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Literatura

O mapa astral de Paul Auster

Paul Auster passou os anos 1970 em Paris traduzindo poetas franceses para sobreviver, quase largou a escrita e, em 1982, publicou duas coisas: um romance policial sob pseudônimo e o livro de memórias que assinou com o próprio nome. A Trilogia de Nova York, de 1987, transformou o gênero de detetive em enigma metafísico e virou leitura obrigatória. O mapa dele guarda uma ironia deliciosa sobre o tema central da obra inteira.

Nascimento: 3 de fevereiro de 1947, às 00:20, em Newark, NJ, Estados Unidos. Fonte do horário: Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/paul-auster/), nota B - Biografia/autobiografia (confiança média; o Ascendente pode variar).

A hora de nascimento veio de biografia publicada, e não de documento, o que rebaixa a fonte para a faixa de confiança média. Um deslocamento de minutos não move planeta de signo nem desfaz os ângulos entre eles, então essa camada da leitura é sólida. O que se move é o Ascendente, e com ele a distribuição das doze casas. Leia o que está dito sobre casas com essa reserva.

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A geometria real do céu de 03/02/1947

O céu em números

  • Sol13°32' Aquário · casa 3
  • Lua9°40' Câncer · casa 8
  • Ascendente8°08' Escorpião · casa 1
  • Meio do Céu15°54' Leão · casa 10
  • Mercúrio21°23' Aquário · casa 4
  • Vênus26°48' Sagitário · casa 2
  • Marte6°49' Aquário · casa 3
  • Júpiter25°15' Escorpião · casa 1
  • Saturnoretrógrado4°47' Leão · casa 9
  • Uranoretrógrado17°56' Gêmeos · casa 8
  • Netunoretrógrado10°40' Libra · casa 11
  • Plutãoretrógrado12°09' Leão · casa 9
  • Quíron8°22' Escorpião · casa 1
  • Lilith0°21' Capricórnio · casa 2

Sol, Lua, Ascendente e o elenco

o policial que vira outra coisa

Sol em Aquário, casa 3

Ele pegou a forma mais popular que existe, o romance de detetive, e a usou para escrever sobre identidade e linguagem. Isso é Sol em Aquário na casa 3: Aquário é o signo do desvio e do experimento, e a casa 3 é a da palavra, do texto curto e da narrativa. O centro da vida dele fica exatamente ali, no ponto em que a escrita convencional é torcida até virar outra coisa.

as histórias dos outros

Lua em Câncer, casa 8

Entre 1999 e 2001, ele leu no ar mais de quatro mil histórias enviadas por ouvintes comuns num programa de rádio da NPR. A Lua dele, encarregada do que nutre alguém por dentro, está em Câncer, signo da memória e do afeto doméstico, na casa 8, a do que se divide com outros. É o retrato de um escritor que precisa da história miúda de gente desconhecida do mesmo jeito que precisa das próprias.

a chegada que não se abre

Ascendente em Escorpião

Ascendente em Escorpião dá ao primeiro contato o feitio de quem se apresenta com reserva e dá a impressão de guardar mais do que mostra. Combina com um autor cujos narradores nunca entregam o jogo, e cuja prosa é limpa por fora e cheia de alçapão por dentro. Escorpião não engana: só não conta tudo de uma vez.

a cabeça que mora em Brooklyn

Mercúrio em Aquário, casa 4

Mercúrio, que responde pelo pensamento e pela conversa, está nele em Aquário, na casa 4, que trata do endereço e do que é de casa. É a assinatura de alguém cujo pensamento é inseparável de um endereço: ele viveu em Brooklyn por décadas e transformou o bairro em cenário recorrente da obra, de Smoke a boa parte dos romances. O pensamento dele tem CEP.

o gosto que veio de fora

Vênus em Sagitário, casa 2

Depois de se formar em 1970, ele passou anos na França tentando ganhar a vida com tradução literária. Vênus, que trata do que se ama e daquilo que sustenta alguém por afeto, cai em Sagitário, signo do estrangeiro e da distância, dentro da casa 2, a dos recursos próprios. É o desenho de quem literalmente pagou as contas com o gosto por outra língua.

a insistência silenciosa

Marte em Aquário, casa 3

Marte, que descreve como a pessoa briga pelo que quer, está nele em Aquário, também na casa 3, ao lado do Sol. Aquário age por convicção, não por ímpeto. É a energia de quem quase abandonou a escrita nos anos 1970, publicou Squeeze Play em 1982 sob o pseudônimo Paul Benjamin e, no mesmo ano, lançou A Invenção da Solidão com o próprio nome. Ele não desistiu; mudou de porta.

O que o mundo vê, e onde isso mora no mapa

O escritor do acaso num mapa que não se move

71% do mapa em signos fixos

Signos fixos são os que resistem à mudança, os que fincam pé e repetem. Sete de cada dez pontos do mapa dele caem neles, uma proporção altíssima. E o tema que atravessa a obra inteira, do primeiro romance ao último, é justamente o oposto: a coincidência, o encontro fortuito, a virada que ninguém planejou. É como se ele tivesse passado cinquenta anos escrevendo sobre a única coisa que o próprio céu quase não tem.

A ferida na porta de entrada

Quíron colado no Ascendente, a 0,23 grau

Quíron aponta a fragilidade antiga que acaba virando lente para enxergar os outros, e na carta dele ele fica a menos de um quarto de grau do Ascendente, praticamente em cima da porta de entrada. Esse encontro costuma ser lido como alguém cuja identidade pública se organiza em torno de uma falta. A estreia dele com o próprio nome, em 1982, foi um livro de memórias sobre ausência, e o assunto nunca saiu da obra.

A tabacaria como salão de histórias

Lua em Câncer harmonizando com o Ascendente, 1,54 grau

A Lua em Câncer é a Lua no próprio signo, o retrato do apego ao lugar e à rotina afetiva, e ela se entende bem com o ângulo de chegada da carta. Em 1995 ele assinou o roteiro de Smoke, filme inteiro construído em torno de uma tabacaria do Brooklyn onde as pessoas contam histórias umas para as outras, e levou por ele o Independent Spirit de melhor roteiro de estreia. É uma casa 8 e uma Lua de Câncer em forma de filme.

O poder que puxa contra o eu

Sol em oposição a Plutão, a 1,38 grau

Plutão é o planeta do destino pesado e do que não se controla, e ele está em oposição direta ao Sol dele. O sentido clássico desse eixo é o de quem vive puxado entre a vontade própria e forças maiores. É a estrutura narrativa de quase todo livro dele: um sujeito comum toma uma decisão pequena e a vida inteira se reorganiza sem pedir autorização. O aspecto não escreveu os livros, mas descreve a obsessão.

A ponte para a França

Vênus em Sagitário na casa 2, a do sustento

A casa 2 é a do que a pessoa consegue transformar em renda, e ali está Vênus, no signo das terras distantes e da língua estrangeira. Ele passou o começo dos anos 1970 em Paris traduzindo poesia francesa e voltou aos Estados Unidos em 1974 sem carreira montada. A tradução não foi um desvio: foi o ofício que financiou a formação do escritor, exatamente como essa casa costuma funcionar.

As conversas do céu

A emoção que se dissolve

Lua em tensão com Netuno, a 1,00 grau

Netuno é o planeta que apaga contorno e a Lua é o sentimento, e neste mapa os dois brigam entre si com exatamente um grau de distância. Costuma descrever quem tem dificuldade de separar o que aconteceu do que foi imaginado. Para um romancista que mistura autobiografia e ficção a ponto de colocar personagens com o próprio nome nos livros, é um desenho quase engraçado de tão exato.

A ação que esbarra na fachada

Marte e o Ascendente em quadratura de 1,31 grau

O Ascendente é o modo de se apresentar e Marte é o impulso de agir, e o choque entre eles costuma indicar quem tem uma inquietação interna que a postura contida não deixa transparecer. É o retrato de um escritor descrito por todos como sereno e educado, cuja obra é feita de gente que some, foge e se desfaz.

A ferida que se comunica

Lua em ângulo de apoio a Quíron, a 1,31 grau

Quando o ponto da emoção conversa bem com o ponto da dor que ensina, a astrologia clássica descreve quem consegue falar do próprio machucado sem espetáculo e ainda ajudar quem lê. É a diferença entre um livro de sofrimento e um livro que serve para alguém. A obra dele é lida no mundo inteiro justamente por essa temperatura, sóbria e acolhedora ao mesmo tempo.

Elementos e aspectos

A mistura dos elementos

  • ar39%
  • Água27%
  • fogo24%
  • terra10%

Os aspectos mais apertados

  • Quíron conjunção Ascendente · 0,23° de folga
  • Netuno trígono Nodo Norte · 0,96° de folga
  • Lua quadratura Netuno · 1° de folga
  • Lua trígono Quíron · 1,31° de folga
  • Marte quadratura Ascendente · 1,31° de folga
  • Sol oposição Plutão · 1,38° de folga

Você sabia?A obra inteira dele gira em torno do acaso, da coincidência e do encontro fortuito que muda uma vida, e o mapa dele tem 71% em signos fixos, os que a astrologia associa a permanência, teimosia e recusa de mudar de lugar. Um escritor de temperamento imóvel escrevendo cinquenta anos sobre a instabilidade do mundo. Se um personagem dele descobrisse isso, viraria capítulo.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

De onde vem a hora de nascimento de Paul Auster?
Da fonte declarada logo abaixo do título, Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/paul-auster/), nota B - Biografia/autobiografia. A regra da casa é não publicar mapa sem origem de horário: hora sem fonte transforma o Ascendente e todas as casas em chute, e é justamente aí que a leitura muda mais. Quando a confiança do registro é média, a própria página avisa.
Ter o mesmo signo de Paul Auster quer dizer ser parecido com Paul Auster?
Não, e a lista de pontos aqui do lado mostra por quê. Além do Sol em Aquário, Paul Auster tem Lua em Câncer e Ascendente em Escorpião, e cada um dos outros astros num grau e numa casa. Duas pessoas do mesmo signo solar quase nunca repetem o resto do desenho.
Se a hora estiver um pouco errada, o que muda?
Mudam o Ascendente e a divisão das casas, que dependem da rotação da Terra e viram depressa: poucos minutos já podem trocar o signo que subia no horizonte. Os astros mais lentos praticamente não saem do lugar, então a leitura deles por signo continua de pé mesmo quando o horário é aproximado.
Como comparo o meu mapa com este?
Calcule o seu de graça na calculadora que fica logo abaixo: ela devolve a mesma roda e a mesma lista de pontos que você está vendo aqui. Com os dois lado a lado, fica fácil reparar no que se repete e no que é só seu.

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