Cinema
O mapa astral de Jean-Luc Godard
Nascimento: 3 de dezembro de 1930, às 02:00, em Paris, França. Fonte do horário: Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/jean-luc-godard/), nota AA: registro de nascimento em mãos.
A geometria real do céu de 03/12/1930
O céu em números
- Sol10°11' Sagitário · casa 3
- Lua3°57' Touro · casa 7
- Ascendente9°50' Libra · casa 1
- Meio do Céu12°26' Câncer · casa 10
- Mercúrio24°20' Sagitário · casa 3
- Vênusretrógrado24°10' Escorpião · casa 2
- Marte15°20' Leão · casa 10
- Júpiterretrógrado19°29' Câncer · casa 10
- Saturno10°24' Capricórnio · casa 3
- Uranoretrógrado11°35' Áries · casa 7
- Netuno5°46' Virgem · casa 11
- Plutãoretrógrado20°33' Câncer · casa 10
- Quíronretrógrado15°17' Touro · casa 8
- Lilith2°35' Peixes · casa 5
Sol, Lua, Ascendente e o elenco
o polemista
Sol em Sagitário, casa 3
Um homem que existiu discutindo tem o Sol em Sagitário, que dispara opinião sem pedir licença, e o tem dentro da casa 3, a da fala e da escrita. É a assinatura de quem existe discutindo. Ele começou publicando em 1952 na Cahiers du Cinéma, atacando o cinema francês da época, e continuou fazendo isso a vida inteira, só que com câmera na mão em vez de máquina de escrever.
a fixação no rosto do outro
Lua em Touro, casa 7
Do que ele precisava por dentro quem responde é a Lua, e a dele está em Touro, do que se vê e se toca, na casa 7, o lugar do outro. Descreve alguém que se organiza emocionalmente a partir de uma pessoa concreta na frente dele. O cinema dele é feito de rostos filmados demoradamente, de Belmondo em Acossado a Brigitte Bardot em O Desprezo.
a elegância que engana
Ascendente em Libra
A fachada de alguém é o Ascendente, e a dele é Libra, bom gosto e medida, o que soa estranho no cineasta mais briguento da geração dele. Só que é exatamente esse contraste que definia a figura: terno, gravata, óculos escuros, voz baixa, e a frase mais cortante da sala saindo dali. Saturno, o planeta da severidade, faz um ângulo de atrito com esse ponto, e é ele que explica o resto.
a frase como arma
Mercúrio em Sagitário, casa 3
Ele pensava por sentenças curtas, e Mercúrio dá o endereço disso: Sagitário, na mesma casa 3 da comunicação, ao lado do Sol e de Saturno. Sagitário exagera de propósito para acertar o alvo. É de onde vêm as sentenças curtas que atravessaram décadas, do tipo que cabe numa camiseta e leva uma tese inteira dentro. Ele pensava em aforismos, não em parágrafos.
o gosto pelo intenso
Vênus em Escorpião, casa 2
O que o atraía é conversa para Vênus, e a dele está em Escorpião e retrógrada, o que a leitura tradicional entende como afeto voltado para dentro e difícil de dizer, na casa 2, a dos próprios valores. Descreve quem ama de um jeito que não vira gentileza. O cinema dele é apaixonado e áspero na mesma frase, e nunca oferece conforto a quem está assistindo.
a briga em praça pública
Marte em Leão, casa 10
A energia de conflito se descarrega por Marte, e o dele está em Leão, signo do palco, na casa 10, a da imagem pública, com Júpiter e Plutão dividindo o mesmo setor. Três marcas do mapa concentradas no setor mais visível, e uma delas é o planeta da guerra. Em maio de 1968, ele e Truffaut interromperam o Festival de Cannes em solidariedade às greves, e o festival foi encerrado. A briga dele sempre foi na frente de todo mundo.
O que o mundo vê, e onde isso mora no mapa
O corte que quebrou a regra
Urano em quadratura com o ponto mais alto do mapa, a 0,86 grau
Urano é o planeta da ruptura, daquilo que estraga o esperado, e no mapa dele ele atrita direto com o setor da imagem pública. É o desenho de alguém cuja marca no mundo é ter quebrado alguma coisa. Em Acossado, de 1960, ele deixou os cortes saltando dentro da mesma cena, o chamado jump cut, um recurso que até ali era tratado como erro de montagem. Sessenta anos depois, ele é gramática básica de qualquer vídeo na internet.
Três pontos na casa da palavra
Sol, Mercúrio e Saturno todos na casa 3, a da fala e da escrita
A casa 3 é o setor da linguagem, do texto curto, do argumento. Ter o centro da pessoa, a mente e a disciplina todos ali descreve alguém para quem existir é comentar. Antes de dirigir, ele foi crítico. Depois de dirigir, encheu os filmes de intertítulos, citações, letreiros e vozes lendo em voz alta. Nas oito partes de Histoire(s) du cinéma, ele passa horas comentando o cinema em vez de contá-lo.
A austeridade que recusa o afago
Saturno em quadratura com o Ascendente, a 0,55 grau
Saturno é o planeta que corta o excesso e cobra a conta, e ele atrita com o jeito dele de se apresentar ao mundo, quase sem folga. Costuma dar quem parece fechado mesmo quando é generoso. Ele recebeu um Oscar honorário em 2010 e não foi buscar. Os filmes da fase final são deliberadamente difíceis, e ele nunca fez concessão para reconquistar o público que tinha perdido.
O poder e a expansão no mesmo lugar
Júpiter em conjunção com Plutão, a 1,06 grau, na casa 10 (a da imagem pública)
Júpiter é o que amplia e Plutão é o que arrasa e refunda. Os dois ocupam praticamente o mesmo ponto do céu, no setor mais visível do mapa. Descreve influência enorme e destrutiva ao mesmo tempo. É o retrato exato do lugar dele na história do cinema: metade dos cineastas do mundo devem alguma coisa a ele, e o que ele fez com a linguagem foi, literalmente, demolir para reconstruir.
Fogo e pouco ar
37 por cento dos pontos em fogo, contra 12 por cento em ar
Todo mundo classifica o cinema dele como cerebral, e o mapa discorda. O ar, o naipe do raciocínio frio e do distanciamento, é o menor de todos. O fogo, que é convicção e pressa de dizer, é o maior. Isso muda a leitura de tudo: os filmes dele não são exercícios intelectuais, são discussões acaloradas atiradas na cara de quem assiste. Ele não estava analisando o mundo, estava brigando com ele.
As conversas do céu
A ferida e a briga coladas
Marte em quadratura com Quíron, a 0,05 grau, o aspecto mais fechado do mapa
Quíron é o ponto que a astrologia liga ao que machuca e depois se torna competência, e aqui ele atrita com Marte, o planeta da luta, num ângulo praticamente exato. Costuma dar quem transforma incômodo em combate. A obra dele é uma sequência de rompimentos, com o cinema comercial, com os companheiros de geração, com os próprios métodos anteriores.
A regra contra a ruptura
Saturno em quadratura com Urano, a 1,18 grau
Saturno é a forma estabelecida e Urano é o que a estilhaça, e no mapa dele os dois vivem em atrito. Costuma dar quem não consegue nem obedecer nem ignorar. É a razão de ele nunca ter virado apenas um vanguardista: ele conhecia o cinema clássico melhor do que quase todo mundo, e foi esse conhecimento que tornou a demolição precisa.
O centro e a fachada de mãos dadas
Sol em sextil com o Ascendente, a 0,34 grau
Quando o centro da pessoa e o modo de aparecer conversam com facilidade, costuma dar gente que não finge. Era o caso: o Godard de entrevista, o Godard de filme e o Godard de manifesto eram a mesma pessoa, com o mesmo tom, sem nenhuma versão amigável reservada para o público.
Elementos e aspectos
A mistura dos elementos
- fogo37%
- terra27%
- Água24%
- ar12%
Os aspectos mais apertados
- Marte quadratura Quíron · 0,05° de folga
- Sol sextil Ascendente · 0,34° de folga
- Saturno quadratura Ascendente · 0,55° de folga
- Urano quadratura Meio do Céu · 0,86° de folga
- Júpiter conjunção Plutão · 1,06° de folga
- Saturno quadratura Urano · 1,18° de folga
Você sabia?Você não vai acreditar: a frase mais citada dele diz que um filme precisa ter começo, meio e fim, mas não necessariamente nessa ordem. Parece piada de entrevista, e é exatamente a descrição técnica do que ele fez em Acossado, onde o tempo salta dentro da cena. É raro um artista resumir a própria revolução numa frase que cabe num tuíte, e mais raro ainda que a frase continue verdadeira sessenta anos depois.
Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
De onde vem a hora de nascimento de Jean-Luc Godard?
Ter o mesmo signo de Jean-Luc Godard quer dizer ser parecido com Jean-Luc Godard?
Se a hora estiver um pouco errada, o que muda?
Como comparo o meu mapa com este?
Continue explorando