A escola que o Brasil pratica, dita pelo nome
Os oito trigramas e as nove áreas
O Mapa Chinês lê o seu nascimento por inteiro, em 12 capítulos com o seu nome. Conhecer o livro →
Três interruptores, cada um ligado ou desligado. O mundo inteiro dessa tradição cabe nas oito combinações que sobram.
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Veja onde cai cada uma das nove áreas na planta da sua casa
A grade das nove áreas se encaixa na sua planta a partir da porta de entrada, e cada cruzamento vem com a leitura pelos cinco elementos e o que dá para fazer hoje.
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Mapa Chinês
O outro mapa. A astrologia chinesa dos Quatro Pilares (BaZi) lê o tempo exato do seu nascimento em oito caracteres: o Mestre do Dia, a estação em que você chegou, o que o mapa esconde e as suas estações de dez anos. Precisa da hora de nascimento.
O que vem no livro
- 12 capítulos escritos só para você
- Cada termo explicado na hora, sem precisar saber astrologia
- O seu nome na capa, e seu para sempre
- Garantia de 7 dias
O que é, do zero
Comece pela mecânica, que é mais simples do que o desenho sugere. Uma linha inteira representa o yang, o princípio ativo, e uma linha partida ao meio representa o yin, o princípio receptivo. Empilhe três, uma sobre a outra, e você tem um trigrama. Pense em três interruptores numa parede, cada um ligado ou desligado: dá exatamente oito arranjos possíveis, nem um a mais. Lê-se de baixo para cima, o que é uma informação que quase ninguém dá e que muda tudo, porque a linha de baixo é considerada o começo, a base, e a de cima é o resultado.
Cada um dos oito ganhou um nome, uma imagem da natureza e um elemento, e as imagens não são arbitrárias, saem do próprio desenho. Qian, ☰, três linhas cheias, é o Céu, o puro ativo, elemento Metal. Kun, ☷, três linhas partidas, é a Terra receptiva, o puro passivo, elemento Terra. Kan, ☵, uma linha cheia presa entre duas partidas, é a Água: mole por fora, firme no centro, como um rio que parece dócil e escava pedra. Li, ☲, o inverso, uma linha partida entre duas cheias, é o Fogo: brilhante por fora e oco no meio, porque a chama precisa de algo para queimar. Zhen, ☳, cheia embaixo e duas partidas em cima, é o Trovão, o estouro que vem debaixo. Xun, ☴, partida embaixo e duas cheias em cima, é o Vento, que entra por fresta e move o que está acima. Gen, ☶, duas partidas com uma cheia fechando no topo, é a Montanha, que sobe e para. Dui, ☱, duas cheias com uma partida em cima, é o Lago, sólido embaixo e aberto na superfície.
Existe ainda uma camada que dá muito prazer de conhecer: os oito formam uma família. Qian é o pai e Kun é a mãe, e os outros seis são os filhos, três homens e três mulheres, distribuídos por idade. Zhen é o filho mais velho, Kan o do meio, Gen o mais novo. Xun é a filha mais velha, Li a do meio, Dui a mais nova. Isso não é curiosidade solta: explica por que a área dos Amigos protetores, que é Qian, o pai, fala de mentores e de quem aparece quando você precisa, e por que a área do Amor, que é Kun, a mãe, fala de toda relação de dois e pede peso, base e sustentação. As instruções práticas dessas áreas saem dessa leitura de família, e não de gosto de decorador.
De onde isso veio
Os oito trigramas são muito mais velhos que o feng shui e pertencem ao I Ching, o Livro das Mutações, um dos textos mais antigos da cultura chinesa. Combinados dois a dois, eles formam os sessenta e quatro hexagramas usados na consulta oracular, o que faz do sistema um alfabeto com uma gramática inteira em cima. O feng shui pegou emprestado só o primeiro andar dessa construção, os oito de três linhas, e os usou para repartir o espaço.
A parte que interessa a quem lê uma planta é a ordem em que eles se dispõem, e existem duas. A ordem chamada Céu Anterior é atribuída ao mítico Fu Xi e é simétrica, com Céu em cima e Terra embaixo, um arranjo ideal e estático. A ordem chamada Céu Posterior é atribuída ao rei Wen e descreve o mundo em movimento, os ciclos, as estações, a vida como ela se dá. O feng shui de ambiente usa o Céu Posterior, nas duas escolas, e é dele que sai a distribuição das nove áreas que você conhece. Detalhe útil: o espelho octogonal defensivo que se vende em bazar tradicionalmente carrega a outra ordem, a do Céu Anterior, e é por isso que os trigramas dele não batem com os do seu mapa doméstico. Não é erro de fabricação, é outro arranjo, para outro uso.
A escola do chapéu negro não mexeu nos trigramas nem na ordem, e vale dizer isso claramente porque muita gente acha que ela inventou o mapa. O que ela mudou foi só o alinhamento: em vez de fazer Kan bater com o Norte e Li com o Sul, como faz a linha tradicional, ela põe Kan na parede da porta de entrada e distribui o resto a partir dali. Os oito desenhos, os nomes, as imagens, os elementos e as famílias são exatamente os mesmos nas duas escolas.
O que muda na sua casa hoje
A distribuição na sua casa é fixa e vale decorar. Pare na soleira da porta principal, olhe para dentro e divida a planta em nove. Na fileira de baixo, a da porta, ficam Gen à esquerda (a Montanha, Terra, área do Conhecimento), Kan no centro (a Água, área da Carreira) e Qian à direita (o Céu, Metal, área dos Amigos protetores). Na fileira do meio ficam Zhen à esquerda (o Trovão, Madeira, Família), o centro, que não é trigrama nenhum e sim o Tai Chi, o miolo da Saúde, e Dui à direita (o Lago, Metal, Criatividade). Na fileira do fundo ficam Xun à esquerda (o Vento, Madeira, Prosperidade), Li no centro (o Fogo, Reconhecimento) e Kun à direita (a Terra, Amor).
O uso prático disso é escolher material com critério em vez de escolher por gosto. Se um canto é de Metal, como o dos Amigos protetores e o da Criatividade, o que combina ali é branco, cinza, prateado e forma redonda: uma bandeja de inox, um pote de alumínio, uma moldura prateada. Se é de Madeira, como Família e Prosperidade, o que combina é verde, planta viva e forma alongada. Se é de Terra, como Conhecimento e Amor, o que combina é barro, cerâmica, bege e forma baixa e larga. Nada disso precisa ser comprado: a instrução da escola é procurar na sua casa o objeto que já pertence àquela família e levar para o canto certo.
A imagem do trigrama também dá instrução, e é aí que fica bonito. Gen é a montanha, o que para: por isso o canto do Conhecimento pede quietude, e uma prateleira de livros com uma peça de pedra em cima faz mais sentido ali do que uma televisão. Kan é a água que corre: por isso a faixa da porta, que é a da Carreira, pede passagem livre e não pede móvel grande. Li é o fogo que precisa de combustível para iluminar: por isso o meio da parede do fundo, o do Reconhecimento, é onde a luz acesa rende mais. Escolha um canto agora, olhe o trigrama dele e faça a pergunta que resolve: o que está ali contradiz a imagem? Montanha com bagunça em cima, água com móvel travando, fogo apagado. Quase sempre a correção é tirar alguma coisa, e tirar é de graça.
Onde as duas escolas divergem
O ponto de divergência é o endereço de cada trigrama, e só ele. Para a escola tradicional, os oito têm direção fixa no espaço: Kan é sempre o Norte, Li é sempre o Sul, Zhen é o Leste, Dui é o Oeste, e as diagonais completam o resto. A casa é medida com bússola e o mapa se encaixa nas direções reais. Para a escola do chapéu preto, adotada aqui, Kan é a faixa da porta de entrada e o resto se distribui a partir dela, sem consultar direção nenhuma.
A consequência prática é que duas leituras podem apontar cantos diferentes para o mesmo trigrama na mesma casa, e as duas estão certas dentro das próprias regras. Um apartamento cuja porta está virada para o Sul terá, na leitura pela porta, a Água de Kan bem no ponto em que a leitura pela bússola veria o Fogo de Li. Não há como conciliar, e tentar conciliar é o caminho mais rápido para não fazer nada. Escolha uma e leve até o fim.
Sobre a família de oito e os elementos, não há divergência nenhuma, e é bom saber onde as escolas concordam. Qian é Metal e é o pai nas duas. Kun é Terra e é a mãe nas duas. As imagens do I Ching são as mesmas, os ciclos dos cinco elementos são os mesmos, e as cores de cada casa saem do trigrama do mesmo jeito. Tudo o que muda é onde cada casa cai na sua planta. Quando este portal declara que segue o chapéu negro, é exatamente disso que está falando, e de nada mais.
O erro mais comum
Tratar o trigrama como signo é o engano mais difundido, e ele vem de fora do feng shui. Aparece muito em teste de internet: descubra o seu trigrama e conheça a sua personalidade. Os oito são imagens de estados e de movimentos, não retratos de temperamento, e quando alguém descreve a sua alma a partir de um deles, saiba que a descrição serviria igualmente para milhões de pessoas nascidas no mesmo ano que você. O Número Kua, que é o cálculo que gera um trigrama pessoal, existe na escola das Oito Mansões para uma coisa só: dizer para que lado é bom você se virar quando dorme, come e trabalha.
O segundo erro é ler o trigrama de cima para baixo, o que inverte o sentido inteiro. Lê-se de baixo para cima, sempre, porque a base é o começo. Quem inverte confunde Zhen com Gen e Xun com Dui, que são justamente os pares espelhados, e acaba trocando o trovão pela montanha, ou seja, trocando o que estoura pelo que para.
O terceiro é comprar o espelho octogonal achando que ele é o mapa da casa. São dois objetos com o mesmo nome e usos opostos: o baguá que você desenha sobre a planta usa a ordem do Céu Posterior e serve para organizar cômodos, enquanto o espelho de moldura oitavada usa tradicionalmente a ordem do Céu Anterior e é peça de fachada, voltada para uma quina, um poste ou um beiral apontado contra a sua casa. Pendurar o espelho dentro de casa por decoração não é o uso que a tradição lhe deu, e ele nunca substitui a leitura da planta.
Você sabia?
Em 1703, o matemático alemão Gottfried Leibniz publicou na França o artigo em que apresentava a aritmética binária, o sistema de dois algarismos que hoje é a base de qualquer computador. No mesmo texto ele mencionou, encantado, as figuras chinesas atribuídas a Fu Xi, que um missionário jesuíta instalado na China lhe havia enviado: os trigramas e hexagramas do I Ching. Leibniz reconheceu ali, com séculos de antecedência, exatamente a estrutura que ele acabara de formalizar, uma sequência de dois sinais que gera todos os números. E de fato é isso: linha cheia e linha partida são um e zero, três posições dão oito combinações, seis posições dão sessenta e quatro. Quando você desenha o mapa das nove áreas na planta do seu apartamento, está manipulando um sistema de codificação binária de três bits, o mesmo princípio que faz o seu celular funcionar. É provavelmente a coisa mais estranha e mais verdadeira que dá para contar sobre feng shui numa mesa de bar.
Para fazer hoje, na ordem
- 1Descubra qual trigrama fica na parede da sua porta de entrada: Gen à esquerda, Kan no centro, Qian à direita. Leva dez segundos e organiza o resto.
- 2Escolha um canto da casa, veja o trigrama dele e pergunte se o que está ali contradiz a imagem. Montanha com bagunça em cima é o caso mais comum.
- 3Procure em outro cômodo um objeto que já pertença ao elemento daquela área e leve para lá: barro para Terra, planta para Madeira, metal redondo para Metal.
- 4Treine ler um trigrama de baixo para cima usando os símbolos ☰ ☱ ☲ ☳ ☴ ☵ ☶ ☷. A linha de baixo é o começo, a de cima é o resultado.
- 5Se você tem um espelho octogonal em casa, confira se ele está sendo usado como enfeite interno. Ele é peça de fachada e usa outra ordem de trigramas.
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Veja onde cai cada uma das nove áreas na planta da sua casa
A grade das nove áreas se encaixa na sua planta a partir da porta de entrada, e cada cruzamento vem com a leitura pelos cinco elementos e o que dá para fazer hoje.
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Manda para quem vai se ver nisto
Quem divide a casa com você precisa ler isto também. Mudar um móvel de lugar fica bem mais fácil quando os dois leram a mesma coisa.
Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
O que é um trigrama?
Qual trigrama corresponde a cada área da casa?
Qual a diferença entre Céu Anterior e Céu Posterior?
O meu trigrama diz alguma coisa sobre a minha personalidade?
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