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Música clássica

O mapa astral de Wolfgang Amadeus Mozart

Wolfgang Amadeus Mozart compunha aos cinco anos, escreveu a primeira sinfonia aos oito e morreu aos 35, em 5 de dezembro de 1791, deixando um catálogo que Ludwig von Köchel numerou em 626 obras em 1862 e que a nona edição, de 2024, levou até 721. O mapa dele tem o encaixe mais fechado num lugar que faz muito sentido, e não tem Quíron, o que também tem explicação.

Nascimento: 27 de janeiro de 1756, às 20:00, em Salzburgo, Áustria. Fonte do horário: Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/mozart/), nota AA: registro de nascimento em mãos.

Duas notas honestas sobre este mapa. A primeira: ele traz treze pontos e não catorze, porque falta Quíron. Não é dado quebrado, é limite de astronomia, já que Quíron só foi descoberto em 1977 e as tabelas com a posição dele no céu não retrocedem até 1756. A segunda é sobre a hora. Naquela época os fusos horários não funcionavam como hoje, e o relógio de Salzburgo era acertado pelo meio-dia da própria Salzburgo. Ao traduzir isso para o padrão atual, o cálculo se ancora na cidade de referência do fuso, e não na do nascimento, e sobra uma imprecisão de pouco mais de um grau, tipicamente, que recai sobre o Ascendente e sobre as linhas das casas. O Ascendente dele está no meio do signo, longe de qualquer fronteira, então o signo em si é robusto: o que pede folga é a divisão das casas. Signos, planetas e aspectos seguem firmes.

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A geometria real do céu de 27/01/1756

O céu em números

  • Sol7°22' Aquário · casa 5
  • Lua17°39' Sagitário · casa 4
  • Ascendente10°19' Virgem · casa 1
  • Meio do Céu5°12' Gêmeos · casa 10
  • Mercúrio8°07' Aquário · casa 5
  • Vênus29°18' Aquário · casa 6
  • Marteretrógrado0°19' Câncer · casa 10
  • Júpiter18°31' Libra · casa 2
  • Saturno1°59' Aquário · casa 5
  • Urano13°11' Peixes · casa 7
  • Netunoretrógrado9°38' Leão · casa 11
  • Plutão17°46' Sagitário · casa 4
  • Lilith27°59' Touro · casa 9

Sol, Lua, Ascendente e o elenco

a essência na casa de brincar

Sol em Aquário, casa 5

O Sol em Aquário, o signo de quem faz do próprio jeito, é o núcleo dele, e caiu na casa 5, o pedaço do mapa que fala de criar, de brincar e de subir no palco. É o lugar mais óbvio do céu para alguém que transformou a invenção musical num jogo, e o jogo numa profissão, antes de completar dez anos de idade.

a infância na estrada

Lua em Sagitário, casa 4

A Lua em Sagitário, o signo da viagem longa, é o mundo interno dele, e caiu na casa 4, a da família e do lugar de origem. A combinação é a biografia inteira: a família Mozart pôs as crianças na estrada em 1762, e a turnê pelas cortes europeias durou três anos e meio.

a porta do artesão

Ascendente em Virgem

O Ascendente em Virgem, o signo do acabamento e do detalhe conferido, é a primeira impressão que ele passava. Não é o signo do gênio inspirado da lenda, é o do artesão que entrega a peça terminada. E o que sobrou dele é exatamente isso: um catálogo enorme de obras acabadas, numeradas uma a uma.

a cabeça colada na essência

Mercúrio em Aquário, casa 5

Mercúrio em Aquário, o mesmo signo do Sol, é o jeito de pensar dele, e os dois estão praticamente no mesmo grau do céu. Costuma dar gente cuja maneira de raciocinar não se distingue de quem ela é. Nele, pensar e compor parecem ter sido a mesma operação, feita ao mesmo tempo.

o gosto dentro do expediente

Vênus em Aquário, casa 6

Vênus em Aquário, bem no último grau do signo, é o senso de beleza dele, e caiu na casa 6, a do trabalho de todo dia. Bate com um compositor que produziu em regime de oficina, com encomenda, prazo e temporada, e cuja música quase nunca soa como trabalho.

a briga com o patrão

Marte em Câncer, casa 10

Marte em Câncer, logo no primeiro grau do signo, é a energia de brigar dele, e caiu na casa 10, a do emprego e da reputação, andando para trás. Câncer não é signo de confronto aberto, e a casa 10 é onde mora o chefe. É o desenho exato da briga mais importante da vida profissional dele.

O que o mundo vê, e onde isso mora no mapa

Três pontos na casa de brincar

Sol, Mercúrio e Saturno em Aquário na casa 5, a da criação e do jogo

A casa 5 é onde a pessoa cria, brinca e se apresenta, e o céu dele empilhou três pontos ali dentro, todos no mesmo signo. Um deles é Saturno, o planeta da regra, do rigor e do prazo, o que dá brincadeira com estrutura em volta. Aos cinco anos, em 1761, ele já compunha pecinhas, anotadas no caderno que a família mantinha. Aos oito, em 1764, escreveu a primeira sinfonia. A infância dele não foi interrompida pelo trabalho: ela virou o trabalho.

O pontapé que virou liberdade

Marte retrógrado no primeiro grau de Câncer na casa 10, a do emprego

A casa 10 é o lugar do mapa onde ficam o cargo, o patrão e a reputação, e Marte, o planeta do enfrentamento, caiu ali virado para trás, num signo que não gosta de briga. Em maio de 1781 ele tentou se demitir do serviço do príncipe-arcebispo Colloredo. A permissão veio em junho, e veio de forma grosseira: ele foi despachado, segundo o relato da época, literalmente com um pontapé no traseiro, aplicado pelo mordomo do arcebispo, o conde Arco. Ficou em Viena assim mesmo, como instrumentista e compositor por conta própria. Foi a briga que definiu o resto da carreira dele.

A Lua colada em Plutão, na casa de onde se vem

Lua e Plutão praticamente no mesmo ponto, a 0,10 grau, na casa 4, a da família

É o encaixe mais fechado deste mapa inteiro, e caiu justamente no pedaço que fala de família e de origem. A Lua é o que a pessoa sente; Plutão é o que é intenso e não solta. A partir de 1762 a família Mozart transformou os filhos em atração de corte, numa turnê que passou pelas capitais europeias e durou três anos e meio. Não dá para separar a infância dele da carreira dele, e este céu também não separa.

O Requiem que não era para ser dele

Mercúrio em oposição a Netuno, a 1,51 grau

Mercúrio é o contrato, o nome e a palavra escrita; Netuno é a névoa, o anônimo, o que não tem autor claro. No céu dele os dois estão frente a frente. E a peça mais famosa ligada ao nome dele é justamente uma obra de autoria embaralhada. O Requiem foi encomendado em segredo, por intermediários, pelo conde Franz von Walsegg, um excêntrico que tinha o costume de encomendar obras a compositores e apresentá-las como suas. Mozart morreu em 5 de dezembro de 1791 com apenas o primeiro movimento completo em todas as partes. Joseph Eybler começou a terminar o serviço, Franz Xaver Süssmayr assumiu, completou o Lacrymosa e acrescentou movimentos novos. A peça que o mundo canta como sendo dele foi encomendada por quem queria assiná-la e concluída por outra pessoa.

O rastro em Gêmeos

Meio do Céu em Gêmeos em bom ângulo com o Sol, a 2,17 grau

O ponto mais alto do mapa é a marca que a pessoa deixa, e o dele caiu em Gêmeos, o signo das muitas vozes e da língua que todo mundo entende. O núcleo dele conversa bem com esse ponto. Combina com um compositor que não se especializou em nada: escreveu ópera, sinfonia, concerto e música de câmara, e a última ópera que estreou em vida, A Flauta Mágica, foi escrita para um teatro popular de subúrbio, com libreto em alemão de Emanuel Schikaneder, e não em italiano para a corte.

As conversas do céu

A lenda mais alta que o homem

Sol em oposição a Netuno, a 2,26 grau

Netuno é o planeta da lenda, da história que cresce sozinha e passa a andar sem o dono, e no céu dele ele puxa o núcleo da pessoa do outro lado do mapa. Costuma dar quem vira personagem antes de virar assunto. É bem o caso: a história de que Salieri o teria envenenado não vem de documento nenhum, vem de uma peça que Aleksandr Púchkin escreveu em 1830, quase quarenta anos depois, e que virou ópera e depois filme. A lenda circula mais do que a biografia.

A leveza que atravessa a partitura

Lua em bom ângulo com Júpiter, a 0,85 grau

Júpiter é o planeta do apetite e da fartura, e a Lua é o termômetro do humor de fundo. No céu dele, os dois estão num ângulo confortável. Costuma dar quem carrega leveza mesmo quando o assunto é grave. Quem conhece a música dele reconhece isso na primeira audição: até nos momentos mais sérios existe ali uma clareza que não pesa a mão.

A doçura e o impulso do mesmo lado

Vênus em bom ângulo com Marte, a 1,02 grau

Vênus cuida do charme e Marte cuida do impulso, e é comum que esses dois se estranhem num mapa. No dele, se ajudam. Costuma dar quem consegue ser delicado e ter pressa ao mesmo tempo, sem que uma coisa estrague a outra. É difícil descrever melhor uma música que é ao mesmo tempo graciosa e movida a motor.

Elementos e aspectos

A mistura dos elementos

  • ar42%
  • fogo23%
  • Água20%
  • terra15%

Os aspectos mais apertados

  • Lua conjunção Plutão · 0,1° de folga
  • Sol conjunção Mercúrio · 0,75° de folga
  • Júpiter sextil Plutão · 0,75° de folga
  • Lua sextil Júpiter · 0,85° de folga
  • Vênus trígono Marte · 1,02° de folga
  • Nodo Norte conjunção Ascendente · 1,13° de folga

Você sabia?A Flauta Mágica estreou em 30 de setembro de 1791, num teatro popular de subúrbio de Viena. Numa carta de 7 de outubro ele escreveu que a casa estava cheia como sempre. Morreu em 5 de dezembro, pouco mais de dois meses depois da estreia. Em novembro de 1792 a ópera já chegava à centésima apresentação, e ele tinha visto apenas as primeiras.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

De onde vem a hora de nascimento de Wolfgang Amadeus Mozart?
Da fonte declarada logo abaixo do título, Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/mozart/), nota AA: registro de nascimento em mãos. A regra da casa é não publicar mapa sem origem de horário: hora sem fonte transforma o Ascendente e todas as casas em chute, e é justamente aí que a leitura muda mais. Quando a confiança do registro é média, a própria página avisa.
Ter o mesmo signo de Wolfgang Amadeus Mozart quer dizer ser parecido com Wolfgang Amadeus Mozart?
Não, e a lista de pontos aqui do lado mostra por quê. Além do Sol em Aquário, Wolfgang Amadeus Mozart tem Lua em Sagitário e Ascendente em Virgem, e cada um dos outros astros num grau e numa casa. Duas pessoas do mesmo signo solar quase nunca repetem o resto do desenho.
Se a hora estiver um pouco errada, o que muda?
Mudam o Ascendente e a divisão das casas, que dependem da rotação da Terra e viram depressa: poucos minutos já podem trocar o signo que subia no horizonte. Os astros mais lentos praticamente não saem do lugar, então a leitura deles por signo continua de pé mesmo quando o horário é aproximado.
Como comparo o meu mapa com este?
Calcule o seu de graça na calculadora que fica logo abaixo: ela devolve a mesma roda e a mesma lista de pontos que você está vendo aqui. Com os dois lado a lado, fica fácil reparar no que se repete e no que é só seu.

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