Literatura
O mapa astral de Yukio Mishima
Nascimento: 14 de janeiro de 1925, às 21:00, em Tóquio, Japão. Fonte do horário: Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/yukio-mishima/), nota B - Biografia/autobiografia (confiança média; o Ascendente pode variar).
A hora usada aqui, 21h, vem de fonte biográfica e não de registro civil, o que a coloca num grau de confiança menor. Isso não afeta os signos dos planetas, que mudam devagar, mas afeta o Ascendente e a divisão das casas, que giram cerca de um grau a cada quatro minutos. Leia as afirmações sobre casas com essa ressalva.
A geometria real do céu de 14/01/1925
O céu em números
- Sol23°49' Capricórnio · casa 5
- Lua12°22' Virgem · casa 12
- Ascendente15°59' Virgem · casa 1
- Meio do Céu14°26' Gêmeos · casa 10
- Mercúrio0°09' Capricórnio · casa 4
- Vênus29°27' Sagitário · casa 4
- Marte16°02' Áries · casa 8
- Júpiter6°12' Capricórnio · casa 4
- Saturno13°03' Escorpião · casa 3
- Urano18°33' Peixes · casa 7
- Netunoretrógrado21°55' Leão · casa 12
- Plutãoretrógrado12°15' Câncer · casa 10
- Quíron20°11' Áries · casa 8
- Lilith3°13' Câncer · casa 10
Sol, Lua, Ascendente e o elenco
a obra como monumento
Sol em Capricórnio, casa 5
O Sol, ponto da essência, está em Capricórnio, o signo da ambição de longo prazo e da disciplina, na casa 5, a da criação. É o retrato de quem trata literatura como construção de monumento e não como inspiração de ocasião: escreveu romance, teatro, conto e ensaio sem intervalo desde os vinte e poucos anos até o último ano de vida.
a vida por baixo da máscara
Lua em Virgem, casa 12
A Lua mostra o que a pessoa sente por dentro, e a dele está na casa 12, o canto do mapa ligado ao que não se mostra, ao segredo e ao subterrâneo. O romance que o consagrou aos 24 anos chama-se Confissões de uma Máscara e trata exatamente disso: o que fica escondido atrás da cara que se apresenta ao mundo.
o rigor visível
Ascendente em Virgem
O Ascendente descreve a maneira como a pessoa chega, e o dele é Virgem, o signo do método, da correção e do controle. Combina com um autor conhecido pela prosa exata e milimétrica, e com um homem que passou a segunda metade da vida corrigindo o próprio corpo com a mesma disciplina com que corrigia uma frase.
a palavra que se ergue devagar
Mercúrio em Capricórnio, casa 4
Mercúrio é o ponto da escrita, e o dele está bem no primeiro grau de Capricórnio, o signo do que se constrói pedra por pedra, na casa 4, a das raízes e da tradição. Bate com um escritor cuja obra volta sempre ao mesmo território: o Japão antigo, a herança recebida, o que se perde quando um país troca de pele de uma geração para a outra.
a beleza virada doutrina
Vênus em Sagitário, casa 4
Vênus é o gosto e o que a pessoa acha belo, e a dele está no último grau de Sagitário, o signo das convicções inteiras, colada a Mercúrio, na casa das origens. É a assinatura de alguém que transformou beleza em causa e não em prazer: para ele, discutir estética e discutir a identidade do país eram a mesma conversa.
a força e o fim
Marte em Áries, casa 8
Marte, o planeta da ação e da luta, está em Áries, o signo que ele governa, na casa 8, o setor ligado às passagens, ao fim e ao que transforma sem volta. É a posição mais explicativa do mapa dele e também a mais desconfortável: a obra inteira gira em torno de morte, beleza e ruína, e a vida terminou num gesto político planejado.
O que o mundo vê, e onde isso mora no mapa
O corpo contra a palavra
terra em 41% do mapa, a maior fatia
Terra é o naipe da matéria, do músculo, do que se pega com a mão, e é o maior do mapa dele, com 41%. Em 1955, já escritor consagrado, ele começou a treinar com pesos e chegou a quinto dan no kendô, transformando o próprio corpo num projeto tão sério quanto os livros. No ensaio Sol e Aço, de 1968, ele ataca abertamente a supremacia que os intelectuais dão à mente sobre o corpo. Poucos escritores fizeram do físico uma tese.
A máscara e a casa do escondido
Lua e Netuno na casa 12
A casa 12 é o canto do mapa do que fica submerso, e ele tem a Lua e Netuno ali dentro. O livro que o tornou conhecido chama-se Confissões de uma Máscara, de 1949, e é sobre a distância entre o que a pessoa mostra e o que ela é. Não é um tema qualquer na obra dele: é o tema, repetido de romance em romance, sempre com a mesma pergunta sobre quanto de uma vida é encenação.
Três pontos na casa das raízes
Mercúrio, Vênus e Júpiter na casa 4
A casa 4 fala de origem, de tradição herdada e do que vem de trás, e ele tem três pontos ali. Foi um autor obcecado pelo Japão anterior à guerra, pela figura do imperador e pelo que ele enxergava como perda da essência nacional diante do materialismo ocidental. Em 1968 fundou a Tatenokai, milícia particular criada, segundo ele próprio, para proteger a dignidade do imperador como símbolo da identidade do país.
Marte na casa dos fins
Marte em Áries na casa 8
A casa 8 é a das passagens e do que não tem volta, e é ali que está o Marte dele, no signo mais combativo do zodíaco. Em 25 de novembro de 1970, ele e quatro membros da milícia entraram num quartel em Tóquio, fizeram o comandante refém e tentaram convencer as Forças de Autodefesa a se levantarem para revogar o artigo 9 da Constituição e devolver a divindade ao imperador. A tentativa fracassou e ele morreu no mesmo dia, aos 45 anos. O céu não obriga ninguém a nada, mas é honesto dizer que obra e desfecho conversam com essa posição.
A produção que não parava
Sol em Capricórnio na casa 5, a da criação
Capricórnio é o signo do trabalho acumulado e da meta longa, e o Sol dele está ali, na casa em que a pessoa cria. Entre o fim dos anos 1940 e 1970 ele produziu romances, peças de teatro, contos e ensaios num ritmo que o colocou cinco vezes na lista de indicados ao Nobel de Literatura. Aos 45 anos já tinha obra de escritor octogenário.
As conversas do céu
A Lua e Plutão em ângulo fechado
sextil a 0,12 grau
A Lua é o mundo interno e Plutão é o que remexe no fundo, e no mapa dele os dois conversam com doze centésimos de grau de diferença, quase exato. Costuma dar gente que vasculha os próprios subterrâneos sem pudor e transforma o achado em material de trabalho. É uma boa descrição do projeto literário dele do primeiro livro ao último.
A emoção posta em forma rígida
Lua e Saturno em sextil, a 0,67 grau
Saturno é a disciplina e o limite, e ele apoia a Lua dele num ângulo apertado. Costuma dar quem organiza a emoção dentro de uma forma rígida em vez de deixá-la solta. Combina com uma prosa milimétrica escrita sobre assuntos incandescentes, em que o controle da frase é parte do efeito.
Estrutura e intensidade no mesmo time
Saturno e Plutão em trígono, a 0,79 grau
Saturno é a estrutura e Plutão é a intensidade que não afrouxa, e no mapa dele os dois se ajudam. A tradição associa isso a quem aguenta trabalhar por muito tempo com matéria pesada sem se desfazer no caminho. Vinte anos de obra girando em torno de morte, honra e beleza, sem desviar do assunto, dão a medida.
Elementos e aspectos
A mistura dos elementos
- terra41%
- fogo30%
- Água19%
- ar10%
Os aspectos mais apertados
- Lua sextil Plutão · 0,12° de folga
- Lua sextil Saturno · 0,67° de folga
- Nodo Norte sextil Meio do Céu · 0,69° de folga
- Mercúrio conjunção Vênus · 0,7° de folga
- Saturno quadratura Nodo Norte · 0,72° de folga
- Saturno trígono Plutão · 0,79° de folga
Você sabia?Ele foi indicado ao Nobel de Literatura cinco vezes na mesma década: 1963, 1964, 1965, 1967 e 1968. Tinha 38 anos na primeira indicação e morreu aos 45, ou seja, todas as indicações couberam em sete anos de vida. E Yukio Mishima nem era o nome dele: nasceu Kimitake Hiraoka, e o nome pelo qual o mundo inteiro o conhece é um pseudônimo literário.
Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
De onde vem a hora de nascimento de Yukio Mishima?
Ter o mesmo signo de Yukio Mishima quer dizer ser parecido com Yukio Mishima?
Se a hora estiver um pouco errada, o que muda?
Como comparo o meu mapa com este?
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