AstroPortal

Literatura

O mapa astral de Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade é o poeta que o Brasil sabe de cor sem sempre saber que sabe. Nasceu em Itabira, foi expulso do colégio por insubordinação mental, publicou em 1928 sete versos sobre uma pedra que provocaram um dos maiores escândalos literários do país e passou o resto da vida escrevendo alguns dos poemas mais lidos em língua portuguesa, entre eles E agora, José?, enquanto batia ponto num ministério no Rio.

Nascimento: 31 de outubro de 1902, às 06:00, em Itabira (MG), Brasil. Fonte do horário: Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/carlos-drummond-de-andrade/), nota B: biografia/autobiografia (confiança média; o Ascendente pode variar).

O horário deste mapa vem de fonte biográfica, e não de certidão, então a confiança é média. Na prática, isso não afeta signo solar, posições dos planetas nem elementos, que praticamente não mudam ao longo de um dia. O que pode variar, se a hora estiver deslocada, são o Ascendente, o Meio do Céu e as casas.

123456789101112ASCMCastroportal.com.br

A geometria real do céu de 31/10/1902

O céu em números

  • Sol7°00' Escorpião · casa 12
  • Lua7°25' Escorpião · casa 12
  • Ascendente21°06' Escorpião · casa 1
  • Meio do Céu9°33' Leão · casa 10
  • Mercúrio19°20' Libra · casa 12
  • Vênus29°51' Libra · casa 12
  • Marte4°15' Virgem · casa 10
  • Júpiter8°35' Aquário · casa 3
  • Saturno22°10' Capricórnio · casa 3
  • Urano18°58' Sagitário · casa 2
  • Netunoretrógrado3°34' Câncer · casa 8
  • Plutãoretrógrado19°23' Gêmeos · casa 8
  • Quíron10°17' Capricórnio · casa 2
  • Lilith29°25' Sagitário · casa 2

Sol, Lua, Ascendente e o elenco

o poeta de porta fechada

Sol em Escorpião, casa 12

O Sol mostra onde uma pessoa põe o próprio centro, e o dele está em Escorpião, signo do que se guarda e não se explica, dentro da casa 12, que é a parte mais recolhida do mapa. É o retrato de alguém cuja identidade se organiza longe do olhar dos outros. Ele foi, entre os grandes poetas brasileiros, o mais avesso à vida literária pública, e o Sol na casa 12 é o desenho disso.

o sentimento que não sai fácil

Lua em Escorpião, casa 12

A Lua descreve o mundo emocional, e a dele está em Escorpião, colada ao Sol, também na casa 12. Escorpião sente fundo e não avisa. É o clima interno de quem escreveu sobre gauchice, deslocamento e melancolia com uma precisão que só quem mora naquilo consegue, e que ao mesmo tempo evitava falar de si em entrevista.

a reserva na porta

Ascendente em Escorpião

O Ascendente é a fachada involuntária, e o dele é Escorpião, o signo que não abre a casa para visita. Quem o descreveu pessoalmente costuma usar palavras parecidas: educado, contido, difícil de atravessar. É um mapa que combina fachada e interior no mesmo tom, e o efeito é uma pessoa inteira feita de discrição.

a palavra pesada e leve

Mercúrio em Libra, casa 12

Mercúrio é o instrumento do pensamento, e o dele está em Libra, o signo da medida exata, na casa 12. Libra pesa cada palavra numa balança antes de soltar. É a explicação técnica de uma poesia que parece simples e não é: os versos curtos dele passaram por um processo de corte que quase ninguém percebe ao ler.

a beleza na beira do abismo

Vênus em Libra, casa 12

Vênus governa o senso do belo, e a dele está no último grau de Libra, o signo da harmonia, a poucos minutos de escorregar para Escorpião. É uma posição de fronteira, e a poesia dele vive exatamente ali: a beleza que se instala e imediatamente esbarra em alguma coisa dura, uma pedra, uma perda, um José sem porta.

a garra do funcionário

Marte em Virgem, casa 10

Marte é onde a pessoa gasta a força, e o dele está em Virgem, signo do trabalho miúdo, na casa 10, a da posição pública. Não é o Marte do artista boêmio. É o Marte de quem constrói uma vida profissional formal, com hora de entrada, e escreve poesia no espaço que sobra.

O que o mundo vê, e onde isso mora no mapa

O maior poeta do país, escondido

Sol e Lua juntos em Escorpião, na casa 12, a 0,42 grau

Sol e Lua são os dois pontos principais de qualquer mapa, e no dele estão colados, a 0,42 grau um do outro, os dois em Escorpião e os dois na casa 12, que é o canto do céu ligado ao recolhimento e ao que não se mostra. É uma concentração fortíssima num só lugar, e o lugar é justamente o mais fechado do mapa. Bate com um homem que foi o poeta mais lido do Brasil e ao mesmo tempo o mais arredio, que fugia de homenagem, evitava palco e escrevia no silêncio de casa.

A pedra que virou escândalo

Mercúrio e Plutão em ângulo suave, a 0,06 grau, o mais fechado do mapa

Mercúrio é a palavra e Plutão é o que remexe o fundo. No céu dele os dois conversam com 0,06 grau de folga, praticamente exato, e é o encontro mais preciso do mapa inteiro. Costuma dar quem consegue provocar um terremoto com pouquíssimas palavras. Em 1928 ele publicou um poema de sete versos sobre uma pedra no meio do caminho, e o país literário levou anos discutindo, ofendido, se aquilo era poesia. Ele guardou os recortes e publicou a coleção de críticas décadas depois.

Trinta anos batendo ponto

Marte em Virgem na casa 10, a do ofício visível

A casa 10 mostra o que a pessoa faz aos olhos do mundo, e o Marte dele está lá, em Virgem, o signo da tarefa metódica. Não é o desenho do artista que vive de arte, é o do profissional com expediente. Foi exatamente assim: ele passou a maior parte da vida adulta como funcionário público no Rio de Janeiro, trabalhando no ministério ao lado do ministro Gustavo Capanema, e escreveu praticamente toda a obra que o Brasil decorou em paralelo a esse emprego.

Sessenta anos na mesma pergunta

56% do mapa em signos fixos e só 14% em mutáveis

Mais da metade do céu dele, 56%, está em signos fixos, os que não trocam de assunto, e apenas 14% em mutáveis, os que se dispersam. É o mapa de alguém que fica. Ele publicou o primeiro livro em 1930 e seguiu publicando por quase seis décadas, sempre girando em torno das mesmas obsessões: a cidade pequena, o deslocamento, a pergunta que ninguém responde. E agora, José?, de 1942, é essa pergunta em estado puro, e ele nunca parou de fazê-la.

O insubordinado disciplinado

Saturno em Capricórnio em ângulo cooperativo com o Ascendente, a 1,07 grau

Saturno é o planeta da regra e da estrutura, e no mapa dele está em Capricórnio, o signo que ele mais gosta, conversando sem atrito com o Ascendente, a 1,07 grau. Descreve gente que constrói a própria disciplina em vez de receber uma pronta. O detalhe saboroso é que o adolescente que foi expulso do colégio por insubordinação mental virou, adulto, um dos servidores públicos mais metódicos que a literatura brasileira já teve. Não é contradição, é a mesma pessoa escolhendo qual ordem obedecer.

As conversas do céu

O verso que quebra o padrão

Mercúrio e Urano em ângulo cooperativo, a 0,36 grau

Urano é o planeta da ruptura e Mercúrio é a escrita. Os dois se ajudam a 0,36 grau. Costuma aparecer em quem inventa uma forma nova sem fazer alarde de manifesto. A poesia dele fez isso: mudou a métrica, o assunto e o tom da poesia brasileira usando palavras que qualquer pessoa entende, sem nunca ter escrito um panfleto sobre o assunto.

O tamanho que não coube

Júpiter em oposição ao Meio do Céu, a 0,97 grau

Júpiter é o planeta do crescimento, e no mapa dele puxa contra o ponto mais alto, a 0,97 grau. Costuma descrever quem tem uma grandeza que não se acomoda no cargo. Cabe bem num homem cuja carteira de trabalho dizia funcionário do ministério enquanto o país inteiro decorava os versos dele.

A gargalhada por dentro

Sol e Júpiter em tensão, a 1,58 grau

Júpiter cutuca o Sol dele a 1,58 grau, e essa fricção costuma dar gente com um humor que só se percebe de perto. Quem lê a crônica dele encontra isso o tempo todo: um sujeito melancólico que era, na frase escrita, muito mais engraçado do que a fama de poeta triste jamais deixou aparecer.

Elementos e aspectos

A mistura dos elementos

  • ar32%
  • Água31%
  • terra22%
  • fogo15%

Os aspectos mais apertados

  • Mercúrio trígono Plutão · 0,06° de folga
  • Mercúrio sextil Urano · 0,36° de folga
  • Sol conjunção Lua · 0,42° de folga
  • Urano oposição Plutão · 0,43° de folga
  • Vênus sextil Lilith · 0,44° de folga
  • Marte sextil Netuno · 0,69° de folga

Você sabia?Ele nasceu numa lua nova. O Sol estava a 7,01 grau de Escorpião e a Lua a 7,43 grau do mesmo signo, quase no mesmo ponto do céu, o que significa que a Lua não aparecia no céu daquela noite. Para o poeta que escreveu que um anjo torto mandou ele ser gauche na vida, nascer sob a única fase em que a Lua está invisível é um detalhe que dá vontade de contar para alguém.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

De onde vem a hora de nascimento de Carlos Drummond de Andrade?
Da fonte declarada logo abaixo do título, Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/carlos-drummond-de-andrade/), nota B: biografia/autobiografia. A regra da casa é não publicar mapa sem origem de horário: hora sem fonte transforma o Ascendente e todas as casas em chute, e é justamente aí que a leitura muda mais. Quando a confiança do registro é média, a própria página avisa.
Ter o mesmo signo de Carlos Drummond de Andrade quer dizer ser parecido com Carlos Drummond de Andrade?
Não, e a lista de pontos aqui do lado mostra por quê. Além do Sol em Escorpião, Carlos Drummond de Andrade tem Lua em Escorpião e Ascendente em Escorpião, e cada um dos outros astros num grau e numa casa. Duas pessoas do mesmo signo solar quase nunca repetem o resto do desenho.
Se a hora estiver um pouco errada, o que muda?
Mudam o Ascendente e a divisão das casas, que dependem da rotação da Terra e viram depressa: poucos minutos já podem trocar o signo que subia no horizonte. Os astros mais lentos praticamente não saem do lugar, então a leitura deles por signo continua de pé mesmo quando o horário é aproximado.
Como comparo o meu mapa com este?
Calcule o seu de graça na calculadora que fica logo abaixo: ela devolve a mesma roda e a mesma lista de pontos que você está vendo aqui. Com os dois lado a lado, fica fácil reparar no que se repete e no que é só seu.

Continue explorando

O céu ao redor de Carlos Drummond de Andrade