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Literatura fantástica

O mapa astral de Ray Bradbury

Ray Bradbury escreveu As Crônicas Marcianas em 1950 e Fahrenheit 451 em 1953, o romance sobre um mundo que queima livros. Nunca frequentou universidade, dizia que as bibliotecas o criaram e nunca tirou carteira de motorista. O mapa dele tem um zero absoluto num elemento e o maior percentual justamente no outro, e a coincidência com aqueles dois livros é quase constrangedora de tão boa.

Nascimento: 22 de agosto de 1920, às 16:50, em Waukegan (IL), Estados Unidos. Fonte do horário: Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/ray-bradbury/), nota AA: registro de nascimento citado.

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A geometria real do céu de 22/08/1920

O céu em números

  • Sol29°27' Leão · casa 8
  • Lua15°25' Sagitário · casa 11
  • Ascendente6°50' Capricórnio · casa 1
  • Meio do Céu2°45' Escorpião · casa 10
  • Mercúrio13°38' Leão · casa 7
  • Vênus13°13' Virgem · casa 8
  • Marte21°59' Escorpião · casa 10
  • Júpiter29°03' Leão · casa 8
  • Saturno13°00' Virgem · casa 8
  • Uranoretrógrado3°52' Peixes · casa 2
  • Netuno11°57' Leão · casa 7
  • Plutão8°29' Câncer · casa 7
  • Quíronretrógrado9°48' Áries · casa 3
  • Lilith4°08' Capricórnio · casa 12

Sol, Lua, Ascendente e o elenco

o último grau de Leão

Sol em Leão, casa 8

O Sol dele, ponto da essência, está a 29,46 graus de Leão, ou seja, no derradeiro grau do signo, com Júpiter praticamente colado. Leão é o signo da imaginação que quer ser vista, e cair bem no fim dele tem gosto de despedida. É bonito num escritor cuja matéria-prima foi outubro, o fim do verão e a infância que acaba.

o entusiasmo como estado natural

Lua em Sagitário, casa 11

A Lua dele, ponto do mundo interno, está em Sagitário, o signo do encantamento e da vontade de ir mais longe, na casa 11, a dos grupos e do público. É a Lua de quem se anima com facilidade e contagia. Ele passou a vida sendo o entusiasta oficial da ficção científica americana, mesmo insistindo que não escrevia ficção científica.

a fachada de trabalhador

Ascendente em Capricórnio

Capricórnio rege a primeira impressão dele, o signo do rigor e do longo prazo. Não é a fachada de um sonhador: é a de um sujeito com horário e método. Combina com quem escreveu por mais de sessenta anos sem interromper, produzindo contos, romances, roteiros de cinema e televisão.

a mente que sonha alto

Mercúrio em Leão, casa 7

Mercúrio, ponto do jeito de pensar, está em Leão nele, colado a Netuno a 1,67 grau, na casa 7, a do encontro com o outro. Netuno é o planeta da imaginação sem limite. É a cabeça de quem pensa por imagem e não por argumento, e que precisa de leitor do outro lado para a imagem funcionar.

o amor pelo trabalho miúdo

Vênus em Virgem, casa 8

Virgem, o signo do capricho e do detalhe, abriga o Vênus dele, ponto do gosto, colado a Saturno a 0,23 grau. Saturno é a disciplina. É o Vênus de quem ama o trabalho difícil e feito à mão, e explica um escritor que passou a vida produzindo conto atrás de conto sem nunca considerar o conto um gênero menor que o romance.

a energia do que assusta

Marte em Escorpião, casa 10

Marte, ponto da coragem, está em Escorpião nele, o signo do escuro e do que dá medo, na casa 10, a da obra pública. É a força de quem trabalha exatamente com aquilo que os outros preferem não olhar. Metade da obra dele é sobre carnaval sinistro, outubro, casas assombradas e o instante em que a infância percebe que existe morte.

O que o mundo vê, e onde isso mora no mapa

Zero por cento de ar

ar em 0% da distribuição, contra 37% de fogo e 34% de terra

Ar é o elemento da ideia abstrata, do conceito, da especulação intelectual. No mapa dele responde por 0%, zero absoluto, num homem que a história catalogou como escritor de ficção científica. E encaixa com o que ele mesmo dizia da própria obra: ele não escrevia sobre tecnologia nem sobre ideias, escrevia sobre cheiro, medo, saudade e infância. Nunca frequentou universidade e dizia que as bibliotecas o tinham criado, que ele havia se formado na biblioteca aos vinte e oito anos. O que ele tem de sobra é fogo, 37%, e terra, 34%: entusiasmo e trabalho manual, nunca abstração.

Quatro pontos na casa do escuro

Sol, Vênus, Júpiter e Saturno juntos na casa 8

A casa 8 é a que a astrologia clássica entrega ao escuro: a morte, o medo, o que transforma e assusta. Quatro pontos dele se acumulam ali, incluindo o Sol, que é a identidade. É a topografia exata da obra dele. Fahrenheit 451, de 1953, é sobre a destruição do que se ama. Something Wicked This Way Comes, de 1962, é sobre um parque de diversões que chega a uma cidade pequena e cobra um preço terrível. E Dandelion Wine, de 1957, é sobre o verão em que um menino descobre, ao mesmo tempo, que está vivo e que vai morrer.

Nove dólares e oitenta em moedas de dez centavos

Vênus colado a Saturno em Virgem, a 0,23 grau

É o encontro mais fechado da carta dele. Vênus é o que a pessoa ama e Saturno é o esforço e a escassez, e Virgem é o signo do trabalho minucioso. Juntos, descrevem quem transforma limitação em método. A história é literal: ele escreveu o texto que viraria Fahrenheit 451 numa sala de estudos da Powell Library, na UCLA, com máquinas de escrever alugadas a dez centavos por meia hora, e o aluguel total lhe custou nove dólares e oitenta centavos. Ele nunca tinha sido aluno daquela universidade.

Três endereços no espaço para quem não dirigia

Urano em harmonia com o Meio do Céu, a 1,11 grau

Urano é o planeta do céu, do inesperado e do futuro, e ele conversa de forma fácil com o Meio do Céu dele, que é o ponto do que fica registrado. O que ficou registrado é surpreendente. Existe um asteroide chamado (9766) Bradbury. Existe uma cratera lunar chamada Dandelion, batizada pelos astronautas da Apollo 15 em 1971 em referência a um livro dele. E em 22 de agosto de 2012, data em que ele completaria 92 anos, a NASA batizou de Bradbury Landing o ponto de pouso do jipe Curiosity em Marte. O homem tem três endereços fora da Terra e nunca tirou carteira de motorista.

Cinquenta e um por cento de quem não muda de assunto

signos fixos em 51% da distribuição

Fixo é a qualidade astrológica de quem escolhe um território e fica nele a vida inteira. Ocupa metade do mapa dele, e a obra confirma sem exceção: Marte, outubro, a cidade pequena do meio-oeste, a infância, o medo do fim. De As Crônicas Marcianas, de 1950, até a morte, em 2012, são mais de sessenta anos escrevendo sobre o mesmo punhado de coisas, sem que ninguém jamais o acusasse de repetição. Ele recebeu a Medalha Nacional das Artes em 2004 e uma menção especial do Pulitzer em 2007.

As conversas do céu

A cabeça e o sonho no mesmo ponto

Mercúrio colado a Netuno, a 1,67 grau

Mercúrio é a maneira de pensar e Netuno é o que não tem contorno. Grudados, costumam descrever quem raciocina por imagem em vez de por lógica, e que às vezes não distingue muito bem uma coisa da outra. É o mecanismo de um escritor que descreveu Marte como uma cidade do interior de Illinois com o céu vermelho, e conseguiu que o mundo inteiro aceitasse.

O poder na casa do outro

Plutão oposto ao Ascendente, a 1,65 grau

Plutão é o planeta da força que transforma, e ele está exatamente do lado oposto da porta de entrada do mapa dele, ou seja, no ponto que trata do outro e da parceria. A tradição lê esse desenho como quem é mudado pelos encontros. Em 1953 ele foi contratado por John Huston para escrever o roteiro de Moby Dick, filme lançado em 1956, e a experiência com o diretor é uma das mais comentadas da vida dele.

O entusiasmo em acordo com a palavra

Lua em harmonia com Mercúrio, a 1,80 grau

A Lua é o sentir e Mercúrio é o dizer, e no mapa dele os dois conversam com facilidade. Costuma dar quem escreve exatamente como sente, sem filtro entre uma coisa e outra. É o que faz a prosa dele soar falada, quase como alguém contando caso na varanda, mesmo quando o assunto é uma expedição a Marte.

Elementos e aspectos

A mistura dos elementos

  • fogo37%
  • terra34%
  • Água29%
  • ar0%

Os aspectos mais apertados

  • Vênus conjunção Saturno · 0,23° de folga
  • Urano sextil Lilith · 0,28° de folga
  • Sol conjunção Júpiter · 0,4° de folga
  • Plutão trígono Nodo Norte · 0,91° de folga
  • Urano trígono Meio do Céu · 1,11° de folga
  • Plutão quadratura Quíron · 1,32° de folga

Você sabia?O elemento fogo é o mais forte do mapa dele, com 37%, num homem que escreveu o romance mais famoso da história sobre queimar livros. E tem uma segunda camada: o título Fahrenheit 451 se refere à temperatura em que o papel pegaria fogo sozinho, só que a ciência não confirma o número. Os estudos situam a autoignição do papel numa faixa entre 424 e 475 graus Fahrenheit, dependendo do tipo. O livro mais célebre sobre incêndio de papel tem um erro de termômetro no próprio título, e nem por isso alguém propôs mudar.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

De onde vem a hora de nascimento de Ray Bradbury?
Da fonte declarada logo abaixo do título, Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/ray-bradbury/), nota AA: registro de nascimento citado. A regra da casa é não publicar mapa sem origem de horário: hora sem fonte transforma o Ascendente e todas as casas em chute, e é justamente aí que a leitura muda mais. Quando a confiança do registro é média, a própria página avisa.
Ter o mesmo signo de Ray Bradbury quer dizer ser parecido com Ray Bradbury?
Não, e a lista de pontos aqui do lado mostra por quê. Além do Sol em Leão, Ray Bradbury tem Lua em Sagitário e Ascendente em Capricórnio, e cada um dos outros astros num grau e numa casa. Duas pessoas do mesmo signo solar quase nunca repetem o resto do desenho.
Se a hora estiver um pouco errada, o que muda?
Mudam o Ascendente e a divisão das casas, que dependem da rotação da Terra e viram depressa: poucos minutos já podem trocar o signo que subia no horizonte. Os astros mais lentos praticamente não saem do lugar, então a leitura deles por signo continua de pé mesmo quando o horário é aproximado.
Como comparo o meu mapa com este?
Calcule o seu de graça na calculadora que fica logo abaixo: ela devolve a mesma roda e a mesma lista de pontos que você está vendo aqui. Com os dois lado a lado, fica fácil reparar no que se repete e no que é só seu.

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