um dado considerado bom pelos padrões históricos: o nascimento do herdeiro de Napoleão foi um evento público anunciado a Paris inteira. Ainda assim, casas e Ascendente dependem do minuto exato e carregam a margem de erro natural de 1811.

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A geometria real do céu de 20/03/1811

O céu em números

  • Sol28°52' Peixes · casa 11
  • Lua0°37' Aquário · casa 9
  • Ascendente17°01' Gêmeos · casa 1
  • Meio do Céu14°37' Aquário · casa 10
  • Mercúrio10°07' Peixes · casa 10
  • Vênus12°35' Aquário · casa 9
  • Marte4°37' Sagitário · casa 6
  • Júpiter27°22' Touro · casa 12
  • Saturno26°26' Sagitário · casa 7
  • Uranoretrógrado18°34' Escorpião · casa 6
  • Netunoretrógrado11°11' Sagitário · casa 6
  • Plutão16°54' Peixes · casa 11
  • Quíron24°01' Aquário · casa 10
  • Lilith21°48' Leão · casa 4

Sol, Lua, Ascendente e o elenco

o império que se dissolve

Sol em Peixes, casa 11

Herdar um trono que evapora antes de ser ocupado: a vida dele coube nessa frase, e o Sol do mapa fica nos últimos graus de Peixes, o signo da dissolução, na casa 11, a dos projetos de futuro. O império do pai era exatamente isso no céu dele, um projeto herdado que se desfazia como maré baixando. O Sol mostra a essência, e a dele foi ser a promessa de algo que o mundo decidiu desfazer.

a saudade de um lugar que não viu

Lua em Aquário, casa 9

Levado de Paris ainda na primeira infância, cresceu na Áustria sonhando com uma França da qual não tinha quase memória. A Lua dele, em Aquário no grau zero, mora na casa 9, a das terras estrangeiras: um coração que viveu a vida inteira em solo alheio, alimentado por relatos e retratos do pai. Poucas Luas contam com tanta clareza a história de alguém emocionalmente exilado desde criança.

o menino de dois nomes

Ascendente em Gêmeos

Em Paris ele era Napoléon; em Viena, chamaram-no Franz. Duas línguas, duas cortes, duas identidades para uma criança só, e o Ascendente do mapa é Gêmeos, precisamente o signo do duplo. A porta de entrada da vida dele foi essa duplicidade sem escolha: filho da França e neto da Áustria, príncipe dos dois lados de uma guerra que o partiu ao meio.

o soldado possível

Marte em Sagitário, casa 6

Do pai, herdou a vocação militar, e foi o único pedaço do destino imperial que pôde exercer: fez carreira no exército austríaco e chegou a comandar um batalhão. Marte em Sagitário na casa 6, a do serviço, resume essa versão contida do guerreiro: a energia de um Bonaparte posta a serviço de uma rotina de quartel, exercícios e paradas, nunca de uma campanha própria.

O que o mundo vê, e onde isso mora no mapa

O imperador de duas semanas

Sol nos últimos graus de Peixes, o signo do que se desfaz

Quando Napoleão abdicou pela segunda vez, em 1815, o menino de quatro anos foi proclamado imperador dos franceses, e o título durou cerca de duas semanas, de 22 de junho a 7 de julho, sem que ele governasse um só dia. Um Sol no penúltimo grau de Peixes, na beira exata da dissolução, é o eco astrológico dessa coroa de névoa: existiu, tem data nos livros, e ninguém jamais a segurou.

O trono decidido pelos outros

0% do mapa em signos cardinais, os de tomar a iniciativa

O mapa dele tem um dado raríssimo: nenhum ponto em signos cardinais, os que dão a partida. E a biografia rima de um jeito quase cruel, porque todas as grandes decisões da vida dele foram tomadas por terceiros: o Congresso de Viena decidiu seu país, o avô imperador decidiu sua criação, a diplomacia decidiu seus títulos. Ao homem, restaram os signos fixos e mutáveis: aguentar e adaptar-se. É o céu de quem viveu um destino administrado.

A ferida no lugar da carreira

Quíron na casa 10, a casa da vida pública, com o Meio do Céu em Aquário

No topo do mapa dele, onde ficam a carreira e a imagem pública, mora Quíron, o ponto que a astrologia chama de ferida mestra. Não há imagem melhor para o Duque de Reichstadt: a vida pública dele era exatamente a ferida, um título austríaco no lugar de um império francês, a lembrança diária do que não pôde ser. O batalhão que comandou foi o máximo que essa casa 10 machucada entregou.

A Aguiazinha

Ascendente em Gêmeos, o signo dos contadores de histórias

O mundo o conhece menos pela vida e mais pela lenda: L'Aiglon, a Aguiazinha, apelido póstumo consagrado pela peça que Edmond Rostand escreveu sobre ele em 1900, quase setenta anos depois de sua morte. Com o Ascendente em Gêmeos, o signo da narrativa, faz sentido que a porta de entrada dele na memória coletiva tenha sido uma história contada por outro: ele virou personagem, o destino mais geminiano que existe.

A volta para casa em 1940

Lua em Aquário na casa 9, o coração em terra estrangeira

Ele morreu em Viena aos 21 anos, no palácio de Schönbrunn, e ali ficou sepultado por mais de um século, até que em 1940 seus restos foram transferidos para os Invalides, em Paris, perto do pai. A Lua na casa 9, a do exílio afetivo, marca a vida; a história deu o desfecho que o mapa não obrigava, devolvendo o coração da Aguiazinha ao país que ele passou a vida inteira imaginando.

As conversas do céu

O poder que vigia a porta

Plutão em tensão exata com o Ascendente, a 0,12 grau

Plutão, o planeta dos poderes profundos, faz um ângulo tenso e cravado com o Ascendente dele, e esse aspecto costuma marcar quem vive sob vigilância de forças maiores. A infância e a juventude dele foram literalmente isso: um menino observado por chancelarias, moeda de troca entre impérios, cujos passos interessavam a metade da Europa. A porta de entrada da vida dele nunca foi só dele.

Elementos e aspectos

A mistura dos elementos

  • ar37%
  • fogo32%
  • Água24%
  • terra7%

Os aspectos mais apertados

  • Plutão quadratura Ascendente · 0,12° de folga
  • Saturno quadratura Nodo Norte · 0,16° de folga
  • Mercúrio quadratura Netuno · 1,08° de folga
  • Júpiter trígono Nodo Norte · 1,11° de folga
  • Vênus sextil Netuno · 1,39° de folga
  • Sol sextil Júpiter · 1,5° de folga

Você sabia?Em 1940, mais de um século após sua morte, os restos de Napoleão II foram levados de Viena para os Invalides, em Paris, onde repousa Napoleão. O menino que a política separou do pai aos quatro anos terminou, pela mesma política, descansando a poucos metros dele.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

De onde vem a hora de nascimento de Napoleão II?
Da fonte declarada logo abaixo do título, Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/napoleao-ii-de-franca/), nota A - Reportagem. A regra da casa é não publicar mapa sem origem de horário: hora sem fonte transforma o Ascendente e todas as casas em chute, e é justamente aí que a leitura muda mais. Quando a confiança do registro é média, a própria página avisa.
Ter o mesmo signo de Napoleão II quer dizer ser parecido com Napoleão II?
Não, e a lista de pontos aqui do lado mostra por quê. Além do Sol em Peixes, Napoleão II tem Lua em Aquário e Ascendente em Gêmeos, e cada um dos outros astros num grau e numa casa. Duas pessoas do mesmo signo solar quase nunca repetem o resto do desenho.
Se a hora estiver um pouco errada, o que muda?
Mudam o Ascendente e a divisão das casas, que dependem da rotação da Terra e viram depressa: poucos minutos já podem trocar o signo que subia no horizonte. Os astros mais lentos praticamente não saem do lugar, então a leitura deles por signo continua de pé mesmo quando o horário é aproximado.
Como comparo o meu mapa com este?
Calcule o seu de graça na calculadora que fica logo abaixo: ela devolve a mesma roda e a mesma lista de pontos que você está vendo aqui. Com os dois lado a lado, fica fácil reparar no que se repete e no que é só seu.

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