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Filosofia e literatura

O mapa astral de Simone de Beauvoir

Filósofa e escritora francesa, Simone de Beauvoir publicou em 1949 O Segundo Sexo, o livro que reorganizou o modo como o Ocidente pensa a condição feminina e cuja frase mais famosa, ninguém nasce mulher, torna-se mulher, virou frase de camiseta e de tese de doutorado ao mesmo tempo. Ganhou o Prêmio Goncourt em 1954 com Os Mandarins e escreveu uma das autobiografias mais lidas do século.

Nascimento: 9 de janeiro de 1908, às 04:30, em Paris, França. Fonte do horário: Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/simone-de-beauvoir/), nota AA - Registro de nascimento citado.

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A geometria real do céu de 09/01/1908

O céu em números

  • Sol17°31' Capricórnio · casa 2
  • Lua29°58' Peixes · casa 4
  • Ascendente1°40' Sagitário · casa 1
  • Meio do Céu24°27' Virgem · casa 10
  • Mercúrio14°16' Capricórnio · casa 2
  • Vênus15°54' Aquário · casa 2
  • Marte28°35' Peixes · casa 4
  • Júpiterretrógrado11°13' Leão · casa 8
  • Saturno22°25' Peixes · casa 3
  • Urano13°05' Capricórnio · casa 2
  • Netunoretrógrado13°22' Câncer · casa 8
  • Plutãoretrógrado23°20' Gêmeos · casa 7
  • Quíron16°03' Aquário · casa 3
  • Lilith0°38' Leão · casa 8

Sol, Lua, Ascendente e o elenco

a essência que constrói

Sol em Capricórnio, casa 2

Capricórnio abriga o Sol dela, o ponto que marca o centro de uma pessoa, e Capricórnio é o signo do trabalho de longo prazo, da obra construída tijolo por tijolo. Esse Sol está na casa 2, a do que é próprio: o próprio sustento, o próprio valor, o próprio chão. Num pensamento que gira em torno da independência material como condição da liberdade, é uma posição que ecoa forte.

o sentir sem borda

Lua em Peixes, casa 4

Peixes no último grau recebe a Lua dela, que responde pelo mundo de dentro, e Peixes é o signo do que não tem contorno definido. Essa Lua está na casa 4, a das raízes, colada a Marte. É o retrato de quem sente demais para o próprio gosto e escolhe a escrita como o lugar onde isso pode ser organizado em frase.

a chegada que aponta longe

Ascendente em Sagitário

Sagitário no grau 1,68 é o Ascendente dela, a primeira impressão que passa, e Sagitário é o signo da convicção, da viagem e da tese defendida em voz alta. É a fachada de quem entra na sala com uma ideia debaixo do braço e não a solta, o que descreve razoavelmente bem uma filósofa cuja obra provocou discussão em três continentes.

a mente que arromba a porta

Mercúrio em Capricórnio, casa 2

Capricórnio guarda o Mercúrio dela, o planeta do jeito de raciocinar, colado a Urano, o planeta da ruptura. Mercúrio em Capricórnio é rigor, estrutura, argumento montado com paciência. Urano ao lado é a bomba dentro do argumento. É a combinação exata de um livro que segue todos os protocolos acadêmicos e, no meio deles, derruba a fundação inteira.

o gosto pela liberdade

Vênus em Aquário, casa 2

Aquário sustenta o Vênus dela, o planeta do gosto e do afeto, e Aquário é o signo da liberdade e do vínculo escolhido em vez do vínculo herdado. Esse Vênus está na casa 2, a dos próprios valores, e encostado em Quíron. É o desenho de quem transforma a própria maneira de valorar em pensamento público.

a garra que não grita

Marte em Peixes, casa 4

Peixes guarda o Marte dela, o planeta da ação, na casa 4, ao lado da Lua. Marte em Peixes não briga de peito aberto: dissolve o obstáculo, contorna, insiste sem levantar a voz. É a energia de quem não venceu a discussão do século berrando, venceu escrevendo novecentas páginas de argumento.

O que o mundo vê, e onde isso mora no mapa

Quatro pontos na casa do que é seu

Sol, Mercúrio, Vênus e Urano na casa 2

Casa 2 é o setor do próprio sustento, do que a pessoa possui e de tudo que ela chama de seu, inclusive os próprios valores. Quatro pontos dela estão ali, entre eles o Sol e Mercúrio. E o argumento central de O Segundo Sexo, publicado em 1949, é justamente esse: sem trabalho próprio, sem dinheiro próprio e sem projeto próprio, a liberdade fica no discurso. O mapa não escreveu o livro, mas põe o assunto exatamente no lugar onde ele nasceu.

Plutão na casa do Outro

Plutão na casa 7, em Gêmeos

Casa 7 é a do outro, da relação, da pessoa que fica de frente. Plutão é o planeta do poder que estrutura tudo por baixo. Plutão ali costuma desenhar quem enxerga a política escondida dentro de qualquer relação a dois. E a tese central do livro dela é literalmente essa: que a mulher foi construída historicamente como o Outro, a partir de um ponto de vista que se declarou universal. A casa do Outro, com o planeta do poder dentro.

O estudo que custa, na casa do estudo

Saturno e Quíron na casa 3

Casa 3 é a do aprendizado, da escrita e do exercício da palavra. Ali estão Saturno, o planeta da disciplina que cobra caro, e Quíron, o ponto do que dói e depois ensina. É o desenho de quem paga o preço do estudo antes de colher qualquer coisa dele. Em 1929, aos vinte e um anos, ela passou na agrégation de filosofia, o exame mais duro do sistema francês, e ficou em segundo lugar.

A ruptura dentro da frase construída

Mercúrio em conjunção com Urano, a 1,18 grau

Mercúrio é o modo de pensar e Urano é o planeta que quebra o consenso. Colados, e ainda por cima em Capricórnio, o signo da estrutura, desenham uma mente que constrói com todo o rigor e usa esse rigor para derrubar o que estava de pé. Não se nasce mulher, torna-se mulher: seis palavras, escritas dentro de um tratado de novecentas páginas, que reorganizaram um debate inteiro e continuam sendo citadas mais de setenta anos depois.

Cinquenta e seis por cento do mapa muda de forma

56% do mapa em naipe mutável

O naipe mutável é o dos signos que trocam de forma conforme a necessidade, e no mapa dela ele leva 56%. Numa escritora, isso costuma se traduzir em versatilidade de gênero, e a obra dela é um catálogo disso: o romance A Convidada em 1943, o tratado filosófico O Segundo Sexo em 1949, o romance premiado com o Goncourt em 1954 e as Memórias de uma moça bem-comportada em 1958. Quatro formas literárias diferentes em quinze anos.

O argumento contra o mito

Mercúrio em oposição a Netuno, a 0,9 grau

Mercúrio é o raciocínio, o argumento montado peça por peça. Netuno é o mito, a névoa bonita, a ideia que todo mundo repete sem nunca ter conferido. No mapa dela os dois estão em lados opostos do céu, a nove décimos de grau da oposição exata. Costuma dar quem passa a vida desmanchando encantamento com evidência. E é exatamente a operação de O Segundo Sexo: pegar a ideia de uma essência feminina eterna, que parecia natureza, e mostrar página após página que aquilo era construção histórica.

As conversas do céu

O rompimento e o sonho em lados opostos

Urano em oposição a Netuno, a 0,28 grau

Urano é o que rompe e Netuno é o que sonha e dissolve. Em oposição fechada, apontam alguém dividido entre demolir o mundo antigo e imaginar um novo. Numa pensadora que passou a vida entre a crítica implacável do que existia e a proposta do que poderia existir, é uma tensão que se lê em qualquer página.

A estrutura contra a força profunda

Saturno em quadratura com Plutão, a 0,91 grau

Saturno é a regra e a instituição, Plutão é o poder subterrâneo que a sustenta ou a corrói. Em atrito, costumam dar quem enxerga a engrenagem por trás das normas e não consegue mais fingir que não viu. É uma boa descrição do método de quem passou a obra desmontando o que parecia natural.

O sentir e o agir no mesmo grau

Lua em conjunção com Marte, a 1,39 grau

A Lua é o que a pessoa sente e Marte é o que ela faz. Colados na casa das raízes, apontam quem age direto a partir da própria emoção, sem etapa intermediária no meio do caminho. Combina com uma autora cuja obra mistura o pensamento mais abstrato com a experiência concreta da própria vida, um gênero que ela praticamente inaugurou em francês e que a levou a escrever quatro volumes de memórias depois de já ter mudado o debate filosófico do século.

Elementos e aspectos

A mistura dos elementos

  • Água34%
  • terra29%
  • ar20%
  • fogo17%

Os aspectos mais apertados

  • Mercúrio oposição Nodo Norte · 0,01° de folga
  • Vênus conjunção Quíron · 0,15° de folga
  • Urano oposição Netuno · 0,28° de folga
  • Lua trígono Lilith · 0,67° de folga
  • Netuno conjunção Nodo Norte · 0,89° de folga
  • Mercúrio oposição Netuno · 0,9° de folga

Você sabia?O ângulo mais fechado do mapa inteiro dela chega a um centésimo de grau, uma precisão que quase nunca aparece. Ele liga Mercúrio, o planeta da palavra e do raciocínio, ao eixo dos nodos lunares, que a astrologia trata como a direção que a vida pede. Um centésimo de grau. É o tipo de detalhe que astrólogo guarda a vida inteira para citar, e ele caiu justamente no mapa de uma mulher cuja vida inteira foi feita de palavras.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

De onde vem a hora de nascimento de Simone de Beauvoir?
Da fonte declarada logo abaixo do título, Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/simone-de-beauvoir/), nota AA - Registro de nascimento citado. A regra da casa é não publicar mapa sem origem de horário: hora sem fonte transforma o Ascendente e todas as casas em chute, e é justamente aí que a leitura muda mais. Quando a confiança do registro é média, a própria página avisa.
Ter o mesmo signo de Simone de Beauvoir quer dizer ser parecido com Simone de Beauvoir?
Não, e a lista de pontos aqui do lado mostra por quê. Além do Sol em Capricórnio, Simone de Beauvoir tem Lua em Peixes e Ascendente em Sagitário, e cada um dos outros astros num grau e numa casa. Duas pessoas do mesmo signo solar quase nunca repetem o resto do desenho.
Se a hora estiver um pouco errada, o que muda?
Mudam o Ascendente e a divisão das casas, que dependem da rotação da Terra e viram depressa: poucos minutos já podem trocar o signo que subia no horizonte. Os astros mais lentos praticamente não saem do lugar, então a leitura deles por signo continua de pé mesmo quando o horário é aproximado.
Como comparo o meu mapa com este?
Calcule o seu de graça na calculadora que fica logo abaixo: ela devolve a mesma roda e a mesma lista de pontos que você está vendo aqui. Com os dois lado a lado, fica fácil reparar no que se repete e no que é só seu.

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