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Ciência e divulgação científica

O mapa astral de Carl Sagan

Carl Sagan foi o cientista que convenceu o planeta a olhar para cima. A série Cosmos, de 1980, chegou a algo como 500 milhões de pessoas em 60 países, e antes disso ele já tinha ganho o Pulitzer, escrito a placa que a sonda Pioneer levou para fora do sistema solar e montado o disco de ouro da Voyager. Foi ele também quem pediu à Nasa que virasse a câmera para trás e fotografasse a Terra de seis bilhões de quilômetros.

Nascimento: 9 de novembro de 1934, às 17:05, em Nova Iorque (NY), Estados Unidos. Fonte do horário: Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/carl-sagan/), nota AA: registro de nascimento em mãos.

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A geometria real do céu de 09/11/1934

O céu em números

  • Sol16°49' Escorpião · casa 6
  • Lua21°51' Sagitário · casa 8
  • Ascendente25°18' Touro · casa 1
  • Meio do Céu3°19' Aquário · casa 10
  • Mercúrioretrógrado3°28' Escorpião · casa 6
  • Vênus14°33' Escorpião · casa 6
  • Marte13°09' Virgem · casa 5
  • Júpiter6°28' Escorpião · casa 6
  • Saturno21°40' Aquário · casa 10
  • Uranoretrógrado28°45' Áries · casa 12
  • Netuno14°11' Virgem · casa 5
  • Plutãoretrógrado26°02' Câncer · casa 3
  • Quíronretrógrado8°22' Gêmeos · casa 1
  • Lilith12°37' Leão · casa 4

Sol, Lua, Ascendente e o elenco

a vontade de ver o que está embaixo

Sol em Escorpião, casa 6

O Sol de cada pessoa mostra em que direção ela aponta a própria vida, e o dele está em Escorpião, o signo de quem não aceita a explicação de superfície e quer abrir para ver por dentro. Cai na casa 6, que é a do ofício de todo dia. É o mapa de um cientista de bancada antes de qualquer coisa: a fama de comunicador veio depois de anos calculando atmosfera de Vênus e de Marte.

o coração no horizonte

Lua em Sagitário, casa 8

A Lua diz onde a pessoa se sente em casa, e a dele está em Sagitário, signo do que fica longe demais para se enxergar, na casa 8, que trata do mistério e do que continua depois de nós. É o retrato emocional de alguém que se acalmava pensando em distâncias que não cabem na cabeça, e que passou a vida escrevendo cartas para desconhecidos que talvez existam.

a voz que acalmava

Ascendente em Touro

O Ascendente é o tom com que alguém entra num ambiente, e o dele é Touro, um signo lento, morno, sem pressa nenhuma. Quem assistiu a Cosmos lembra menos das imagens do que da cadência: ele falava devagar, com pausas longas, como quem tem todo o tempo do universo. Esse é o Ascendente dele funcionando na prática.

a cabeça que volta atrás

Mercúrio em Escorpião, casa 6

Mercúrio, o ponto que descreve o raciocínio, está em Escorpião no mapa dele, e está retrógrado, andando para trás no céu visto da Terra. Isso costuma dar uma mente que não segue em frente sem revisitar: ele reescreveu as mesmas ideias em livro, em série de televisão e em artigo, sempre voltando para lapidar a mesma imagem até ela ficar do tamanho de qualquer pessoa.

o encanto pela vastidão

Vênus em Escorpião, casa 6

Vênus é o ponto do gosto e da beleza, e a dele também está em Escorpião, na casa 6, no meio do bloco de trabalho do mapa. Diz de alguém para quem o belo e o profundo eram a mesma coisa. Ele não achava a ciência bonita apesar de ser difícil, achava bonita por ser difícil, e conseguiu passar isso adiante para meio bilhão de pessoas.

a ação que imagina

Marte em Virgem, casa 5

Marte é como a pessoa parte para cima, e o dele está em Virgem, na casa 5, que é a da criação e do que se inventa por prazer. Escrever um romance, Contact, e montar um disco de ouro com sons da Terra são atos de Marte na casa 5: energia gasta em fabricar coisas que ninguém pediu e que só existem porque alguém imaginou.

O que o mundo vê, e onde isso mora no mapa

Quatro planetas na mesma sala

Sol, Mercúrio, Vênus e Júpiter em Escorpião, todos na casa 6

É raro um mapa concentrar tanto num só lugar: Sol, Mercúrio, Vênus e Júpiter estão todos em Escorpião e todos na casa 6, que é a do trabalho de todo dia. Escorpião é o signo de quem quer ver o que existe embaixo da casca, e a casa 6 é onde a pessoa passa as horas úteis. O resultado é o retrato de alguém cuja rotina inteira era investigar. Antes de virar rosto de televisão, ele foi cientista planetário de verdade, e o que ele levou para a TV foi o próprio ofício.

O professor do mundo

Saturno em Aquário na casa 10, com o Meio do Céu também em Aquário

O ponto mais alto do mapa, o Meio do Céu, está em Aquário, signo da ciência, do futuro e do que pertence a todos, e Saturno, o planeta que ensina e cobra, está exatamente ali na casa 10. Esse arranjo costuma dar quem assume o papel de professor de um grupo grande. No caso dele, o grupo foi o planeta: uma série de treze episódios que alcançou cerca de 500 milhões de pessoas em 60 países e virou a porta de entrada de gerações inteiras na ciência.

A carta para quem talvez exista

Lua em Sagitário na casa 8, a do que fica depois

A Lua dele está em Sagitário, o signo da distância, dentro da casa 8, que na astrologia trata do que atravessa o fim. É o desenho emocional de alguém sossegado com a ideia de escrever para quem ele nunca vai conhecer. Foi literalmente o que ele fez: coordenou o disco de ouro da Voyager, em 1977, uma coleção de sons e imagens da Terra que segue viajando para fora do sistema solar e que só será encontrada, se for, daqui a dezenas de milhares de anos.

Insistir até a Nasa ceder

73% do mapa em signos fixos e apenas 5% em cardinais

Quase três quartos do céu dele, 73%, estão em signos fixos, os que não desistem de uma ideia. Poucos mapas chegam a esse número. E foi preciso exatamente isso para arrancar a foto mais famosa da história da exploração espacial: ele passou anos pedindo que a Voyager 1 girasse a câmera e fotografasse a Terra antes de sair de vez. A imagem, um ponto minúsculo de luz, só foi feita em 1990.

A ficção como ferramenta

Marte junto de Netuno em Virgem, na casa 5, a 1,04 grau

Marte é a ação e Netuno é a imaginação, e no mapa dele os dois estão colados, a 1,04 grau, dentro da casa 5, a da criação. Costuma dar quem trabalha construindo mundos. Ele escreveu um romance, Contact, e desenhou em Cosmos uma nave da imaginação para levar o telespectador a lugares que nenhuma sonda alcança. Para um cientista, usar ficção como instrumento de ensino era heresia. Para esse mapa, era o caminho natural.

As conversas do céu

Emoção com estrutura

Lua e Saturno em ângulo cooperativo, a 0,19 grau

Aqui a Lua, que é o sentir, e Saturno, que é a forma e o limite, se ajudam num ângulo quase exato, com 0,19 grau de folga. Isso costuma dar gente capaz de se emocionar sem perder a linha do raciocínio. É o traço mais reconhecível dele em cena: o momento em que a voz embarga e, mesmo assim, a frase continua precisa até o ponto final.

A beleza que não se explica

Vênus e Netuno em conversa fácil, a 0,37 grau

Vênus é o senso de beleza e Netuno é o que não tem contorno definido. Os dois se entendem no mapa dele com 0,37 grau de folga. Costuma aparecer em quem consegue traduzir o inefável em palavra simples. Foi o talento comercial dele, no bom sentido: pegar um dado frio de astronomia e devolver como uma frase que arrepia.

O peso na chegada

Plutão em ângulo suave com o Ascendente, a 0,74 grau

Plutão é o planeta da intensidade, e ele conversa sem atrito com o Ascendente dele, a 0,74 grau. Descreve alguém cuja presença muda a temperatura da sala sem que a pessoa levante a voz. Quem já viu um trecho de Cosmos entende: ele fala baixo o tempo inteiro e ainda assim é impossível prestar atenção em outra coisa.

Elementos e aspectos

A mistura dos elementos

  • Água39%
  • fogo24%
  • terra19%
  • ar18%

Os aspectos mais apertados

  • Mercúrio quadratura Meio do Céu · 0,14° de folga
  • Lua sextil Saturno · 0,19° de folga
  • Vênus sextil Netuno · 0,37° de folga
  • Plutão sextil Ascendente · 0,74° de folga
  • Mercúrio quadratura Nodo Norte · 0,8° de folga
  • Nodo Norte conjunção Meio do Céu · 0,94° de folga

Você sabia?Quatro pontos do mapa dele caíram no mesmo signo e na mesma casa: Sol, Mercúrio, Vênus e Júpiter, todos em Escorpião, todos na casa 6. Concentração assim é incomum, porque exige que planetas de velocidades muito diferentes estejam no mesmo trecho de céu no mesmo instante. É como se metade do mapa tivesse combinado de sentar na mesma mesa.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

De onde vem a hora de nascimento de Carl Sagan?
Da fonte declarada logo abaixo do título, Mapa do Céu (https://www.mapadoceu.com.br/pt/mapa/carl-sagan/), nota AA: registro de nascimento em mãos. A regra da casa é não publicar mapa sem origem de horário: hora sem fonte transforma o Ascendente e todas as casas em chute, e é justamente aí que a leitura muda mais. Quando a confiança do registro é média, a própria página avisa.
Ter o mesmo signo de Carl Sagan quer dizer ser parecido com Carl Sagan?
Não, e a lista de pontos aqui do lado mostra por quê. Além do Sol em Escorpião, Carl Sagan tem Lua em Sagitário e Ascendente em Touro, e cada um dos outros astros num grau e numa casa. Duas pessoas do mesmo signo solar quase nunca repetem o resto do desenho.
Se a hora estiver um pouco errada, o que muda?
Mudam o Ascendente e a divisão das casas, que dependem da rotação da Terra e viram depressa: poucos minutos já podem trocar o signo que subia no horizonte. Os astros mais lentos praticamente não saem do lugar, então a leitura deles por signo continua de pé mesmo quando o horário é aproximado.
Como comparo o meu mapa com este?
Calcule o seu de graça na calculadora que fica logo abaixo: ela devolve a mesma roda e a mesma lista de pontos que você está vendo aqui. Com os dois lado a lado, fica fácil reparar no que se repete e no que é só seu.

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