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Cinema

O mapa astral de Martin Scorsese

Martin Scorsese cresceu na Little Italy de Manhattan, quis ser padre, desistiu no primeiro ano do seminário e passou a vida filmando o mesmo bairro, a mesma culpa e o mesmo tipo de homem. Fez Caminhos Perigosos em 1973, Taxi Driver em 1976, Touro Indomável em 1980 e Os Bons Companheiros em 1990, e só levou o Oscar de direção em 2006, por Os Infiltrados. O mapa dele tem uma concentração que quase dá para apontar no mapa da cidade.

Nascimento: 17 de novembro de 1942, às 00:24, em Bayside (NY), Estados Unidos. Fonte do horário: Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/martin-scorsese/), nota A: memória.

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A geometria real do céu de 17/11/1942

O céu em números

  • Sol24°11' Escorpião · casa 4
  • Lua17°52' Peixes · casa 7
  • Ascendente26°43' Leão · casa 1
  • Meio do Céu20°16' Touro · casa 10
  • Mercúrio16°11' Escorpião · casa 3
  • Vênus24°21' Escorpião · casa 4
  • Marte10°18' Escorpião · casa 3
  • Júpiterretrógrado25°11' Câncer · casa 11
  • Saturnoretrógrado10°12' Gêmeos · casa 10
  • Uranoretrógrado2°54' Gêmeos · casa 10
  • Netuno1°25' Libra · casa 2
  • Plutãoretrógrado7°14' Leão · casa 12
  • Quíron28°43' Leão · casa 1
  • Lilith9°05' Câncer · casa 11

Sol, Lua, Ascendente e o elenco

a intensidade que não alivia

Sol em Escorpião, casa 4

Não existe filme dele em que a temperatura seja morna, e o Sol explica bastante. O centro de qualquer mapa é o Sol, e o dele caiu em Escorpião, o signo do que ferve por baixo, da obsessão e da coisa que não se resolve com conversa. Fica na parte do mapa ligada às raízes e à origem. É o retrato de um diretor que voltou a vida inteira ao lugar de onde veio, sem nunca considerar o assunto encerrado.

a sensibilidade escondida

Lua em Peixes, casa 7

Debaixo da violência que ele filma existe um sentimentalismo enorme, e a Lua é onde isso aparece. Por dentro, ele é o que a Lua diz, e a dele aparece em Peixes, signo da compaixão e da porosidade, no setor do mapa que trata dos outros e das parcerias. Combina com o cineasta que faz o espectador sentir pena de gente indefensável, e com a lealdade absurda dele aos mesmos colaboradores por cinquenta anos.

a presença que ocupa a sala

Ascendente em Leão

Baixinho, falante, gesticulando, a pessoa mais reconhecível de qualquer sala em que entra. O Ascendente responde pelo efeito que alguém causa ao entrar, e o dele é Leão, que é o signo de quem chega e vira o centro sem precisar pedir. Bate com o diretor que virou personagem público tanto quanto autor, e cuja voz acelerada é imitada em qualquer mesa de cinéfilo.

a fala da esquina

Mercúrio em Escorpião, casa 3

Ninguém escreveu diálogo de rua como ele, e Mercúrio, o planeta de como a pessoa pensa e fala, está em Escorpião, um signo do que corta, e no setor do mapa que representa a vizinhança e o entorno imediato. É a assinatura de quem aprendeu a linguagem ouvindo, na calçada, e a devolveu na tela sem passar pelo filtro do bom-mocismo. Caminhos Perigosos existe por causa desse ouvido.

o amor pelo que veio antes

Vênus em Escorpião, casa 4

Ele fundou em 1990 a The Film Foundation para restaurar filmes que estavam apodrecendo em latas. Vênus responde pelo afeto e pelo gosto, e a dele pousou em Escorpião, o signo de quem ama fundo e não solta, colada no Sol e plantada na parte do mapa que fala de raiz e memória. É afeto por origem, por herança, por aquilo que veio antes dele e que ele acha que não pode se perder.

a briga que vira cena

Marte em Escorpião, casa 3

Marte responde pela vontade de avançar, e o dele está em Escorpião, o signo que não briga no grito, briga no silêncio e na espera, no setor do mapa ligado à rua de casa. Difícil não pensar nos personagens dele: gente que engole, engole, engole e explode uma vez só. A violência dos filmes dele quase nunca é a do soco fácil, é a do rancor guardado.

O que o mundo vê, e onde isso mora no mapa

O bairro como estúdio

Mercúrio e Marte em Escorpião na casa 3, a do entorno imediato

A casa 3 do mapa é o setor da vizinhança, das ruas que a pessoa percorre a pé, do que se aprende sem sair do quarteirão. Ele tem ali dois planetas em Escorpião: Mercúrio, que é a fala e o olhar, e Marte, que é o conflito. Agora repare no que ele fez da vida. Cresceu na Little Italy e passou a infância olhando aquele quarteirão da janela, como quem estuda. Depois filmou exatamente aquilo. Caminhos Perigosos, em 1973, é o quarteirão inteiro na tela, e nenhum outro diretor americano fez carreira tão colada ao próprio CEP.

A culpa que virou assunto

Sol e Vênus juntos em Escorpião na casa 4, a das raízes, a 0,17 grau

O Sol é quem a pessoa é e Vênus é o que ela ama, e no mapa dele os dois estão praticamente colados, com apenas 0,17 grau entre eles, em Escorpião, signo da culpa e do que não se confessa em voz alta. Tudo isso na casa 4, o setor da origem, da família e do lugar de onde se vem. Ele quis ser padre e frequentou o seminário preparatório antes de largar no primeiro ano. Depois passou meio século filmando homens que fazem coisas horríveis e não conseguem parar de se perguntar se serão perdoados. A pergunta ficou. Só mudou de suporte.

O restaurador

Júpiter retrógrado em Câncer na casa 11, a das causas coletivas

Júpiter é o planeta da generosidade e da expansão, e no mapa dele fica em Câncer, que é o signo de guardar e proteger, no setor que fala de causas coletivas, das coisas que a pessoa faz pelo grupo e não por si. Está retrógrado, o que a tradição associa a uma generosidade voltada para dentro, para trás, para o que já existe. Combina de um jeito quase literal com a The Film Foundation, criada por ele em 1990 para salvar cópias de filmes que ninguém mais ia salvar. Ele é o cineasta que gasta o próprio prestígio protegendo obra dos outros.

A espera de trinta e três anos

68% do mapa em signos fixos

Signos fixos são os que não desistem, não mudam de rota e não se cansam de tentar. O mapa dele tem 68% de pontos ali, mais de dois terços. Ele foi indicado a melhor direção pela primeira vez e perdeu, e perdeu de novo, e de novo, e de novo, e só ganhou em 2006, com Os Infiltrados, décadas depois do primeiro filme importante. Um mapa com esse desenho não interpreta derrota como veredito. Interpreta como rodada.

O molhado por dentro

58% do mapa em signos de água

Água, na astrologia, é o naipe do que se sente e não se explica: memória, culpa, apego, ressentimento. O mapa dele tem 58% ali, quase seis pontos em cada dez. É muito, e casa com um cinema em que a ação nunca é o assunto de verdade. O assunto é sempre o que o personagem está sentindo enquanto age, e é por isso que os filmes dele doem mesmo quando o roteiro seria só um relato de crime.

As conversas do céu

A sorte que veio pelo afeto

Vênus e Júpiter num ângulo suave, a 0,84 grau

Júpiter é o planeta que amplia, e Vênus é o afeto e o gosto. No céu dele esses dois conversam com folga pequena, 0,84 grau, o que a tradição lê como generosidade que volta. Bate com a rede de fidelidades que sustentou a carreira dele: os mesmos atores, a mesma montadora por décadas, o mesmo grupo que atravessou anos bons e ruins junto.

A imagem que não é deste mundo

Urano e Netuno em ângulo bom, a 1,48 grau

Urano é a ruptura, o que quebra a regra, e Netuno é a imagem e o clima. Os dois se apoiam no mapa dele. Costuma dar gente que inventa uma linguagem visual nova sem parecer que está experimentando. É o câmera lenta em cima de um rosto, a música pop entrando fora de hora, a narração que contradiz o que a tela mostra. Virou gramática do cinema moderno.

O que ele sente vira o que ele conta

Lua e Mercúrio em harmonia, a 1,68 grau

A Lua é o sentir e Mercúrio é o narrar. No desenho dele os dois se dão bem, e isso costuma aparecer em quem consegue transformar emoção em relato sem que o relato fique piegas. É o Scorsese das narrações em off, aquele recurso que ele usa mais que qualquer diretor americano vivo e que continua funcionando.

Elementos e aspectos

A mistura dos elementos

  • Água58%
  • ar17%
  • fogo15%
  • terra10%

Os aspectos mais apertados

  • Sol conjunção Vênus · 0,17° de folga
  • Vênus trígono Júpiter · 0,84° de folga
  • Sol trígono Júpiter · 1,01° de folga
  • Marte trígono Lilith · 1,21° de folga
  • Urano trígono Netuno · 1,48° de folga
  • Lua trígono Mercúrio · 1,68° de folga

Você sabia?O Sol e Vênus dele estão a 0,17 grau um do outro, o que na prática é a mesma casa decimal do círculo. Para dar noção do tamanho: a Lua cheia ocupa cerca de meio grau no céu, então esses dois pontos caberiam juntos, com folga, atrás dela. E os dois estão em Escorpião, no setor do mapa que fala do lugar de onde a pessoa vem. Um pedacinho de céu do tamanho de uma unha guardando a identidade e o afeto dele, os dois apontados para casa.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

De onde vem a hora de nascimento de Martin Scorsese?
Da fonte declarada logo abaixo do título, Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/martin-scorsese/), nota A: memória. A regra da casa é não publicar mapa sem origem de horário: hora sem fonte transforma o Ascendente e todas as casas em chute, e é justamente aí que a leitura muda mais. Quando a confiança do registro é média, a própria página avisa.
Ter o mesmo signo de Martin Scorsese quer dizer ser parecido com Martin Scorsese?
Não, e a lista de pontos aqui do lado mostra por quê. Além do Sol em Escorpião, Martin Scorsese tem Lua em Peixes e Ascendente em Leão, e cada um dos outros astros num grau e numa casa. Duas pessoas do mesmo signo solar quase nunca repetem o resto do desenho.
Se a hora estiver um pouco errada, o que muda?
Mudam o Ascendente e a divisão das casas, que dependem da rotação da Terra e viram depressa: poucos minutos já podem trocar o signo que subia no horizonte. Os astros mais lentos praticamente não saem do lugar, então a leitura deles por signo continua de pé mesmo quando o horário é aproximado.
Como comparo o meu mapa com este?
Calcule o seu de graça na calculadora que fica logo abaixo: ela devolve a mesma roda e a mesma lista de pontos que você está vendo aqui. Com os dois lado a lado, fica fácil reparar no que se repete e no que é só seu.

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