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História do Brasil

O mapa astral de Maria Leopoldina

Arquiduquesa da Áustria e primeira imperatriz do Brasil, foi bem mais do que o título sugere: era naturalista de verdade, estudava mineralogia e botânica e falava seis idiomas. Trouxe consigo, em 1817, a missão científica austríaca que percorreu o país e originou algumas das maiores coleções sobre a natureza brasileira já reunidas. Em 2 de setembro de 1822, como princesa regente, presidiu a sessão do Conselho de Estado que decidiu pela ruptura com Portugal e assinou o documento, despachando no mesmo dia a carta que alcançaria Dom Pedro a caminho de São Paulo.

Nascimento: 22 de janeiro de 1797, às 07:30, em Viena, Áustria. Fonte do horário: Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/maria-leopoldina/), nota A - Reportagem.

Duas ressalvas. A Lua dela está a cinco centésimos de grau de trocar de signo, então o horário registrado pela fonte é decisivo aqui: uma diferença de poucos minutos moveria a Lua para Sagitário. E Quíron fica de fora porque as tabelas astronômicas modernas só alcançam datas a partir de cerca de 1800, e ela nasceu em 1797, por pouco.

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A geometria real do céu de 22/01/1797

O céu em números

  • Sol2°49' Aquário · casa 1
  • Lua29°56' Escorpião · casa 10
  • Ascendente27°58' Capricórnio · casa 1
  • Meio do Céu26°51' Escorpião · casa 10
  • Mercúrio19°35' Aquário · casa 1
  • Vênus1°29' Capricórnio · casa 11
  • Marte3°36' Áries · casa 2
  • Júpiter13°41' Peixes · casa 1
  • Saturnoretrógrado21°41' Gêmeos · casa 5
  • Uranoretrógrado12°12' Virgem · casa 7
  • Netuno10°37' Escorpião · casa 9
  • Plutão27°56' Aquário · casa 1
  • Lilith15°46' Capricórnio · casa 12

Sol, Lua, Ascendente e o elenco

a cientista dentro do palácio

Sol em Aquário, casa 1

Onde está o Sol, está o essencial de uma pessoa. O dela caiu em Aquário, o signo da ciência, da curiosidade e de quem não se encaixa direito no protocolo, bem na parte do mapa que fala de quem a pessoa é. É um retrato incomum para uma arquiduquesa criada na corte mais cerimoniosa da Europa, e explica muito da mulher que preferia catalogar minerais a cumprir agenda.

o que ficava por baixo

Lua em Escorpião, casa 10

O que a Lua conta é o avesso de alguém, o lado que não vai para o retrato oficial. A dela fica em Escorpião, o signo do que é intenso e não se exibe, no ponto mais alto do mapa, a área da imagem pública. É a combinação de quem sente com uma profundidade enorme e não mostra quase nada disso, exatamente o comportamento esperado de alguém formado para representar uma coroa.

a compostura

Ascendente em Capricórnio

O Ascendente é a postura com que a pessoa se apresenta ao mundo. O dela é Capricórnio, o signo do dever, da postura firme e de quem cumpre o papel mesmo sem vontade. Bate com uma mulher educada desde criança para representar um império e que, na hora em que precisou tomar uma decisão de Estado sozinha, não hesitou.

a cabeça que estuda

Mercúrio em Aquário, casa 1

O funcionamento da cabeça é assunto de Mercúrio, e o dela também caiu em Aquário, o signo do raciocínio científico e da curiosidade sem hierarquia, na mesma parte do mapa que fala de quem ela é. É a assinatura de uma mente que aprendeu seis idiomas, trocava cartas com naturalistas europeus e tratava a natureza brasileira como objeto de estudo sério, e não como paisagem exótica.

o afeto que vem de longe

Vênus em Capricórnio, casa 11

Vênus é onde moram o gosto e o carinho de alguém. A dela fica em Capricórnio, o signo do sóbrio e do duradouro, na parte do mapa que fala de grupos e de causas maiores. É o eco de alguém cujo gosto pessoal, formado numa Viena de museus e gabinetes de história natural, virou um projeto coletivo assim que ela desembarcou aqui.

a decisão rápida

Marte em Áries, casa 2

Marte é o gatilho, o que faz a pessoa sair do lugar, e o dela fica em Áries, o signo da decisão tomada na hora, sem consultar duas vezes. É o ponto mais quente de um mapa que quase não tem fogo, e isso concentra toda a pressa dela num lugar só: na hora de decidir. O 2 de setembro de 1822 é o dia em que esse Marte apareceu inteiro.

O que o mundo vê, e onde isso mora no mapa

A imperatriz que colecionava pedras

Sol, Mercúrio e Plutão em Aquário na casa 1, a de quem a pessoa é

Ela estudava mineralogia e botânica a sério, mantinha coleções próprias e foi a razão de a missão científica austríaca de 1817 vir ao Brasil, expedição que rendeu milhares de espécimes, desenhos e registros que ainda hoje sustentam obras de referência sobre a natureza brasileira. Aquário é o signo da ciência e de quem se interessa pelo mundo por curiosidade genuína, e três pontos do mapa dela caem ali, logo na entrada, a parte que descreve o que a pessoa é antes de qualquer título. A astrologia não escolheria signo melhor para uma imperatriz de microscópio.

O dia 2 de setembro

Marte em Áries na casa 2, em bom ângulo com o Sol, a 0,79 grau, num mapa com apenas 8% de fogo

Na ausência de Dom Pedro, ela presidiu a reunião do Conselho de Estado, assinou a decisão pela separação de Portugal e mandou a carta que o alcançaria na estrada. O detalhe astrológico é bonito: o fogo, que é o naipe da coragem impulsiva, ocupa só 8% do céu dela, quase nada, e toda essa brasa está concentrada em Marte, o planeta da ação, no signo mais decidido do zodíaco, conversando sem atrito com a essência dela. Não era uma mulher afoita, mas quando a decisão apareceu na mesa, ela decidiu no mesmo dia.

O papel que ficou submerso

Lua no último grau de Escorpião na casa 10, com o Meio do Céu no mesmo signo e Plutão em tensão a 1,09 grau

Por mais de um século, a história oficial da Independência coube quase inteira ao grito às margens do Ipiranga, e o que aconteceu na sala do Conselho de Estado, dias antes, ficou de fora dos quadros e dos livros escolares. O topo do mapa dela, que fala da marca pública, está em Escorpião, o signo do que age por baixo da superfície, com a Lua ali e Plutão, o planeta do poder e do que fica enterrado, fazendo tensão com esse ponto. É o desenho de um protagonismo que só voltaria à tona muito tempo depois.

A herdeira que assinou uma ruptura

Júpiter e Urano em lados opostos do céu, a 1,48 grau

Júpiter é o planeta da tradição, da instituição e da fé herdada; Urano é o da ruptura e do que corta com o passado. Os dois se encaram de pontas opostas do céu dela. Costuma dar quem carrega duas lealdades incompatíveis dentro de si. Poucas biografias ilustram isso melhor: nascida no coração da monarquia mais antiga da Europa, filha de imperador, ela assinou o papel que separou um país do reino a que pertencia.

As conversas do céu

A bagagem que veio junto

Vênus praticamente colada ao nodo sul, a 0,01 grau, o encontro mais exato do mapa

O nodo sul é lido pela astrologia como aquilo que já vem pronto de trás, a bagagem que a pessoa traz sem precisar aprender. Vênus, que é o gosto e a cultura, está encostada nesse ponto no céu dela com um centésimo de grau de folga, coisa raríssima de se ver num mapa. Costuma dar quem chega a qualquer lugar já trazendo um repertório inteiro na mala. Ela desembarcou no Rio de Janeiro acompanhada de naturalistas, pintores e uma biblioteca.

O sentir e a postura no mesmo tom

Lua em conversa suave com o Ascendente, a 1,97 grau

A Lua é a emoção e o Ascendente é a postura que se mostra. Esses dois se entendem sem atrito, ambos em signos discretos e contidos. Costuma dar gente que não deixa transparecer o tamanho do que sente, e que por isso é lida como fria por quem a vê de longe. As cartas dela, publicadas muito depois, mostram uma pessoa bem mais inteira do que os retratos oficiais deixavam ver.

Elementos e aspectos

A mistura dos elementos

  • Água35%
  • terra32%
  • ar25%
  • fogo8%

Os aspectos mais apertados

  • Vênus oposição Nodo Norte · 0,01° de folga
  • Sol sextil Marte · 0,79° de folga
  • Plutão quadratura Meio do Céu · 1,09° de folga
  • Ascendente sextil Meio do Céu · 1,12° de folga
  • Júpiter oposição Urano · 1,48° de folga
  • Urano sextil Netuno · 1,58° de folga

Você sabia?Tem um detalhe aqui de tirar o fôlego: a Lua dela pegou o último centésimo de grau de Escorpião, no 29,95. Se ela tivesse nascido poucos minutos depois, a Lua já estaria em Sagitário e a leitura emocional do mapa inteiro mudaria de signo. É o tipo de detalhe que faz astrólogo prender a respiração, e mostra por que a hora de nascimento importa tanto quanto a data.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

De onde vem a hora de nascimento de Maria Leopoldina?
Da fonte declarada logo abaixo do título, Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/maria-leopoldina/), nota A - Reportagem. A regra da casa é não publicar mapa sem origem de horário: hora sem fonte transforma o Ascendente e todas as casas em chute, e é justamente aí que a leitura muda mais. Quando a confiança do registro é média, a própria página avisa.
Ter o mesmo signo de Maria Leopoldina quer dizer ser parecido com Maria Leopoldina?
Não, e a lista de pontos aqui do lado mostra por quê. Além do Sol em Aquário, Maria Leopoldina tem Lua em Escorpião e Ascendente em Capricórnio, e cada um dos outros astros num grau e numa casa. Duas pessoas do mesmo signo solar quase nunca repetem o resto do desenho.
Se a hora estiver um pouco errada, o que muda?
Mudam o Ascendente e a divisão das casas, que dependem da rotação da Terra e viram depressa: poucos minutos já podem trocar o signo que subia no horizonte. Os astros mais lentos praticamente não saem do lugar, então a leitura deles por signo continua de pé mesmo quando o horário é aproximado.
Como comparo o meu mapa com este?
Calcule o seu de graça na calculadora que fica logo abaixo: ela devolve a mesma roda e a mesma lista de pontos que você está vendo aqui. Com os dois lado a lado, fica fácil reparar no que se repete e no que é só seu.

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