Grupo Leste · trigrama Kan · elemento Água
Número Kua 1: as suas direções favoráveis
A cabeceira é a única parede da casa que você usa de olhos fechados, oito horas por noite.
Quem é o Kua 1
Kan se escreve ☵, uma linha inteira presa entre duas partidas, e a imagem clássica que a tradição dá a esse desenho é a da água que não escolhe caminho fácil e ainda assim chega. Água não discute com a pedra: contorna, escorre por baixo, espera e volta. A escola das Oito Mansões, que é a escola de direções adotada nesta página, usa esse trigrama como etiqueta do conjunto de direções do número 1, e a etiqueta carrega junto o elemento Água, o Norte e o inverno.
Vale ser franco sobre o alcance disso, porque é aqui que muito site brasileiro exagera. O Número Kua é uma conta feita sobre o ano de nascimento e o cálculo masculino ou feminino, nada mais. Todas as mulheres nascidas no mesmo ano chinês têm o mesmo Kua, e você não vai encontrar aí um retrato de caráter. A tradição usa o trigrama como imagem, um apelido bonito para um conjunto de quatro direções, e não como diagnóstico de personalidade. Quem promete um perfil psicológico a partir de dois dígitos do ano está inventando.
O que a escola realmente associa a Kan é material: Água como elemento, e portanto o Metal como o que a alimenta e a Terra como o que a segura. Na prática de ambiente isso vira preferência por vidro, espelho, superfícies escuras e formas onduladas nos setores que interessam ao número 1, e cautela com montes de cerâmica pesada nos mesmos cantos. É a mesma lógica de quem não põe um armário maciço no corredor mais estreito da casa.
Como usar as suas quatro direções
A cama vem primeiro, porque é o móvel em que você fica mais tempo imóvel. Na escola das Oito Mansões, a direção de uma cama é aquela para onde aponta o topo da sua cabeça, ou seja, a parede da cabeceira. Para o Kua 1, o alvo é o Leste, o setor entre 67,5° e 112,5° na bússola. Abra o aplicativo de bússola do celular, fique de pé no lugar onde ficaria o seu travesseiro, olhe para a parede em que a cabeça encosta e veja o número. Se cair naquela faixa, está resolvido, e você não precisa de nenhum aparelho especial para isso.
Sentado para trabalhar, a direção que conta é a que o seu rosto encara, e o Sudeste é o lado que a escola reserva para produção e construção. Para estudar, meditar ou escrever algo difícil, o Norte, que é a direção do próprio trigrama. Para a mesa de jantar e para o sofá em que a casa se junta, o Sul. Repare que nenhuma delas exige obra: girar uma mesa noventa graus e trocar o lado da cadeira já cumpre a maior parte da instrução.
E quando não dá? O caso mais comum do Brasil é o quarto de apartamento em que a cama só cabe de um jeito, encaixada entre a porta e o armário, com uma única parede possível para a cabeceira. Nessa hora a escola tem uma hierarquia clara, e ela é confortante: parede sólida atrás das costas vale mais que direção perfeita. Cabeceira firme, sem janela atrás da cabeça, com a porta visível sem estar em linha reta com você, ganha de qualquer ajuste de bússola. Vale lembrar também que o Kua e o baguá que este portal usa nas outras páginas são coisas diferentes que convivem sem briga: o Kua diz para que lado você olha, e o baguá do Chapéu Negro, orientado pela porta de entrada, diz onde ficam as nove áreas da planta.
As quatro que não favorecem, sem drama
Os nomes chegam pesados e é justo explicar por quê. Para o número 1, o Oeste é o Ho Hai, os contratempos, o Nordeste é o Wu Kwei, traduzido como cinco fantasmas, o Noroeste é o Lui Sha, os seis choques, e o Sudoeste é o Chueh Ming, o fim do destino. Foram batizados em outra língua e em outro século, quando manual técnico se escrevia em imagem forte porque era assim que se guardava informação na memória. A escola não afirma que acontece uma desgraça com quem dorme apontado para lá, e ninguém precisa levantar da cama assustado depois de ler isso: milhões de pessoas vivem bem em cada um desses setores. O que a tabela faz é ordenar preferências, e preferência não é sentença.
Na prática, a instrução é quase administrativa: nesses quatro cantos vai o que você menos usa. Banheiro, área de serviço, despensa, o armário das ferramentas, a caixa das decorações de Natal que abre uma vez por ano. Se a lavanderia da sua casa cai no Sudoeste, ótimo, é exatamente o destino que a tradição sugere para o setor mais desconfortável da lista. E se a sua cozinha ficar no Nordeste, a recomendação clássica é dispor o fogão de costas para esse lado, nunca a cadeira em que você recebe visita.
Quando a casa tem gente dos dois grupos
Acontece na maior parte das casas, e é geometria antes de ser destino: os dois grupos dividem a bússola ao meio, então as quatro direções boas de um são exatamente as quatro do outro lado. Pense numa mulher Kua 1, do Grupo Leste, casada com um homem Kua 7, do Grupo Oeste. O Leste dela é o Chueh Ming dele. Não existe cama que agrade os dois ao mesmo tempo, e insistir em achar essa cama é perder um sábado.
A saída que a escola dá é elegante: quando os dois dormem juntos, use a direção de convivência, o Yen Nien, de quem tem o sono mais frágil. Para o Kua 1, o Yen Nien é o Sul; para o Kua 7, o Nordeste. Se ela acorda com qualquer barulho e ele dorme em pé, a cabeceira vai para o Sul e ninguém precisa negociar de novo. O resto se distribui pelos cômodos: cada um escolhe o próprio canto de trabalho com a própria direção, o home office dele olha para onde ele quiser e a escrivaninha dela para o Sudeste. Filhos entram na mesma conta, com o Kua deles, e é comum descobrir que a criança da casa é do grupo do pai e não da mãe.
Você sabia?
Entre os sessenta e quatro hexagramas do I Ching, Kan sobre Kan é o único que ganhou um prefixo no nome: virou Xi Kan, o abismo repetido, algo como o perigo que se pratica. A leitura clássica não é de tragédia, é de treino, porque a água que a figura descreve avança enchendo cada buraco pelo caminho antes de seguir adiante, e é assim que ela nunca fica presa. Kan é o filho do meio na família dos oito trigramas, aquele que aprende a passar entre dois, e no corpo a tradição o associa ao ouvido, o sentido que continua trabalhando enquanto você dorme. Se você já visitou a página da área de Carreira aqui do portal, encontrou o mesmo Kan lá: no baguá da porta ele nomeia a faixa da entrada, e aqui ele nomeia um conjunto de direções da bússola. Mesmo trigrama, dois mapas diferentes, e é por isso que a gente sempre diz qual dos dois está sendo usado.
As oito direções do Kua na tabela das Oito Mansões
As quatro que favorecem
É a direção do trabalho e do que você quer construir. A escola manda sentar de frente para ela quando você vai produzir: a mesa virada para cá, a cadeira de costas para a parede, a tela na sua frente. Se a sua porta principal já abre nessa direção, melhor ainda.
É a direção do descanso e da recuperação. A recomendação clássica é dormir com o topo da cabeça apontado para cá, o que na prática significa escolher a parede da cabeceira. Também é a direção sugerida para a poltrona onde você se joga quando o dia acabou.
É a direção da convivência. Serve para a mesa de jantar, para o sofá em que a família senta junta e para a cama do casal, quando os dois têm direções diferentes e alguém precisa ceder. Onde há conversa, esta é a que a escola prefere.
É a sua direção pessoal, a do próprio trigrama. Serve para estudar, meditar, escrever, fazer terapia, qualquer coisa que peça concentração calma. É a mais discreta das quatro e a mais útil em época de prova ou de decisão difícil.
As quatro que não favorecem
A mais branda das quatro. A tradição associa a pequenos aborrecimentos, a coisas que atrasam e a dinheiro que escorre em bobagem. Na prática, é uma boa direção para a despensa, o armário de vassouras e tudo aquilo que você abre uma vez por semana.
O nome é dramático e o sentido é bem terreno: a tradição liga esse setor a atrito, fofoca, mal-entendido e perda de coisas. É onde a escola sugere pôr o fogão de costas, nunca a cadeira em que você recebe visita.
Associado a desgaste que se arrasta: processo que não anda, doença chata, relação que azeda devagar. A recomendação prática é reservar esse setor para banheiro, área de serviço ou depósito, e evitar dormir com a cabeceira apontada para cá.
O nome mais pesado da lista, e vale ler com calma: a escola não diz que acontece uma tragédia, diz que é o setor menos favorável para você. É o primeiro lugar que a tradição indica para o banheiro, justamente porque ali o desperdício é bem-vindo.
Onde vai cada coisa
- 1Cama: aponte o topo da cabeça para Leste, escolhendo a parede da cabeceira por essa direção.
- 2Mesa de trabalho: sente olhando para Sudeste, com parede atrás das costas e a porta no campo de visão.
- 3Estudo e decisão difícil: Norte, a sua direção pessoal.
- 4Mesa de jantar e sofá de conversa: Sul.
- 5Quando a planta do cômodo não permitir a direção ideal, fique com a parede sólida atrás das costas. Ver quem entra vale mais do que acertar o ponto da bússola.
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A conta usa a virada do ano chinês, e não o ano civil, que é onde quase toda calculadora brasileira erra com quem nasceu em janeiro. Cada passo aparece na tela.
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Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
Como eu descubro para onde a minha cama aponta?
Eu durmo há anos com a cabeça apontada para o Sudoeste. Preciso mudar hoje?
Isso tem alguma base científica?
Mudei de apartamento. O meu Kua muda também?
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