Os cinco elementos no ambiente
O elemento Água no feng shui
Nada estagna por falta de espaço. Estagna por falta de saída.
O que este elemento é
Na roda das cinco fases esta é a do inverno e do fundo: o momento em que tudo recolhe, guarda energia e espera. Soa contraditório para um elemento associado a movimento, e a contradição é justamente o ponto. Água é o que corre por baixo, sem forma própria, tomando o formato do que a contém, e foi por isso que a tradição a ligou a percurso, escuta, sabedoria e à pergunta sobre o que fazer da vida.
Num cômodo, ela faz as coisas circularem: conversa, ideia, ar, luz refletida. Um espelho bem posto numa parede lateral devolve claridade para o fundo da sala e dobra o tamanho aparente do ambiente; uma superfície de vidro deixa o olho atravessar em vez de esbarrar; uma linha ondulada num tapete quebra a rigidez de uma sala toda quadrada.
Vale saber de saída, porque é o erro mais repetido do Brasil: espelho é o objeto de Água mais comum e o mais mal colocado. Ele não deve ficar de frente para a porta de entrada, porque devolve para fora o que acabou de entrar, nem refletir quem está dormindo. Parede lateral, sim; de frente para a porta ou para a cama, não.
Como acrescentar sem gastar
Antes de qualquer objeto, olhe a cor: preto e azul muito escuro entram por almofada, capa de livro, pano dobrado, capacho, uma pasta guardada em pé. É o caminho mais barato e o menos arriscado, porque cor não pinga, não cria mofo e não pede limpeza semanal.
Depois vem o vidro, que toda casa tem: um vaso com água limpa, uma jarra, um copo bonito que deixou de ser copo e virou objeto. Trocar a água toda semana faz parte da cura, e é aí que mora a diferença entre acrescentar este elemento e acrescentar mosquito. Se for usar espelho, aponte para uma parede lateral e para alguma coisa que valha a pena duplicar, nunca para a bagunça.
Sobre fonte e aquário, a honestidade primeiro: a tradição gosta de água em movimento, mas fonte parada, suja ou barulhenta é pior que fonte nenhuma, e aquário é bicho vivo, não é enfeite. Se você não vai limpar toda semana, fique na cor e no vidro, que cumprem o papel e não cobram manutenção.
Os dois ciclos
Quem alimenta a Água é o Metal: superfície fria condensa orvalho, é o copo gelado suando na mesa em pleno janeiro. Dentro de casa isso quer dizer que circulação nasce de precisão, uma relação que surpreende quem espera o contrário: quando cada coisa tem lugar, sobra cabeça para pensar, e a conversa volta sozinha. Uma bandeja redonda, uma caixa branca, uma superfície esvaziada, e o ambiente destrava. Quem a Água alimenta é a Madeira, e aqui é rega, sem metáfora: ambiente com muita planta e nenhum ponto de Água é, quase sempre, exatamente o ambiente em que as plantas morrem.
Quem segura a Água é a Terra, que a represa. É a cura do cômodo virado lugar de dispersão: barro, quadrado, peso, um tapete que marque o chão, uma bandeja onde a chave para de circular. Represar não é fechar, é dar margem, que é o que qualquer rio precisa para não virar alagado.
E quem a Água segura é o Fogo, que ela apaga. Esse é o ajuste do ambiente excitado demais, do quarto quente com luz forte e imagem por toda parte: azul-escuro na cortina ou na roupa de cama, um tom mais frio, menos ponto de luz aceso à noite. É a mesma lógica que faz alguém tomar banho para desligar depois de um dia impossível.
Excesso e falta
Com Água demais, o cômodo vira lugar de dispersão: a pessoa entra para fazer uma coisa e sai duas horas depois sem ter feito. Os sinais materiais são reconhecíveis: muita superfície refletindo, espelho de frente para espelho, vidro por todo lado, tudo em azul profundo e nada firme onde o olho possa apoiar. Terra resolve, e resolve barato: um tapete, uma peça de cerâmica, um móvel baixo e maciço.
Com Água de menos, as conversas emperram e as ideias não circulam, como cano fechado. É a casa em que cada um janta em um cômodo, é o escritório em que ninguém pergunta nada, é aquela sala escura no fundo do corredor em que ninguém entra há meses. Aqui a cura é luz refletida e cor: limpe o vidro da janela, ponha um espelho na parede lateral do corredor, acrescente um azul profundo em algo têxtil.
Um lembrete que atravessa esta página inteira: vazamento não é Água, é perda. Torneira pingando, descarga correndo e infiltração não acrescentam este elemento, tiram, e a escola é categórica nisso. Consertar o que vaza vem sempre antes de acrescentar qualquer coisa, e costuma custar um vedante.
Você sabia?
O nome feng shui quer dizer, ao pé da letra, vento e água, e ele vem de uma frase do Livro dos Sepultamentos, atribuído a Guo Pu no século quarto: o chi se dispersa quando é levado pelo vento e se detém quando encontra o limite da água. É uma definição de paisagem, não de decoração, e vale reler com calma porque explica o sistema inteiro: o que a tradição procura é um lugar onde a energia não se espalhe nem empoce, protegido do vento e contido pela água. Todo o resto, a cama com parede atrás, a mesa que enxerga a porta, o corredor livre, é essa mesma frase aplicada em escala doméstica. Da próxima vez que alguém disser que feng shui é pendurar objeto, você pode responder que o nome da coisa é vento e água, e que nenhum dos dois cabe numa prateleira.
Como reconhecer Água num cômodo
Cores
preto e azul-escuro
Formas
linha ondulada, contorno irregular, tudo que não tem canto
Materiais
espelho, vidro, fonte, aquário, tecido brilhante
Áreas do baguá
Carreira
A posição deste elemento nos dois ciclos
Quem alimenta
Metal alimenta Água
Quem ele alimenta
Água alimenta Madeira
Quem segura
Terra segura Água
Quem ele segura
Água segura Fogo
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Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
Espelho de frente para a porta de entrada é mesmo problema?
Aquário dá sorte?
Vale a pena ter fonte de água em casa?
Banheiro é excesso de Água?
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