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Cinema

O mapa astral de Michèle Morgan

Simone Roussel virou Michèle Morgan e, aos dezoito anos, protagonizou O Cais das Sombras (1938), o filme que rendeu ao cinema francês a frase mais citada da sua história, dirigida por Jean Gabin aos olhos dela. Em 1946 levou o prêmio de melhor atriz na primeira edição realizada do Festival de Cannes, por A Sinfonia Pastoral, e em 1996 recebeu o Leão de Ouro de carreira em Veneza. O mapa dela concentra três pontos no setor que fala de tudo que não se diz em voz alta.

Nascimento: 29 de fevereiro de 1920, às 09:20, em Neuilly-sur-Seine, França. Fonte do horário: Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/michele-morgan/), nota AA - Registro de nascimento em mãos.

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A geometria real do céu de 29/02/1920

O céu em números

  • Sol9°28' Peixes · casa 12
  • Lua10°26' Câncer · casa 3
  • Ascendente1°15' Touro · casa 1
  • Meio do Céu13°55' Capricórnio · casa 10
  • Mercúrio26°55' Peixes · casa 12
  • Vênus7°34' Aquário · casa 11
  • Marte7°50' Escorpião · casa 7
  • Júpiterretrógrado9°56' Leão · casa 5
  • Saturnoretrógrado8°11' Virgem · casa 6
  • Urano2°06' Peixes · casa 11
  • Netunoretrógrado9°23' Leão · casa 5
  • Plutãoretrógrado5°45' Câncer · casa 3
  • Quíron4°50' Áries · casa 12
  • Lilith14°36' Sagitário · casa 8

Sol, Lua, Ascendente e o elenco

o que se diz sem falar

Sol em Peixes, casa 12

Uma atriz cuja marca registrada foi o olhar carrega um Sol assim: em Peixes, signo do que se transmite por atmosfera e não por argumento, plantado no setor mais recolhido do mapa, o do silêncio e do que fica implícito. Quem uma pessoa é de verdade fica registrado no Sol, e a dela funcionava por sugestão. Nunca precisou de fala grande para dominar uma cena.

a memória como matéria

Lua em Câncer, casa 3

A Lua conta o que uma pessoa carrega por dentro, e a dela caiu em Câncer, que é o signo da memória e do apego, no setor do mapa ligado à fala e ao que se conta. É o retrato de quem carrega o passado inteiro dentro de si e o usa como material. Foi essa qualidade que sustentou uma carreira de mais de cinquenta anos atravessando gerações de cinema francês.

a beleza que não se apressa

Ascendente em Touro

O Ascendente é o gesto de chegada de uma pessoa, e o dela é Touro, no primeiro grau do signo, o mais sensorial e sereno do zodíaco. É uma fachada de calma, de presença que não pede nada. Combina com uma atriz cuja força em cena vinha da imobilidade, do quanto ela conseguia sustentar um plano sem fazer absolutamente nada.

a fala em voz baixa

Mercúrio em Peixes, casa 12

Mercúrio é o planeta que cuida da comunicação, e o dela aparece em Peixes, um signo do que é dito por meio-tom, no mesmo setor recolhido em que fica o Sol. É a assinatura de quem diz mais entre as frases do que dentro delas, e explica por que os filmes que a consagraram são todos de um cinema em que o subentendido pesa mais do que o diálogo.

o gosto que destoa

Vênus em Aquário, casa 11

Vênus é o planeta do encanto e do afeto, e a dela pousou em Aquário, o signo do que não segue o padrão da época, no trecho do mapa ligado ao público e ao coletivo. É uma leitura curiosa para uma estrela dos anos 1930 e 1940: o encanto dela nunca foi o da beleza convencional daquele cinema, e sim o de um tipo de distância que ninguém mais tinha.

a força que resiste

Marte em Escorpião, casa 7

Marte responde pela resistência e pelo enfrentamento, e a dela está em Escorpião, signo do que aguenta em silêncio, no setor do mapa dedicado ao encontro com o outro. É o desenho de quem enfrenta sem levantar a voz. Uma carreira que atravessou a ocupação da França, um período em Hollywood e o retorno ao cinema francês do pós-guerra não se sustenta sem esse tipo de resistência.

O que o mundo vê, e onde isso mora no mapa

Três pontos no setor do não-dito

Sol, Mercúrio e Quíron na casa 12

A casa 12 é o campo do mapa que fala do que fica por trás do véu: o silêncio, o subentendido, o que se comunica sem passar pela palavra. Ela tem três pontos ali, entre eles o Sol, que responde por quem ele é, e Mercúrio, que é justamente a fala. Mercúrio nesse setor é a comunicação que não sai pela boca. E qual é a herança dela no cinema francês? Uma frase que outro ator diz sobre os olhos dela, em 1938. Não é o texto dela que ficou na memória de um país inteiro: é o que o rosto dela dizia enquanto outra pessoa falava.

O papel que um contrato impediu

Sol em Peixes de frente com Saturno, a 1,28 grau

Saturno é o planeta do bloqueio, da porta que não abre e da estrutura que decide por você. No mapa dela ele está exatamente do lado oposto ao Sol, que é o próprio centro e a vontade. Costuma dar quem esbarra em obstáculos institucionais no momento em que mais quer avançar. Aconteceu de forma literal: contratada pela RKO em 1941, ela foi testada para Casablanca, e o estúdio se recusou a liberá-la para o filme. O papel foi para outra atriz e virou um dos mais famosos da história do cinema. Um contrato entre empresas decidiu isso, não ela.

Cinquenta e seis por cento de água

água como elemento dominante do mapa, com 56%, contra 7% de ar

Água é o naipe do que se sente e não se explica: a emoção, a memória, a atmosfera. Mais da metade do mapa dela está ali, e o ar, que é a ironia e a distância, aparece em 7%. É a proporção exata do cinema que a consagrou. O realismo poético francês dos anos 1930, do qual O Cais das Sombras é a obra-símbolo, é um cinema de neblina, de porto, de gente condenada por sentimento. Ela não foi escalada para aquele mundo por acaso: era feita da mesma matéria.

O prêmio da primeira Cannes

Ascendente no primeiro grau de Touro, em ângulo com Urano a 0,85

A porta de entrada de um mapa é o Ascendente, e o dela está no grau 1,26 de Touro, praticamente na largada do signo, apoiado por Urano, o planeta do que inaugura e rompe. Costuma dar quem chega primeiro e abre categoria. Em 1946, no Festival de Cannes que finalmente aconteceu depois da guerra, ela levou o prêmio de melhor atriz por A Sinfonia Pastoral. Foi a primeira mulher premiada naquele festival, num evento que se tornaria a maior vitrine de cinema do mundo. Ela abriu a lista.

Quarenta e quatro por cento de teimosia

44% do mapa em signos fixos

Os signos fixos são os de quem não desiste e não muda de rota. Quase metade do mapa dela está ali. Ela estreou como protagonista aos dezoito anos, em 1938, foi para Hollywood em 1941, voltou para a França, ganhou Cannes em 1946 e continuou trabalhando por décadas, até receber o Leão de Ouro de carreira em Veneza em 1996, cinquenta e oito anos depois do filme que a tornou famosa. Poucas carreiras de atriz atravessam esse tanto de tempo sem interrupção de relevância.

As conversas do céu

O sonho colado à expansão

Júpiter e Netuno juntos em Leão, a 0,57 grau

Júpiter é o que aumenta a escala de tudo e Netuno é o do sonho e da imagem projetada. Os dois estão praticamente colados no mapa dela, no setor da criação. Esse encontro acontece a cada treze anos mais ou menos, e a tradição o associa a gente que vira símbolo de alguma coisa maior do que ela. Ela virou: durante décadas, foi a imagem que o mundo tinha do cinema francês.

O afeto em tensão com o desejo

Vênus e Marte em atrito, a 0,28 grau

Vênus é o que a pessoa ama e Marte é o que ela quer. No desenho dela os dois se atritam com folga mínima. Costuma dar quem vive o afeto como campo de conflito e não como lugar de repouso. É praticamente a sinopse dos papéis que a consagraram, todos em histórias de amor impossível ou condenado desde a primeira cena.

O eu e o sentir em acordo

Sol e Lua em ângulo suave, a 0,98 grau

Quando o Sol e a Lua conversam bem, a pessoa quer e sente a mesma coisa, o que costuma dar gente serena. É um contraponto interessante num mapa com 56% de água: por dentro ela era coerente, mesmo carregando uma carga emocional enorme. Ajuda a entender uma longevidade de carreira que atritos internos teriam encurtado.

Elementos e aspectos

A mistura dos elementos

  • Água56%
  • terra24%
  • fogo13%
  • ar7%

Os aspectos mais apertados

  • Vênus quadratura Marte · 0,28° de folga
  • Marte sextil Saturno · 0,34° de folga
  • Júpiter conjunção Netuno · 0,57° de folga
  • Urano sextil Ascendente · 0,85° de folga
  • Plutão quadratura Quíron · 0,89° de folga
  • Sol trígono Lua · 0,98° de folga

Você sabia?Ela nasceu em 29 de fevereiro de 1920. Ou seja, no dia que só existe uma vez a cada quatro anos, o que significa que ela teve, tecnicamente, um aniversário para cada quatro anos vividos. É uma raridade de calendário que atinge cerca de uma pessoa em mil e quatrocentas, e caiu justamente numa atriz cuja carreira foi feita de tempo: cinquenta e oito anos entre o filme que a consagrou, em 1938, e o prêmio de carreira que recebeu em Veneza, em 1996.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

De onde vem a hora de nascimento de Michèle Morgan?
Da fonte declarada logo abaixo do título, Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/michele-morgan/), nota AA - Registro de nascimento em mãos. A regra da casa é não publicar mapa sem origem de horário: hora sem fonte transforma o Ascendente e todas as casas em chute, e é justamente aí que a leitura muda mais. Quando a confiança do registro é média, a própria página avisa.
Ter o mesmo signo de Michèle Morgan quer dizer ser parecido com Michèle Morgan?
Não, e a lista de pontos aqui do lado mostra por quê. Além do Sol em Peixes, Michèle Morgan tem Lua em Câncer e Ascendente em Touro, e cada um dos outros astros num grau e numa casa. Duas pessoas do mesmo signo solar quase nunca repetem o resto do desenho.
Se a hora estiver um pouco errada, o que muda?
Mudam o Ascendente e a divisão das casas, que dependem da rotação da Terra e viram depressa: poucos minutos já podem trocar o signo que subia no horizonte. Os astros mais lentos praticamente não saem do lugar, então a leitura deles por signo continua de pé mesmo quando o horário é aproximado.
Como comparo o meu mapa com este?
Calcule o seu de graça na calculadora que fica logo abaixo: ela devolve a mesma roda e a mesma lista de pontos que você está vendo aqui. Com os dois lado a lado, fica fácil reparar no que se repete e no que é só seu.

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