Grupo Leste · trigrama Li · elemento Fogo
Número Kua 9: as suas direções favoráveis
Tela acesa de frente para a cama estraga mais noite do que qualquer erro de bússola.
Quem é o Kua 9
Repare no desenho ☲: duas linhas inteiras nas bordas e uma partida bem no meio, ou seja, um vazio no centro. A tradição leu nisso a natureza do fogo, que não tem substância própria e só existe enquanto está agarrado a alguma coisa que queima. Daí a imagem clássica de Li, a chama que precisa de algo para queimar e por isso ilumina, e daí também o nome do trigrama, que costuma ser traduzido como o que se agarra ou o aderente. Na escola das Oito Mansões, que é a escola de direções adotada nesta página, Li etiqueta o conjunto do Kua 9 e vem com o elemento Fogo e o setor Sul.
Uma coisa esse número não faz, e é bom deixar registrado. Ele não descreve você. A conta que o produziu usou o ano do seu nascimento, ajustado pela virada do calendário chinês, e o cálculo masculino ou feminino, e nada mais. Todas as pessoas nascidas no mesmo ano com o mesmo cálculo recebem esse trigrama, então qualquer perfil de temperamento apresentado a partir daqui vale para milhões ao mesmo tempo, que é outro jeito de dizer que não vale para ninguém. A tradição usa a figura como imagem para nomear direções, e é assim que ela aparece aqui.
O que a escola liga a Li tem efeito prático na hora de mobiliar: Fogo como elemento, alimentado pela Madeira e segurado pela Água. Nos setores que interessam ao número 9, isso favorece luz quente, tons de vermelho e laranja, couro, lã e formas que sobem estreitando, e sugere cautela com espelho, aquário e uma parede inteira de vidro escuro no mesmo canto. É preferência declarada de uma escola, não receita obrigatória, e serve de critério quando você já ia escolher entre dois abajures.
Como usar as suas quatro direções
Há uma cena que se repete em muita casa brasileira: a mesa foi posta ao lado da janela porque a luz era boa, e às três da tarde o sol bate em cheio na tela do notebook, obrigando a pessoa a virar o monitor, virar a cadeira e trabalhar de esguelha. Direção, nesta escola, é a que o seu rosto encara sentado, e para o Kua 9 o lado do trabalho é o Leste, entre 67,5° e 112,5°. Quando o conforto e a bússola brigam, o conforto ganha, e o ajuste possível costuma ser afastar a mesa quarenta centímetros da janela e girá-la, o que às vezes resolve as duas coisas de uma vez.
A cama do número 9 pede o Sudeste, e a direção de uma cama é sempre aquela para onde aponta o topo da sua cabeça. Para estudar e para qualquer trabalho que exija concentração calma, o Sul, direção do próprio trigrama. Para a mesa de jantar e para o sofá em que a casa se reúne, o Norte. Para medir, deixe o celular apoiado na mesa com a bússola aberta, apontando para a frente da cadeira, e leia o número: é mais confiável do que segurar o aparelho na mão e girar o corpo junto.
Dois cuidados pesam mais do que a bússola nesse caso. O primeiro é a regra geral da escola: parede sólida atrás das costas vale mais que direção perfeita, e depois dela vêm ver a porta sem estar alinhado com ela e não ficar horas embaixo de viga ou armário suspenso. O segundo é a iluminação, que é quase a assinatura desse trigrama: televisão ligada no quarto, lâmpada branca acesa até tarde e celular no escuro atrapalham o sono de qualquer pessoa, com número Kua ou sem ele, e mexer nisso rende mais do que acertar setor nenhum. Por fim, não confunda esta ferramenta com a outra do portal: o Kua diz para que lado o corpo se vira, e o baguá do Chapéu Negro, sobreposto à planta a partir da porta de entrada, diz onde ficam as nove áreas da casa.
As quatro que não favorecem, sem drama
Chegou a hora de traduzir os nomes e tirar deles o peso que a tradução literal criou. Para o Kua 9, o Nordeste é o Ho Hai, contratempos, o Oeste é o Wu Kwei, cinco fantasmas, o Sudoeste é o Lui Sha, seis choques, e o Noroeste é o Chueh Ming, fim do destino. São expressões do chinês clássico, cunhadas séculos atrás por gente que precisava memorizar tabelas sem ter onde consultá-las depois, e imagem forte era a única tecnologia de memória disponível. A escola não afirma que alguma coisa acontece com quem dorme voltado para lá, e este portal também não afirma. Trata-se de ordem de preferência entre oito setores, e a última posição é apenas a última posição.
Para que servem, então, na prática? Para receber o que a casa quase não usa. Banheiro, lavanderia, despensa, o armário de material de limpeza, a estante alta da mala de viagem, a caixa de ferramentas que sai duas vezes por ano. Um banheiro no Noroeste é encaixe favorável para quem é Kua 9, porque o cômodo que existe para levar coisas embora é justamente o que a tradição sugere para o setor menos indicado. E se a cozinha ficar no Oeste, a orientação clássica é dispor o fogão de costas para esse lado.
Quando a casa tem gente dos dois grupos
Um casal recém-formado dividindo um apartamento de um quarto, ela Kua 9 e ele Kua 2, é o retrato do assunto. Grupo Leste de um lado, Grupo Oeste do outro, e como a bússola foi repartida entre os dois blocos, o Sudeste que a tabela indica para o sono dela é o Wu Kwei dele. Passar o sábado tentando achar a cabeceira perfeita para os dois é gastar um sábado à toa, porque essa parede não existe.
O caminho que a escola oferece é simples e cabe num acordo de cinco minutos: na cama compartilhada, usa-se o Yen Nien, a direção de convivência, de quem tem o sono mais frágil. Para o Kua 9, o Yen Nien é o Norte; para o Kua 2, é o Noroeste. Quem acorda com qualquer barulho ganha a cabeceira, e o assunto se encerra. Depois disso, distribui-se o restante por cômodo: cada um orienta a própria mesa de trabalho pela própria tabela, a mesa de jantar segue a convivência de quem chega mais tenso em casa, e o quarto de uma futura criança usará o Kua dela, que pode muito bem ser de um terceiro arranjo.
Você sabia?
Existe um paradoxo bonito escondido no nome desse trigrama: 離 significa, no chinês contemporâneo, separar ou partir, e mesmo assim ele é conhecido como o que se agarra. A explicação está no desenho: como o fogo não tem corpo próprio e depende do que queima, ele adere e se despede na mesma operação. No I Ching, Li duplicado forma o hexagrama 30, e a lista clássica de correspondências dá a esse trigrama o sol, o relâmpago, a armadura e o capacete, a lança, tudo aquilo que brilha ou reflete. Li é a filha do meio na família dos oito trigramas e, no corpo, o olho, o órgão que só funciona porque existe luz batendo em outra coisa. No baguá que este portal usa nas páginas de área, é Li quem nomeia o Reconhecimento e a reputação, o meio da parede do fundo, bem de frente para a porta de entrada.
As oito direções do Kua na tabela das Oito Mansões
As quatro que favorecem
É a direção do trabalho e do que você quer construir. A escola manda sentar de frente para ela quando você vai produzir: a mesa virada para cá, a cadeira de costas para a parede, a tela na sua frente. Se a sua porta principal já abre nessa direção, melhor ainda.
É a direção do descanso e da recuperação. A recomendação clássica é dormir com o topo da cabeça apontado para cá, o que na prática significa escolher a parede da cabeceira. Também é a direção sugerida para a poltrona onde você se joga quando o dia acabou.
É a direção da convivência. Serve para a mesa de jantar, para o sofá em que a família senta junta e para a cama do casal, quando os dois têm direções diferentes e alguém precisa ceder. Onde há conversa, esta é a que a escola prefere.
É a sua direção pessoal, a do próprio trigrama. Serve para estudar, meditar, escrever, fazer terapia, qualquer coisa que peça concentração calma. É a mais discreta das quatro e a mais útil em época de prova ou de decisão difícil.
As quatro que não favorecem
A mais branda das quatro. A tradição associa a pequenos aborrecimentos, a coisas que atrasam e a dinheiro que escorre em bobagem. Na prática, é uma boa direção para a despensa, o armário de vassouras e tudo aquilo que você abre uma vez por semana.
O nome é dramático e o sentido é bem terreno: a tradição liga esse setor a atrito, fofoca, mal-entendido e perda de coisas. É onde a escola sugere pôr o fogão de costas, nunca a cadeira em que você recebe visita.
Associado a desgaste que se arrasta: processo que não anda, doença chata, relação que azeda devagar. A recomendação prática é reservar esse setor para banheiro, área de serviço ou depósito, e evitar dormir com a cabeceira apontada para cá.
O nome mais pesado da lista, e vale ler com calma: a escola não diz que acontece uma tragédia, diz que é o setor menos favorável para você. É o primeiro lugar que a tradição indica para o banheiro, justamente porque ali o desperdício é bem-vindo.
Onde vai cada coisa
- 1Cama: aponte o topo da cabeça para Sudeste, escolhendo a parede da cabeceira por essa direção.
- 2Mesa de trabalho: sente olhando para Leste, com parede atrás das costas e a porta no campo de visão.
- 3Estudo e decisão difícil: Sul, a sua direção pessoal.
- 4Mesa de jantar e sofá de conversa: Norte.
- 5Quando a planta do cômodo não permitir a direção ideal, fique com a parede sólida atrás das costas. Ver quem entra vale mais do que acertar o ponto da bússola.
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A conta usa a virada do ano chinês, e não o ano civil, que é onde quase toda calculadora brasileira erra com quem nasceu em janeiro. Cada passo aparece na tela.
Você informa: a sua data de nascimento. O resultado aparece na hora.
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Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
A direção certa deixa o sol na minha cara. O que vale mais?
O meu quarto só tem uma parede possível para a cabeceira. Perdi a chance?
Feng shui e horóscopo chinês são a mesma coisa?
Preciso saber a hora exata em que nasci?
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