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Literatura

O mapa astral de Yukio Mishima

Nascido Kimitake Hiraoka, em Tóquio, Yukio Mishima é um dos escritores japoneses mais lidos fora do Japão, autor de Confissões de uma Máscara, de 1949, e de O Templo do Pavilhão Dourado, de 1956, indicado cinco vezes ao Nobel de Literatura nos anos 1960. Foi também um ultranacionalista que fundou uma milícia particular em 1968 e morreu em 1970, aos 45 anos, no desfecho de uma tentativa fracassada de levantar as Forças de Autodefesa. O mapa dele é dominado pela terra, e o corpo virou obsessão.

Nascimento: 14 de janeiro de 1925, às 21:00, em Tóquio, Japão. Fonte do horário: Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/yukio-mishima/), nota B - Biografia/autobiografia (confiança média; o Ascendente pode variar).

A hora usada aqui, 21h, vem de fonte biográfica e não de registro civil, o que a coloca num grau de confiança menor. Isso não afeta os signos dos planetas, que mudam devagar, mas afeta o Ascendente e a divisão das casas, que giram cerca de um grau a cada quatro minutos. Leia as afirmações sobre casas com essa ressalva.

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A geometria real do céu de 14/01/1925

O céu em números

  • Sol23°49' Capricórnio · casa 5
  • Lua12°22' Virgem · casa 12
  • Ascendente15°59' Virgem · casa 1
  • Meio do Céu14°26' Gêmeos · casa 10
  • Mercúrio0°09' Capricórnio · casa 4
  • Vênus29°27' Sagitário · casa 4
  • Marte16°02' Áries · casa 8
  • Júpiter6°12' Capricórnio · casa 4
  • Saturno13°03' Escorpião · casa 3
  • Urano18°33' Peixes · casa 7
  • Netunoretrógrado21°55' Leão · casa 12
  • Plutãoretrógrado12°15' Câncer · casa 10
  • Quíron20°11' Áries · casa 8
  • Lilith3°13' Câncer · casa 10

Sol, Lua, Ascendente e o elenco

a obra como monumento

Sol em Capricórnio, casa 5

O Sol, ponto da essência, está em Capricórnio, o signo da ambição de longo prazo e da disciplina, na casa 5, a da criação. É o retrato de quem trata literatura como construção de monumento e não como inspiração de ocasião: escreveu romance, teatro, conto e ensaio sem intervalo desde os vinte e poucos anos até o último ano de vida.

a vida por baixo da máscara

Lua em Virgem, casa 12

A Lua mostra o que a pessoa sente por dentro, e a dele está na casa 12, o canto do mapa ligado ao que não se mostra, ao segredo e ao subterrâneo. O romance que o consagrou aos 24 anos chama-se Confissões de uma Máscara e trata exatamente disso: o que fica escondido atrás da cara que se apresenta ao mundo.

o rigor visível

Ascendente em Virgem

O Ascendente descreve a maneira como a pessoa chega, e o dele é Virgem, o signo do método, da correção e do controle. Combina com um autor conhecido pela prosa exata e milimétrica, e com um homem que passou a segunda metade da vida corrigindo o próprio corpo com a mesma disciplina com que corrigia uma frase.

a palavra que se ergue devagar

Mercúrio em Capricórnio, casa 4

Mercúrio é o ponto da escrita, e o dele está bem no primeiro grau de Capricórnio, o signo do que se constrói pedra por pedra, na casa 4, a das raízes e da tradição. Bate com um escritor cuja obra volta sempre ao mesmo território: o Japão antigo, a herança recebida, o que se perde quando um país troca de pele de uma geração para a outra.

a beleza virada doutrina

Vênus em Sagitário, casa 4

Vênus é o gosto e o que a pessoa acha belo, e a dele está no último grau de Sagitário, o signo das convicções inteiras, colada a Mercúrio, na casa das origens. É a assinatura de alguém que transformou beleza em causa e não em prazer: para ele, discutir estética e discutir a identidade do país eram a mesma conversa.

a força e o fim

Marte em Áries, casa 8

Marte, o planeta da ação e da luta, está em Áries, o signo que ele governa, na casa 8, o setor ligado às passagens, ao fim e ao que transforma sem volta. É a posição mais explicativa do mapa dele e também a mais desconfortável: a obra inteira gira em torno de morte, beleza e ruína, e a vida terminou num gesto político planejado.

O que o mundo vê, e onde isso mora no mapa

O corpo contra a palavra

terra em 41% do mapa, a maior fatia

Terra é o naipe da matéria, do músculo, do que se pega com a mão, e é o maior do mapa dele, com 41%. Em 1955, já escritor consagrado, ele começou a treinar com pesos e chegou a quinto dan no kendô, transformando o próprio corpo num projeto tão sério quanto os livros. No ensaio Sol e Aço, de 1968, ele ataca abertamente a supremacia que os intelectuais dão à mente sobre o corpo. Poucos escritores fizeram do físico uma tese.

A máscara e a casa do escondido

Lua e Netuno na casa 12

A casa 12 é o canto do mapa do que fica submerso, e ele tem a Lua e Netuno ali dentro. O livro que o tornou conhecido chama-se Confissões de uma Máscara, de 1949, e é sobre a distância entre o que a pessoa mostra e o que ela é. Não é um tema qualquer na obra dele: é o tema, repetido de romance em romance, sempre com a mesma pergunta sobre quanto de uma vida é encenação.

Três pontos na casa das raízes

Mercúrio, Vênus e Júpiter na casa 4

A casa 4 fala de origem, de tradição herdada e do que vem de trás, e ele tem três pontos ali. Foi um autor obcecado pelo Japão anterior à guerra, pela figura do imperador e pelo que ele enxergava como perda da essência nacional diante do materialismo ocidental. Em 1968 fundou a Tatenokai, milícia particular criada, segundo ele próprio, para proteger a dignidade do imperador como símbolo da identidade do país.

Marte na casa dos fins

Marte em Áries na casa 8

A casa 8 é a das passagens e do que não tem volta, e é ali que está o Marte dele, no signo mais combativo do zodíaco. Em 25 de novembro de 1970, ele e quatro membros da milícia entraram num quartel em Tóquio, fizeram o comandante refém e tentaram convencer as Forças de Autodefesa a se levantarem para revogar o artigo 9 da Constituição e devolver a divindade ao imperador. A tentativa fracassou e ele morreu no mesmo dia, aos 45 anos. O céu não obriga ninguém a nada, mas é honesto dizer que obra e desfecho conversam com essa posição.

A produção que não parava

Sol em Capricórnio na casa 5, a da criação

Capricórnio é o signo do trabalho acumulado e da meta longa, e o Sol dele está ali, na casa em que a pessoa cria. Entre o fim dos anos 1940 e 1970 ele produziu romances, peças de teatro, contos e ensaios num ritmo que o colocou cinco vezes na lista de indicados ao Nobel de Literatura. Aos 45 anos já tinha obra de escritor octogenário.

As conversas do céu

A Lua e Plutão em ângulo fechado

sextil a 0,12 grau

A Lua é o mundo interno e Plutão é o que remexe no fundo, e no mapa dele os dois conversam com doze centésimos de grau de diferença, quase exato. Costuma dar gente que vasculha os próprios subterrâneos sem pudor e transforma o achado em material de trabalho. É uma boa descrição do projeto literário dele do primeiro livro ao último.

A emoção posta em forma rígida

Lua e Saturno em sextil, a 0,67 grau

Saturno é a disciplina e o limite, e ele apoia a Lua dele num ângulo apertado. Costuma dar quem organiza a emoção dentro de uma forma rígida em vez de deixá-la solta. Combina com uma prosa milimétrica escrita sobre assuntos incandescentes, em que o controle da frase é parte do efeito.

Estrutura e intensidade no mesmo time

Saturno e Plutão em trígono, a 0,79 grau

Saturno é a estrutura e Plutão é a intensidade que não afrouxa, e no mapa dele os dois se ajudam. A tradição associa isso a quem aguenta trabalhar por muito tempo com matéria pesada sem se desfazer no caminho. Vinte anos de obra girando em torno de morte, honra e beleza, sem desviar do assunto, dão a medida.

Elementos e aspectos

A mistura dos elementos

  • terra41%
  • fogo30%
  • Água19%
  • ar10%

Os aspectos mais apertados

  • Lua sextil Plutão · 0,12° de folga
  • Lua sextil Saturno · 0,67° de folga
  • Nodo Norte sextil Meio do Céu · 0,69° de folga
  • Mercúrio conjunção Vênus · 0,7° de folga
  • Saturno quadratura Nodo Norte · 0,72° de folga
  • Saturno trígono Plutão · 0,79° de folga

Você sabia?Ele foi indicado ao Nobel de Literatura cinco vezes na mesma década: 1963, 1964, 1965, 1967 e 1968. Tinha 38 anos na primeira indicação e morreu aos 45, ou seja, todas as indicações couberam em sete anos de vida. E Yukio Mishima nem era o nome dele: nasceu Kimitake Hiraoka, e o nome pelo qual o mundo inteiro o conhece é um pseudônimo literário.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

De onde vem a hora de nascimento de Yukio Mishima?
Da fonte declarada logo abaixo do título, Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/yukio-mishima/), nota B - Biografia/autobiografia. A regra da casa é não publicar mapa sem origem de horário: hora sem fonte transforma o Ascendente e todas as casas em chute, e é justamente aí que a leitura muda mais. Quando a confiança do registro é média, a própria página avisa.
Ter o mesmo signo de Yukio Mishima quer dizer ser parecido com Yukio Mishima?
Não, e a lista de pontos aqui do lado mostra por quê. Além do Sol em Capricórnio, Yukio Mishima tem Lua em Virgem e Ascendente em Virgem, e cada um dos outros astros num grau e numa casa. Duas pessoas do mesmo signo solar quase nunca repetem o resto do desenho.
Se a hora estiver um pouco errada, o que muda?
Mudam o Ascendente e a divisão das casas, que dependem da rotação da Terra e viram depressa: poucos minutos já podem trocar o signo que subia no horizonte. Os astros mais lentos praticamente não saem do lugar, então a leitura deles por signo continua de pé mesmo quando o horário é aproximado.
Como comparo o meu mapa com este?
Calcule o seu de graça na calculadora que fica logo abaixo: ela devolve a mesma roda e a mesma lista de pontos que você está vendo aqui. Com os dois lado a lado, fica fácil reparar no que se repete e no que é só seu.

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