Flor e planta · Virgem
A flor de Virgem é o alecrim, e o nome dele quer dizer orvalho do mar
Tem planta que morre de sede e tem planta que morre de atenção. O alecrim é do segundo tipo, e essa é a parte difícil.
Por que combina com Virgem
Terra mutável descreve uma planta que se adapta a solo ruim e continua entregando. O alecrim é exatamente isso: cresce em terreno pedregoso, pobre e seco, aguenta vento salgado e prefere ser esquecido a ser regado demais. Ele morre muito mais por excesso de cuidado do que por falta. Existe aí uma lição inteira sobre Virgem, e ela pode ser dita sem nenhuma promessa: nem tudo que a gente ama melhora quando a gente mexe mais.
Na herbologia tradicional, o alecrim aparece em mais de uma regência. Nicholas Culpeper, no herbário inglês do século 17, colocou o alecrim sob o Sol. Já as listas mais recentes de correspondência costumam levá-lo para Mercúrio, justamente por causa da associação antiga com a memória e com o pensamento, que são os territórios do planeta que rege Virgem. Vale registrar essa divergência com honestidade em vez de escolher um lado e fingir que é consenso: tradição herbal não é ciência, é acúmulo de costume, e costumes discordam entre si.
A ligação com a memória, essa sim, é documentadíssima. Shakespeare colocou na boca de Ofélia, em Hamlet, a frase sobre o alecrim ser para a lembrança, e ela não estava inventando: a planta já era usada em ritos de casamento e de luto na Europa como sinal de que não se esquece. Isso é simbolismo cultural, e é o único registro em que a frase cabe. O alecrim não faz nada com a sua memória. Ele é, há séculos, o objeto que as pessoas escolheram para dizer que estão lembrando.
Na vida real
Pense na casa depois de uma mudança, aquela fase em que ainda tem caixa no corredor e nada tem lugar. Virgem sofre nesse cenário mais do que admite, porque a bagunça externa faz barulho na cabeça. Colocar um vaso de alecrim na janela da cozinha no primeiro fim de semana é um gesto pequeno e desproporcionalmente eficaz, e não por nenhum motivo místico: é a primeira coisa da casa nova que tem um lugar definido e uma rotina simples. Você rega quando o dedo sai seco. É a única tarefa da casa, naquela semana, que tem começo, meio e fim.
Você sabia?
O nome científico antigo do alecrim é Rosmarinus officinalis, e Rosmarinus vem de ros marinus, orvalho do mar em latim, porque a planta cresce nos penhascos do Mediterrâneo, tomando respingo e névoa salgada o tempo todo. Já a botânica moderna reclassificou o alecrim para dentro do gênero das sálvias. Mas a melhor conexão com o signo está no céu, não no chão: nas cartas celestes antigas, a figura de Virgem aparece segurando uma espiga de trigo, e a estrela mais brilhante da constelação se chama Spica, que quer dizer exatamente espiga em latim. O signo mais associado à colheita, ao trabalho miúdo e ao grão separado do joio carrega no ponto mais luminoso do seu desenho a palavra espiga.
Como usar no dia a dia
No vaso da janela da cozinha
É o lugar certo, e não só pela estética. Alecrim precisa de sol direto por várias horas, então parapeito de cozinha virado para o norte ou para o leste costuma ser o melhor ponto da casa. E na cozinha ele entra em uso, que é como Virgem gosta de qualquer coisa: um ramo no frango assado, um galho na batata, uma folha no azeite.
Como cultivar no Brasil (spoiler: é fácil)
Diferente da maioria das plantas de tradição europeia, o alecrim vai muito bem no clima brasileiro, e é vendido em qualquer feira e supermercado como muda barata. As duas regras que resolvem noventa por cento dos casos: solo que drena rápido, com areia ou perlita misturada, e regar só quando o dedo enfiado na terra sair seco. Vaso sem furo mata alecrim em duas semanas.
De presente, prefira a muda ao buquê
Alecrim cortado dura pouco no vaso e não é flor de floricultura. Uma muda em vaso de barro, com uma etiqueta escrita à mão dizendo o que é e como regar, funciona muito melhor. É presente barato, é presente que continua vivo em dois anos e é o tipo de coisa que Virgem aprecia genuinamente: útil, cuidado e sem exagero de embalagem.
Como podar e conservar o ramo
Pode sempre a ponta nova, nunca a madeira dura da base, porque o alecrim não rebrota bem de galho lenhoso. Podar com frequência deixa a planta mais cheia. Para guardar, amarre os ramos e pendure de cabeça para baixo num lugar arejado e sem sol direto por umas duas semanas: seco, ele mantém o cheiro por meses num pote fechado.
Se não achar (ou não gostar): alternativas
Lavanda
Prima do alecrim na mesma família botânica, com a mesma preferência por sol e solo seco. Dá flor de verdade, o que resolve para quem quer cor no vaso, e no Brasil vai melhor em regiões de altitude e clima mais ameno.
Miosótis
A florzinha azul minúscula cujo nome em várias línguas significa não me esqueça. Se a linha da memória é o que te interessou nesta página, é a flor que carrega essa ideia de forma mais explícita, e é linda em arranjo pequeno.
Manjericão
Outra erva de cozinha que vira planta de janela, ainda mais fácil de achar e de fazer render. Serve para quem gostou da lógica de ter uma planta que participa do jantar em vez de ficar só enfeitando a estante.
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Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
O alecrim faz alguma coisa por quem cultiva?
Existe uma flor oficial para cada signo?
Meu alecrim está secando, o que eu fiz de errado?
Por que alecrim e não uma flor mais bonita?
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